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Um japonês especialista em cachaça – Capítulo XV

  1. Batisando as crianças.
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Modelo de certidão de batismo, usado em paróquias brasileiras.

 

Instalados em sua casa, os pequenos logo se habituaram aos ruidos do lugar. Até Lobo os quis conhecer. Ao sairem de casa, levando os meninos em cadeirinhas do tipo “bebê conforto”, o animal pôs-se a choramingar perto da porta. Parecia implorar para ver os dois. Depois de pensar um pouco, Eduarda se aproximou do lugar em que ele estava e ele ficou louco de faceiro. O medo inicial cedeu e deixaram que ele viesse para perto. Colocaram as cadeirinhas lado a lado, separadas por um pequeno espaço. Foi ali que ele se deitou e olhava ora para um lado, ora para o outro. Dava impressão de dizer:

– Eu vou proteger esses pequenos de qualquer perigo.

Não esboçou nenhum movimento mais brusco que pudesse assustar aos dois, nem sequer tentou lamber-lhes o rosto. Depois de ficar ali por alguns minutos, Manoel o convidou a voltar para o seu cercado. Ele levantou e foi obedientemente. Enquanto isso os meninos continuavam a dormir placidamente. Embarcaram no carro e foram ver os avós. Seria a primeira visita a casa dos velhos. Iriam combinar o batisado que teria lugar no próximo domingo. Teriam que participar do curso de batismo, exigência da diocese, tanto para os pais como os padrinhos.

Haviam escolhido a irmã e um irmão de Eduarda. Para completar haviam convidado Toshyro e Arminda. Assim estava complete o quarteto e iriam participar na tarde daquele sábado do curso. Assim poderiam realizar a cerimônia sem problema. Iriam iniciar a vida dos filhos na Igreja como haviam feito seus pais há tantos anos, perdidos no passado. Eduarda conseguira levar Manoel para a igreja ultimamente. Durante anos ele ficara desleixado. Cada carta que vinha de Ancede, trazia recomendações da mãe para não deixar de rezar, ir a igreja. Prometia ir no próximo domingo, mas alguma coisa acontecia e a promessa ficava para outro dia. Assim o tempo passou.

Agora, com o nascimento dos filhos, saudáveis e fortes, Eduarta tinha mais um argumento para fazer que a acompanhasse no sábado a tarde, ou domingo pela manhã. Até confessor-se ele aceitara. Passara a lembrar da hora dos compromissos na igreja, coisa que antes não era de seu hábito. Dessa forma Eduarda ficou muito satisfeita. Era devote e cumpridora dos preceitos religiosos. No começo aceitara a quase indiferença do marido, mas quando este aderira à prática assídua, se regozijara. Agora com os filhos, seriam não mais dois a comparecerem às cerimônias e sim quatro. Ele tinha trazido na época em que emigrara de Portugal, por insistência da mãe, os comprovantes de batismo, crisma e primeira comunhão. Assim fora fácil tratar dos documentos por ocasião do casamento.

Como eram casados no religioso na mesma igreja onde iriam batizar os filhos tudo estava acertado. No decorrer do curso de batismo, membros ativos da comunidade, especialmente preparados para a finalidade, orientavam quanto aos compromissos de pais e padrinhos. Batisar não era apenas uma cerimônia, um evento social. Ao pedir o batismo para os filhos e afilhados, pais e padrinhos assumiam perante a comunidade eclesial alguns compromissos. Caberia aos padrinhos substituir os pais em caso de morte ou impossibilidade por outro motivo, na educação dos novos membros da igreja.

Foi deixado bem claro. Os “compadres” e “comadres” não se destinavam apenas a beber cerveja juntos por ocasião dos aniversários, ou fazer fofoca tomando café com bolinhos. Toshyro estivera também por longo tempo afastado de artividades religiosas, servindo a ocasião para sacudir um pouco sua indolência nesse sentido. Foi preparado um churrasco para os familiares dos pais e padrinhos, no espaço existente nos fundos do bar. Logo ficou fechado no canil para não perturbar.

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Outro modelo de Cerdidão de Batismo

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Lembrança de batismo

 

Na manhã do próximo domingo, as famílias se reuniram na igreja, junto com outras que também iriam batisar os filhos. A missa transcorreu normalmente e depois teve lugar a cerimônia do batismo, numa capela lateral da matriz. Ali havia a pia batismal, contendo a água, benta por ocasião da missa do galo na noite do sábado da ressurreição. Os pequenos em geral reclamaram da água fria que lhes foi despejada, embora em pequena quantidade, sobre a cabeça. Foi uma sequência de choros fortes de descontentamento. As demais fases como unção com óleo, a pitada de sal na boca, tudo foi completado. Dessa forma, sendo mais de meia dúzia de candidatos ao sacramento, transcorreu quase uma hora até terminar.

Com as certidões na mão, todos se retiraram após o fim da cerimônia. As mães e madrinhas tinham a preocupação adicional de verificar o estado das fraldas de seus pimpolhos. Estavam há bastante tempo ali e poderia ter acontecido algum “acidente” de mau cheiro. Nos últimos minutos da cerimônia for a sentido um leve odor que sugeria algo estranho. Eduarda e as duas madrinhas estavam desconfiadas de que eram as portadoras dos autores da façanha. Quando removeram as camadas de cobertores e roupas que os envolviam, tanto José Francisco, quanto João Antônio, estavam com as fraldas “cheias”. Aquele leve cheiro sentido antes estava ali configurado.

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Velz de batizado, em azul para menino.

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Lembrança/certidão de batismo.

 

Manoel olhou para eles e falou:

– Estes nossos filhos não são lá muito respeitosos com o padre, não achas, querida?

– Não tem nada a ver, meu bem.

– Mas precisavam encher as fraldas logo na hora do batismo? Esses meninos vão dar o que falar.

– Deixa pra lá seu Manoel, – falou Arminda. – Isso acontece toda hora. Quando é a hora a coisa vai e pronto.

– O Manoel está mangando com vocês. Eles que tratem de se comportar no futuro, principalmente na hora de ir a igreja.

– Vai ser difícil ensinar isso a eles, minha filha.

– É, acho que não vai mesmo. Veja a cara de safado que estão fazendo os dois?

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Vela especial para o batismo.

 

De fato os dois meninos, vendo-se livres das fraldas, cueiros e roupas, começaram a espernear e resmungar alegremente. Pareciam se divertir com sua nudez naquele momento. Logo foram trocados e vestidos novamente. Resmungaram um pouco mas logo se acomodaram. Primeiro um, depois o outro atacaram o “lanche” das dez e meia, que estava ali à disposição. Foi preciso esperarem um pouco para encetar o retorno para casa. Era desconfortável amamentar as crianças andando de carro. Mamaram o suficiente para tapear a forme mais urgente. Depois teriam tempo para completar a refeição.

Ao chegarem em casa, sentiram de longe o cheiro de carne sendo assada. Os irmãos de Eduarda haviam se encarregado do serviço de assar a carne. Dessa forma, não demorou para que a refeição fosse servida. Naquele dia não seriam servidas refeições no restaurante, para não sobrecarregar as cozinheiras. O bar ficaria fechado por um tempo até concluir o almoço dos convidados. Vários presentes foram trazidos pelos padrinhos, tios e amigos convidados. Era um exagero, mas vinha dado de bom coração e seria indelicado recusar. Eles tinham uma variedade enorme de roupas. Provavelmente haveria no final de tudo algumas sem terem sido usadas.

– Guarde o que não usar, para o próximo, minha filha.

– Mãe, eu acabei de ter dois e a senhora vem me falar do próximo? Vamos com calma que isso aqui não é mole.

– Mas as roupinhas não estragam. Eu sempre guardei as que estavam inteiras para usar no próximo. Você mesma, usou muita roupinha de sua irmã e até dos irmãos mais velhos.

– Eu vou querer ter, daqui a uns três ou quatro anos uma menina para completar. Aí já estará de bom tamanho.

– Cuidado! Podem vir mais dois, ou então duas.

– Vire essa boca para lá, dona Arminda.

– Começou com dois, pode muito bem continuar assim.

– Eu até iria ficar contente com duas rapariguinhas, – falou Manoel.

– Ele quer logo duas. Não é ele que carrega, dá de mamar e limpa os traseiros.

– Mas eu ajudo, quando posso.

– É melhor nem falar nosso. Não vale a pena discutir esse assunto, logo hoje, dia do batismo dos meninos.

Os assadores da carne haviam acertado a mão, preparando um assado saboroso, suculento e macio. Eram hábeis no ofício. Poderiam trabalhar como churrasqueiros e não fariam feio. Depois de todos satisfeitos, os ossos, com restos de carne, foram destinados ao cão, Logo. Ele, depois de receber o primeiro osso, se pusera a roer com afinco, arrancando os restos de carne, cartilagens e mesmo pedaços mais macios de osso. Olhando a quantidade de ossos, Manoel decidiu guardar um pouco para lhe dar em outro momento. Se recebesse demais, poderia ficar enjoado ou então deteriorar e fazer mal a ele. Pegou um saco plástico e guardou o excedente, que depois foi posto na geladeira.

