Gaúcho de São Borja! – Capítulo XI

 

Silos e indústrialização de arroz em São Borja.

 

Instalações industriais de arroz.

 

Sala de controle eletrônico de qualidade.

 

   Mudança radical de vida.
A confirmação do namoro com Ângela, provocou uma mudança radical na vida de Gaudêncio. Até aquele momento não havia demonstrado inclinação para retomar os estudos. Logo na terça-feira procurou as escolas na cidade em busca de informações sobre sua situação e da possibilidade de retorno aos bancos escolares. Havia concluido o quinto ano. Desistira de continuar ao ter que enfrentar o exame de admissão ao ginásio. Julgara muito complicado tudo isso e optara por aprender tudo o que fosse possível do serviço da fazenda. Agora, não estava arrependido, mas disposto a recuperar o tempo perdido.
As mudanças introduzidas na estrutura do Sistema educacional pela LDB nº 5692 em 1969, eliminaram o exame de admissão e assim poderia ingressar sem problemas na quinta série do ensino fundamental. Foi aconselhado a fazer uma revisão dos conteúdos, já um pouco esquecidos das series iniciais. Indagou da forma que poderia usar para fazer essa revisão. Quem o orientava era a secretária da escola e ela disse:
– Espere um instante. Vou ver se encontro uma coisa.
Levantou-se e foi até uma prateleira, onde havia um grande número de volumes, de diverentes formatos, pastas, livros de registros e, num canto, algumas brochuras. Procurou entre elas e em pouco tempo tinha nas mãos dois volumes do antigo curso de admissão ao ginásio. Um era de ciências e matemática, o outro de português, história e geografia. Voltando ao seu assento falou:
– Olhe o que encontrei. Essas são duas brochuras do antigo curso de admissão ao ginásio. Tem o resumo de tudo que precise dominar para acompanhar as matérias da quinta série. As matrículas serão feitas no mes de janeiro. Lhe empresto essas, mas quero que me devolva. Tem valor histórico.
– Eu devolve sim. Se me emprestar vou estudar muito para não fazer feio depois entre a garotada.
– Você não vai estudar com garotos. Os alunos do turno da noite são na maioria de sua idade ou pouco menos. Não vai sentir-se muito deslocado.
– Melhor assim. Pensei que ia ficar no meio de um bando de meninos de 12 anos ou pouco mais. Pelo visto não sou o único que não quis estudar antes e decidiu depois que era preciso.
– E como tem gente nessa situação. Muitos não estudaram por não ter oportunidade ou algum outro motivo.
– Obrigado pelas informações, dona?
– Sou Marlene Dornelles da Costa. Pode sempre contar com nosso apoio. Seu padrinho, o senhor Joaquim, é bem conhecido nosso. Em várias ocasiões nos valeu com sua ajuda.
– Folgo em saber disso. O padrinho tem um coração maior que o próprio peito. Nunca nega ajuda quando pode.
– Leve lembranças a ele e dona Ana Maria.
– A madrinha infelizmente é finada. Faz pouco mais de dois anos.
– Que pena! Seu padrinho deve ter sentido muito a falta da companheira. Eram inseparáveis.
– Ele esteve bem mal po runs par de meses. Meu pai tirou ele da casa da cidade, levou ao médico e depois cuidamos na fazenda. Por sorte se recuperou, viajou e voltou bem disposto. Agora nem se nota que tenha passado tão mal.
– Muito bem, Gaudêncio.
– Vou indo, pois tenho o que fazer e a senhora também deve de ter. Passar bem, dona Marlene.
– Igualmente.
Levantou, estendeu a mão em despedida, depois se retirou. Passou por uma livraria/papelaria e comprou cadernos, lapis, borracha e apontador. Começaria naquela noite mesmo a estudar. Faria um grande esforço para sair-se bem no próximo ano. Ao chegar em casa apresentou o que trouxera e Joaquim lhe parabenizou pela decisão firme. Comentou:
– O que o amor não é capaz de fazer!
– Serviu para me acordar. O senhor tinha me dado uma palavra sobre isso e agora sei que tinha razão.
– Tem meu apoio total.
– Vou repassar os plantios de arroz. Tenho que ver como estão os terrenos na preparação. Não podemos perder tempo com atrasos.
– Isso é por sua conta. Conto com seu bom senso e cuidados.
– Vou passar depois na casa do papai e mamãe e contar que vou ser estudante agora.
– Eles vão ficar contentes com isso. Nunca quiseram que você largasse da escola.
– Agora terão um presente, mesmo um pouco atrasado.
– Antes tarde que nunca.
Gaudêncio levantou e foi cuidar de suas ocupações. Percorreu a fazenda no jipe que usava para isso e distribuiu algumas ordens que julgou necessárias. Depois retornou, passando pela casa onde moravam os pais. Levava com ele os materiais adquiridos.
