Arquivo mensais:agosto 2014

23ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo

Minha primeira Bienal!

            Amanhã ao meio dia embarco para São Paulo. Nas instalações do Parque Anhembi está tendo lugar a realização da 23ª Bienal Internacional do Livro. Minha editora me convidou para participar e estou indo. Sexta feira, 18 h será a sessão de autógrafos que me coube na distribuição dos horários. 
            Estou levando comigo meus livros publicados até agora. Os dois primeiros são de contos e tem por títulos: Contando um conto e aumentando um ponto…; e Contando um conto e aumentando um ponto…dois. Contém ao todo 36 contos, criados tendo como base histórias que eu ouvi na infância, adolescência, vida adulta e mesmo piada lida no jornal Tribuna do Paraná. A grande maioria tem por cenário o território do Rio Grande do Sul, na época da imigração italiana, alemã e polonesa no RS, em fins do século XIX, princípios do XX. As capas são essas. 

Publicado em 10/10/2013

Publicado em 27/02/2014

         Junto com o segundo volume dos contos foi publicado também o volume I do romance A saga da família Cruz. O início da trama se dá nas décadas finais do século XIX, com o surgimento do primeiro membro da família no município de Passo Fundo, RS. O primeiro volume abrange até o início da vida adulta do filho primogênito na terceira década do século XX. 

        No volume dois ocorre um crescimento econômico da família como um todo, sendo alcançado um estágio de grande prosperidade. O outro filho e as filhas passam a integrar a força de trabalho, enquanto o caçula ainda esquenta os bancos escolares, mas sonha alto. quer ser oficial do exército. Os mais velhos se casam constituindo suas famílias e o aspecto econômico progride, a despeito de crises econômicas e políticas que atingem o mundo e a nação brasileira. No volume três a vida da família prossegue, ficando por conta do filho caçula a parte mas destacada da trama. Ao prestar serviço militar, ingressa na AMAM – Academia Militar das Agulhas Negras. Lá se forma oficial, em pleno curso da Segunda Guerra Mundial. Recém saído da Academia participa de treinamento nos EUA para formação de pilotos de caça e bombardeio. Junto com os companheiros de curso, conquista a qualificação e participa da implantação de um contingente de pilotos, bem como demais especialistas da aviação militar. 

Publicado em 06/06/2014
        Quando da convocação de contingente para integrar a FEB, ele é convocado e não hesita em ser membro da tropa de combate. Nas destacadas atuações da aviação nacional em campos italianos, comanda uma esquadrilha que causa elevadas baixas nas instalações e tropas germânicas. No derradeiro dia de combate em Monte Castelo, encontra a morte ao ser atingido por um obus disparado pela última peça de artilharia inimiga em ação. Algum tempo antes disso, casara-se com uma jovem italiana, deixando-a grávida, mesmo sem seu conhecimento. O filho nasce e é amparado pelos demais membros da família que influencia os pais e irmãos da jovem a virem morar no Brasil. O filho do herói vem se reunir com os outros membros de sua família no Brasil. 

         Os italianos de instalam na região de Bento Gonçalves, onde adquirem
uma vinícola e se dedicam ao cultivo de uvas, produzindo vinho de boa qualidade. Os anos correm, a família se ramifica, os negócios se tornam diversificados. Aos poucos a empresa se profissionaliza, é transformada em SA e com o tempo a direção passa para as mãos de acionistas fora do clã Cruz.
Publicado em 06/06/2014

O romance Um veterinário judeu nos pampas, é igualmente constituído de três volumes. Inicia-se no ano de 1808 em Varsóvia, capital da Polônia. Um menino, filho de família judia, dedicada aos cuidados com animais nas propriedades dos nobres ou burgueses, nasce e segue os passos do pai. Torna-se um exímio tratador de cavalos, vacas, e demais animais domésticos. Casa-se e assume a chefia da família em substituição ao pai já debilitado pelos rigorosos invernos passados na labuta diária. 

       Nascem os primeiros filhos e após um pogrom levado a efeito por nativos indignados contra algum acontecimento político, descarregaram sua revolta sobre os desprotegidos judeus. A família Abrahamowski(era esse o sobrenome) consegue escapar ilesa, mas o líder do clã toma a decisão de emigrar para Leipzig em busca de maior tranquilidade. Lá tinham apoio de um amigo de família, bem situado na Universidade local. Ele obtém um bom trabalho, os irmãos ainda mais jovens, além dos filhos se dedicam aos estudos, vindo a se formarem em diversas especialidades. Além das formações universitárias os filhos aprendem música, vindo a constituir uma pequena orquestra familiar. 