As mulheres da família subiram para a moradia, enquanto Manoel e os demais foram para o bar. O movimento estava ficando forte, sendo necessária a presença deles, especialmente Francisco e Manoel. Os meninos, depois de terem se satisfeito, estavam dormindo angelicalmente. Uma chaleira de água foi posta para esquentar, visando a preparação de um bule ce chá. Seria a melhor bebida para depois de uma refeição lauta como for a o almoço, especialmente com muita carne.

Os convidados masculinos ficaram algum tempo entretendo-se na sala de jogos do bar, alguns sairam para atender compromissos diversos. As senhoras ficaram com Eduarda, depois desceram ao encontro dos maridos junto às mesas de jogos, ocorrendo inclusive algumas partidas entre elas, ou duplas mistas, casal contra casal. Ao entardecer se retiraram, deixando o espaço para os habituais frequentadores. Eduarda foi levar os pais para sua casa, deixando os meninos aos cuidados da empregada, pois não pretendia demorar. Os momentos mais significativos da data haviam sido registrados na camera fotográfica e de filmagem por dois amigos de Manoel. Iria mandar cópias para os irmãos e a mãe, que provavelmente ficaria muito satisfeita, vendo os netos gêmeos sendo batisados. Certamente seria um console em seus derradeiros dias.

Na segunda feira Manoel levou os filmes para a revelação. Mandou logo fazer duas cópias de cada, inclusive do filme em super 8. Mandaria para a família e eles poderiam ver como tudo correra. Tinha certeza que a qualquer momento receberia a notícia do falecimento da sua maezinha, pois sabia de seu estado precário de saúde. Agora estava rezando a Nossa Senhora de Fátima e também Aparecida, para dar tempo de fazer chegar até ela as imagens dos netos. Um telegram avisara sobre o ocorrido e recebera resposta avisando que a avó enviava sua benção aos netos. Sinal de que ela ainda estava viva, certamente esperando pelas fotos que iriam substituir os meninos, já que não seria difícil leva-los nesse momento.

Os desafios de Toshyro continuavam a ocorrer, agora com alguns tropeços do especialista, pois haviam surgido novas marcas de aguardente que ele não conhecera no tempo de suas viagens. Nesses casos geralmente conseguia identificar o estado ou a região aproximada de sua orígem. O que por sis ó era algo digno de nota, pois isso implicava em um paladar apuradíssimo, além do conhecimento dos solos das diferentes áreas do país.

Ao final da semana as fotos estavam prontas, os filmes também e sentou-se junto com a esposa para organizar um álbum para conservar com a família, um para cada qual dos meninos e um para enviar a avó em Portugal. Isso feito, preparou uma caixa apropriada para acomodar os objetos e escreveu o endereço cuidadosamente. Na segunda feira trataria de colocar no correio registrado. Deveria chegar tudo o quanto antes.

Realmente, três dias depois do despacho, recebeu um telegram avisando da chegada. A avó ficara emocionadíssima com as fotos e mais ainda com o filme exibido em um projector super 8 de propriedade do irmão. Mandava copiosas bençãos ao filho, nora e netos. Estava um pouco melhor de saúde nesses dias. Manoel temeu que fosse um mau sinal, pois é comum pessoas idosas e doentes, apresentarem uma aparente melhora e depois chegarem ao fim repentinamente.

Seus temores se confirmaram na semana seguinte. Num súbito impulse, passou numa agência da Varig, comprou passagem e foi para casa. Avisou Eduarda de sua viagem e preparou uma pequena mala. Não ficaria tempo. Apenas o suficiente para participar do sepultamento e resolver algum pequeno detalhe posterior. No máximo em uma semana estaria novamente em casa. Enviou um telegram avisando de sua chegada e foi para o aeroporto. Pouco depois embarcava, chegando à Lisboa por volta do meio dia seguinte. Um voo curto em avião menor o deixou próximo a Ancede. Assim, pelo meio da tarde chegou a tempo de dar à sua mãe o último adeus.

Os familiares entristecidos com o desenlace da velha senhora, mas ao mesmo tempo alegres com o ótimo estado de saúde do irmão, junto com a família recentemente acrescida de dois membros. Não havia muito que decidir depois do sepultamente. Não havia bens a dividir, com exceção de alguns objetos. A própria falecida se encarregara de destinar a maior parte de suas coisas para filhos, netos, netas, noras. Por último deixara para a nora brasileira um colar de pérolas, recebido do marido por ocasião do noivado. Era portanto algo de valor afetivo principalmente. Para o filho deixara um terço com crucifixo de ouro, trazido da Terra Santa por um padre que conhecera há muitos anos. Os novos netos receberam cada um um porta-retratos de prata, remanescente do tempo de sua juventude. Eram objetos de pouco espaço e não teria problema em transportar.

Visitou os irmãos, sobrinhos e mesmo sobrinhos-netos, pois os mais velhos dos irmãos já eram avós. Depois de seis dias revendo a terra natal, a saudade bateu e empreendeu a viagem de retorno. Não via a hora de ter os filhos nos braços, dar um bejio carinhoso na esposa e lhe fazer um afago. Era uma pessoa como poucas a sua Eduarda. Sabia ser esposa, companheira, amante e principalmente mãe, agora que os filhos haviam nascido. Nem assim descuidava dos outros afazeres. Parecia se desdobrar a cada hora do dia. Chegava a lhe dizer que não deveria se desgastar tanto. Acabaria ficando com estafa e isso não seria bom de modo algum.

Ela sempre lhe respondia que isso lhe dava prazer. O que lhe dava prazer não cansava, portanto, se um dia começasse a se cansar, iria diminuir esse ritmo com certeza. Dois dias depois de partir de Ancede, desembarcava em São Paulo. Tivera que pernoitar em Lisboa, pois não encontrara passagem para o dia em que lá chegara. Aproveitara para conhecer um pouco mais a capital da patria, pois apenas estivera ali de passagem em uma ou duas ocasiões, mesmo assim, há muitos anos passados. Com o tempo escasso, selecionou alguns pontos importantes para conhecer e levar umas fotografias que mostraria à esposa. Mais tarde as apresentaria aos filhos quando tivessem capacidade de entender o significado daquelas imagens.

Durante sua ausência Eduarda tomara conta dos negócios de modo admirável. Deixara um pouco mais aos cuidados da empregada os seus dois pimpolhos, que cresciam igual repolhos viçosos. Havia muitos afazeres envolvendo questões de banco, compras, pagamentos a serem feitos. Mas ela sabia se desincumbir maravilhosamente de tudo isso. Quando o viu desembarcando do taxi na frente do portão, correu ao seu encontro e o abraçou. Os meninos estavam no térreo, deitados em um carrinho duplo, levados pela empregada. Nos momentos de folga Eduarda lhes dedicava mais atenção, pois não queria que eles se ressentissem da ausência maternal. Sabia ser isso algo funcamental para o desenvolvimento de uma personalidade equilibrada e saudável no futuro.

Os objetos deixados em herança foram desembrulhados e entregues a quem pertenciam. Eduarda ficou extasiada com o colar de pérolas. O aspecto permitia ver tratar-se de jóia de grande valor, em especial por ser muito antiga. Mandaria aos cuidados de um joalheiro de confiança para fazer uma revisão geral, limpar e deixar como novo. Depois o usaria em ocasiões especiais. Teria gostado imensamente de ir conhecer a sogra, mas não for a possível. Lembraria sua pessoa a cada vez que tocasse naquele objeto. Os porta-retratos foram preenchidos com uma fotografia em close de cada um dos meninos, ficando depois colocados sobre a cômoda próximo à cabeceira dos berços. Por ora eles dormiam no mesmo, mas logo teriam que passar a usar os dois separados, pois estavam ficando crescidinhos para dormirem juntos.

Eduarda repassou todas as informações financeiras para Manoel, para que ele ficasse ao par de tudo que fizera, das decisões que tomara. Nisso as horas passaram e logo era hora de enfrantar o movimento da noite. Francisco estava visivelmente esgotado, pela sobrecarga dos últimos dias. Estava por merecer um alívio em suas tarefas. Manoel foi ocupar sua posição de sempre, ajudando sempre que possível ao empregado, para lhe tornar o fardo mais leve. Já não era exatamente um jovem. Passara dos 50 anos alguns meses antes. Isso começava a pesar sobre os ombros. Graças a Deus gozava de boa saúde e se alimentava bem. Era moderado na bebia e, sempre que possível, descansava bastante. Era um servidor de grande valia. Uma verdadeira mão direita.

Décio Adams

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Livro um

Contando um conto e aumentando um ponto…(dois).

Meus livros de contos. 

O título acima, foi dado aos livros de contos de minha autoria. Assista ao vídeo que gravei falando sobre eles e depois clique no línk que segue para entrar na loja virtual onde poderá escolher entre esses dois livros e os romances de minha autoria. 

