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Mineiro sovina! – Capitulo XVII

Museu de Arte Moderna Belo Horizonte.

 

MAM de São Paulo.

 

 O sucesso bate à porta.
            Coronel Onofre arregalou os olhos quando soube do sucesso de vendas dos quadros de sua filha. Somente os que faziam parte do acervo usado na casa não haviam sido vendidos. Ele estava com saudades deles. O lugar ficara vazio, parecia despido da beleza que as pinturas emprestavam ao ambiente. Queria saber quando eles voltariam ao seu lugar.
            Isabel prometeu pintar outros e colocar no lugar. Depois da primeira tournê de exposições eles voltariam ao seu lugar e ali ficariam. Haveria novos sendo pintados e fariam parte de futuras exposições. O valor total das vendas alcançava uma pequena fortuna. O lucro de uma boa colheita de café não seria suficiente para cobrir tudo.
            – I eu que num pensei que isso tivesse algum valor! Oia só minha veia! Nossa fia encheu os bolso de dinheiro de uma única pancada.
            – E tem mais por ganhar. Ela foi convidada para exposições em São Paulo, Rio de Janeiro e até nos estrangeiro. Maginou!
            – Mas ocê vai cum ela, num vai?
            – Quem vai cuidá de ocê meu veio?
            – Uma empregada dá conta disso.
            – Vamo vê isso adespois. Agora é hora de dar um abraço na nossa fia e valorizar o trabaio dela.
            – Ela podia ficar aqui, pintar seus quadro. Quanto tivesse bastante, fazia outra exposição e ganhava o seu. Num é suficiente?
            – Mas é um pecado enterrar ela aqui na fazenda! Ela tem esse tal de Talento. Nem sei dereito qui é isso.
            – Talento? Sei dereito qui é não. Mas que importa?
            Nisso Isabel veio, guiando seu automóvel novo, comprador com uma pequena parcela do dinheiro ganho com a venda de seus quadros. O promotor de justiça for a suficientemente inteligente. Oferecera um bom dinheiro por dois dos mais bonitos e ficara com eles. Lhe dera pessoalmente os parabens. Desejara muito sucesso.
            – Ele falou que espera me ver brilhar nos museus da Franca, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, e nem sei mais onde. Não vai sobrar tempo pra pintar mais os meus quadros.
            – Proveita pra mode descansa um tempo. Quando voltar torna pintar tudo novamente.
            – Meus dedos estão com cócegas por pegar num pincel e nos potes de tintas. Vestida assim cheia de luxo, parece que não sou eu. Quando estou com o avental todo sujo de tinta me sinto viva.
            – O tal José Silvério falou com ocê direito?
            – Sobre o quê pai?
            – Uai! Ele tinha pedido minha permissão pra mode namorar cocê e eu não dei licença. Agora ele me provou que é um advogado de sucesso, ganha um bom dinheiro e eu permiti.
            – E ocê num tinha falado nada disso, veio! Isso num si fais. As coisa não é mais como era de antigamente.
            – Pra mim é tudo igual. Mas eu já dei permissão e oceis pode namorá. Não quero saber de agarração nem coisa do tipo. Namoro longo também num serve.
            – Pai! O senhor está esquecendo que estamos no final do século XX! As coisas não são mais assim. Isso é coisa lá do seu tempo de juventude.
            – Agora tá feito e pronto. Ele nem reclamou. Aguentou firme e provou que é home de valor. Isso que é sujeito de fibra sô.
            – Que ele é um homem de valor nós sabemos. Veja o que ele fez com os meus quadros. Não tinha motive nenhum para fazer o que fez. Foi graças a ele que minha vida mudou. Hoje estou me tomando uma pintora famosa.
            – Eta ferro sô! Mais aqui em casa tudo continua nas mesmas. Não tem nada de fama.
            – Pode ficar sossegado. Não vamos lhe causar desgosto. O meu namorado é também um cavalheiro. Isso mesmo, um cavalheiro.
            – Quem diria! Chegou aqui, um devogadozinho meio sem sal nem açúcar e agora é Cavalheiro. Como as coisa mudaram!
            – Vou dar um passeio pela fazenda. Vai comigo pai?
            – Vai de jipe ou de cavalo?
            – Estou morrendo de vontade de motnar no meu baio. Ele também deve estar com saudades de mim.
            – Vou mandar selá os bicho. Enquanto isso ocê si apronta. Põe uma roupa de montaria.
            – Vamos junto mãe?
            – Vou cuidar das coisa pro jantar. Vai você com seu pai.