     O filho mais velho, de nome Joseph Abraham(sobrenome adaptado ao idioma alemão), dedica-se profundamente aos estudos. Forma-se em veterinária e agronomia, além de adquirir habilidades de laboratório em química e biologia. No final da década de 60 do século XIX, ocorrem movimentações nos pequenos reinos germânicos com vistas à unificação em torno de um governo único. As diferenças de opiniões e consequentes desavenças, geraram alguns distúrbios que novamente descambaram para as agressões aos minoritários judeus, habitualmente considerados culpados de diversas mazelas que atingiam o povo. Os pais e dois irmãos morreram nesses ataques, sendo que um irmão e as duas irmãs haviam emigrado para a Inglaterra e EUA respectivamente. 

        Diante disso, Joseph decidiu desfazer-se de todos os bens, enviando as partes que cabiam por herança aos irmãos, adquiriu equipamentos e suprimentos de remédios, embarcando para o Brasil. Desembarcou em Rio Grando e foi parar em Porto Alegre, onde se instalou provisoriamente em casa de um conhecido de descendência judaica.

Publicado em 06/06/2014.

        Entrou em contato com integrantes do governo provincial e acabou sendo contratado para ficar à frente de uma colonia modelo que estava sendo implantada na região próxima de Santa Maria, denominada Vila Nova. 


            No volume dois encontramos Joseph viajando para seu novo destino, onde encontra relativa facilidade devida ao idioma alemão que falava, bem como seus esforços bem sucedidos em aprender português. Não tem dificuldades em se integrar na comunidade, pondo de imediato suas habilidades a serviço, deixando os moradores muito satisfeitos. Encontra uma moradora, viúva e mãe de três crianças, filha de italianos. Os dois se apaixonam e terminam se casando. A mente criativa de Joseph traz à lembrança fatos aprendidos e vivenciados nos tempos de estudante e decide aperfeiçoar as ideias, para depois serem postas em prática. O resultado é a formação de uma cooperativa de produtores/consumidores com apoio do governo provincial. A colônia progride, escolas são instaladas, sendo ministrados cursos de alfabetização noturno aos adultos privados desse benefício em sua infância e juventude. Reprodutores de raça são trazidos do Uruguai, iniciando-se um programa de melhoria genética, visando a melhoria do desempenho leiteiro, bem como de produção de carne. 

        Num segundo momento é trazido um plantel de matrizes e reprodutores ovinos. Surge assim também um próspero núcleo de produtores de lã e carne desses animais. Os suínos também são criados com cuidados especiais, resultando num surto de prosperidade significativo. 

Publicado em 06/06/2014.

         Na continuidade surge na comunidade um grupo de iniciantes de música, sempre com o apoio de Joseph, resultando a formação de uma orquestra de renome, requisitada para se apresentar em toda a região, inclusive na capital co estado. Alunos das escolas migram para a capital a fim de continuar seus estudos e alguns acabam em universidades europeias, de onde voltam para a comunidade. Assim contribuem para a elevação do nível cultural e a qualidade de vida da população. Com a abolição da escravatura e posterior proclamação da república, as características da colônia foram modificadas, mas o nível de atividade não decaiu. A cooperativa já alcançara um nível de auto-suficiência significativo, bem como os cooperados também tinham consolidado suas atividades, tornando-se independentes de um apoio mais decisivo de parte dos órgãos governamentais. Joseph, devido aos muitos anos de relevantes serviços prestados, passou a receber um provento conveniente e depois disso dedicou-    se ao trabalho de sua especialidade. 
Anhem
          O casal Joseph e Rigoleta viaja aos EUA e Europa durante um período bem prolongado. Alguns anos mais tarde fazem nova viagem pela Argentina e Uruguai. A atividade de Joseph continua mais ou menos intensa, contribuindo com pesquisadores europeus em vários estudos importantes. No início do século XX Rigoleta vem a falecer, ficando Joseph novamente solitário e se dedicando mais intensamente aos trabalhos de pesquisas. Vem a receber menções honrosas de institutos europeus em resposta às suas pesquisas. Em 1915 ele vem a falecer com a idade de mais de oitenta anos. Deixa atrás de si um vasto leque de atividades importantes. 

