Matemática. Notação científica ou exponencial.

Epa! Que bicho é esse?

A matemática é aplicada em todos os campos da atividade humana. Não raro temos a necessidade de escrever números extremamente pequenos e outras tantas vezes nos deparamos com outros números imensamente grandes. Tanto em uma situação, quanto em outra, acabamos ficando com dificuldades de exprimir ou mesmo fazer a leitura correta desses números extremos. 

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Fantástico mundo novo! – Vol. III – Recomeço em Orient. Cap. X – Epílogo.

 

  1. Epílogo.

 

O sonho de muitos em Orient, esperançosos de viajar pelo universo, a bordo de naves tão, ou mesmo mais velozes do que a luz, ficou relegado a um segundo plano. As pesquisas feitas com as amostras trazidas de Primus em várias missões tripuladas até sua superfície, motivaram uma mudança de postura das autoridades e, principalmente dos pesquisadores. Tratava-se de um planeta com um sistema de vida ainda em fase de evolução acentuada. A presença humana, em grandes incursões, poria em risco algumas formas de vida e foi considerada indevida essa interferência. A frustração que os aventureiros, ávidos por incursionar em novas fronteiras, logo foi apaziguada. Os pesquisadores, em conjunto com as autoridades civis bem, como as religiosas, empenharam-se em mostrar a inconveniência de interferir coma evolução da natureza no planeta mais pertencente a um sistema ainda jovem.

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Matemática. Aritmética, multiplicação de números decimais por múltiplos e submúltiplo de dez.

Vamos multiplicar os decimais por 10!

 

Anteriormente falamos na multiplicação de números inteiros por 10 e seus múltiplos. Agora que já conhecemos os números com aproximação decimal após a vírgula, vamos ver como ficam eles, quando multiplicados por 10, 100, 1000 ou 0,1; 0,01; 0,001 e assim por diante.

Vamos lembrar, onde foi que colocamos a vírgula, quando fizemos as divisões não exatas. Não foi depois dos algarismos ditos inteiros? Pois é isso mesmo. De forma que um número inteiro, tem, depois de seu último algarismo uma vírgula, que fica subentendida, uma vez que não há parte decimal. Vamos ver o que acontece com a vírgula, nessa multiplicação.

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Matemática. Aritmética, Multiplicação, com vírgula.

Multiplicar números com vírgulas.

  • Ao multiplicarmos números contendo vírgula, é quase certo de que o produto também conterá vírgula. Como iremos proceder para fazer essas multiplicações com segurança e sem errar?
  • Iremos colocar os números como se fossem inteiros e realizar a multiplicação da mesma forma. Feita a operação, iremos contar o número de algarismos existentes após a vírgula, tanto no multiplicando quanto no multiplicador e, contando esse número da esquerda para direita no produto, colocaremos a vírgula. 

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Matemática – Aritimética. Divisão decimal exata e aproximada.

Divisão decimal aproximada.

Quando estudamos a divisão, vimos que grande parte das vezes essa operação não é exata, sobrando ao final do processo, um resto menor que o divisor. Naquele momento deixamos de efetuar esse complemento da operação. Ficamos com o resultado:

  • $\color{navy}{quociente\cdot divisor + resto = dividendo}$

Agora, vamos determinar o resultado da operação, com uma aproximação na forma de número decimal. Para isso recorremos à colocação de uma vírgula após o último algarismo inteiro e acrescentamos um zero no resto. A partir daí tentamos continuar a divisão. Se ainda não for possível, acrescentamos um zero ao quociente e mais outro no resto. Podemos continuar assim indefinidamente. Talvez em algum momento ocorra uma divisão exata, ou então teremos uma dízima periódica, quando um ou mais algarismos começam a se repetir no quociente. O melhor de tudo é fazer isso na prática. 

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Fantástico mundo novo! – Vol. III – Recomeço em Orient. Cap. IX – Decisões importantes.

  1. Decisões importantes

 

Tão logo se instalaram em confortáveis cômodos, os três casais se livraram das últimas peças de vestuário que haviam usado nos longos anos de viagem. Estavam cansados daquelas vestimentas de mesma cor, com os mesmos dispositivos e, depois de um banho repousante, vestiram roupas confortáveis e um pouco folgadas. Por mais que se tivessem esforçado, todos estavam mais magros, ou melhor, haviam perdido uma parte de sua massa muscular, em decorrência do longo período longe dos efeitos da gravidade. Na primeira caminhada, da nave até o alojamento, todos haviam ficado ofegantes. Os músculos estavam desacostumados de carregar o peso do corpo, suportar a pressão atmosférica normal, apesar da existência desse efeito no interior da nave.