            Isabel foi para seu aposento vestir uma roupa adequada para montar, um par de botas e o pai saiu para ordenar a preparação das montarias. Quando saiu o rapaz das baias estava terminando de selar o baio de Isabel. Em minutos estavam pái e filha montados deixando os animais a passo, percorrendo os cafezais, nesse tempo verde escuros, os grãos em crescimento. Os galhos começavam a vergas sob o peso da carga. Se não houvesse contratempos teriam uma safra muito boa.
            Passaram pelo local da fonte onde ainda havia a cerca por ser refeita no lugar certo e os pés de café que haviam sido cortados. Logo seria tudo colocado nos devidos lugares. No final daquela semana se reuniriam diante do juiz para assinarem os documentos para acertar toda aquela pendenga com Jerônimo. Estava disposto a retirar a queixa contra o vizinho. Afinal nem sentia mais nada do tiro que levara e não carecia guardar ressentimentos por uma coisa que ficara no passado. Não sabia se o juiz iria concordar em aliviar o peso da justiça sobre o vizinho. Aí era uma questão que não estava em suas mãos.
            Enquanto percorriam as últimas etapas do passeio, o sol atingiu o horizonte. Sentia-se plenamente feliz. Tivera seus dias de glória durante a exposição e havia um bom tanto deles pela frente nos próximos meses. Estava com seu pai, passeando pelo cafezal, paisagem que fazia parte de sua vida e também da arte desde a infância. Haveria uma semana de descanso antes de iniciar a preparação da exposição no MAM – Museu de Arte Moderna. Depois já no mês de dezembro seria a vez do Rio de Janeiro. Estava em negociação uma excursão ao exterior. Projeto para o próximo ano quase inteiro. Haveria uma ou outra folga para vir ver a família entre as exposições nos diversos centros mundiais.
            Na quinta feira a tarde Coronel Onofre, José Silvério, Jerônimo e seu advogado encontraram-se diante do juiz para o acerto final das desavenças. Onofre havia retirado a queixa na delegacia, mas o juiz não aceitou arquivar o processo. Decidiu ali mesmo que os transgressores teriam uma pena atenuada, mas não ficariam impunes. Jerônimo vendo que o vizinho fizera o possível se conformou e aguardou a decisão final do magistrado. Talvez tivesse uma prisão domiciliar, sendo obrigado a se apresentar semanalmente ao delegado. Não poderia se ausentar da comarca. Isso seria ótimo, pois não o impediria de cuidar de sua propriedade. Queria, o quanto antes, pôr tudo em ordem.
            Foi assinado um documento final sobre a questão da divisa, os pagamentos da indenização, as demais condições fixadas judicialmente. Qualquer quebra de cláusula pactuada invalidaria o restante do acordo. Ao sairem da sala do juiz, encontraram-se com o promotor ele agradeceu a José pela informação. Adquirira dois quadros maravilhosos. Pelo visto em pouco tempo valeriam uma pequena fortuna. Sabia do convite recebido por Isabel para expor em São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades.
            – O melhor de tudo é que ela foi convidada para expor na França, Itália, Alemnha, Londres, Nova York, Tóquio e outros lugares.
            – Minha nossa! Ficou famosa da noite para o dia. Parabens coronel pela filha talentosa.
            – Obrigado, doutor.
            – O senhorr deve estar cheio de orgulho. Não é qualquer um que pode dizer que sua filha é uma artista famosa. Ainda mais na pintura. Os verdadeiros talentos são um tanto raros.
            – O doutor aqui que vai ficar de cabeça quente!
            – Mas por quê, doutor José?
            – Ele é agora o namorado da minha fia.
            – Entendi. Vai chover de gala à volta dela. Se cuida amigo. Falando nisso, podemos jantar amanhã à noite?
            – Podemos, doutor.
            – Combinado. Nos encontramos na esquina da praça e vamos naquele restaurante em frente.
            – Às oito?
            – Está ótimo.
            Despediram-se e retornaram ao escritório. Ali Isabel estava a espera. Fora falar com o agente e na volta sentara para esperar pelo pai. Ela viera dirigindo em seu automóvel e voltariam para casa. Quando os dois chegaram, ela perguntou:
            – Tudo em ordem pai?
            – Tudo sim, fia. Está tudo resolvido. Vamo vive em paz com as vizinhança toda. O único que tava dando trabaio tomou jeito agora.
            – Que bom. Como está José?
            – Muito bem. Vocês poderiam ficar para jantar comigo. Fui convidado pelo promotor e vai ser hoje à noite.
