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Meu novo livro: Gaúcho de São Borja

Gaúcho de São Borja

Financiamento coletivo

O financiamento coletivo é realizado pela agregação de pessoas, em torno de um objetivo, previamente definido e com uma meta de recursos a ser alcançada. Geralmente é elaborado por um realizador ou um grupo realizador, visando transformar em realidade uma ideia ou projeto que pode ser desde uma ação social, um evento artístico, um trabalho literário, musical, uma obra de arte, uma pesquisa científica/humanista ou outro objeto que se tenha em mente. O realizador pode oferecer recompensas em troca de apoios com valor previamente fixado. O Catarse.me é a primeira e maior plataforma que oferece suporte, orientação e estrutura para realização desse tipo de projeto. Há a forma “Tudo ou nada” ou “Livre”. No formato “tudo ou nada”, se a meta não é alcançada no prazo estabelecido (≤60 dias), as contribuições dos apoiadores são integralmente devolvidas a eles, sem nenhum custo. O projeto não é realizado. No formato “livre” o Catarse repassa ao realizador o valor arrecadado, deduzido de 13% pelos serviços prestados, ficando o realizador comprometido a realizar o projeto, dentro dos parâmetros e recompensas fixadas.

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Expressões da Alma, de Christiano Nunes.

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Expressões da Alma, de Christiano Nunes.

Expressões da alma,

Sob esse título Christiano Nunes, brinda  aos seus leitores com um conjunto bem variado de poemas, variando os gêneros e também os assuntos. Transita com desenvoltura de versos rimados e métricos, para poemas mais livres, soltos, não submetidos à rigidez da forma poética mais tradicional.

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História de uma vida, breve resumo.

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Mathias Dewes e Bertha Dewes, meus avós maternos.

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Reinoldo e Leopoldina Adams, meus avós paternos.

Meus pais.

Em 21 de agosto de 1924, nascia no Rio Grande do Sul, região noroeste, próximo à divisa com a Argentina, Léo Anselmo Adams. É filho de Reinoldo Adams e Leopoldina Adams. É o sexto ou sétimo de uma série de 14 filhos do casal Adams.

Em 08 de setembro de 1929, nasce na mesma região Maria Dewes, filha de Mathias Dewes e Bertha Dewes. Era a terceira, depois de dois filhos e após ela vieram mais dois irmãos e duas irmãs, as mais novas.

Ambos nasceram na roça e enfrentaram as dificuldades próprias da vida nesse meio, nas primeiras décadas depois da colonização da região. Leo Anselmo, por volta dos 12 anos de idade, foi trabalhar como cuidador das crianças na casa do professor local, frequentando no turno da manhã as aulas na escola. Ao atingir um pouco mais de idade, devido à pouca disponibilidade de trabalho na casa dos pais, detentores de apenas uma colônia de terras (25 ha), iniciou um período de trabalhos em casa de famílias, onde havia falta de mão de obra. Em 1946, logo após o encerramento da Segunda Guerra Mundial, no ano em que completaria 21 anos de idade, prestou o serviço militar, na unidade de infantaria motorizada, na cidade de Santo Ângelo.

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Meu pai, Léo Anselmo Adams, no serviço militar.

Depois do serviço militar, foi trabalhar na propriedade de Alberto Bogorni, homem dedicado a trabalhar com transporte de passageiros. Era pai de duas filhas e um filho, ainda criança. Nesse período conheceu Maria Dewes, começando o namoro.

Maria Dewes, tendo a mãe com sérios problemas de saúde, que certamente nos dias de hoje seriam considerados principalmente como depressão profunda, começou, ainda criança a trabalhar em casa, enfrentando os afazeres domésticos, além de ajudar o pai Mathias nos trabalhos da roça.

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Meus pais, no dia do casamento em 05/06/1948.

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Papai e mamãe, junto com os casais testemunhas no casamento.