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Os tons do monocromático panteão político brasileiro.

OS TONS DO MONOCROMÁTICO PANTEÃO POLÍTICO BRASILEIRO:

Raul Longo

Obs: Peço permissão ao jornalista Raul Longo de reproduzir no meu blog seu texto, que me foi repassado pela amiga comum Urda Alice Klueger. 

 

Oxumaré é um orixá metá-metá que na língua ioruba do reino de Oyó refere-se às entidades e pessoas de um determinado gênero que manifestam características sexuais do gênero oposto.

Oxumaré é o arco-íris. A grande Dã. A cobra com um rabo na cachoeira e a cabeça no oké, o castelo do rei Xangô.

Oxumaré é criado de Xangô e como toda pessoa servil é dúbia, pois nunca se sabe se o servil é mesmo prestativo ou é servil por interesses escusos.

Mas Oxumaré não é hipócrita. Quando no desespero da fome do seu povo Oxóssi caçou Oxumaré, a grande Dã avisou: “- Eu não sou bicho de pena pra Odé matar”.

Apesar da fome, o povo de Ketu não quis comer a carne de Oxumaré com medo do retorno da quizila e, amargurado, Oxóssi, ainda Odé, teve de comer a grande Dã sozinho.

A lei é de que o caçador não pode caçar só para si. Tem de caçar para toda gente e só comer de sua parte partida pelo axogum, o mão de faca. É a lei.

Oxumaré é cobra de vidro e – depois de comer por onde é de comer – cortado por dentro Odé teve de deixar Oxumaré sair por onde é de se devolver à terra o que se come. Assim morreu Odé. E ficou para sempre Oxóssi, o caçador que saciava a fome do povo ketu.

Mas Oxumaré não é hipócrita. Tem em si todas as cores do arco-íris, e não é dúbio por ser metá-metá. É dúbio porque tudo é dúbio. Tudo é mais de um, porque se único nada se suporta.

Xangô, que é macho definido, também é dúbio porque até a justiça é dúbia e num dia que Xangô se arretou com as quizilas do povo aos preceitos, acabou com o reino de Oyó como Jeová acabou com Gomorra. E Sodoma.

Depois Xangô se arrependeu do desatino, chorando pelas tantas criancinhas inocentes que nada tinham a ver com preceito algum e só tinham mais é de comer, brincar, estudar e ter teto para dormir.

Então Xangô, que é justo de verdade, julgou a si mesmo pelo crime cometido contra o povo. E condenou a si mesmo. E foi o carrasco de si mesmo enforcando-se no ayan, a grande árvore da história.

Ah se aqui no Brasil os juízes fossem justos como Xangô!

Poucas árvores e muitas togas, os males do Brasil são.

Muita toga para pouca soga. Pouca história pra tanto golpe.

Muitos chapéus para poucas cabeças! Para tantas gargantas e pescoços carece replantar uma Mata Atlântica do pau-brasil que o português levou. Como é levado o petróleo de Oyó, onde hoje é Nigéria, Benin, Dahomey. Região rica no petróleo e prolífera em miséria mantida pela Grande Grana Mundial. A eterna guerra da Grande Grana Mundial que levará o Pré Sal também.

Mas é lembrando o negro do petróleo, o belo negro reluzente da pele de ébano e voz de encanto, que busco cores sob as leituras de dúbios relatórios do monocórdico senador Anastasia.

Em qual das escalas do colorido Oxumaré se encaixará Anastasia?

Presto atenção no inexpressivo do olhar patético, catatônico. Busco na rigidez do pescoço fixo. No gesto que não há. No corpo sem ginga e movimento.

Lembra-me Temer. Um monobloco quase pra lá ou quase pra cá. Michel ou Temer?

Mas Temer ao menos aponta aleatórios dedinhos para depois desprezar, com as costas das mãos para um lado e outro, tudo o que vier à frente. E Eduardo Cunha às costas.

É um Marawô selecionando as almas.

Almas selecionadas. Poucas almas para tantas denúncias.