Maria Conceição e Pedro Paulo viram com satisfação a disposição do filho com relação aos estudos. Mesmo que não viesse a se formar numa faculdade. Bastava ter uma formação melhor e assim estar preparado para enfrentar a vida que anteviam diante do início de namoro com a filha de um general. Certamente haveria oportunidades em que viria a se encontrar com outra classe de autoridades civis e militares. Não seria de bom tom que o namaorado, talvez noivo e depois marido, da filha do militar pecasse pela falta de traquejo tanto social como cultural.
Naquela noite ligou para a casa do general e falou com Ângela. Informou-a de suas decisões tomadas naquele dia e ouviu dela um caloroso elogio. Conversaram por alguns minutos e se desejaram mutuamente bom sono. Ainda não usavam palavras mais íntimas, uma vez que estavam nos passos iniciais de seu relacionamento. Talvez no princípio de novembro, por ocasião do feriado de finados, ou então na proclamação da república, Gaudêncio aproveitaria para fazer uma visita à namorada. Avisaria sobre a viagem quando estivesse decidida a data.   
Os dias subsequentes correram sem novidades e nosso jovem enamorado aproveitou as horas disponíveis para iniciar os estudos das apostilas que receber emprestadas. O começo foi um pouco complicado, mas não demorou para que tudo começasse a fluir mais facilmente. Estava movido pelo interesse. Sem dúvida um forte fator motivador no processo de aprendizagem. Percebeu com satisfação que, assuntos antes vistos como complicados, lhe pareceram simples. Boa parte da aparente complexidade que se antepunha anos antes havia deixado de existir. Comentou com Joaquim e ele lhe disse:
– Infelizmente não posso lhe valer de muita coisa nesse particular. Mas sei que quando estamos motivados tudo parece mais fácil. A falta de vontade é um obstáculo quase impossível de superar.
– Deve ser isso. Estou achando tudo tão fácil. Acho que vou até escrever uma carta para a Ângela para treinar minha letra e a escrita.
– Uma boa ideia. Cartas dão mais emoção que uma ligação por telefone.
– O senhor me ajuda? Nunca escrevi nenhuma carta antes.
– A bem me lembrar, não sei se eu fiz isso alguma vez.
– Vou fazer do jeito que sei. Se ela responder, uso a carta dela como modelo para as próximas.
– Começando a usar a cabeça para pensar, não apenas para carregar chapéu.
– Que é isso padrinho?
– Estou apenas brincando. Usar de exemplos e modelos para aprender a fazer coisas novas faz parte da vida.
Foi para a escrivaninha onde estavam seus materiais de estudos e começou a escrever uma carta para a namorada. Recomeçou umas duas ou três vezes, até que saiu alguma coisa que o deixou satisfeito. Havia ali na escrivaninha alguns envelopes. Subscreveu um deles, colocou a carta, depois lacrou com um pouco de cola. Na próxima ida para a cidade seria colocada no correio. Talvez o padrinho pudesse fazer isso para ele. Ia sempre a cidade encontrar os amigos de muitos anos. Fazia uso de sua situação, facilitada com o herdeiro assumindo as tarefas de aministração, junto com o pai Pedro Paulo.
A carta foi colocada no correio e em questão de duas semanas recebeu a resposta. Trazia palavras carinhosas escritas por Ângela, além de um pouco de seu perfume impregnado no papel. Ficou emocionado, guardou a carta e releu diversas vezes, antes de sentar para escrever nova missiva. Tomava gosto pela coisa. Era bom ter em mãos uma folha de papel onde a pessoa amada deixara registrados seus sentimentos, seu perfume. Era possível imaginar o rosto da amada ali diante dele, com a boca pronunciando as palavras uma a uma, na medida em que lia.
Voltou a escrever, tomando cuidado para não cometer alguns erros havidos na primeira. Ângela não comentara nada, provavelmente por delicadeza, mas tinha auto crítica suficiente para observar que os cometera. Dessa vez precisou recomeçar apenas uma vez e ficou satisfeito com o resultado. Dessa vez ele mesmo levaria o envelope ao correio, aproveitando para isso sua ida ao comércio de sementes e adubos na manhã seguinte. Iria até o colégio dar conta à Marlene de seus progressos. Estava muito satisfeito com seu progresso e queria dizer a ela que sua ação ao lhe emprestar as brochuras não fora sem resultado.
Ao chegar a cidade passou primeiro pelo posto dos correios e foi ao colégio. Feito isso tinha tempo de sobra para negociar a entrega de sementes e adubos para o plantio do arroz. Haviam aumentado a área de cultivo em cerca de 40%, implicando num acréscimo de insumos para cobrir a ampliação de área. Voltou quando entardecia. Almoçara com o padrinho que se encontrava na casa da cidade. Viria para a fazenda no final de semana para matar a saudade segundo suas palavras.
Ordenha manual.