No dia 05 de junho de 1948, casaram-se. Foram morar em trabalhar em Salvador das Missões, na época município de São Luiz Gonzaga. Ali, em sociedade com o pai Reinoldo Adams, compraram um moinho, provido de duas mós. Uma moia milho, produzindo fubá e farelo de milho. A outra moia trigo, produzindo farinha integral, além de farelo (hoje é chamado fibra de trigo). Havia também um descascador de arroz. Ali labutaram até os primeiros meses de 1958, quando venderam o moinho, obsoleto nessa altura dos acontecimentos, mudando-se para a Linha Paranaguá, município de Giruá, hoje Cândido Godóy, onde adquiriram uma colônia de terras.

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Meus pais e convidados no casamento há 67 anos passados.

No dia 23 de dezembro de 1948, nasceu o primeiro filho. É este que está neste momento escrevendo esse texto. Em 28 de agosto de 1950, nascia Genésio Evaldo Adams, o segundo filho. No dia 23 de maio de 1952, foi a vez de Agileu Aloísio Adams, seguido de José Valdemar, nascido em 23 de maio de 1954. Em 11 de dezembro de 1955(6)? nasceu Ervídio Lourenço e Elvenete Maria chegou em 04 de abril de 1958.

Os primeiros anos na lavoura foram duros. Os filhos ainda eram fracos demais para ajudar no trabalho e os partos sucessivos, aliados a muitos momentos de trabalho pesado no moinho, substituindo Leo Anselmo durante suas ausências para outras atividades, deixaram suas marcas na saúde de Maria. Assim ela, além de ter os filhos ainda crianças, estava doente e debilitada. A terra estava degradada por erosão, cheia de formigueiros e grandes manchas onde nada mais crescia. As primeiras safras não foram de grande valia. A persistência em dispensar tratos adequados à terra, o combate intensivo às formigas, abertura de grandes pedaços de capoeira, integrando essa área ao cultivo, transformaram a terra.

Quando eu, Décio Adams, estava com um ano e meio de idade aproximadamente, estando o irmão Genésio na iminência de nascer, apresentava um problema de saúde. A avó Bertha Dewes se encarregou de cuidar de mim, levando-me para sua casa, onde acabei ficando até aos 12 anos, quando ingressei no Seminário São José, na cidade de Cerro Largo. Ali fiz o curso de admissão e as três séries iniciais do curso ginasial. No princípio do ano letivo de 1965, aos 16 anos, deixei o internato e passei dois anos trabalhando em casa, ajudando a família na roça.

Nesse meio tempo, havia nascido Tito Jorge no dia 07 de fevereiro de 1963 e Terezinha Mariza veio a nascer no dia 13 de setembro de 1965. Nesse tempo as safras, mesmo sendo todo trabalho feito manualmente, haviam saltado para um patamar bem mais elevado. Inclusive plantávamos por arrendamento alguns hectares de terras de propriedade de Edmundo Seibt, primo de minha mãe Maria. Com toda essa luta, ficou possível adquirir em princípios de 1966 uma área de 32 ha no interior do município de Foz do Iguaçu, na localidade denominada Santo Alberto. Era uma área de puro mato. Surgiu o sonho de ampliar a propriedade e trocar o Rio Grande do Sul, em busca de novos horizontes, nas terras do oeste paranaense. A última safra no RS, foi ótima e a colônia de terras, comprada cerca de oito anos antes, foi vendida por um preço comparável ao de outras propriedades antes bem mais valorizadas. Ao todo, quando deixaram o RS no princípio de junho de 1967, levavam documentos comprovando a compra e pagamento de aproximadamente 70 ha de terras na localidade anteriormente citada.

Além de adquirir a terra, havíamos comprado nos últimos tempos antes da mudança, uma trilhadeira, um motor diesel de marca Yanmar, além de outros acessórios. Porém no dia 15 de maio, antes de carregarem a mudança, eu fui incorporado ao exército, para cumprir o dever do serviço militar. Ali fiquei, fiz curso de cabo e promovido no EV.