Marawô é da cor do luto com o vermelho-sangue nos olhos. Qual a cor dos olhos do Anastasia?

Ou não tem? Onde tem Anastasia?

Achei ter encontrado Anastasia no sorriso estático, milimétricamente único de orelha à orelha ao longo de todo o discurso do José Eduardo Cardozo decompondo, peça a peça, o relatório do crime que não houve, da pedalada que não aconteceu.

Peça a peça como preciso relojeiro. Descompondo como criança enojada com brinquedo enfadonho e sem conteúdo.

Sorriso vítreo o do Anastasia. Como o do lagarto de João Ubaldo quando bom baiano, antes da doença que o matou triste e refém dos reis do écran, os donos da mídia que tinge o inexistente e esconde o arco-íris da vida brasileira para borrar monocrômicas mentiras.

Procuro no écran por onde se esconde a cor do sorriso de Anastasia?

Sorriso de máscara. Mas é sorriso e sorriso tem cor. Uma que seja.

Enxerguei amarelo, mas difícil definir a cor do servo sem arco-íris. Prestativo ou hipócrita?

Amarelo é de Nanã. Amarelo-terra. Ancestral.

Não! Nanamburuke é mãe. Não é metá-metá. Nada contra os metá-metá do belo arco-íris de Oxumaré, mas mãe é mãe e por mais servil, o amarelo do indefinível sorriso de Anastasia é esmaecido, biliar. Quase verde.

O verde das matas de Oxóssi? Das matas de minha bandeira de tantos lápis de cor?

O verde amarelo e anil das cores do meu Brasil. E também o branco da paz de Oxalá. Mas jovem e guerreiro Oxaguian, o Oxalá do futuro. Do que virá. Do desejo que nascerá. Indomável. Inevitável.

À que vinha o verde-amarelo do sorriso anfíbio do Anastasia?

Verde de inveja por Cardozo sacar de memória tantos artigos, cláusulas, parágrafos e incisos? Do discorrer fluído de elegantes vernáculos? Do rubro pulsar de sentimentos em cada afirmação, em cada alegação, em toda conclusão?

Rubra é a cor de Ogum, guerreiro de peito aberto. Vermelho é a cor da coragem e paixão de Ogum na forja do ferro da ferramenta que constrói.

Paixão não se esconde. A paixão se revela na certeza por inteira e na transparência.

Anastasia não aparenta. Em Minas diz que não construiu nada. Um aeroporto em Cláudio, tão só. Talvez nem ele, talvez algo mais.

Coragem não se limita em altear de voz afetada, monocórdia em estrídulas leituras de laudas de relatórios do que não se prova nem comprova.

Paixão e coragem também não bailam de dedinhos suspensos e ademanes de entojo.

Coragem e paixão dançam como Oxumaré, assumindo-se. Dançam como Pierre Verger, o mais Fatumbi afro-baiano de Paris. Dançam como Clayde Morgan, o mais Alafiju afro-baiano de Cincinnati.

Assumindo-se. E não apenas no vermelho da indignação, também no amarelo da atenção, reflexão. No laranja da alegria e no otimismo do roxo. Na estabilidade do marrom e no azul da calma de Iemanjá.

Iemanjá é mãe, não há esperança em ser mãe para metá-metá. Assim mesmo, no arco-íris de Oxumaré tem azul posto que Oxumaré não é hipócrita.

No sorriso de Anastasia, não.

Sorrisos não são azuis nem vermelhos e para quem tem, o vermelho da vergonha aparece na cara. Mas a vergonha não sorri se não for para pedir desculpas. Não há desculpa no sorriso de Anastasia.

Seria o verde da esperança? Esperança também não sorri, espera. Deseja e espera resguardando risos e sorrisos para aflorar no momento da concretização, da chegança do esperado.

Nem amarelo nem verde, o estático sorriso de Anastasia era o da certeza. Inveja poderia sentir qualquer advogado que concorresse com Cardozo pela compreensão e análise de um juiz. Até Rui Barbosa invejaria num sorriso de satisfação, admiração.

Será admiração? Máscaras podem provocar admiração, mas não se admiram de nada. A do Anastasia provoca admiração pelo sorriso mais estático e fixo do que o que o de qualquer outra máscara.

Dependendo do ângulo que se olhe há diferentes sentidos no sorriso da máscara do V de Vingança. No do Anastasia não havia nem vingança.