 

Ordenha mecânica.
Visão de outro ângulo da ordenha mecânica.
Ao chegar em casa, encontrou a mãe as voltas com algumas vacas do plantel com problemas de inflamação nas tetas. Provavelmente alguma falta de cuidado com a higiene dos ordenhadores havia provocado o problema. O fato de deixar leite sem tirar, era causador frequente desse efeito. O fato de ter descido e não tirado, provocava uma solidificação do líquido. O resultado era um endurecimento e consequente inutilização da teta, caso não fosse tratado com urgência. Foi preciso chamar às pressas o veterinário que atendia os animais da fazenda nas emergências.
O avançado da hora não permitia que se fizesse grande coisa naquele momento. O profissional prometeu vir na manhã seguinte, ao clarear do dia, trazendo os medicamentos necessários ao tratamento. Como medida preventiva prescreveu os procedimentos que ajudariam a manter o processo parado, não permitindo que se alastrasse. Tudo foi seguido à risca, dentro do que o doutor mandara.
Jantou com os pais e depois voltou a casa da sede, onde ficou algum tempo estudando. Aproveitava para ler tudo que fosse texto que lhe caia sob os olhos, percebendo que poderia obter informações preciosas com a leitura. Lamentou a quantidade de tempo perdida anteriormente. Poderia nessa hora estar muito à frente do ponto em que estava. Deixou de lado os pensamentos negativos, pois não seriam capazes de trazer o passado de volta. Era preciso prevenir para no futuro não cometer o mesmo erro. Até mesmo uns livros que a madrinha deixara e que nunca mais haviam sido abertos, começaram a chamar sua atenção.
O que estaria escrito naqueles volumes de muitas páginas, com títulos aparentemente estranhos? Sentiu-se atraido a pegar um deles começar a ler. Passou alguns minutos olhando as lombadas, regularmente limpadas da poeira que se depositava sobre elas, tentando imginar qual era o mais indicado para começar. Em determinado momento deparou com um que, tinha escrito em destaque Ana Terra. Não era dos mais volumosos e deveria ser bom para começar. Pegou o volume e leu nas primeiras páginas, vendo que se tratava de obra escrita por Érico Veríssimo, compatriot, residente em Porto Alegre.
Leu o prefácio, agradecimentos, dedicatória do autor, introdução e depois chegou ao primeiro capítulo. Ficou impressionado com a quantidade de informações que havia obtido apenas lendo essas páginas iniciais. A curiosidade falou mais forte e começou a ler com avidez. Aos poucos o enredo o envolveu e sentia a emoção crescere na medida em que avançava página após página. Queria ler mais depressa, mas ainda sentia a dificuldade decorrente dos longos anos de inatividade a que submetera seu intelecto. Haveria de ficar mais rápido com o treino. Percebeu que havia palavras que lhe eram desconhecidas, mas conseguia lhes adivinhar o significado dentro do contexto. Isso com certeza contribuiria para melhorar seu vocabulário, expandiria sua capacidade de entendimento. Tão absorto ficou na leitura que não percebeu o tempo passar e já era mais de meia noite. Fechou o livro à contragosto. Deixou marcada a página onde parara, colocando um pedaço de papel.