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Minha família trabalhando na roça ainda em forma de coivara, 1969, em Santo Alberto do Iguaçu.

No dia 10 de outubro o irmão Genésio, faleceu vítima de um acidente com espingarda, enquanto a mãe Maria estava grávida do nono filho, Clicério Tomé, que veio a nascer no dia 21 de dezembro do mesmo ano.

No dia 30 de abril de 1968, terminou meu tempo de serviço militar e viajei ao Paraná. Não tardei a encontrar emprego no Banco Comercial do Paraná S.A. (hoje extinto), onde trabalhei até final de novembro de 1970.

Já em 1968/69 surgiu na região onde minha família residia a notícia de que a terra ocupada, devidamente escriturada e registrada no Registro de Imóveis, em verdade fazia parte da área do Parque Nacional do Iguaçu. Haveria a remoção de todos os moradores, todos originários das terras riograndenses. O processo demorou vários anos, sendo finalmente realizado em 1973/1975. A área desapropriada para alocar os agricultores removidos, era vizinha ao Rio Ocoí, com área total de cerca de 13000 ha. Mas também estava em curso o início da construção da Usina de Itaipu e o lago viria reduzir a área disponível para distribuição em torno de 50%. Assim alguns moradores, por opção própria, receberam a indenização em dinheiro e foram procurar terra em outras regiões.

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No dia do casamento de Agileu e Catarina, meu pai de muletas, devido à fratura da perna.

Minha família recebeu sua parcela e começou a trabalhar ali em 1974. Antes, apesar das restrições impostas ao aumento da área cultivável, haviam adquirido um trator e demais implementos. Quando voltavam de alguns dias de trabalho na nova propriedade, meu pai Leo Anselmo e Agileu, que dirigia o trator, foram abalroados, no trecho em que eram obrigados a se deslocar pela rodovia BR277, por uma Kombi. Esse acidente ocorreu no princípio de dezembro e deixou como saldo, além dos danos materiais do carro, meu pai com a perna direita fraturada, pouco abaixo da panturrilha. A fratura era exposta e foi necessária uma cirurgia, da qual resultaram complicações, impedindo a consolidação dos ossos. O resultado foi trazê-lo para Curitiba, onde foi tratado no Hospital de Clínicas. Foram longos meses de permanência em um pequeno hotel nas proximidades, para poder se deslocar nos dias marcados até o hospital. O tratamento terminou quase três anos depois, no final de 1977.

Longos anos de trabalho, levaram ao progresso. Os filhos casaram e seguiram seus caminhos. Estamos hoje espalhados por diversos lugares como Brasnorte, Mato Grosso; Primavera do Leste, Mato Grosso; Coromandel, Minas Gerais; Aparecida de Goiânia, Goiás; Curitiba, São Miguel do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Guarapuava, Paraná. Desde início de 2005, Léo Anselmo e Maria residem em Guarapuava, onde também reside Tito Jorge, ficando as casas lado a lado.

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Maria Adams, montada num jumento, durante uma viagem ao nordeste.

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Léo Anselmo Adams, montado em um jumento durante uma viagem ao nordeste.

Na sexta-feira, dia 29 de maio último, viajei até a casa dos meus pais. Estão hoje com 90(91) e 85(86) anos. O pai, está bastante debilitado, tendo sido várias vezes hospitalizado. Ontem, dia 05/06, completaram 67 anos de casamento. Voltei de lá na quinta feira dia 04.

Os pais, iniciando de modo humilde, praticamente sem nada do ponto de vista material, deixam hoje por herança um bom patrimônio aos filhos. Tudo construído com muito trabalho e sacrifício.

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Décio Adams, no primeiro ano de vida.

 

Décio Adams

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Décio Adams, aos quatro anos, pilchado de gaúcho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O professor não é educador! – Parte III

 

 

Parte III.