Na verdade, pelo conteúdo do acontecimento, pelo sentido do que se passava ali, por se desvalidar mais de 100 milhões de votos de uma eleição, independente de a quais candidatos foram dedicados; nenhum sorriso caberia ali que não fosse o de mofa, desprezo na certeza do veredito já dado.

O sorriso do jogador que da manga tirou a carta indicada nas marcas do baralho e, por mais brilhante o desempenho do adversário, despreza todo o esforço e toda verdade pela certeza de um resultado já definido, sejam lá quais forem as togas.

Eram favas contadas, fardas alcovitadas.

O tempo dos legalistas se foi há muito tempo e de Ás à Rei, Copa ou Paus, todas as Espadas estão pelo Ouro e pelo ouro são todas as togas e fardas. Não há juras nem compromissos. Tampouco escusas.

Por quantos valetes e rainhas, por qualquer 7 ou coringa.

21 ou bacará. Não há truco do que já foi truncado, tramado e trancado entre os interesses de todos os poderes de uma só elite.

Pouca elite e muitos poderes, o mal do Brasil sempre é.

Não importa duplas, trincas, quadra. Seja qual for a sequência, o full ou flush. Que seja canastra ou royal straight, é jogo já batido, fechado, encerrado antes de começar.

E anuncia o crupiê: “Vence o blefe!”

Há que se conformar. No cassino chamado Brasil há que se conformar com a vontade de Ifá porque quando não joga com metralhas e fuzis sobre a mesa, articula farsas sob a mesa.

Mas qual a cor da farsa? “Dizei-o tu, justiça de fancaria!” – clamaria Castro Alves em sua poética indignação, complementando: “Arranca dos olhos a venda, para à democracia servir de mortalha!”.

Antes de o leviatã cuspir a ignomínia na cara da malfada democracia, pude enxergar a cor do futuro sem quartel nem tribunal para assegurar estado de direito ou algum direito ao cidadão. Pátria, nem pensar!

Boys and girls, ladies and gentlemen: o Brasil é vosso!.

Pude vislumbrar a cor que terá meu país quando o Senador Roberto Requião subiu à tribuna e fez o mais conciso e certeiro discurso de todo o processo: “Canalha! Canalha! Canalha!

Em seguida explicou reproduzir as palavras de Tancredo Neves em 1964, dirigidas ao Auro de Moura Andrade quando declarou vaga a presidência no golpe que depôs João Goulart.

Explicação rápida e imediata referência ao relatório do Anastasia, para o foco das câmaras. Atentei na certeza de que então lhe identificaria alguma cor. Mas ainda assim, indefinida. Por sorte, ao seu lado, do semblante do neto de Tancredo refletiu-se alguma cor em Anastasia.

Definitivamente nada tem de Oxumaré, por mais metá-metá na afetação da voz estrídula. No arco-íris não há o cinza.

Tenho resistência aos best-sellers, mas lamentei não haver lido a história da homônima Anastasia do “50 Tons de Cinza” para poder reconhecer qual a graduação do tom daquele cinza do futuro do meu país. Apenas sei que a moça se apaixona por um poderoso magnata, mas pouco me importa os magnatas e poderosos do Anastasia.

Se até plenária do Senado virou sessão espírita para Requião incorporar Tancredo descompondo neto e comparsa, é porque os eguns estão na gira!

Preciso tomar assento pro amacy e tenho de saber o exato tom do cinza do futuro. Tenho de saber para o meu Ori, para o preparo correto do ebó de Onilé.

Preocupo-me em definir o tom do cinza do futuro do meu país, mas  só no final descubro que o pesado tom de cinza é ainda mais escuro do que o do Aécio.

Muito escuro! No Senado não há papelote de “brilho” que nos ilumine (ilustrado no link para quem desconhece o jargãohttps://www.facebook.com/ZEDEABREU3.0/videos/770893326386917/ ).

Esse cinza não é do arco-íris. Não é de Oxumaré nem é do meu país.

Há quem imagine ser de Exu, mas no candomblé não tem bem nem mal, ninguém é anjo nem demônio. Tudo tem acerto, tem erro e tem conserto. Tudo é como todos somos!