      Estes são os livros de minha autoria que estarão expostos na 23ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo. Convido aqueles que puderem visitar o evento a chegarem ao stand F698(D6), onde está a Editora Biblioteca24horas, que publica meus livros. Estarei lá amanhã no final da tarde, na sexta feira e no período diurno de sábado. A quem me conceder a honra de visitar o stand e conhecer meus trabalhos, desde já agradeço. 

Curitiba, 27/08/2014

Décio Adams.

PS: Ontem a tarde passeei pela instalação da feira, com o intuito de conhecer e localizar a posição em que eu ficarei hoje na hora da sessão de autógrafos. Depois de participar de uma feira que foi decepcionante em outro local, essa me deixou gratamente animado com a forma organizada em que é realizada. O imenso pavilhão do Parque Anhembi inteiramente transformado em ruas e quadras, onde estão situados os stands de um grande número de editoras. Desde as mais conhecidas no cenário nacional, até algumas de que jamais ouvira sequer o nome. Captei algumas imagens apenas. Não havia possibilidade de percorrer stand a stand, devido a grande variedade e eu já estava um pouco cansado. Minha dificuldade locomotora atrapalha um pouco, mesmo assim venci as dificuldades conseguindo dar uma noção boa da ênfase que é dada a esse evento. Um movimento incessante de pessoas, grande número pagando ingresso, outros com convites, idosos e crianças menores de 12 anos com acesso gratuito. Mas é visível o interesse por livros e é assim que me parece deve ser organizado um evento dessa natureza. O foco deve ser dirigido para o objeto maior da realização da feira, nesse caso o livro. Vejam algumas fotografias. 

 Aqui uma série de imagens do stand de minha editora, Bibliotetda24horas. É pequeno, mas apresenta uma grande variedade de obras publicadas. Ela facilita os trâmites de publicação, reduzindo ao máximo o trânsito de papel. Maior par
te do processo é feito por meio da internet. Os arquivos seguem esse caminho. 

 Acima e ao lado, as mesas onde ficam os autores em sessão de autógrafos. É onde eu estarei hoje das 18 às 20 horas. 

As estantes expondo os livros dos vários autores que tem livros presentes à Bienal. Quem conhece as capas dos meus, poderá encontrá-los na imagem acima.  

      Esse stand é de uma editora dedicada a produzir livros em braile para os cegos. 


Ao fundo, direita, local de saída e entrada. 

 Diversas editoras de que jamais ouvira falar, nem vira seu nome impresso em alguma capa de livro. Estão aqui nesse evento gigantesco dedicado a algo, muitas vezes tratado com pouco caso e menosprezo. 

Essa última não sei se o nome é Tapioca ou Novo Século, mas ambos aparecem em destaque. Talvez Novo Século seja usado para identificar o site da editora. 

Voleibol Feminino

Brasil é decacampeão!

       Sheila, em mais um ataque preciso, ajuda o selecionado Brasileiro a conquistar mais um título internacional. O de décimo Gran Prix. Um feito que, salvo engano meu, é inédito no mundo do esporte. Uma sucessão de expoentes destacados na equipe feminina vem encher de orgulhos a todos os apreciadores dos esportes coletivos. É onde a conjugação de esforços traz o resultado final, apesar do destaque de um ou outro expoente mais decisivo. Quando eu era criança e depois adolescente, em minha comunidade no interior do Rio Grande do Sul, a pratica do Voleibol masculino era bastante intensa. Mas nunca havia visto uma equipe feminina. Isso parecia algo da alçada dos homens, ficando reservado às mulheres o papel de torcedoras, por vezes bem fanáticas e entusiasmadas. 