Deitou e dormiu em seguida. Antes de clarear o dia estava de pé para receber o veterinário. Queria estar presente para ver o que precisaria ser feito e determinar aos empregados que deveriam ter mais cuidado no futuro. Boas vacas de leite não se consegue do dia para a noite. Era por isso necessário preservar as que tinham para não deixar cair a produtividade. A reposição ao longo dos anos tinha que ser feita. Exigia tempo para criá-las ou dinheiro para adquirir novas.
Os animais foram tratados com cuidade e verificou-se que o problema ainda estava em estágio inicial. Se os procedimentos fossem seguidos à risca, não haveria perdas da produtividade dos animais. Apenas alguns dias o leite das tetas doentes deveria ser descartado. Não Servia sequer para alimentar outros animais domésticos. Causaria danos digestivos e isso seria maléfico, além de implicar em novos tratamentos a serem dispensados aos mesmos.
Depois de tudo resolvido, pagou ao veterinário o preço da visita, bem como o custo dos medicamentos usados. Recebeu a receita para adquirir as medicações que teriam que ser usadas por uma semana para completar o tratamento. Iria depois do almoço buscar tudo para ter à mão na hora da ordenha da noite. O veterinário se despediu e voltou para a clínica que tinha na cidade, junto com a farmácia de produtos. Esperaria pelo cliente para lhe passar algumas instruções complementares.
Maria Conceição ficou contente ao saber que suas vacas não haviam sofrido danos definitivos e voltariam em alguns dias ao nível normal de produção. Era extremamente cuidadosa e passou a ser mais severa com todos os procedimentos na hora da ordenha. Em conversa com o filho, este aventou a hipótese de instalarem uma máquina de ordenha para automatizar o processo. Ela o olhou com os olhos esbugalhados:
– E isso existe, filho?
– Se existe, mãe! É claro que existe. Tem lugares em que as pessoas não pegam no úbere das vacas. Uma máquina suga o leite e o manda para um recipiente bem grande. Depende do número de animais, tem máquinas maiores e menores.
– Tenho medo dessas coisas modernas. Será que as nossas vacas, acostumadas à ordenha manual, vão acostumar com essas coisas modernas?
– Vou me informar com o doutor quando for lá comprar os remédios. Acho que é hora de modernizar essa parte da propriedade. O arroz já é semeado e colhido por máquinas. Depois vai para o secador. Não se perde mais um grão por problemas de umidade, chuva e tal.
– Fala com o homem e depois conversamos com compadre Joaquim.
– O padrinho deixa por minha conta. Se o veterinário aconselhar, convenço ele fácil, fácil.
– Mas isso vai exigir novas instalações. Não vai causar demissão de trabalhadores?
– Estamos fazendo tudo dentro das exigências da lei. Se for preciso demitir alguém, ele vai estar amparado no FGTS, INPS e tudo mais.
– Eu fico com dó de ter que mandar alguém embora.
– Vou procurar fazer tudo do melhor jeito possível, para não ter que demitir ninguém. Podemos aproveitar quem não tiver mais o que fazer aqui em outro serviço. Há de se dar um jeito nisso, mamãe.
– Vai com cuidado, filho.
– Daqui a pouco eu volto com os remédios.
Arroz no ponto de colher.

 

Máquina colhendo arroz.

 

Arroz em ponto de colher.

 

 

Arroz sendo descarregado na carreta de transporte.
 