Todo fim é começo porque o começo não tem fim. Prenderam-me vivo e escapei morto mais de uma vez, como Paulo César Pinheiro, como Dilma Rousseff. E escapo porque “minha ideologia é o nascer de cada dia e minha religião é a luz da escuridão”, como a do moleque Gilberto Gil.

Gil Orungan, moleque matreiro, menino que arrelia. Saci zambeta, quando se pensa que está aqui, já tá lá. É o meu guri e do Chico Buarque. Meu garoto de recado, a voz do morro.

Exu é o único mensageiro confiável num país em que grampo de telefone incrimina, mas criminoso é privilegiado e inocente condenado.

Quem diz que Exu é demônio, não sabe de nada ou quer fingir choro pelo futuro dos netos de todos os eleitores do Brasil que perderam tempo indo votar pelo que é definido à socapa, em contas de satânicos tribunais, federações patronais, farsas editorias e Voduns Legbas que legislam pelouros para o povo, salvaguardando exceções aos que expoliam por aeroportos e suíças, por metrôs e jatos sem lavagem alguma. E “brilho” no Senado para decidir o futuro do país!

É muito “brilho” pra pouco Senado, mas por mais “branca” que ali brilhe a cor do nosso futuro só se me fez evidente na cara do diabo, onde reconheci quanto é escuro o cinza do futuro do Brasil.

Na face do demônio tentando parecer chorar, se não escorreu pretendidas e sórdidas lágrimas, derramou-se a baba da maldição e nela vi a o tom do panteão do inferno político que Eduardo Cunha prometeu à nação.

Ali, na face do Mefistófeles, vi a cor da escura canalha, a escumalha que Tancredo vaticinou pela boca de Requião.

Na face inumana da mais satânica sordidez, enxerguei e temi pelo futuro do meu país e de cada brasileiro. Talvez, o mais escuro da história. Talvez ainda mais do que aquele que Tancredo Neves previu em 1964 e Requião o incorporou para que mais uma vez desse o tom da cor dos próximos anos do Brasil.

Mas em Auro Moura Andrade, Tancredo só anteviu a cara do neto e dos comparsas do neto. Não viu a cara do demônio.

Eu vi. E quem sabe enxergar, um dia contará a seus netos que esteve cara a cara com Satã pelo écran da TV. E custou R$ 45.000,00 para ver o diabo em pessoa.

Adupé Olorum! Muito obrigado pelo verde, amarelo, cor de anil. Mas livrai-nos desse Valac! Livrai-nos da farsa das asas de anjo e das lágrimas do dragão de duas cabeças de Valac.

Esse demônio não é nosso! Não nos pertence.

Fantástico mundo novo! – Vol. III – Recomeço em Orient. Cap. VIII – Novos avanços em Orient.

  1. Novos avanços em Orient

 

Em prazo menor do que o previsto, os obstáculos foram superados. Naves, capazes de mover-se com velocidades bem próximas à da luz, haviam sido desenvolvidas e os autômatos, integrados à parte interna da nave, mas que, depois do possível pouso em algum local remoto, poderiam desprender-se e executar algumas tarefas no exterior. Poderiam ser programados para agir de modo autônomo por algum tempo, antes de precisarem se reconectar ao sistema da nave e transferir as informações coletadas aos dispositivos de memória central. Isso permitiria a realização de explorações em lugares situados a distâncias consideráveis, mesmo que houvesse necessidade de ficar algum tempo sem contato com a nave, por conta da distância. Não havia como enviar comandos por outro meio que não fossem as ondas eletromagnéticas.

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Gaúcho de São Borja! – Capítulo III

  1. Margarida Maria Vargas.

 

 

Antes de Fulgêncio tomar parte do conflito contra Francisco Solano Lopes, houvera tempo de nascer a única filha do casal, Margarida Maria Vargas. O pai partira para a guerra quando a menina contava com algumas semanas de vida. Dessa forma, ela muito pouco, praticamente nada, sabia dele. Crescera aos cuidados da mãe e sob a tutela constante de uma criada de confiança, a Siá Balbina. Era de idade indefinida e vivia na fazenda desde que Carlota podia se lembrar. De uma dedicação canina à família, era parte dela como os móveis, mesas, cadeiras e outros objetos. Tomava conta da pequena Margarida tal qual fosse uma joia rara.