        Tenho viva na lembrança da imagem de alguns atletas mais destacados do time de voleibol da Linha Paranaguá, município de Cândido Godói, RS, nas décadas 50/60 quando ali vivi minha infância e adolescência, mesmo início da fase adulta. De memória posso citar Elmo Bieger, Adolar Friedrich, Roque Bieger, Nilo Bieger, Aloísio Rockenbach, Bruno Sausen, meu tio Evaldo Dewes e alguns outros que me fogem à lembrança no momento. Formavam uma equipe quase imbatível na região, tendo acumulado um grande número de troféus conquistados em torneios periódicos realizados nas comunidades e mesmo municípios vizinhos. De minha parte, quando cheguei a idade de participar, nunca alcancei destaque. Jogava o suficiente para ser reserva do time B e nem sempre dispunha de recurso financeiro para custear as viagens e despesas que corriam por conta de cada membro. Mas era um orgulho da comunidade a equipe desse esporte. Não havia estrutura alguma para dar suporte. Mal a apenas o uniforme era comprado com recursos angariados pela associação, uma espécie de clube formado pelos próprios jogadores. Mas isso serviu para me transformar em um grande apreciador desse esporte. 

       Anos mais tarde, quando aconteceram as primeiras conquistas da seleção nacional masculina e depois também da feminina, sofri muitas vezes quando nossos atletas, por falta de uma preparação tanto física como psicológica inadequada, falta de apoio financeiro, conseguiam com muito sacrifício alcançar alguns triunfos, mas na hora decisiva eram superados por outras equipes mais experientes e bem treinadas. 

       Lembro de Bernard e seu famoso saque Viagem às estrelas, depois o Viagem ao Fundo do Mar, um vice campeonato olímpico, tiveram gosto de uma grande conquista. Faltava porém o melhor, o mais saboroso. Ser campeão. Isso ocorreu pela primeira vez em 1992, na Olimpíada da Espanha. Morávamos em Brasnorte – MT, e assistíamos os jogos em um pequeno televisor a baterias, em preto e branco. Como torcíamos, meus filhos, eu e minha esposa. Ver o selecionado brasileiro sagrar-se campeão olímpico, tendo perdido apenas três sets em toda competição. Nenhuma partida foi perdida. Chegamos invictos. 

        Desde então uma longa sucessão de conquistas no esporte praticado com as mãos, se seguiram. O time masculino saiu na frente mas logo foi secundado pelo feminino e a galeria de atletas destacadas foi crescendo. Apenas para citar alguns nomes como Ana Moser, Fernanda Venturini, Sassá, Leila, atualmente Sheila, Fernandinha, Monique e suas companheiras. Não me vem à memória os nomes, mas as fisionomias estão todas gravadas. Umas mais outras menos, cada uma com suas características próprias e nos momentos adequados, deixaram suas marcas na história do glorioso time feminino de Voleibol, que na última madrugada de domingo(24/08/2014) se sagrou campeão do Gran Prix pela décima vez.  É com incontido orgulho que podemos dizer: somos decacampeões.
       Não é justo esquecer do time masculino que, mesmo não tendo conquistado os títulos dos últimos anos, esteve sempre disputando as primeiras posições. E ainda assim é o mais vitorioso time do mundo. Não é lícito esquecer as duas figuras destacadas dos técnicos que comandam as duas seleções há mais de uma década. São certamente os treinadores mais vitoriosos a nível mundial, reunindo ao seu redor um grupo de auxiliares de alto gabarito , servindo de exemplo a muitos países na elaboração de seus programas de treinamento e preparação de suas equipes. Frequentemente vemos intercâmbios nessa área sendo feitos, pois o programa de treinamentos desenvolvido nas duas seleções é de fato impressionante. A renovação do plantel é constante e o nível de competitividade é mantido praticamente inalterado, se é que não aumenta. 

       É importante lembrar que os demais países que competem nesse esporte investem e trabalham na busca de se equiparar ao nosso time. Dessa forma, se deixarmos estar, dormirmos sobre os louros conquistados, logo estaremos em último lugar. Por isso é necessário ficar a cada dia, cada competição buscando melhorar a qualidade, explorar novas malícias, jogadas ensaiadas e assim surpreender aos adversários. Seria injusto não querermos aceitar algumas derrotas. Nem todos os dias os atletas estão em sua mais perfeita forma e inspiração. Seu estado psicológico não está no ponto mais elevado e alguns fatores externos podem influir. As derrotas devem servir para esquecermos o orgulho e a soberba, mantendo a humildade e sempre respeitando os adversários como eles merecem. 

         É notável também o destaque das duplas brasileiras, tanto no masculino como no feminino, nas competições de Volei de praia. Temos fartura de títulos conquistados em ambas as modalidades, inclusive medalhas olímpicas de ouro, prata e bronze. Os prmeiros a se destacarem foram ex jogadores de quadra, mas gradualmente foi sendo formado um grande grupo de duplas surgidas nas quadras de areia. As praias em geral são as escolas de formação desses atletas e depois seguem para as competições nacionais, posteriormente internacionais. 