Vídeo: http://youtu.be/mEtsI738seY

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Boa leitura, aguardo seu pedido para enviar com dedicatória e autografado.

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Livro um

Capa do primeiro livro de contos

Um beija-flor no meu quarto

Na última quinta feira pela manhã, ouvi um ruído estranho. Ao olhar vi o gato persa Guismu, raspando na porta do guarda roupa. Pensei que algum dos outros tinha ficado preso no interior. Há vezes em que eles aprontam dessas. Entram e a gente fecha a porta, deixando eles fechados, Não encontrei nada, e por acaso ouvi um piado. Olhei para cima e vi um beija-flor pousado na borda superior do guarda roupa. Por isso o gato estava ali, querendo alcançar o intruso.

Tentei pegar o bichinho, mas ele é muito rápido e não consegui. Decidi deixar ele ficar mais cansado e talvez então consguir pegá-lo e me pus a gravar em vídeo sua andança por dentro do quarto. Logo ele estava cansado e sentava-se sobre alguma coisa. Ora no guarda roupa, ora na borda da cortina, sobre umas pastas na prateleira e até sobre o spot da lâmpada. Mas ele dali nao via o caminho de saída. Quando terminei de filmar, ele parece que adivinhou e bem perto da lâmpada, desceu um pouco mais. Nessa posição ele viu a janela e do lado de fora o bebedouro, seu conhecido. Voou igual um risco, sento-se e bebeu até fartar. Deveria estar com sede e necessitando repor as energias, coisa que eles precisam fazer com frequência, pois seu minúsculo corpinho nao tem onde armazenar reservas. Precisam constantemente de energia para manter suas asas batendo frenéticamente. Boa viagem pequeno beija-flor. Sei que vais voltar inúmeras vezes beber água doce nos bebedouros colocados aqui em casa.

Para ver o vídeo, clique no link abaixo.

http://youtu.be/KnZXvgnJ53E

Aqui em casa, além dos beija-flores, mais duas espécies se associaram para beber água nos mesmos bebedouros. São as saíras e os sanhaços. Como eles tem o bico curso e menos afilado, não conseguem beber nas florzinhas. Pousam nas bodas inclinando e fazendo escorrer para uma canaleta que tem na base. Feito isso eles se põe a beber a água. E diga-se de passagem, são bem mais vorazes que os sócios das asas rápidas.

Curitiba, 24/01/2015

Décio Adams

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Um japonês especialista em cachaça! – Capítulo XIV

bebendo água da piscina.

Cão Pastor Alemão, bebendo água na piscina.

 

 

Meses de espera passam depressa.

 

Meados de outubro e logo já seria Natal, novamente Ano Novo. Dessa maneira os dias se sucederam em rápida sequência. Manoel sempre preocupado com o estado da esposa. Procurou sem descanso por uma moça que se dispusesse a fazer o serviço da casa, pelo menos as tarefas que mais esforço exigiam. Também queria que a mesma acompanhasse Eduarda nas idas ao mercado, em busca de mercadorias para o estabelecimento. Por mais que os fornecedores fossem gentis em não deixar qeu ela carregasse objetos pesados, temia que ela, em sua voluntariosidade, excedesse em suas atividades. Nada poderia dar errado.

Quando a encontrou teve a tarefa de convencer a esposa da necessidade de ter mais uma pessoa a serviço. Preferia economizar o dinheiro que isso iria custar para outras coisas. O argumento de Manoel foi mais forte. Não havia problemas com o caixa. Sempre havia suficiente para saldar as contas e ainda sobrava um bom montante para aplicar no final de cada mês. Os filhos por nascer valiam muito mais que alguns milhares de cruzeiros no banco. Foi taxativo e no final a moça iniciou seu trabalho. Era de boa índole e tinha iniciativa. Aprendeu logo identificar as vontades da patroa e, ao final de algumas semanas, estavam se relacionando mais como duas amigas.

Manoel ficou satisfeito com esse estado de coisas. Assim poderia confiar a Eduarda as tarefas de percorrero os fornecedores, fazendo as compras e mandando carregar na Kombi, sempre ajudada pela empregada. Vergínia Santos Silva era o nome da moça. A única exigência que tinha era ser liberada para frequenter a escola no período noturno. Conseguira a transferência para uma escola próxima, o que facilitava sua vida. Em poucos minutos percorria o trajeto até o estabelecimento de ensino e depois retornava. Vários colegas percorriam o mesmo caminho, de modo que não lhe faltava companhia tanto na ida quanto na volta. Eram as horas menos preocupantes, pois, em caso de necessidade, Eduarda poderia ser atendida sem problemas.

Dezembro trouxe um significativo incremento de garrafas na vitrine, onde a variedade de nomes, cores, formas e figuras ilustrativas ia criando uma verdadeira coleção. Havia tantas garrafas por experimentar que poderiam fazer uma degustação diária, mas não era conveniente exagerar. A finalidade era manter isso como um atrativo especial e não algo banal, corriqueiro. Assim a expectativa pelo dia em que veriam o já famoso japonês da cachaça experimentar mais uma e dar sua identificação, deixava um bom número de frequentadores ansiosos. As comemorações natalinas foram acompanhadas de enfeites com guirlandas, luzes piscantes, galhos de pinheiro ou plantas similares, fixados em diferentes combinações. O exterior convidada a entrar. Depois de entrar, a diversidade de opções para diversão era o forte do estabelecimento.

Na noite de Natal, foi servido uma ceia especial, para a qual todos que iriam participar, deram antecipadamente sua contribuição. Os mais interressados eram aqueles que viviam em pensões, quartos alugados e ou sozinhos. Assim tinham com quem partilhar o momento de alegria. Trocar presentes, pois até uma brincadeira de amigo oculto foi organizada. As mesas foram dispostas em fileiras, cobertas com toalhas apropriadas e os pratos foram dispostos para a participação dos comensais. Formou-se uma verdadeira festa de natal, como uma grande família de pessoas habitualmente solitárias. Nesse Natal tinham com quem festejar. Havia uma boa quantidade de cameras fotográficas presentes, de modo que não faltariam fotografias para registrar os diversos momentos.

Ao faltarem alguns minutos para a meia noite, as luzes principais foram desligadas e todos os presentes cantaram Noite Feliz. Ao terminar, as taças foram distribuidas, contendo champanha e todos brindaram ao aniversariante. Até mesmo um ou dois que se diziam ateus, participaram do momento de alegria. Assim eles tiveram a chance de sentir a alegria do momento. O que isso significaria em suas vidas posteriormente, não importava. A questão primordial era celebrar o nascimento do Menino Jesus, com fraternidade, harmonia e muita alegria. Alguns fogos foram queimados, mas logo cessaram. O jantar estendeu-se até por volta das 2 horas da madrugada, quando os presentes, muitos deles um pouco altos dos vapors etílicos, se retiraram para descansar.

Entre o dia de Natal e a noite de Ano Novo, é apenas uma semana. Dessa maneira uma nova comemoração foi preparada. Dessa vez com participação de maior número de frequentadores. Muitos deles trouxeram as esposas e filhos em idade de participar. A quantidade de gente deixou o espaço lotado, dificultando até a movimentação dos garçons e alguns fregueses que se dispuseram a ajudar na preparação da mesa. Quando o relógio apontava cinco minutos para meia noite, iniciou-se uma queima de fogos intensa em todos os locais. Nas casas, nos clubes, restaurantes, em toda parte haviam sido instaladas baterias de fogos. Iniciou-se um ruido ensurdecedor.

Enquanto isso, os convivas presentes brindavam e bebiam champanha alegremente. Depois atacaram com vontade os assados de pernil suino, lombo, carneiro e outras variedades de carne, menos galinhas ou perús. Por superstição não se deveria comer carne de animais que ciscam para trás no primeiro dia do ano. O que não poderia faltar era um prato de lentilhas, sinal de nunca faltar dinbeiro no decorrer do ano entrante. Nada além de superstições, mas ninguém queria arriscar ficar sem cumprir esses rituais.

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Cão Pastor Alemão, em atitude de atenção.

 

Enquanto os fogos estouravam por toda parte, uma grande quantidade de cães escapou de seus donos, pulou certas, arrebentou coleiras e correntes, pondo-se a correr pela rua. A manhã do dia primeiro provavelmente apresentaria uma porção de cadaveres atropelados. Alguns carros, tendo ao volante motoristas alcoolizados, desenvolviam velocidades acima do recomendado, envolvendo-se em acidentes, alguns deles de elevada gravidade.

Em dado momento, Manoel ouviu ruidos na porta da garagem e foi verificar. Ao abrir deu de cara comum enorme cão pastor alemão, que quase o atropelou, entrando e indo se esconder em um canto. Fechou a porta e conversou calmamente com o animal. Logo ele abanou a cauda e se pos a choramingar. Parecia pedir Socorro. O forte ruido dos fogos maltratava seus ouvidos sensíveis. Manoel o acariciou e ele logo fez festa, lambendo a mão e depois ergueu pata em cumprimento.