É fácil entender que a menina cresceu com algumas regalias nem sempre disponíveis na infância. Mesmo assim, havia muitas limitações causadas pelo estado de beligerância em que vivia o país, a escassez de alguns mantimentos, obrigando a fazer um controle rigoroso para evitar a falta do essencial. Estava com a idade de 8 para 9 anos quando Francisco foi guindado ao cargo de capataz. Em seus folguedos gostava de ver os peões lidando com o gado, assistir às sessões de doma de potros, sempre com Balbina nos seus calcanhares. Cedo reparou no garboso capataz que a mãe nomeara. Percebia que se tratava de um homem ainda jovem, mas de um senso prático admirável. Tinha sempre uma maneira mais suave e justa de resolver qualquer diferença porventura existente em qualquer situação.

Em uma dessas ocasiões, Francisco observou a menina olhando fixamente para ele e decidiu conversar com ela. Falaram de amenidades, mas ela não se deteve muito tempo no assunto. Em instantes estava indagando sobre vários assuntos relativos ao trabalho, causando espanto em Francisco. Mesmo assim, respondeu com a maior delicadeza deixando-a encantada com sua polidez. Passou a nutrir sincera admiração pelo jovem capataz. Sua tenra idade ainda não lhe inspirava outra forma de sentimento com relação ao homem, salvo a admiração por alguém que ela via como uma espécie de irmão mais velho. Ela nem irmão ou irmã tinha, todavia imaginou que, se tivesse, ele seria daquele jeito.

As conversas entre eles foram ficando mais frequentes. Com o tempo passando, não tardou a ter início o desenvolvimento das características femininas da criança. Ela chegava a puberdade. Seu corpo começou a sofrer transformações que, de início a incomodavam, pois implicavam em roupas que não serviam mais, seu andar ficou desajeitado, sensações estranhas fervilhavam em seu íntimo e ela não lhes conhecia o significado. Ao perceber as mudanças, Balbina tentou explicar com seu jeito simples o que acontecia e ela no começo ficou satisfeita. Um dia decidiu perguntar à mãe o que significava toda essa mudança.

A mãe Carlota, andara bastante ocupada em administrar a fazenda no aspecto financeiro, esquecendo-se quase completamente de que tinha uma filha, em vias de se transformar em menina moça. Parou por um instante, chamou Margarida para sentar-se numa confortável poltrona e calmamente explicou à garota o que estava ao seu alcance entender naqueles dias iniciais. Satisfeita com os esclarecimentos, levou ainda a promessa de novas conversas quando houvesse alguma coisa em que tivesse dúvidas.

Sabia agora que estava se tornando mulher. Em algum tempo não seria mais uma menina e, ao término desse processo, poderia ser mãe. Estaria apta a casar-se, ter filhos e, portanto, ter sua própria família. Inicialmente sentiu-se encantada com as novidades que aprendera.

Essas informações foram penetrando aos poucos na cabeça ainda infantil, que iniciava a transição para a adolescência e uma infinidade de sonhos povoou sua imaginação. Como seria o seu marido que um dia seria seu companheiro? Ficou pensando nos peões que viviam com as famílias nas fazendas e eles foram passando um a um diante de sua mente. De repente uma figura se destacou e ela sentiu o jovem corpo estremecer. Tivera a visão de Francisco, garbosamente vestido em seus trajes típicos, convidando-a para dançar. Um devaneio prolongado levou-a ao momento em que ele pedia à sua mãe permissão para ficarem noivos. Via-se caminhando para o altar da pequena capela nos domínios da fazenda. Lá estava à sua espera Francisco, vestindo um traje muito bonito, perfeitamente barbeado, com o bigode bem aparado. Um peão idoso a levava pelo braço, em substituição ao pai que perdera tão criança.

Espantou os sonhos e voltou à realidade. Continuou vivendo sua vida de criança/adolescente e notava a cada dia alguma coisa diferente. Seus pequenos seios começaram a intumescer, ficando por vezes levemente doloridos. Notou umas penugens surgindo em torno dos órgãos genitais e foi perguntar à mãe se isso era normal. Sentiu-se insegura especialmente com relação às sensações de dor. Poderia significar alguma doença e ela sentia verdadeiro pavor disso. Nunca ficara realmente doente. Apenas um ou outro desarranjo estomacal devido a algum exagero de alimentação, alimentos indigestos e apenas isso. Um resfriado leve, mas nem febre tivera, que pudesse lembrar. Uma dor mesmo de verdade ela nunca conhecera.