        Oxalá os dirigentes e treinadores, bem como os demais envolvidos em outros esportes coletivos, especialmente o futebol, tomem como exemplo as duas equipes de Voleibol e lhes sigam os passos. Evidentemente os recursos e treinamentos são outros, mas o espírito de equipe, o empenho e dedicação determinam em grande parte as conquistas. Foi há muito o tempo em que nossos atletas eram os melhores do mundo e os adversários tremiam ao enfrentar nossa seleção canarinha. Basta ver o exemplo da Copa do Mundo que ocorreu em nossos domínios há pouco tempo. 

         Há outras modalidades esportivas em que ainda não temos tando desempenho ou mesmo nenhum. Talvez devamos deixar que outras nações tenham os seus esportes prediletos e nos esmerarmos em aperfeiçoar aqueles em que temos bom desempenho, assim como locais apropriados para a sua prática. O que não resta dúvida é que as praticas esportivas são benéficas à saúde, tanto física como mental. O esporte já afastou inúmeros jovens da senda de atividades ilícitas, até mesmo do crime. Sendo assim merece todo apoio de cada qual que sinta possibilidade de fazer alguma coisa em prol de alguém ou alguma espécie de esporte. 

Curitiba, 25/08/2014

Décio Adams. 

Eleições.

Voto obrigatório ou facultativo?
         Há décadas ouço falar nesse assunto e sempre ficamos na mesma. Os políticos em geral sequer aceitam discutir a questão. Alguns até aceitam discutir, mas logo apresentam uma porção de justificativas para manter o “status quo”.

                              


         Fiz meu primeiro alistamento eleitoral em Foz do Iguaçu, depois de ter prestado o serviço militar em Santo Ângelo, no estado do Rio Grande do Sul, durante 1967/68. Podem não acreditar, mas eu tenho guardado o meu primeiro título de eleitor, emitido em 12/03/1970, na 46ª Zona Eleitoral, e votava na 92ª seção. Quem o assinou foi o Juiz Evaldo Seeling. Muito cedo fui convocado para exercer as funções de mesário, tendo sempre comparecido, mesmo com sacrifício, pois não existia nenhuma preocupação com o bem estar desse enorme contingente de trabalhadores que prestavam um serviço ao país. Nunca me ocorreu reclamar. Aprendera a ficar quieto por orientação de pais e professores, pois vivíamos os primeiros anos do Regime Militar. Não tinha a menor intenção de arranjar confusão. O que eu queria era trabalhar para ganhar o sustento e estudar, visando meu futuro. Pode parecer estranho eu ter guardado esse documento, que, como pode ser visto na imagem, está bem danificado pelo uso, uma vez que não tinha qualquer proteção e o papel não era lá dos melhores convenhamos. As inúmeras vezes em que foi dobrado e desdobrado, fizeram com que se rasgasse e eu o colei com fita adesiva, que está ali até hoje. A cor atual é resultante do manuseio frequente e da ação do tempo. Creio que ele diz algo da minha história como cidadão e por isso não vejo razão alguma em descartá-lo. Permanecerá até o dia em que alguém, depois que eu partir, decida jogá-lo fora, ou talvez preservar como alguma coisa histórica. 
        Perdi a conta do número de vezes que cumpri meu dever de votar. Algumas vezes justifiquei por estar ausente do domicílio eleitoral e em outras até paguei a multa por não ter tido possibilidade de votar e nem justificar. Nunca me pareceu demasiado oneroso ir lá, esperar um pouco e depositar meu voto na urna, coisa que hoje ficou bem mais simples com o advento da urna eletrônica. Depois de publicar o primeiro artigo falando de eleições e política, ocorreu-me fazer algumas reflexões sobre o assunto “voto obrigatório ou voto facultativo”. Tive ocasião de ouvir pessoas discorrendo em altos brados e voz vibrante, sobre a injustiça da obrigatoriedade do voto. Vou fazer minha análise em duas etapas. Começarei por analisar o voto obrigatório.
Porque o voto não deve ser obrigatório?
        Creio que a maior parte dos favoráveis a essa opção, é movida principalmente por dois motivos.
Primeiro:as sanções impostas ao cidadão que não comparece às urnas é o pagamento de uma multa. O valor dessa multa não é o importante, mas o tempo que se é obrigado a dispender para ir até o cartório eleitoral, pegar a guia, recolher e depois retornar para apresentar a quitação. Não sei se existe algum outro procedimento a ser preenchido. Enquanto não é regularizada a situação, há algumas privações de direitos como obter passaporte, participar de licitações públicas, prestar concurso público. Essas são as que me ocorrem no momento. Não lembro se esqueci de alguma coisa. 
Segundo: O segundo motivo é, a meu ver, bastante egoísta e desprovido de espírito cívico, pois o que muitos querem é viajar, passear nos dias em que se realizam as eleições, deixando que os outros decidam quem vai governar o país; quem vai discutir e aprovar as leis. Ocorreu-me nesse momento mais um motivo. Se depois os governantes eleitos não estiverem em conformidade com os anseios da população, eles que não votaram, se eximem de responsabilidade. “Foram vocês que os elegeram. Ainda bem que não votei nesses caras.” Isso é na verdade uma forma pouco coerente de encarar a questão.
Direito implica dever.