– Olá, amigo! Muito bom, – disse Manoel.

– De onde saiu esse cão? – era Eduarda que viera ver o que acontecia.

– Ele estava raspando na porta e entrou aqui, para se seconder. Acho que vou abrir o quartinho aqui, colocar um pano no chão e um pote com água. Ali ele fica mais protegido.

– Vou trazer um balde para por água, – disse Eduarda.

O cão foi acomodado e, depois de beber bastante água, deitou-se como quem diz: Me deixem dormer, pois estou cansado.

Voltaram para o salão do bar e ali a festa continuava. Houve quem perguntasse onde tinham ido e lhes falaram por alto do que se tratava. Tinham tido ambos a mesma ideia. Se não aparecesse o dono do cão, ficariam com ele. No fundo do terreno ficava um bom espaço que estava pedindo por um cão de guarda. Até mais de um se possível. A festa continuous e novamente em torno das duas horas da madrugada os convivas estavam se retirando. Um ou dois que pretendiam ficar ali até amanhecer, foram convencidos a permitir que os donos e funcionários se recolhessem, fechando o estabelecimento. Haveria muito tempo no ano que iniciava para poderem beber e festejar.

Em fins de janeiro, o obstetra marcara nova consulta e durante sua realização solicitou nova ecografia. Agora já seria possível determinar todas as características das crianças. Confirmar o sexo, até o rostinho era visível, embora em tamanho miniature. Começaria agora o período de maior desenvolvimento. Eduarda fez questão de fazer o novo exame na mesma clínica e com o mesmo médico que fizera o primeiro. Ele poderia dar uma ideia mais precise sobre o desenvolvimento, uma vez que vira as imagens da primeira, poderia fazer a comparação. Não que isso fosse impossível ao eventual substitute, de posse das imagens captadas no primeiro exame.

No dia 05 de fevereiro foram bem cedo até a clínica. O exame estava marcado para as 8h30. Não queriam chegar atrasados, pois estavam demasiadamente ansiosos pelo resultado. O médico os recebeu com um sorriso e olhou para o ventre de Eduarda que crescera uma enormidade, dizendo:

– Vamos ver como está essa dupla aí dentro. Pelo tamanho da “tenda” a festa deve estar ótima.

– O senhor acha, doutor?

– A senhora pelo visto não engordou quase nada, mas esses dois cresceram uma enormidade.

Ela foi preparada e deitou-se na mesa de exames. As previsões do médico se confirmaram. Os meninos estavam com o desenvolvimento igual ao de crianças na mesma fase, mas com gestações únicas. Eram dois meninos, os rostinhos eram idênticos e Manoel começou a chorar copiosamente. Gostaria de poder mostrar essa imagem à sua mãe, que infelizmente estava em estado de saúde precário. Qualquer dia poderia receber a notícia de seu falecimento. Infelizmente não poderia deixar tudo para ir vê-la. Pensou consigo mesmo: Paciência. Nem tudo é como se quer que seja.

Ao concluir o exame e elaborar o laudo, o médido lhes disse:

– Parabéns. Os seus meninos não poderiam estar melhor desenvolvidos. Francamente, muitas mães com apenas uma criança, chegam aqui aos sete meses e o nenem está muito menor do que estão esses dois.

– Isso é ótimo. Eles vão nascer fortes e saudáveis, tenho certeza, – disse Manle.

– Não resta dúvida. Só continuar cuidando como até aqui e não vai haver nada de anormal.

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Eduarda agora poderia começar a definir o enxoval. Até ali tinha optado mais por roupas de cores que servissem tanto para meninos como meninas. Manoel perguntou ao médico se algum fotógrafo poderia fazer uma fotografia, com razoável nitidez na imagem tirada durante o exame.

– Para que tu queres essa fotografia, Manoel?

– Eu queria mandar para minha mãe. Ela está bastante doente e não vai dar tempo de levar os meninos para ela poder ver. Menos ainda ela vir até aqui.

– Acho que um profissional competente conseguirá fazer algo razoável. Não vai ser uma imagem limpa de todo, mas será possível ver os rostos deles.

– Obrigado doutor. Vou ver se encontro um que faça isso. Alias conheço um que sempre revelou minhas fotografias e filmes. Ele vai me fazer algo caprichado.

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Sairam da clínica e foram até a casa dos pais de Eduarda. Queriam comunicar as boas notícias. E assim a manhá passou quase toda. Ao chegarem ao bar esse já estava funcionando há tempo. Providencialmente as compras haviam sido feitas na tarde anterior, prevendo aquele evento pela manhã. Eduarda foi recebida de braços abertos pela empregada e também por Arminda. Passaram meia hora conversando e contando as novidades. Ali mesmo apareceram promessas de trazer um casaquinho de lá, feito a mão, tricotado. Além de cozinheira, era habilidosa no manejo das agulhas. As outras, confessando-se menos prendadas, prometeram comprar camisetinhas, fraldas e outras coisas mais.

Nada disso seria preciso, na opinião de Eduarda, mas não era de bom tom dizer isso a elas. Ficariam ofendidas e não tinha isso em mente. Agradeceu e esperou o almoço ficar pronto. Não iria fazer comida naquele dia. Almoçaria ali mesmo na cozinha grande. Manoel foi verificar como estava o Lobo, nome que dera ao belo cão, cujo antigo dono não aparecera. Provavelmente ele correra quilômetros em pouco tempo. Talvez o dono estivesse viajando e quando se desse conta do sumiço, nem o procuraria, na certeza de ser inútil a busca. Dessa forma, uma acomodação apropriada foi construida no patio, já prevendo a vinda de um outro para fazer companhia. Queria trazer um filhote para crescer e aprender com Lobo.

O animal, parecendo grato pela acolhida e bom tratamento recebido, fazia festa ao novo dono cada vez que o mesmo se aproximava. Estava sempre atento, latindo ao menor sinal de algo estranho ocorrendo na redondeza. O carnaval estava se aproximando e era provável haver alguma queima de fogos, porém menos intensa do que no Revelion. Lobo agora estava bem protegido e pouco se importaria com o espoucar dos tiros. Poderia se refugiar na sua casinha, onde tinha um acolchoado macio para deitar. Provavelmente o antigo dono lhe ensinara a não carregar o seu “colchão” para o meio do patio. Um amigo havia dito que isso não adiantaria, pois o cão carregaria o objeto para o patio, brincaria com ele. Depois, ao chover, estaria molhado e ao se depararem com ele estaria estragado.

Ele ao contrário, parecia muito cioso de seu acolchoado. Antes de deitar ele o arrumava para ficar bem certo no canto que funcionava como sua cama. O Carnaval passou, Eduarda cada dia sentia o ventre mais pesado, volumoso. Temia que não fosse suportar até o dia estimado para o parto. Há tempo que tinha dificuldade de ver os próprios pés, sendo necessário segurar-se em algo e erguer a perna para isso. Voltou ao ginecologista mas a balança indicava um aumento de peso compatível com sua altura e o estado de gravidez avançada, sem estar de forma alguma obesa. O aumento era muito provavelmente devido ao ganho tido pelos filhos, somado com os líquidos contidos no útero. Ela poderia ficar tranquila, pois na forma como caminhava tudo, faltando ainda dois meses, nada indicava um possível parto premature.

Quem nesse período foi de inestimável valia foi a empregada que Manoel a obrigada a aceitar. Verginia estava muito bem encaixada em sua função e não deixava a patroa se exceeder em nenhum momento. Por vezes Eduarda a recriminava, diendo que não estava doente nem inválida. Ao que ela respondia:

– Mas está grávida de dois filhos e são enormes. Não quero que nada aconteça com a senhora, dona Eduarda.

– Deixa essa história de “dona” para lá, Verginia. Me chame de Eduarda e pronto. Somos quase da mesma idade.

– Mas eu fui ensinada a ter respeito com quem me dá emprego. Por isso eu faço isso, Eduarda. – conseguiu dizer com esforço.

– Vamos daqui a pouco passar lá embaixo pegar com o Manoel a lista das compras para providenciar isso logo. O fim de semana é longo e na segunda, nem terça se encontra nada que preste. Troque essa roupa de serviço e ponha uma outra mais ajeitada.

A moça obedeceu e foi trocar sua roupa de trabalho por uma mais adequada para ir ao mercado, armazém e depósitos. Acompanhava a patroa a todos esses lugares. Em alguns era vista como irmã ou prima de Eduarda. Houve inclusive casos de trabalhadores que a olharam com olhos cobiçosos. Ela fizera de conta que não vira e seguira adiante. Eram jovens desconhecidos e não convinha arrumar compromissos a essa altura. Ficara tempo sem encontrar trabalho que oferecesse as condições que tinha ali. Não tivera oportunidade de estudar antes e agora não deixaria escapar a oportunidade. Seu objetivo era fazer uma faculdade. Pouco importava se isso ainda demorasse. Valia o seu sonho e agora via diante de si a oportunidade de realiza-lo. Não deixaria essa ocasião escapar.