Os anos passaram, Margarida virou mocinha e depois se transformou em uma jovem mulher, no pleno vigor de seus 15 anos. O processo de transformação, da menina que fora, em mulher, estava quase completo. Sua altura era média, cabelos castanho escuros, longos e levemente ondulados. O rosto ovalado, denotando uma descendência espanhola presente nas gerações passadas. Chegou o dia em que faria sua estreia nos fandangos realizados na fazenda e propriedades vizinhas. A mãe, agora em situação financeira estabilizada, fez questão de prover uma indumentária adequada para a ocasião. Ordenou a contratação de um grupo musical da cidade, especializado em músicas típicas. O galpão estava com assoalho novo e iria ser inaugurado naquele fandango. Não desejava ver a filha, ao final do baile, completamente empoeirada por dançar no chão batido.

O baile começou e, em dado momento, Margarida e mais cinco mocinhas das redondezas, bem como filhas dos peões, foram apresentadas à comunidade. Pediu-se aos músicos para tocarem uma valsa no capricho e as “debutantes” dançaram com os pais. Margarida, na falta do pai, convidara Francisco para dançar com ela. Ele inicialmente tentara se esquivar, mas ela, com seu jeito meigo, embora convincente e firme, fez com que aceitasse.

Estava de roupa nova, especialmente comprada para a ocasião e os dois dançaram lindamente. Carlota ficou encantada com o belo par que seu capataz formava com a filha e sentiu que, não ficaria surpresa se dali resultasse algo mais que uma mera dança de baile de quinze anos. Mas, deixaria o tempo correr. Não sentia pressa em ver a filha casada. Era jovem e tinha muito que aprender sobre prendas domésticas. Não que pensasse em vê-la labutando numa cozinha igual criada, mas era necessário saber fazer. Só assim saberia comandar as empregadas que viesse a ter no futuro.

O baile terminou depois de muitas danças, sendo que, em diversas ocasiões, Francisco a convidara novamente e ela não recusara. Sentia-se flutuar quando ele a conduzia com seu passo firme, seu corpo forte e flexível, mesmo nos passos das danças mais complicadas. Chegou à sala, com o rosto afogueado devido ao calor e ao esforço das seguidas vezes que dançara, tanto com Francisco, como os outros rapazes que a haviam convidado. O cansaço era tanto que mal teve forças para retirar os sapatos, trocar o vestido, fazer uma ligeira higiene noturna. Caiu na cama, praticamente dormindo.

Dormiu um sono agitado por sonhos românticos. Ora era um jovem desconhecido que a levava pela mão, ora outro, mas no fim sempre o rosto se transformava no de Francisco. Em certo momento ficou plenamente acordada e ficou imaginando se estaria ficando seriamente apaixonada pelo capataz. O que sua mãe pensaria disso? Aceitaria receber o capataz como genro? Tinha elevada estima por ele, mas, daí a tornar-se membro da família, era uma grande distância. Estava divagando. Daria tempo ao tempo. No momento oportuno, conversaria com a mãe e ela lhe ajudaria a tomar a decisão acertada. Confiava cegamente na lucidez das decisões maternas.

Seria tarefa da mãe decidir essa questão? Não era a ela que cabia tomar a decisão final nesse assunto? Bem, estava cansada. Deixaria para pensar no dia seguinte ou depois de alguns dias. Por ora, precisava recuperar as energias despendidas no baile que fora deveras divertido. Nunca sentira nada igual. Agora era mulher, era uma prenda e poderia ser requestada por qualquer peão guapo que aparecesse nas redondezas. Havia muito que viver antes de qualquer decisão mais séria com relação ao resto de sua vida. Estava no limiar de sua existência. Por que se preocupar já com casamento? Filhos? Família? Não que isso estivesse fora de suas cogitações, mas não para o momento imediato. Era um projeto de longo prazo.

Na manhã seguinte, estava ali, curiosa e perguntadeira sua querida Siá Balbina. Estava bem idosa, as consequências de uma vida longa e trabalhosa estavam visíveis em suas juntas deformadas, seu rosto enrugado. Somente os olhos vivos, atentos e perspicazes, não haviam mudado. Bastou olhar para sua “menina”, era como ela a chamava, e percebeu que havia no rosto um brilho diferente. Era ar de coração apaixonado, disso não tinha dúvida. Não fez, no entanto, perguntas. Queria esperar que a menina falasse espontaneamente. E lhe daria tempo para isso. Ajudou-a a levantar, escolher a roupa para vestir depois de lavar o rosto e pentear os cabelos sedosos. O tempo passou e Margarida nada falou, deixando Balbina cada vez mais curiosa.