            – Nós vamos para casa. A mãe vai ficar preocupada. Depois vocês devem ter seus assuntos a conversarem, principalmente depois daquele caso famoso.
            – Não vou insistitir. Teremos ocasião de nos encontrar em outros dias. Domingo vou almoçar em sua casa.
            – Tamo combinado, José. Nóis vamo ino.
            Deram adeus e em minutos estavam percorrendo sob um sol ainda forte a distância que os separava da fazenda. Ainda com o sol alto chegaram em casa e encotraram tudo na mais perfeita paz. Dona Maria Luisa apareceu na varanda e ficou esperando os dois desembarcarem e virem sentar-se à sombra. O ar ainda estava morno do sol da tarde. Trouxe-lhes um refresco que eles beberam com gosto e agradeceram. Depois de um tempo sob o sol forte, era coisa excelente sentar à sombra e beber um refresco bem geladinho. Bendita invenção de alguém a tal geladeira. Primeiro haviam tido uma à querosene, depois a gás e por fim, uma elétrica depois de a energia chegar à propriedade.
            O jantar foi cheio de conversar interessantes. José ficou sabendo de várias fofocas que corriam nos bastidores do forum. Nada grave, apenas pequenos mexericos, uma ou outra infidelidade conjugal de alguém e assim por diante. Habitualmente discrete, José ouviu tudo, sem intenção de fazer uso inadequado das informações que estava recebendo assim de maneira tão fácil. Estava sendo alvo de uma consideração elevada e era mister mostrare-se digno de tal distinção.
            Na hora de pagar a conta José fez menção de pagar a sua parte e o promotor não permitiu.
            – Você colega, é meu convidado hoje. Em outra ocasião a situação é diferente. Hoje é por minha conta.
            – Não haveria problema algum. O simples prazer de sua comapania vale o preço do jantar.
            – Guarde seu dinheiro, amigo.
            – Seja feita sua vontade.
            A conta foi paga e os dois caminharam algumas quadras até o local em que haviam deixado os automóveis. Era uma área bem movimentada e no momento não tinham encontrado vaga para estacionar. Caminharam e continuaram a conversa de antes. Quem primeiro alcançou seu carro foi José. Despediram-se e ele embarcou, ligou o motor e depois partiu. O promotor andou mais um pouco e fez o mesmo.
            Domingo perto da hora do almoço José chegou à fazenda e foi recebido por Isabel. Ele lhe deu um beijo carinhoso na face e entraram em casa abraçados. Assim chegaram diante da mãe e do pai sentados na sala naquele momento.
            – Mas formam um belo par! Não acha meu veio?
            – É sim. Uai! É minha fia. Tinha que dar nisso!
            – Mas quanta vaidade, pai.
            – Bom dia coronel. Bom dia dona Maria Luisa.
            – Dia, doutor.
            – Bom dia, – disse dona Maria Luisa.
            – Sente-se, meu bem. Quer um café ou um refresco?
            – Acho que um refresco vai bem. Está bem quente.
            – Nóis tava vendo a corrida de formula 1. As veis eu gosto de assistir.
            – Então o senhor é chegado em corrida de carros! Eu gosto, mas não sou muito viciado em assistir.
            – Tamem não. Mais as veis eu assisto quando dá no jeito.
            – Terminou?
            – Indagorinha memo. Acabaram de derramar o champagne.
            – Uma pena! Poderiam distribuir para o povo tomar um gole.
            – Mais isso faz parte do negócio. Dá o charme.
            – Isso lá é verdade. Há tanto tempo que isso acontece que ninguém ousaria questionar.
            – Tanta coisa que se perde por esse mundão veio que um litro ou dois de champagne não vai fazer diferença.
            – Me passou pela cabeça agora. Imaginou se fosse café quente?
            – Vixi Nossa Sinhora! Iam se queimar tudo!
            – Aí ninguém iria querer deramar uma gota.
            – Nem iria fazer toda aquela pressão na garrafa.
            – Isso mesmo.
            Maria Luisa foi pra cozinha supervisionar a cozinheira na preparação do almoço. Onofre convidou José e a filha a irem para a varanda. Ali o ar era mais fresco. No verão ele passava maior parte do dia ali fora. Sentaram-se em confortáveis cadeiras de vime e realmente se sentiram bem melhor ali fora. Tomaram mais um copo de refresco enquanto esperavam o almoço. Logo mais a dona da casa chegou até a porta e falou:
            – Vamos para a mesa que a comida tá servida.
            – Já vamo, veia.
            – Dia desses vou te ensiná quem é veia!
            – Modo carinhoso di tratá ocê, muié.
            – Tá bom, veio.
            – Ela chama eu de veio, eu chamo ela de veia. Tamo quite, não tamo?
            – Esses dois não tomam jeito. É essa eterna implicância um com o outro.
            – Mas eles se amam, pelo que sei.
            – Andem pra mesa de uma veis.
            Levantaram-se e foram para a sala de refeições. O almoço estava sobre a mesa esperando pelos comensais. Almoçaram e depois ficaram conversando na varanda. À tardinha, antes da volta para a cidade, os namorados foram até a pequena vila próxima para tomarem um sorvete. Voltaram já perto do escurecer. José despediu-se e voltou para cidade. Tinha compromissos cedo e se ficasse por ali para voltar na manhã, era provável que se atrasaria. Voltou e no meio da semana era hora de Isabel viajar para Belo Horizonte. Naquele final de semana seria inaugurada a exposição na capital. Os quadros haviam sido embalados cuidadosamente e despachados por trem, com um bom seguro contra qualquer eventualidade. Eram agora um produto precioso, além de perecível.
            O agente estava na capital desde a semana anterior tratando dos detalhes da instalação. Isabel chegou quinta feira à tarde e se hospedou no hotel reservado para ela. No sábado havia uma aglomeração de fotógrafos, jornalistas, cinegrafistas, todos sedentos de imagens e uma palavra da mais nova celebridade do mundo da pintura. Isabel, acompanhada de José, enfrentou com galhardia a maratona. Os flashes espoucavam de todos os lados, microfones eram colocados diante de seus lábios em busca do registro de alguma palavra dita.
            Um esquema de segurança foi acionado para proteger a artista. Uma multidão de populares ensandecida queria entrar no recindo. Na primeira noite seria apenas para os convidados de honra. Os agentes de segurança precisaram usar toda sua força para conter a massa. Após a abertura os convidados entraram e as portas foram fechadas, ficando um cinturão de segurança do lado de fora. Ouviam-se de todo lado exclamações de admiração diante da perfeição dos quadros. Os lamentos foram constantes diante da informação de que estavam todos vendidos. Seria preciso esperar a artista produzir mais obras para ser possível adquirir alguma coisa. Ou então oferecer um valor mais alto que o pago pelos primeiros compradores. Talvez houvesse quem aceitasse vender.
            Foram diversas as ofertas de somas elevadas por algumas obras. O comprador inicial seria informado da oferta e se aceitasse deveria se entender com o pretendente. Dessa vez os ingressos tinham um valor condizente com a fama já conquistada. O número posto à venda se esgotava rapidamente tão logo eram abertas as bilheterias. A semana chegou ao final e ficou uma porção de gente sem ter chance de ver as obras. Tiveram que se contentar com um filme feito pelos donos da galeria e o entregaram ao canal de TV para exibir num programa cultural.
            Ao final da semana o valor arrecadado em ingressos era bastante alto. As despesas estavam cobertas e sobrara um bom lucro. No começo de dezembro, dali a duas semanas, seria aberta a exposição no MAM em São Paulo. Foram dias de atividade quase ininterrupta. Isabel chegou em casa e foi para o atelier. Queria pintar alguma coisa para levar junto e poder oferecer a alguém que quisesse muito comprar. Antes de viajarem para a nova exposição, ficaram sabendo que um dos primeiros compradores vender aos seus por um preço igual ao triplo do que havia pago a um industrial de Belo Horizonte. Ele teria que concordar com o transporte dos mesmos para São Paulo e depois Rio de Janeiro.
            Isabel conseguiu pintar em tempo recorde dois belíssimos quadros. Parecia que a energia represada em suas mãos e seu íntimo explodira em criatividade. Além dos dois, levou um terceiro iniciado para terminar durante a exposição. Ficaria em um canto pintando, permitindo aos visitantes verem ela em ação. Ao término o quadro seria vendido a quem oferecesse o lance mais alto. Repetiu-se o tumulto na portaria do Museu na noite da inauguração da exposição. Os dois novos trabalhos não ficaram sem dono por mais de algumas horas. Houve diversas ofertas pore eles e uma pequena multidão ficava assistindo a artista pintar.