As compras iam se acumulando na parte posterior da Kombi, onde os bancos haviam sido removidos, deixando ali um espaço enorme para levar cargas. Ao concluir as compras o motor gemia num trecho de subida mais forte. A carga era pesada. Iria abastecer o bar durante os feriados de carnaval. No ano anterio, quando ocorrera o casamento, haviam sido eleitos em 15 de janeiro de 1985 os integrantes da chapa democrática Tancredo de Almeida Neves/José Sarney, para a presidência. Um grave problema de saúde impediu Tancredo de assumir, sendo empossado em seu lugar o vice José Sarney. Após mais de um mês de agonia, sucessivas intervenções cirúrgicas, transferência para São Paulo, tratamento intensive, Tancredo faleceu no dia 22 de abril. Assim o vice se tornou oficialmente presidente.

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Tancredo em campanha eleitoral

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Manchete de jornal anuncia morte de Tancredo.

 

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Cena do funeral de Tancredo Neves.

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Tancredo com a equipe médica, horas antes de sua morte.

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Manchete de jornal durnte Plano Cruzado.

 

Os festejos carnavalescos transcorreram sem grandes novidades. Os frequentadores que não apreciavam os desfiles e bailes de carnaval, aproveitavam a folga para jogar sinuca, pebolim, futebol de botão e fliperama. O movimento no bar era constante. Sempre havia frequentadores. Mesmo alguns dos habituais viajando para outros lugares, havia os que vinham para a capital a passeio e acabavam indo ali se divertir.

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Cédula de Cem cruzados, frente e verso

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Cédula de cinquenta cruzados novos.

A economia do país estava em estado lamentável. A inflação galopante, exigia uma medida drástica. Cerca de duas semanas após o carnaval, mais precisamente no dia 27 de fevereiro foi lançado por José Sarney e seu ministro da Fazenda Dilson Funaro, engendraram um plano, conhecido como Plano Cruzado. Junto com uma série de medidas visando dominar o dragão da inflação, foi efetuada a troca de moeda, com o corte de três zeros, além da mudança de Cruzeiro para Cruzado. Os preços e serviços foram congelados, tendo início uma série de planos sucessivos, sem que o problema crônico da inflação fosse eliminado. Pode-se citar o Plano Verão, Plano Bresser, Cruzado Novo e por último Plano Collor, no dia da posse de Fernando Collor de Melo, eleito em substituição à José Sarney.

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Cédula de dez mil cruzeiros, carimbada com valor de 10 cruzados.

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Cédula de mil cruzados

 

Manoel foi obrigado tomar muito cuidado com as contas durante essa fase. Não havia como manter a lucratividade, com os preços sendo elevados diáriamente, de maneira incontrolável. Nessa fase foi de fundamental importância o aprendizado que tivera na época em que investira no mercado de ações. Foi esse caminho que ele usou para recuperar de alguma maneira as perdas que a inflação causavam. O congelamento de preços não surtiu efeitos, alias causou mais problemas do que benefícios, pois o problema não eram os preços em si, mas o descontrole dos gastos governamentais, com emissão desenfreada de papel moeda, gerando cada vez mais inflação.

Voltando aos meses iniciais de 1986, temos Eduarda se aproximando a passos largos do dia de nascimento dos filhos. Haviam feito um estudo para escolha dos nomes. Eduarda procurou em revistas, livros e várias fontes, elaborando uma longa lista de nomes diversos. Como católica praticante, fazia questão de ter pelo menos no segundo nome a homenagem de um santo. Pediu conselhos aos pais, irmãos, amigos e depois de muito pensar, conversar com o marido, eles de comum acordo decidiram que os dois seriam registrados com os nomes de José Francisco e João Antônio. Dessa forma levariam a proteção de dois santos considerados importantes em suas práticas religiosas.

O tempo passou rapidamente e o dia do nascimento se aproximava. No final do mês de abril, ocorreu um evento que a levou a procurar o hospital. Depois de examinada, foi encaminhada para casa, pois o momento ainda não havia chegado. Era comum acontecer ameaças de início, especialmente se tratando de gêmeos. Deveria permanecer em repouso, pois algum esforço diferente poderia desencadear o parto. Com os devidos cuidados tudo poderia acontecer na data prevista. Talvez um ou dois dias antes, talvez depois.

Assim no dia 14 de maio a candidata a mãe foi levada pelo marido Manoel ao hospital, onde chegou já em estado avançado de dilatação pélvica. A bolsa d’água não se havia rompido, e isso foi provocado somente momentos antes de iniciar-se realmente o nascimento. Os meninos nasceram sem muita demora. Chegaram na maternidade às 5h da manhã e o primeiro nasceu às 9h15 min. Após mais 20 minutos o segundo menino veio ao mundo. Eram iguais em tudo. Mediam 50 cm de altura; apresentaram pesos de 3,150 kg o primeiro e 3,080 kg o outro. Foi uma grande sensação na instituição hospitalar. Em longos anos, muitos casos de gêmeos haviam nascido, mas jamais com esse tamanho. Foram fotografados, passando a integrar o arquivo do hospital. O médico estava sorridente. Recebia congratulações de todo lado, parecendo que era ele o pai.

Valia receber os cumprimentos por um feito de tamanha envergadura. As crianças nasceram no tempo certo e com tal desenvolvimento era uma façanha rara. Os pais receberam visitas de alguns amigos, sem exageros. O conveniente era aguardar passar as primeiras semanas, para então apresentar os meninos aos amigos, clientes e vizinhos. Nos primeiros dias de vida eles podem ser afetados por vários problemas de saúde, mesmo tendo um ótimo desenvolvimento. Com certeza seu Sistema imunológico não estava ainda preparado para enfrentar todos os perigos existentes no mundo exterior. A mãe os amamentava alternadamente. Com a graça de Deus seu corpo produzia leite abundante, permitindo que eles ficassem satisfeitos sem necessidade de suplementaçao com mamadeiras.

Dois dias depois do nascimento a família voltou para casa. Manoel passara a maior parte do tempo no hospital, vindo para casa apenas em alguns momentos para tomar providências inadiáveis. A chegada foi comemorada pelos empregados, unidos aos avós que haviam vindo para receber os netos em sua casa. Francisco ficara encarregado de manejar a filmadora para registrar os momentos da chegada em casa. Queriam ter como mostrar aos filhos anos mais tarde, como haviam sido recebidos em sua casa, vindo do hospital.

Os primeiros dias foram cheios de sobressaltos, pois tudo era novidade. Os ruidos da casa, acordavam os pequenos e eles se punham a chorar. Tinham que ser acalmados até que se acostumassem com o ambiente. Assim entrariam no rítmo da casa. Na primeira noite, houve vários frequentadores que pediram para ver as crianças, mas lhes foi explicado que não seria possível. Eles precisariam ainda de alguns dias para se adaptar, antes de poderem entrar em contato com pessoas estranhas. Eles compreenderam e não ficaram chateados.

O professor não é educador! – Parte VI

Parte VI

 

Um resultado interessante do conteúdo do livro O professor não é educador, foi uma ação desenvolvida por Edésio Reichert em conjunto com um grupo de empresários, foi a aquisição e doação de globos terrestres e mapas mundi, do Brasil e do Estado. Fizeram a doação desses materiais para uma escola, de modo que nenhuma das dez salas de aulas ficasse desprovida de um exemplar de cada um dos mapas, bem como um globo. É considerável a mudança proporcionada no desenvolvimento das aulas de geografia e história nessa escola. Vamos ver o vídeo, que mostra os alunos em atividade em uma das salas. Pode-se fazer muito, com pouco dinheiro. Não é necessário um imenso capital para tornar essas coisas simples realidade.

https://www.youtube.com/watch?v=6HP6MA_YS0E

Mais um produto resultante do trabalho de Armindo Moreira. A base para o resultado final, foi uma Caixa métrica, existente em tempos idos nas escolas portuguesas. Nessa caixa havia os materiais concretos para ensinar noções de medidas, formas geométricas, ângulos, áreas, volumes, capacidades de recipientes e equilíbrio de corpos, aplicando o princípio da balança de pratos.

Edésio Reichert levou a ideia a uma empresa de brinquedos e a proprietária, junto com a equipe técnica, desenvolveu um Armário Métrico. É provido de réguas, esquadros de diferentes modelos, retângulos, quadrados, circunferências, paquímetro, balança de pratos, recipientes para comparar capacidades. O resultado foi encantador e de baixo custo. O vídeo a seguir apresenta a demonstração do armário para uma equipe de professores no município de Toledo, deixando a todos encantados com as possibilidades de desenvolvimento de aulas concretas. Evitando assim a introdução de tecnologias virtuais e avançadas, de maneira precoce na vida de aprendizagem do aluno. O conceito é que criança aprende com o concreto, manipulando os objetos, sentindo lhes a textura, a forma, a dimensão. Quanto a isso, sou testemunha pessoal. Em criança convivi muito com meu avô e aprendi o uso de esquadro, pua, formão, serras e demais ferramentas. Fio de prumo e outros recursos, sem nenhuma tecnologia avançada, mas de imenso valor na aprendizagem de conceitos fundamentais.