Em determinado dia da semana seguinte, surpreendeu-se ao ver sua pupila caminhar, de modo bem fagueiro, uma flor no cabelo, um vestido leve e florido, rumando na direção da mangueira, onde Francisco estava supervisionando a apartação de bezerros para engorda. Ela se aproximou como quem não quer nada, e ficou observando em silêncio. Num momento de relaxamento entre um comando e outro aos subalternos, Francisco reparou em Margarida e lhe disse sorridente:

  •  Bom dia senhorita!
  •  Bom dia, Francisco!
  •  Como vai minha prenda?
  •  Eu vou bem e você?
  •  Estou ótimo. Só está um pouco quente. É bom se proteger ali na sombra ou vai queimar a pele.
  •  Estou precisando tomar um pouco de sol, ou vou ficar branquela igual leite.
  •  Mas não carece de tomar sol demais, senhorita. Nós também vamos parar logo. O sol está muito forte e os animais ficam muito cansados.
  •  Vou sentar ali naquele banco para observar.

Francisco, em alguns minutos, terminou o serviço com o gado, foi até um tanque próximo, lavou o rosto, molhou o cabelo e passou os dedos à guisa de um pente. Colocou de volta o chapéu e veio sentar-se próximo à Margarida, depois de lhe pedir licença. As mãos e o rosto ainda estavam molhados.

  •  Nem precisa pedir licença, Francisco. Você é da família.
  •  Nem me fale em algo assim, senhorita. Conheço meu lugar e não quero faltar-lhe com o respeito.
  •  Não é necessário ser tão formal. Eu quero ser seu amigo. Quase não tenho com quem conversar e sinto falta de alguém que sente, converse comigo. Alguém diferente da mãe, Siá Balbina. Elas quase não me deixam respirar.
  •  Elas vão ficar tristes se a ouvirem falar isso.
  •  Vão não. Eu explico a elas e vão entender.
  •  Eu não quero complicações. Estou muito satisfeito com meu trabalho.
  •  Fica tranquilo que não vou lhe causar embaraços. Até mais tarde, que deve estar na hora do almoço. Acabei de ouvir Siá Balbina chamando. Até logo.
  •  Inté, senhorita.

Margarida levantou, deu adeus com a mão e foi para casa, onde, de fato, o almoço estava servido. Lavou as mãos e o rosto rapidamente indo sentar-se para a refeição.

  •  Onde foi que você esteve, Margarida? – Perguntou Carlota.
  •  Estava lá perto da mangueira vendo a apartação de bezerros.
  •  Acho que nossa menina está de olho enrabichado, sinhá Carlota.
  •  Nem fale uma coisa dessas Siá Balbina. Eu ainda sou criança.
  •  Criança você não é mais faz muito tempo, Margarida.

Dali em diante ocuparam o tempo em saborear a refeição que estava muito bem preparada. Depois foram até seus aposentos para alguns minutos de repouso e mais tarde retomaram os afazeres rotineiros.

Fantástico Mundo Novo – Volume III- Recomeço em Orient. Capítulo V – Colônias recebem denominação.

05. Colônias recebem denominação.

 

Durante as reuniões mantidas com a equipe administrativa central, nos dias subsequentes ao retorno, Mink sentiu falta de uma denominação para as várias colônias. Sempre era necessário citar os nomes dos membros e nem sempre todos tinham em mente todos os nomes.  Isso criava algumas dificuldades de comunicação, quando se tratava de um ou outra colônia. Em dado momento pediu um instante de silêncio e propôs:

  •  Devemos providenciar um nome para cada colônia, bem como uma denominação para a colônia aqui de perto do lago. Isso tornará mais fácil nossas comunicações e evitará enganos de encaminhamentos de algumas decisões.
  •  E como iremos fazer essa escolha de nomes? Vamos assumir esse encargo, ou pediremos que o povo escolha o nome? – Perguntou o ministro Gamal.
  •  Creio que seria conveniente deixar essa escolha a critério do povo, – sugeriu Cassiel intervindo.

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