            Fotografias eram tiradas o tempo todo, chegando a perturbar a serenidade da artista. Aos poucos se habituou e continuous seu trabalho. Em alguns momentos ela fazia um pequeno interval e vinha conversar. Quem tinha a sorte de trocar algumas palavras com ela, ficava realizado. Ganhava um autógrafdo no bilhete do ingresso, em caderninhos de autógrafos e um pedaço de papel qualquer. Ao final, uma pilha de envelopes se fez ao lado do quadro que ainda não estava pronto. Os pretendentes faziam suas ofertas, querendo garantir o direito de serem os donos da obra que todos estavam assistindo ser pintada.
            Ver um pintor em ação durante a exposição era algo, se não inédito, porém bastante incomum. Dessa forma a fama da pintora se espalhou por todo país e também pelos diferentes cantos do mundo. Jornalistas vieram do exterior para ver e mandavam por telex suas fotografias e textos para publicar nos jornais e revistas. Todos queriam saber quando os trabalhos seriam levados para Europa, Estados Unidos. Já estava definida a viagem. Começariam em fevereiro pelos Estados Unidos, depois iriam para a França, Londres, Milão, Roma, Bohn e finalmente Tóquio. Com isso transcorreria quase o ano inteiro. Cada evento teria a duração de duas semanas e mesmo três.
            Isabel viajou sózinha, prometendo vir passar alguns dias no Brasil depois das exposições de Paris e Londres. Antes de ir para o Japão também haveria tempo de fazer uma pequena visita. Retornaria definitivamente quando já fosse novembro. Levou consigo seus apetrechos de trabalho para aproveitar a grande variedade de imagens que teria diante dos olhos e assim encontrar inspiração para pintar mais alguma coisa. Dessa forma se manteria ocupada. O que passou a ser integrante dos eventos era sua demostração de seu trabalho durante a pintura. Em todos os lugares havia quem quisesse ver o quadro surgindo aos poucos das sussecivas pinceladas.
            O ano passou, somando um evento ao outro. Convites para entrevistas, programas de televisão, palestras em escolas de artes e museus foram uma constante. Em todas as ocasiões sua conta bancária saia um pouco mais gorda. Ela nem mais se importava com os valores. Era tanto dinheiro que ela nem saberia dizer ao certo quanto foi. Dessa forma chegou novembro e finalmente os quadros, inclusive os pintados no decurso dos eventos, estavam com ela. Seriam agora enviados aos respectivos adquirentes em segurança.
            Os pertencentes à casa, após mais de um ano for a de seu lugar, voltaram a ocupar suas posições. A casa voltou a ser o que era. Quem não era mais a mesma era Isabel. Vivera tantas emoções naquele ano que não saberia dizer o que for a mais intense. Abraçou os pais ao chegar e não queria desgrudar deles. José recebera sua cota ao desembarcar do avião em Belo Horizonte. Ele for a recebê-la no aeroporto e a levara de carro para Sete Lagoas e depois para a casa dos pais. A primeira coisa que José providenciou foi um par de alianças. Queria oficializar a relação deles, antes que ela iniciasse nova série de viagens.
            – Por enquanto quero ficar bem quieta aqui no meu canto. Quero pintar e pintar até não querer mais.
            – Se arrependimento matasse eu estaria morto.
            – Por quê, meu bem?
            – Eu que fiz a besteira de colocar você nessa vida de gente famosa. Levei a pior. Ficou famosa e eu fico aqui esperando você voltar.
            – Não vai me dizer que está com ciumes!
            – Um pouco, mas a saudade é maior.
            – Dá logo aqui essas alianças. Vamos ficar noivos para você não começar a ter um chilique.
            – Também não é para tanto. Mas não é fácil ficar aqui lidando com bandido, assassin e ladrão, enquanto você viaja pelo mundo.
            Isabel chegou perto e recebeu sua aliança. Depois colocou a outra na mão dele. Um beijo caloroso na boca selou aquele momento. Onofre pigarreou, avisando que ali não era momento para demonstrações desse tipo.
            – Ih pai! Precisa ver o que eu vi na Europa, no Japão e por esse mundão de Deus.
            – Nós tamo no Brasil, em Minas Gerais.

 

            Isso vai dar briga. Vamos sentar um pouco na varanda. Hoje eu não volto para o escritório. Os processos que aguardem para amanhã e depois. 

Museu de Belo Horizonte.
Imagem do museu do Louvre.

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