Como não há essa possibilidade de ter essa forma de vivência nos dias atuais, o uso de material concreto para o ensino desses conteúdos nas escolas é fundamental. Espero que isso não seja apenas uma iniciativa isolada, sem repercussão no resto das escolas. É necessário difundir essas ideias e materiais, tornando o aprendizado dos nossos alunos mais proveitoso e prazeroso.

Vejam o vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=sdU3oNCFjqE

Convido a todos os leitores, espectadores para difundir, divulgar esses materiais. Os vídeos estão disponíveis no Youtube, sendo permitido a qualquer um a divulgação e difusão do conteúdo. O objetivo é fazer essas ideias chegarem a todos os recantos do nosso imenso país. Muito podemos fazer, sem necessidade de grandes gastos, investimentos altíssimos. Disso sou testemunha viva. Nos últimos anos de atividade como professor na hoje UTFPR, fui chefe do laboratório de física. Ao sair dali para a aposentadoria em 2003, deixei em uso uma porção de equipamentos simples, feitos com restos da marcenaria, alguns pregos e pedaços de chapas metálicas. Tudo reutilizado, nada comprado. Com esses equipamentos eram realizadas diversas experiências de cinemática que, sem seu concurso, eram explicadas apenas com desenhos no quadro, nas folhas de papel, ilustrações em livros ou apostilas. Com o uso desses equipamentos, as fórmulas e cálculos ficaram fazendo sentido, pois se baseavam na observação, medição e análise dos resultados. Posso afirmar que dessa forma o aprendizado era muito mais consistente. E eram usados no ensino médio, ou seja, curso Propedêutico.

Décio Adams

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O professor não é educador! – Parte V

Parte V

 

No vídeo que iremos ver logo adiante, Armindo Moreira afirma que o sistema de aprovação automática, ou seja, a ausência de repetência nas escolas, é um erro grave. O entrevistador Edésio Reichert apresenta dados estatísticos indicando a desaprovação do sistema por elevado percentual de pais, professores e mesmo alunos. Pela minha própria experiência posso afirmar que, ninguém se sentirá seguro para enfrentar uma nova etapa de aprendizado, se a(s) anterior(es) não estiverem fazendo parte do suas habilidades adquiridas. Tenho plena convicção de que, uma reprovação no momento certo é mais útil do que a aprovação sem mérito algum. Vejamos um professor de matemática, tentando ensinar ao aluno álgebra, se este sequer domina as propriedades das quatro operações aritméticas, as propriedades dessas mesmas operações, que são a base para o aprendizado de álgebra. Vai resultar indubitavelmente um novo fracasso ao final do ano. Mas ele é mandado para frente, enquanto em sua cabeça se acumulam frustrações sobre frustrações, além de desenvolver o desinteresse pela disciplina. Para que ele irá se esforçar, se a aprovação não irá depender desse esforço?

Se no entanto for confrontado com a reprovação, seja na disciplina que for, terá pela frente um ano para repetir os mesmos conteúdos. Há evidentemente necessidade de estímulos para que ele queira ultrapassar o obstáculo. É necessário lançar lhe o desafio, mexer com os seus brios e isso o levará a enfrentar os anos posteriores, com os pés firmes no chão. O aprendizado dos conteúdos novos, baseados nos precedentes, ficará enormemente facilitado. Sem esquecer que o fato de ter repetido uma vez, servirá de acicate para lhe espicaçar o espírito e querer ser aprovado, sem necessidades de manobras diversas. Sentirá que foi aprovado por seus conhecimentos, servindo assim para lhe preparar o espírito, em vista dos desafios que a vida pós-escolar lhe irá apresentar.

Outro assunto abordado é o ECA. Devo confessar que comungava da ideia comum de desaprovação do estatuto, mas não cheguei a ler o teor completo do documento. Conhecia por algo alguns tópicos. Moreira no entanto o leu inteiro e lhe fez uma crítica de forma construtiva. Vendo a questão pelo ângulo que ele demonstra, sou obrigado por meu turno a dar razão. Preciso rever minha posição e, no momento oportuno, dedicar algumas horas para ler o conteúdo inteiro. Trata-se de um Diploma Legal, que, à semelhança da Teoria de Marx, é muito mal interpretado e mais mal aplicado. Dessa forma gera uma porção de incompreensões, ações desconexas e contraditórias. Temos como resultado uma insatisfação geral com relação aos assim chamados “efeitos do Eca” sobre nossa juventude e os adultos em que eles irão se transformar. É urgente um estudo aprofundado das disposições desse estatuto. Se forem encontradas incongruências, devem ser discutidas e sugeridas as devidas modificações, para que se torne algo útil e não meramente “letra morta”, como tantas de nossas leis. Aprovadas, sancionadas, promulgadas e no entanto seu efeito jamais se faz sentir, pois não entra em vigor realmente. Há sempre uma forma de contornar, desviar, burlar e fica tudo na mesma.

https://www.youtube.com/watch?v=mrndG0H4GEg

 

O entrevistador Edésio Reichert faz uma proposição. Sugere que todos deixemos de usar a palavra  educação, quando em verdade estivermos nos referindo ao ensino; à aquisição de habilidades, competências. Com o tempo iríamos ter um Ministério do Ensino ou da Instrução, Secretarias Estaduais de Ensino ou Instrução e assim por diante. As famílias seriam forçadas a assumir a educação de seus filhos, para que ao chegarem aos bancos escolares, tragam em si a personalidade, a ética, a moral, o respeito e educação, estando prontos, dispostos a estudar de verdade. É uma atitude de ruptura com o status quo do momento, mas se o país é o que nós fazemos dele, cabe darmos a contribuição usando os meios as nosso dispor. Não devemos nos omitir nem escusar de fazer o que nos compete na qualidade de cidadãos. Não é por estarmos em idade mais avançada, não termos mais filhos em idade escolar que estamos isentos disso. Somos cidadãos até o final de nossa vida. Cabe-nos dar exemplo e apontar o caminho do futuro até o fim. Sendo assim, vejamos o vídeo e comecemos a por em prática nossa atuação.

https://www.youtube.com/watch?v=GqRDo_wXUfk

No vídeo a seguir, Armindo faz a Edésio Reichert um resumo do conteúdo de seu livro. Em poucas palavras nos diz que para termos uma escola realmente transformadora de nossa sociedade, precisaremos primeiramente de currículo único para todo país. Sei que isso irá gerar resistências em muitos lugares, no entanto, imaginem uma criança que seja, por qualquer razão, obrigada a se mudar. Ela poderá sair de uma escola em que o currículo seja totalmente diverso daquele que encontrará no novo endereço. Como ela irá se adaptar a essa nova realidade? Podem crer, não será fácil. Atrevo-me a dizer que, em muitos casos, será até impossível. Qual será o efeito sobre a vida dessa pessoa quando for colocada no mercado de trabalho? Poderemos esperar dela um desempenho satisfatório?

Outra questão é a profissionalização das direções escolares. É fácil compreender que, se qualquer empresa para ser bem gerida, precisa de um administrador competente para dirigir seus destinos. Por que então, uma escola deveria ser diferente? Lembro dos anos de faculdade. Em nenhum momento fomos confrontados com os problemas administrativos de uma escola. Mesmo assim depois é esperado de muitos de nós que saibamos administrar uma escola, com todas as suas implicações, particularidades, questões burocráticas e relações humanas. Não vamos ao ponto de dizer que não poderão ser professores os diretores. Mas antes deverão passar por cursos de preparação para ocupar as funções administrativas. Não bastam alguns dias, ou mesmo horas de orientações e pronto, o professor está pronto a enfrentar toda diversidade de questões inerentes à gestão da escola.

Há um ponto em que tenho ligeira discordância, mais no sentido da exequibilidade do que na intenção e validade de aplicação. Defende Armindo que as provas a que os alunos serão submetidos visando sua aprovação ou não, sejam elaboradas pelo professor, mas avaliadas por outro professor. Isso cria uma dificuldade pois poderemos ter um professor de química, avaliando provas de português, uma professora de educação física avaliando provas de matemática e assim por diante. Isso me parece uma incoerência. Nas escolas de grande porte, onde haja vários professores da mesma disciplina, poderá ocorrer esse revezamento, mas nas menores, isso fica impraticável. Deve ser objeto de melhor discussão esse aspecto da questão.