 
Embarcou na caminhonete que usava em suas idas à cidade e foi até a farmácia. Ali, depois de adquirir os produtos todos, além de alguns outros usados habitualmente no dia a dia, como mata bicheiras, carrapaticidas e outros. Aguardou um pouco para conversar com o veterinário. Quando ele ficou disponível, perguntou sobre a questão das ordenhadeiras e recebeu dele as orientações que seria necessárias. Inclusive folhetos explicativos sobre os modelos disponíveis. O custo estimativo, as instalações necessárias, todos os detalhes. Haveria é claro os cuidados higiênicos necessários. Mas ficaria bem mais prático, rápido e seguro o trabalho. As instalações não eram assim tão complexas de fazer.
Saiu dali e foi direto falar com Joaquim, levando a ele os prospectos e sua ideia de substituir a ordenha manual por máquinas. Tinha as anotações de custos, tanto do equipamento como das instalações de modo aproximado. O padrinho estava ouvindo ele falar com tamanho entusiasmo e não o interrompeu. Quando ele terminou de falar, olhou-o fixamente e perguntou:
– E você o que acha disso?
– Acho que devemos modernizar a ordenha. Não aconteceu o mesmo com a semeadura e colheita do arroz? Agora não perdemos mais colheita por excesso ou falta de chuva, nem por não conseguir secar depois de colhido.
– Olhando por esse lado, não é de todo mau. Deixe eu pesar um pouco sobre o assunto e no sábado falamos sobre isso quando for lá na fazenda.
– Está certo, padrinho. Se quiser ir falar com o doutor, ele lhe explica melhor.
– Vou fazer isso. As vacas vão ficar boas com o tratamento?
– O doutor prometeu que sim. Basta fazer o tratamento direito que não vai ter problema.
– Sorte a sua mãe estar atenta e terem tomado providências logo. Se bobeasse essas vacas iam se perder. Depois nem para criar não serviriam mais, apenas para o açougue. E o frigorífico nem quer vaca de leite.
– A mãe está preocupada com os empregados que vão perder o emprego. Prometi cuidar para que ninguém tenha que ser demitido. Quem se adaptar ao uso das máquinas fica lá. Os demais aproveitamos em outro setor.
– Comadre Maria Conceição é muito generosa. Não aceita ninguém sendo prejudicado. Mas em último caso, quem precisarr ser dispensado tem o FGTS e INPS para amaparar. Aliás tem que ver se já não é tempo de pensar em aposentar os mais idosos.
– Acho que ainda falta tempo de contribuição. Tem que ver com o contador sobre essa questão.
– Hoje não dá tempo, mas outro dia você conversa com ele sobre essa questão. Agora vou até o clube jogar um carteado e acho que você precisa se apressar para não chegar atrasado.
Clube de São Borja.
– Poxa vida! Conversando o tempo passa e eu quase perco a hora. Vou andando, padrinho.
– Vai com Deus. Dê lembranças ao compadre e comadre.
– Dou sim. Adeus.
Seguiu sem demora para casa, chegando pouco antes da hora da ordenha. Entregou à mãe todo suprimento de medicamentos necessários ao tratamento dos animais doentes e foi ver o andamento do serviço. Ficou por ali observando, prestando atenção ao trabalho de cada um. Sugeriu forma diferente de fazer uma ou outra coisa e foi aceita sua sugestão que se mostrou eficiente. Depois de tudo pronto, acompanhou a mãe até em casa, tomou café com os pais, comeu um pouco e foi para seus estudos. O que na verdade o impelia, era continuar a ler o livro que começara. Nunca lhe passara pela cabeça a ideia de que uma história fictícia, narrada num livro, pudesse prender de tal modo a atenção de uma pessoa. Antes de começar a ler, estudou mais um pouco e depois atacou com vontade.

 

Cada parágrafo, cada página trazia uma nova emoção e ele ficou empolgado. Teve que cuidar para não passar da hora, pois o outro dia seria de bastante trabalho. Os adubos e sementes seriam entregues. Fazia questão absoluta de estar presente pessoalmente para supervisionar o recebimento de tudo. 

Deixe uma resposta