 

Vamos assistir mais vídeos com Armindo Moreira, autor do livro O professor não é educador! Agora gravações feitas da entrevista no programa Tribuna Independente, pela Rede Vida de Televisão. Esteve presente, além do entrevistador um jornalista da UNIVESP, Fábio Eithelberg e tendo como assistente o também jornalista Paulo Galvão. Num primeiro momento, uma gravação de 20 minutos, onde Armindo Moreira expõe suas convicções e responde a diversas questões propostas por Fábio Eithelberg, por Paulo Galvão e pelo apresentador Dalcides Biscalquin. Assistam para ver.

https://www.youtube.com/watch?v=e9CRsf3ZFXk

No segundo vídeo temos mais 22 minutos de gravação, em que o tema é debatido e aprofundado. Vale a pena ver e refletir sobre tudo que é dito. Para se aprofundar mais nas teorias de Armindo Moreira, é recomendado adquirir o livro. Podem ser encontradas maiores informações na Fan Page no facebook, digitando PROFESSOR NÃO É EDUCADOR. Ali será direcionado para o canal que mais se adequar ao seu caso.

https://www.youtube.com/watch?v=cRvBWK0pQnA

Os comentários deixados no You Tube, dão uma ideia de quanto a teoria de Armindo é algo que, ao menos na opinião de muitos, é algo novo. Talvez nem seja tão novo assim, apenas ficou sepultado por muito tempo sob o manto de ideologias, teorias diversas, pedagogias ditas revolucionárias, que desvirtuaram a tarefa de ensinar, subvertendo-lhe o significado, apontando-a como sinônimo de educar. Isso é absolutamente errado e precisa ser mudado. É necessário dar a tarefa própria a cada personagem da vida. Os pais, a família, a igreja ou associação à qual a família pertença, a comunidade devem assumir a educação. Criar valores éticos, morais, sentimentos. Os professores trazem em seu arsenal de recursos, adquiridos ao longo dos anos de formação, as ferramentas para guiar o aluno criança/adolescente no caminho árduo do aprendizado de habilidades, competências. Quando cada “ator” do “teatro” da nossa vida estiver desempenhando seu papel, alcançaremos o objetivo maior proposto para a nossa pátria. Atingiremos o desenvolvimento e todos os membros, na proporção de suas competências e habilidades, usufruirão dos benefícios que isso gera.

Até outro dia, com mais vídeos, gravados das entrevistas de Armindo Moreira a Edésio Reichert.

Décio Adams

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O professor não é educador! – Parte II

O professor não é educador! – parte II

 

Retomando a questão da transferência da tarefa de educar dos pais para os professores, vemos Armindo Moreira (ontem eu erroneamente o chamei Armínio, peço desculpas), indo mais longe. Segundo suas palavras, ao pesquisar os registros históricos do final do século XIX e princípio do século XX, encontrou em um bom número de países, entre eles o Brasil, que tinham o Ministério da Instrução. As alternâncias de diversas ditaduras em todos os cantos do mundo, levou à trocar essa denominação, para Ministério da Educação. O objetivo era educar os futuros cidadãos para darem apoio e legitimação aos ditadores. Eu não disponho de informações detalhadas para julgar essa questão, mas ao fazer tais afirmações Armindo deve estar apoiado em fatos concretos.

Vamos ao próximo vídeo, que tem menos de quatro minutos de duração.

https://www.youtube.com/watch?v=uefWeVCxPDU

Em virtude dessa postura contrária a adoção pelas escolas da tarefa de educar, em detrimento do “ensinar habilidades e competências”, no próximo vídeo veremos Armindo sugerindo a substituição do nome de Ministério e Secretaria da Educação, para “Instrução”, ou então “ensino”. A competência dos professores ficaria restrita ao ato se ensinar, orientar a aprendizagem. A tarefa de educar voltaria às mãos dos pais ou seus substitutos legais em caso de impedimento. Ele avoca a questão bastante interessante nesse particular. Se a família segue uma determinada denominação religiosa, ou linha de comportamento. Já os professores poderão ser de outra linha religiosa, ateus, liberais, socialistas e tantas outras características escolhidas em sua liberdade. Como ficará a “educação” desse aluno, colocado sob seus cuidados? Ele ficará preparado para seguir os passos da família? Ou ele seguirá qual dos seus professores?