Dedicar uma boa porcentagem do tempo escolar à leitura. Objetivando com isso desenvolver o hábito, agilidade e capacidade de compreensão do texto lido. O resultado seria uma maior desenvoltura na aprendizagem de todos os demais conteúdos que virão depois. Isso me lembra das minhas aulas e provas de matemática/física. Sempre corrigi os erros de ortografia, sendo por isso questionado pelos alunos. Diziam que eu não deveria lhes corrigir os erros de português, uma vez que não era minha disciplina. Lembro que nunca lhes atribuí notas a menos por isso, mas sempre lhes afirmei: Escrever e falar corretamente é necessário em todos os ramos de atividade. Não é exclusividade das aulas de português. Hoje, muitos deles são meus amigos no facebook e em muitas ocasiões recebi deles elogios variados relativamente à minha atuação enquanto atuava na sala de aula.

Para ver todos os itens do livro, vamos ver o vídeo. O que comentei, foi a parte que mais chamou minha atenção. Vamos mudar nosso país pela educação, especialmente pela atuação de cada um de nós durante a vida.

https://www.youtube.com/watch?v=Wk5b1oBf5xU

Espero que isso não termine aqui. Não basta vermos os vídeos, comentar uma ou outra coisa, mas depois tudo cai no esquecimento e esperamos que os outros façam a diferença, afinal não é nossa tarefa mudar o mundo. É nossa tarefa sim e precisamos todos fazer nossa pequena parte. Só assim teremos um dia um mundo melhor para legar às próximas gerações.

Décio Adams

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O professor não é educador! – Parte IV

O professor não é educador!

 

Parte IV

 

Nesse próximo vídeo, vemos Edésio Reichert entrevistando Armindo Moreira sobre a avaliação que ele faz de Paulo Freire. Não estou habilitado a falar com propriedade, pois lamentavelmente não li a obra de Paulo Freire. Segundo as palavras de Moreira, trata-se de alguém que pensou em educação de adultos, visando prepara-los para a implantação do socialismo. Nem mesmo ele, Paulo Freire, jamais de intitulou educador. Não elaborou teorias ou métodos de educar crianças e no entanto está em moda nas escolas que formam nossos professores seguir Paulo Freire. Trata-se pois de um equívoco que precisa ser revisto e corrigido. Não há porque usar os escritos de alguém, dirigidos a adultos a serem alfabetizados, para a preparação de professores que irão atuar na alfabetização e instrução de crianças ou adolescentes. Vejamos o vídeo para saber do que se trata. Armindo Moreira está mais apto a falar do assunto.

https://www.youtube.com/watch?v=baf7c_vbShE

No vídeo a seguir, vemos Armindo Moreira falando sobre a revolução de 31/03/1964. Faz alguns esclarecimentos a respeito dos fatos, discorre sobre o desenrolar das ocorrências posteriores, guerrilhas, fatos políticos e sobre a Comissão da Verdade. É interessante ver o que ele fala sobre Marxismo, comunismo e suas implantações em diversos lugares no mundo. Sua interpretação das teorias de Marx e posteriores implementações na prática são assaz interessantes.

https://www.youtube.com/watch?v=F–ApbFhN0I

Sinto falta de não ter dedicado algum tempo para ler as obras de Marx e outros pensadores. Depois que iniciei minha vida de trabalho e estudos, não mais houve tempo de aprofundar outros assuntos, além dos específicos das disciplinas estudadas na escola. Por outro lado a educação recebida no interior, depois no seminário e alguns fatos posteriores, fizeram com que tivesse receio de ler essas teorias. Não é de estranhar, pois vivi minha infância e adolescência nos anos duros da guerra fria. Nasci em 1948, logo que a Grande Guerra terminou e se implantou regimes comunistas, totalitários em mais da metade da Europa, na China e depois Cuba. As guerras da Coréia, Vietnã, isso fazia ter horror a tudo que se relacionasse com comunismo ou fosse semelhante de alguma forma.

Hoje, depois de viver longos anos de trabalho, vejo com olhos experientes os fatos ocorridos. Não posso dizer que me arrependo do meu comportamento, pois fui induzido a agir dessa forma. Desde muito pequeno, me incutiram o sentimento de autopreservação. Isso eu fiz, mas em muitos casos poderia ter agido de modo diferente, pois hoje vejo que fui omisso. Mas agora é passado.

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O professor não é educador! – Parte III

 

 

Parte III.

 

Vamos assistir mais vídeos com Armindo Moreira, autor do livro O professor não é educador! Agora gravações feitas da entrevista no programa Tribuna Independente, pela Rede Vida de Televisão. Esteve presente, além do entrevistador um jornalista da UNIVESP, Fábio Eithelberg e tendo como assistente o também jornalista Paulo Galvão. Num primeiro momento, uma gravação de 20 minutos, onde Armindo Moreira expõe suas convicções e responde a diversas questões propostas por Fábio Eithelberg, por Paulo Galvão e pelo apresentador Dalcides Biscalquin. Assistam para ver.

https://www.youtube.com/watch?v=e9CRsf3ZFXk

No segundo vídeo temos mais 22 minutos de gravação, em que o tema é debatido e aprofundado. Vale a pena ver e refletir sobre tudo que é dito. Para se aprofundar mais nas teorias de Armindo Moreira, é recomendado adquirir o livro. Podem ser encontradas maiores informações na Fan Page no facebook, digitando PROFESSOR NÃO É EDUCADOR. Ali será direcionado para o canal que mais se adequar ao seu caso.

https://www.youtube.com/watch?v=cRvBWK0pQnA

Os comentários deixados no You Tube, dão uma ideia de quanto a teoria de Armindo é algo que, ao menos na opinião de muitos, é algo novo. Talvez nem seja tão novo assim, apenas ficou sepultado por muito tempo sob o manto de ideologias, teorias diversas, pedagogias ditas revolucionárias, que desvirtuaram a tarefa de ensinar, subvertendo-lhe o significado, apontando-a como sinônimo de educar. Isso é absolutamente errado e precisa ser mudado. É necessário dar a tarefa própria a cada personagem da vida. Os pais, a família, a igreja ou associação à qual a família pertença, a comunidade devem assumir a educação. Criar valores éticos, morais, sentimentos. Os professores trazem em seu arsenal de recursos, adquiridos ao longo dos anos de formação, as ferramentas para guiar o aluno criança/adolescente no caminho árduo do aprendizado de habilidades, competências. Quando cada “ator” do “teatro” da nossa vida estiver desempenhando seu papel, alcançaremos o objetivo maior proposto para a nossa pátria. Atingiremos o desenvolvimento e todos os membros, na proporção de suas competências e habilidades, usufruirão dos benefícios que isso gera.

Até outro dia, com mais vídeos, gravados das entrevistas de Armindo Moreira a Edésio Reichert.

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O professor não é educador! – Parte II

O professor não é educador! – parte II

 

Retomando a questão da transferência da tarefa de educar dos pais para os professores, vemos Armindo Moreira (ontem eu erroneamente o chamei Armínio, peço desculpas), indo mais longe. Segundo suas palavras, ao pesquisar os registros históricos do final do século XIX e princípio do século XX, encontrou em um bom número de países, entre eles o Brasil, que tinham o Ministério da Instrução. As alternâncias de diversas ditaduras em todos os cantos do mundo, levou à trocar essa denominação, para Ministério da Educação. O objetivo era educar os futuros cidadãos para darem apoio e legitimação aos ditadores. Eu não disponho de informações detalhadas para julgar essa questão, mas ao fazer tais afirmações Armindo deve estar apoiado em fatos concretos.

Vamos ao próximo vídeo, que tem menos de quatro minutos de duração.

https://www.youtube.com/watch?v=uefWeVCxPDU

Em virtude dessa postura contrária a adoção pelas escolas da tarefa de educar, em detrimento do “ensinar habilidades e competências”, no próximo vídeo veremos Armindo sugerindo a substituição do nome de Ministério e Secretaria da Educação, para “Instrução”, ou então “ensino”. A competência dos professores ficaria restrita ao ato se ensinar, orientar a aprendizagem. A tarefa de educar voltaria às mãos dos pais ou seus substitutos legais em caso de impedimento. Ele avoca a questão bastante interessante nesse particular. Se a família segue uma determinada denominação religiosa, ou linha de comportamento. Já os professores poderão ser de outra linha religiosa, ateus, liberais, socialistas e tantas outras características escolhidas em sua liberdade. Como ficará a “educação” desse aluno, colocado sob seus cuidados? Ele ficará preparado para seguir os passos da família? Ou ele seguirá qual dos seus professores?

O outro vídeo foi gravado durante uma palestra em encontro de professores na região oeste paranaense. Vejam:

https://www.youtube.com/watch?v=LAguEpOEBK0

Muito se ouve falar da aversão que grande parte da população nacional tem pela leitura. Armindo em seu livro O professor não é educador, chama atenção para uma questão fundamental. É habitual a pessoa rejeitar aquilo que não sabe fazer, tem dificuldade em aprender, ou que não aprendeu. É o caso da leitura. Armindo defende que é indispensável a dedicação de tempo especial para desenvolver no aluno a técnica da leitura correta. Significa, ler com rapidez e compreender o conteúdo lido. Para isso é essencial que um tempo significativo durante as aulas nas séries iniciais seja dedicado a isso. Como todo o aprendizado posterior depende de leitura e sua compreensão, de nada adianta congestionar o período escolar inicial com inúmeras atividades, em detrimento do aprendizado da leitura. O mesmo acontece com as noções básicas de matemática. Fica impossível aprender os conteúdos dos níveis posteriores, se os conhecimentos básicos não estiverem sedimentados. Começa pela memorização da tabuada. Novamente aparece a objeção muitas vezes levantada contra o uso da memória. Concordo com Armindo, a memória não gasta, não estraga, não diminui com o uso. Muito pelo contrário. Quanto mais é exercitada, melhor ela fica.