        Desde a mais tenra idade aprendi que, para fa
zer jus aos direitos, é necessário cumprir os deveres que eles trazem consigo. Não podemos querer apenas gozar de nossos direitos, sem fazermos nossa parte. Por isso creio que, contra a opinião de uma grande maioria do povo, creio que o voto obrigatório tem um motivo para existir. Não vou aqui afirmar que ele tem que ser obrigatório. Imaginaram como seria edificante se, no dia da eleição, todos levantassem de sua cava, vestissem uma roupa adequada e se dirigissem alegremente aos locais de votação? Livres, por sua própria e espontânea vontade para cumprir o dever cívico para com sua comunidade, sua nação! Uma multidão de cidadãos decidindo o futuro de seu país, seu estado e município. Pena que isso é mera utopia. Temos a inclinação natural de fazer apenas o que gostamos e, para muitos, votar simplesmente não faz parte do cardápio. Há outras coisas que somos obrigados a fazer, mesmo não gostando e nos submetemos pois disso depende a obtenção de alguma vantagem. Porque votar não pode ser mais um dos atos que aceitamos, mesmo não gostando? Porque nos rebelamos contra nossos pais quando querem nos induzir a seguir determinada carreira profissional por essa ou aquela razão? Nem que seja apenas para contrariar, seguimos um rumo diferente, não raro acontecer de nos arrependermos depois e até mesmo voltar atrás. Mas eleger os nossos governantes queremos que os outros façam por nós, enquanto ficamos assistindo e depois aplaudindo, dizendo: Não fizeram mais que a obrigação! Ou então: Quem mandou votar nessa gente? 
         Para vivermos em uma democracia precisamos nos comprometer com ela, empenhar nossas forças na consecução dos ideais democráticos, mesmo contra uma porção de entraves, desvios de conduta e obstáculos encontrados. Há quem defenda, como forma de protesto, uma campanha pelo voto nulo, abstenção ou voto em branco. Nenhuma dessas ações traz qualquer benefício. Ao contrário, aumenta a vantagem dos politiqueiros, pois eles e seus correligionários certamente farão questão de votar certinho, sem faltar um único. Por isso se elegem, pleito após pleito, tornando-se vitalícios nos cargos ocupados. Há alguns deles de que tenho lembrança desde minha juventude e ainda hoje estão lá, esfregando os fundilhos nas cadeiras do parlamento, dos gabinetes e arredores. Se queremos mudar os rumos políticos de nosso país, devemos votar sim, de modo consciente, baseado em uma análise criteriosa das qualidades e propostas dos candidatos. Enquanto não houver a conscientização da necessidade do voto como forma de participar da vida da nação, o voto, infelizmente, deve ser obrigatório. Oxalá um dia possamos proclamar que o voto é livre e termos um índice de abstenção bem baixo. Esse será o dia em que podermos dizer que estamos vivendo em uma democracia de verdade.

Porque o voto deve ser facultativo?