Ressalva:  Como eu já expus na republicação do primeiro post sobre o assunto, venho reiterar minha forma de pensar atualizada. Não retiro das tarefas do professor a mais importante que é a de “ensinar competências, habilidades”, pois essa é a finalidade mais importante. Porém, não posso deixar de adicionar a tarefa  de co-educador, de complementador da educação. Se durante muitos séculos ou mesmo milênios os filhos costumavam seguir os passos dos pais, no mundo moderno,  onde se apregoa a liberdade religiosa, liberdade de convicção ideológica, a figura dos vários professores, com sua diversidade, servirão de parâmetros para a escolha a ser feita pelo aluno.  Em um livro que li, encontrei algo que diz mais ou menos o que segue: Se é desejável que o ser humano seja honesto, deverá ter oportunidade de entrar em contato tanto com pessoas honestas quanto desonestas. Só assim poderá julgar o que mais lhe fala ao íntimo, orientando sua escolha. Se é desejável que o ser humano seja ético, deverá poder confrontar situações em que possa comparar atitudes éticas e também anti-éticas. Se é desejável que ele seja generoso, deverá ser capaz de distinguir entre uma ação generosa e uma ação egoísta, fazendo sua escolha.  Poderíamos ficar enumerando um grande número de comportamentos, onde sempre deve prevalecer a livre  escolha do indivíduo e para isso será necessária a oportunidade de comparar. 

Diante do exposto acima, não posso excluir a figura do professor da tarefa de educar. Os pais e demais familiares servirão para dar os primeiros passos, mas sem outros parâmetros, a formação do futuro cidadão ficará capenga. Tenderá a ser parcial e mesmo preconceituosa. 

O outro vídeo foi gravado durante uma palestra em encontro de professores na região oeste paranaense. Vejam:

https://www.youtube.com/watch?v=LAguEpOEBK0

Muito se ouve falar da aversão que grande parte da população nacional tem pela leitura. Armindo em seu livro O professor não é educador, chama atenção para uma questão fundamental. É habitual a pessoa rejeitar aquilo que não sabe fazer, tem dificuldade em aprender, ou que não aprendeu. É o caso da leitura. Armindo defende que é indispensável a dedicação de tempo especial para desenvolver no aluno a técnica da leitura correta. Significa, ler com rapidez e compreender o conteúdo lido. Para isso é essencial que um tempo significativo durante as aulas nas séries iniciais seja dedicado a isso. Como todo o aprendizado posterior depende de leitura e sua compreensão, de nada adianta congestionar o período escolar inicial com inúmeras atividades, em detrimento do aprendizado da leitura. O mesmo acontece com as noções básicas de matemática. Fica impossível aprender os conteúdos dos níveis posteriores, se os conhecimentos básicos não estiverem sedimentados. Começa pela memorização da tabuada. Novamente aparece a objeção muitas vezes levantada contra o uso da memória. Concordo com Armindo, a memória não gasta, não estraga, não diminui com o uso. Muito pelo contrário. Quanto mais é exercitada, melhor ela fica.

Vamos ver um vídeo gravado por Edésio Reichert, tendo por base o livro de Armindo Moreira, abordando a questão da leitura. As estatísticas apontam que temos 70% de analfabetos funcionais. Isto é, pessoas que leem mas não compreendem o que estão lendo. De que nos vale termos a maioria dos cidadãos com um diploma na mão, mas que na verdade não dominam as habilidades necessárias para exercer a função para a qual foram em princípio “formados”? Nos últimos dias foi publicado o resultado do ENEM e uma enorme quantidade de candidatos obteve nota “zero” em redação. O que isso representa? É um alerta para a questão das aprovações sem levar em conta o mérito do aluno. É proibido reprovar. O que é preferível: carregar a frustração de uma reprovação ou levar para o resto da vida a vergonha de não ter habilitação alguma, apesar de um diploma dizer o contrário? Outro exemplo é o periódico exame da OAB, onde milhares de “bacharéis” em direito, tentam em vão conseguir obter seu direito de exercer a advocacia de forma plena. Sem a carteirinha da OAB, assegurando ser o portador apto a defender causas em juízo, fazer petições e toda sorte de demandas jurídicas, nada feito. O diploma não passa de um papel, útil talvez, para emoldurar e pendurar em uma parede e nada mais. Isso é muito pouco.

