Arquivo mensais:setembro 2015

Fantástico mundo novo! – Capítulo XI – Encontro importante. (fim volume I).

  1. 11. Encontro importante.

 

A aldeia inteira estava agitada. Haviam sido convocados para comparecerem, na tarde do dia de descanso, para um debate longo, como era previsível. Estariam discutindo e votando os artigos da legislação que regeria os destinos comuns nos próximos anos. A curiosidade era geral. O que teriam produzido aqueles nove membros, encarregados da elaboração desses documentos? Haveria muita discussão, possíveis modificações, quem sabe um novo tumulto provocado por descontentes? Os componentes do grupo estavam serenos. Tinham certeza de ter produzido algo bem equilibrado, sem rebuscamentos retóricos ou literários. Desejava-se que a maioria da população fosse capaz de compreender cada palavra e dessa forma, facilitar a aplicação, o cumprimento dos deveres que caberiam a todos. Nesse clima anoiteceu o último dia de trabalho.

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Fantástico mundo novo! – Capítulo X – Mais novidades surgem.

  • Mais novidades surgem.

 

Enquanto o grupo de nove integrantes passava uma parte de suas horas noturnas, até mesmo algo de seu dia, analisando, sugerindo e encontrando um caminho viável para a estruturação administrativa da aldeia, os demais moradores continuavam sua vida como se nada acontecesse. Uma ou outra vez surgia algum comentário esparso, mas a maior parte do tempo estavam alheios  ao assunto. Quem estava sempre se inteirando, quando tinha oportunidade de conversar com o Mestre, era Minck. O mesmo fazia seu pai Sock, durante os contatos que mantinha com o chefe do porto e líder comunitário Agik. Devido ao acúmulo de tarefas, este lhe delegara algumas funções que, de comum lhe cabiam desempenhar. Não era exatamente um menino e as horas gastas no horário noturno, unidas ao dia repleto de compromissos, deixava-o  exausto.

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Cruzeiros do Sul! – de Urda A. Klueger.

Cruzeiros do Sul, de Urda Alice Klueger, capa 001

Cruzeiros do Sul

Cruzeiros do Sul!

Romance histórico de Urda Alice Klueger, publicado, em segunda edição, pela Hemisfério Sul Editora.

A autora me brindou com um exemplar de sua obra. Confesso que, ao observar externamente, pouca atenção me despertou. Porém, bastou abrir e começar a ler o primeiro capitulo, para ficar inexoravelmente fisgado pelo conteúdo. Trata-se de um romance histórico, daqueles em que temos dificuldade imensa em perceber onde termina a história verdadeira e onde começa a ficção, se é que se trata de ficção. Consegue a autora traduzir com tamanho realismo a vivência de nativos (indígenas), colonizadores portugueses, holandeses, ingleses extraviados que por aqui aportaram, nas terras brasileiras, especialmente na região onde hoje está situado o estado de Santa Catarina.  Continue lendo

Fantástico mundo novo! – Capítulo IX – Discussão de mudanças.

  • Discussão de mudanças.

 

Diante da volta dos emissários e a tradução do material coletado por Mestre Zósteles, foi possível iniciar a realização de reuniões mais frequentes dos legisladores. Era hora de se debruçarem sobre as leis alheias, estudar, analisar o que era viável aplicar e o que deveria ser modificado. A maior dificuldade era a questão de um bom número dos membros do corpo legislativo não saber ler nem escrever. Até esse momento as normas eram elaboradas verbalmente, votadas e a aplicação se tornava automática. Agik tinha em mente algo mais sólido, redigido, depois votado pela população. Só depois entraria em vigor.

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Fantástico mundo novo! – Capítulo VIII – Leis são discutidas e aperfeiçoadas

  • Leis são discutidas e aperfeiçoadas.

 

Na noite anterior ao novo dia de descanso, Minck conseguiu sair furtivamente de casa, subindo se titubear no penhasco. Estava levando uma lista com as dúvidas que gostaria fossem esclarecidas pelo amigo Arki. Ao chegar no lugar habitual, uma pequena nuvem ocultava a sua estrela. Teve um momento de desagrado, pois se não conseguisse ver a estrela, seria impossível comunicar-se com o amigo. O que ele não sabia que Arki não estava limitado por tais obstáculos. Como num passe de mágica, viu uma mancha clara se abrir em meio à núvem, onde sua estrela brilhou e piscou. Logo executou o costumeiro bailado, seguido de um forte clarão vindo em direção à Terra. Foi o tempo de piscar os olhos e ouviu Arki dizer ao seu lado:

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Fantástico mundo novo! – Capítulo VII – Aldeia se movimenta em busca de estrutura jurídico administrativa.