Vamos ver um vídeo gravado por Edésio Reichert, tendo por base o livro de Armindo Moreira, abordando a questão da leitura. As estatísticas apontam que temos 70% de analfabetos funcionais. Isto é, pessoas que leem mas não compreendem o que estão lendo. De que nos vale termos a maioria dos cidadãos com um diploma na mão, mas que na verdade não dominam as habilidades necessárias para exercer a função para a qual foram em princípio “formados”? Nos últimos dias foi publicado o resultado do ENEM e uma enorme quantidade de candidatos obteve nota “zero” em redação. O que isso representa? É um alerta para a questão das aprovações sem levar em conta o mérito do aluno. É proibido reprovar. O que é preferível: carregar a frustração de uma reprovação ou levar para o resto da vida a vergonha de não ter habilitação alguma, apesar de um diploma dizer o contrário? Outro exemplo é o periódico exame da OAB, onde milhares de “bacharéis” em direito, tentam em vão conseguir obter seu direito de exercer a advocacia de forma plena. Sem a carteirinha da OAB, assegurando ser o portador apto a defender causas em juízo, fazer petições e toda sorte de demandas jurídicas, nada feito. O diploma não passa de um papel, útil talvez, para emoldurar e pendurar em uma parede e nada mais. Isso é muito pouco.

https://www.youtube.com/watch?v=dcVXx3maSyM

O autor do livro O professor não é educador, vem provocar uma discussão salutar em torno do assunto “educação” e “instrução”. Segundo ele, além de um grande número de profissionais envolvidos na questão, essas palavras não são sinônimos, como é muitas vezes colocado na prática. O fato de termos o MEC – Ministério da Educação e Cultura, é muito mais significativo do que apenas uma sigla altissonante. Em seu bojo reside o fato de tentarmos colocar nos ombros dos professores, preparados para ensinar matemática, português, geografia, história, ciências e todas as demais disciplinas, a carga de “educar” os filhos dos outros. Talvez eles mesmos tenham suas dificuldades em educar os próprios filhos.

O assunto deve ser longamente debatido, aprofundado e talvez depois, implantada uma mudança real e verdadeira em nosso sistema de ensino. Se queremos desenvolver nossa pátria, não podemos deixar de formar os cidadãos para exercer as diversas atividades que isso traz como consequência.

Décio Adams

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O professor não é educador!

O professor não é educador!

 

Este é o título de um livro lançado de forma independente pelo professor aposentado, Armínio Santos Moreira, que usa na literatura apenas o nome Armínio Moreira. Conta hoje com 80 anos de vida, dos quais 43 foram passados em salas de aulas. Nascido em Portugal, após o curso de licenciatura, fez mestrado pela PUC de Salamanca. Lecionou algum tempo na terra natal e também em um país africano.

No Brasil iniciou a atividade como professor na cidade de Foz do Iguaçu. Veio a se aposentar depois de atuar na UNIOESTE. Em seu livro Armínio chama a atenção para vários aspectos importantes no que tange a diferenciação entre educação e ensino. Assistindo aos vídeos gravados pelo divulgador do livro, Edésio Reichert, pude identificar nas palavras do Prof. Armínio minha maneira de sentir o que costumeiramente denominamos educação. Um dos aspectos importantes é o grande valor que ele atribui ao uso da memória, em especial nos primeiros anos escolares. Suas palavras me transportaram para os anos 50/60 do século XX. Foi nessa época que eu tive a base de minha formação escolar. Fui induzido a memorizar a tabuada até o número 10, vindo por iniciativa própria a decorar também as demais até o 15 ou 20, não lembro bem.

Posso testemunhar com minhas palavras. Usar a memória, não prejudica ninguém. Nem crianças, nem adultos, muito menos velhos. Ao contrário, o uso intenso da memória, melhora nosso desempenho, atrasando a degeneração cerebral. Vejam o primeiro vídeo, clicando no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=Ani7tMuJNBU

Uma coisa que nunca me havia ocorrido, é defendido por Armínio e estou inclinado a concordar com suas afirmações. Os estabelecimentos de ensino deveriam ser geridos, administrados, por pessoas com formação na área administrativa. É fácil compreender que, alguém que passou quatro anos ou mais, aprendendo geografia, matemática, ou língua portuguesa, está apto a lecionar os conteúdos dessas disciplinas. Não está apto a administrar uma escola. E eu sou testemunha, pois em 1988/89, estive investido do cargo de diretor de uma escola no interior mato-grossense. Minha experiência me obriga a concordar com Armínio. Eu estava apto a lecionar matemática e física, não a ser diretor. Procurei desempenhar a função da melhor maneira que pude, e não sofri de recaída. Nunca mais quis ocupar novamente um cargo diretivo. Vejamos o vídeo cujo link transcrevo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=vQmUhlVfPr0

Vivemos há algum tempo uma inversão de conceitos. Consideramos educação o que os professores dão aos alunos nas escolas, quando na verdade a tarefa dos professores é transmitir aos alunos as habilidades e competências que ele irá necessitar no desempenho de sua cidadania. A educação é tarefa da família como um todo. Incluem-se aí os pais, irmãos mais velhos, avós, tios, tias e mesmo vizinhos. Infelizmente vemos ocorrer nos dias atuais a transferência dessa tarefa da família aos integrantes dos corpos docente/administrativo das escolas. Esse é o ponto crucial em que Armínio Moreira bate forte em seu livro. Segundo suas palavras, decidiu-se por escrever o livro, movido por longos anos de experiência. Nesses anos diz ter-se visto inúmeras vezes na contingência de fazer o que não lhe competia, isto é, educar os filhos dos outros.

Um fato relevante nesse campo é que na escola a criança/adolescente, passa pelas mãos de vinte, trinta e mais pessoas. Essas pessoas em princípio são estranhas à sua vida e depois continuarão a ser, quando ele concluir o nível escolar correspondente. Irá encontrar mais outro tanto de pessoas, a quem está sendo cobrada a tarefa de dar educação a esse aluno. Afirma Armínio que é impossível querer que alguém acabe educado por tantas pessoas diferentes. Muitas vezes totalmente opostas em suas convicções, personalidades e crenças. Não é de hoje que ouço dizer que “Educação se traz de berço”. É algo com que concordo. Inclusive tenho visto casos de egressos de estabelecimentos encarregados de acolher e educar os órfãos, abandonados, para os quais não foi encontrada uma família substituta, apresentarem desempenho satisfatório na escola. Não houve quem se dispusesse a adotar essa criança/adolescente, nem assim ele deixou de se tornar cidadão. É evidente que irá levar para a vida inteira uma lacuna em sua personalidade que é o carinho, amor, aconchego familiar.

Um outro aspecto a considerar é que o professor, antes de mais nada está na escola, interessado em garantir o seu salário. Já a família tem interesse diferente ao educar a criança. As leis relativas ao assunto, os juizados da infância e demais órgãos devem ser convocados a intervir quando a família falhar na sua tarefa educativa. Lembro que em meus primeiros anos escolares, os pais ou responsáveis pelos alunos, transferiam ao professor (único numa turma multisseriada) a autoridade de educar. Inclusive usar castigos físicos. Se chegássemos em casa reclamando de algum castigo, a primeira pergunta era:

– E por que você recebeu castigo?

Nem adiantava mentir, pois era fácil falar com o professor e a verdade era revelada. Pouco importava que tivessem transcorrido alguns dias. Levava mais um castigo, geralmente dobrado. Um por mentir e outro por desobedecer ao professor. O mais interessante é que, não lembro de nenhum caso de aluno que tenha levado para a vida, marcas desse tempo. Levamos sim o que aprendemos, mesmo à custa de inúmeras repetições. Ao deixarmos a escola comunitária, tínhamos uma boa base de conhecimentos tanto de língua portuguesa, matemática e noções de geografia, história, até mesmo ciências. E nosso professor não possuía sequer o curso ginasial. Não quero com isso desfazer de sua habilidade. Ao contrário, mesmo com formação deficiente, foi capaz de nos transmitir conhecimentos, que hoje muitos alunos ao alcançarem o Ensino Médio não dominam, basta vermos as questões do ENEM e comprovar. Vejam o outro vídeo, clicando no link que segue:

https://www.youtube.com/watch?v=s8BWk1sT35I

Nos próximos dias voltarei a falar dessa obra e colocarei novos links para outros vídeos tratando do assunto.

 

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