https://www.youtube.com/watch?v=dcVXx3maSyM

O autor do livro O professor não é educador, vem provocar uma discussão salutar em torno do assunto “educação” e “instrução”. Segundo ele, além de um grande número de profissionais envolvidos na questão, essas palavras não são sinônimos, como é muitas vezes colocado na prática. O fato de termos o MEC – Ministério da Educação e Cultura, é muito mais significativo do que apenas uma sigla altissonante. Em seu bojo reside o fato de tentarmos colocar nos ombros dos professores, preparados para ensinar matemática, português, geografia, história, ciências e todas as demais disciplinas, a carga de “educar” os filhos dos outros. Talvez eles mesmos tenham suas dificuldades em educar os próprios filhos.

Ressalva:

O fato de ser professor, não torna o individuo alheio à tarefa de educar os próprios filhos.  Poderá mesmo levar exemplos de sua experiência doméstica para o meio estudantil, num modo integrado de desempenhar ambas as funções. Se ele (ela)é um bom pai (mãe), tem grande possibilidade de ser também um bom professor. Não se trata de misturar as duas coisas, apenas agir de modo coerente nas ocasiões em que esteja em uma ou outra função. Dessa forma poderá contribuir na complementação da formação dos alunos, não apenas na aquisição de conhecimentos, habilidades e competências, mas em seu modo de viver, de ver a realidade que o cerca, tornando-se um cidadão de verdade. 

Falo por experiência própria. Nossos filhos, adquiriram muito cedo o gosto pela leitura, tanto que mal haviam dominado os rudimentos da escrita e já se lançaram na aventura de ler muitos livros, algumas vezes às escondidas.  Isso por nós os considerarmos ainda não apropriados para a sua idade e não os deixávamos à disposição. Muitos anos depois descobrimos que mesmo assim eles haviam encontrado um meio de te-los em mãos e ler. Não lhes causaram problemas. Tornaram-se sempre ótimos alunos, destacando-se habitualmente entre seus colegas. 

Entre os vários professores com quem tive oportunidade de conviver no período de minha formação, houve alguns, sendo um deles de modo muito especial, marcante na minha vida. Seu nome é Carlos Afonso Schmitt. Foi meu professor de português na segunda série do ginásio, no ano de 1963. Influenciou  minha vida profundamente. Naquele único ano realizou a façanha de me ensinar, assim como aos meus colegas de turma, tudo o que sei da nossa Língua Mãe. Tomei sua figura como exemplo para minha vida posterior quando exerci o magistério por mais de trinta anos. Ser competente, exigente e ao mesmo tempo compreensivo. Essas qualidades eu trouxe daquele ano, hoje longínquo, para minha atuação como professor. Se isso não é educar, eu não sei o que é. Mas é muito mais do que ensinar habilidades e competências. Em muitas ocasiões tenho recebido elogios de antigos alunos, citando muito mais meu comportamento nas salas de aulas, do que minha competência enquanto ensinava matemática e física. E posso dizer de coração. Esses elogios valem muito mais do que qualquer remuneração jamais pode valer ao longo da vida. 

O assunto deve ser longamente debatido, aprofundado e talvez depois, implantada uma mudança real e verdadeira em nosso sistema de ensino. Se queremos desenvolver nossa pátria, não podemos deixar de formar os cidadãos para exercer as diversas atividades que isso traz como consequência.

Décio Adams

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