  1. A aldeia se movimenta em busca da estrutura jurídico-administrativa.

 

O dia do descanso semanal começou com a aldeia coberta por densa névoa. Não se conseguia ver o outro lado das ruelas. Uma semana antes amanhecera chovendo e dessa vez parecia que um lençol branco fora estendido sobre toda região. A população ficou trancada em casa, esperando por um raio de sol. Quando ele finalmente conseguiu perfurar a camada de neblina, esta se dissipou rapidamente. Isso acontecido, apareceu um céu azul límpido, sem sinal de nuvens. Um calor gostoso se fez sentir sem demora. Em pouco tempo as ruelas se encheram de crianças correndo em brincadeiras ruidosas. Um e outro adulto começou a percorrer as ruas estreitas.

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Fantástico mundo novo! – Capítulo VI – Novidades acontecem.

  1. Novidades acontecem.

 

O primeiro dia da nova semana de começava, amanheceu com o céu limpo. Logo os primeiros raios de sol riscaram o céu, deixando em sua passagem o traçado gravado nas muitas partículas de água que ainda havia em suspensão na atmosfera. Todo povo estava levantando do leito, após um dia de descanso e uma noite de sono reparador. Em toda parte, chaminés rústicas emitiam pequenas nuvens de fumaça do fogo que aquecia os alimentos da refeição matinal nas casas. Sock e os filhos maiores preparavam-se para enfrentar mais um dia de trabalho. No período de descanso, havia adentrado ao porto um navio dos grandes. Era talvez o maior barco já visto por essas paragens. Trazia uma variedade de mercadorias trazidas de portos distantes. Além de descarregar parte de sua carga, iria levar um bom lote das mercadorias estocadas nos depósitos. Teriam trabalho em quantidade significativa.

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Fantástico mundo Novo! – Capítulo V – Começo do aprendizado.

  1. Começo do aprendizado.

 

O primeiro dia da nova semana, amanheceu com a aldeia coberta de um denso nevoeiro. Era comum nessa época do ano, devido à proximidade com o oceano, a chuva recente, ocorrer esse fenômeno. Porém, pouco depois os raios solares como que perfuraram a névoa e ela foi dissipada. O céu apareceu azul e sem nuvens. Apenas um ou outro “floco de algodão” parecia flutuar no firmamento, como se algum coletor distraído tivesse esquecido de recolhe-los junto ao resto da colheita. Os discípulos matutinos, chegaram, curiosos e um pouco receosos também, para o início das lições. Boa parte estava sem material para escrita, pois o comerciante que se encarregara, era esperado a qualquer momento. As fortes chuvas de dois dias antes, haviam causado o atraso.

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Fantástico mundo novo! – Capítulo IV – Recebendo novas lições de vida.

  1. Recebendo novas lições de vida.

 

Sock e os filhos chegaram em pouco tempo, cansados de um dia intenso de trabalho no porto. O segundo navio estava praticamente carregado. Com pouco tempo na manhã seguinte concluiriam o serviço. Ouviram admirados as novidades que Zósteles e Minck traziam. Era de ficar pasmo diante da receptividade que a proposta de ensinar a ler e escrever, além de lições de filosofia, haviam tido de parte da população. Havia sim, alguns que ficavam céticos a respeito, mas um bom número de meninos e meninas havia sido inscrita pelos pais. Também os adolescentes estavam entusiasmados. Um grupo de homens estava disposto a discutir e ouvir lições de filosofia. Viam nisso uma oportunidade de deixar para trás os dias de ignorância. Mesmo dedicando a vida ao trabalho humilde, poderiam ter um nível cultural mais elevado.

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Fantástico mundo novo! – Capítulo III – Conhecendo um filósofo.

  1. Conhecendo um filósofo.

 

O dia seguinte, terceiro depois do primeiro encontro com Arki, começou sem nenhum incidente especial. O trabalho no porto continuou em ritmo redobrado. Os trabalhadores olhavam o novo chefe com respeito. Ele fizera por merecer, comandando a defesa do estreito, contra o ataque pirata. Depois, defendendo a manutenção da vida dos prisioneiros, ele se insinuara na alma de todos como alguém cheio de misericórdia. Não seria jamais um chefe desumano, cruel e violento. Saberia respeitar os limites de cada um, sem, no entanto, pecar por ser brando. Sabia, na hora certa, ter o pulso firme, sem dar oportunidade a atitudes de “corpo mole” de parte de alguns subordinados. Havia sempre quem se julgasse com direito a ser tratado com alguma regalia, a que definitivamente não fazia jus. A cada dia Sock voltava para casa cansado, embora não usasse mais tanto sua enorme força física, mas era a tensão a que ficava submetido o tempo todo. Isso deixava-o exausto ao final da jornada de trabalho.

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