         Muitos que hoje vão às urnas por força de circunstâncias, como por exemplo funcionários públicos, se não votarem ou justificarem não receberão seus salários. Quem não votar não pode prestar concurso público e nem assumir função pública para a qual tenha sido concursado, quer antes ou depois. Não tem o direito de participar de licitações públicas. Não consegue obter passaporte quem não vota e assim por diante. Ao ser tornado facultativo, uma grande multidão dos que hoje vão votar por obrigação, deixará de fazê-lo. Com menos eleitores votando, menor será o número de votos necessários para eleger um candidato, o que favorece especialmente os que usam de meios escusos para obter votos. Sabemos que eles existem, por mais que haja proibições, sanções severas e toda sorte de medidas preventivas, ainda assim há quem compre voto; outros são coagidos a votar em determinado candidato com os mais variados artifícios. Um vasto arsenal de recursos utilizados por quem de outra forma não chegaria aos cargos públicos ou neles conseguiria se manter. A pergunta que eu faço: É isso que queremos? Já não temos em quantidade suficiente ocupantes de cadeiras eletivas, indignos de ocupa-las, mas por força dos votos obtidos não os conseguimos remover de lá? É nosso desejo alijar para sempre candidatos de qualidade, que por falta dos nossos votos não conseguem ter a chance de serem eleitos?

       Quando apregoamos liberdade para tudo e para todos, esquecemos via de regra uma coisa básica. Sou livre, nasci livre, cresci livre e vou morrer livre. Porém ao exercer minha liberdade não devo jamais esquecer que meu vizinho, colega, amigo, irmão, enfim todos os outros cidadãos gozam da mesma prerrogativa. Não me é permitido invadir, lesar, suprimir a liberdade de nenhum dos meus semelhantes. Ouvi inúmeras vezes dizer que nossa liberdade termina onde começa a o outro. Essa é a questão que quase sempre esquecemos, queremos exercer nossa liberdade às custas de privar aos outros desse mesmo direito. Conseguem imaginar um país onde ninguém quisesse votar? De onde viriam os governantes, os legisladores? Pensam que eles deixariam de existir? Ao contrário, surgiriam rapidamente, disputando à força os cargos, as posições. É muito simples deduzir qual seria a consequência. Retrocederíamos aos tempos da barbárie, valendo a lei do mais forte, de quem pode mais, quem tem domínio sobre um maior número de indivíduos mantidos à custa de muito suor e lágrimas do povo.

     A nossa liberdade está ligada intrinsecamente às nossas obrigações, deveres e responsabilidades. Quando compreendermos isso na sua totalidade, seremos capazes de construir um mundo mais feliz, justo e fraterno. Pode ser utopia, porém, muita coisa que um dia foi chamada de utopia, hoje é feliz realidade. Isso me anima a batalhar, mesmo que seja contra uma imensa maioria. Resta-me a satisfação de ter feito a minha parte. Você está fazendo a sua? Se está, seja bem vindo aos batalhadores. Vamos unir forças e conquistar outros, por ora
indecisos ou acomodados para se engajar e também fazerem a sua parte.


                                                      Décio Adams                           Curitiba, 25 de agosto de 2014.

PS.: Esse texto, foi publicado no dia 21 de julho em um blog do meu amigo Jorge Purgly. Ontem li um artigo sobre o assunto e achei oportuna a republicação, depois de fazer algumas pequenas alterações. Quem já o leu, por favor releve e passe adiante. 



Formações rochosas impressionantes – Cachoeiras e Cataratas I.

Cachoeiras e cataratas do Brasil.


         Outro tipo de formação rochosa notável existente no nosso mundo é a categoria das cachoeiras e cataratas. Existem em enorme profusão, o que torna literalmente impossível compilar todas elas em um único artigo. Neste primeiro momento vou tentar reunir alguns exemplos desse tipo de formação rochosa, com a presença evidente de um curso d’água. Ninguém irá por em dúvida que o início deve ser feito por onde passa anualmente um número imenso de turistas, tanto brasileiros como estrangeiros que se deslocam dos confins do globo para apreciar um espetáculo praticamente inigualável. Estou me referindo às Cataratas do Iguaçu. Na primeira imagem encontrada no Wikipedia vemos uma passarela servindo aos turistas para verem as quedas mais de perto. Em épocas de muita chuva, a água muitas vezes cobre esses lugares, impedindo a visualização mais de perto. 

        Nessa outra imagem aparecem a esquerda parte da Garganta do Diabo e a direita uma queda menor do lado argentino, com um formato mais circular.
        As vistas de diversas posições são simplesmente delirantes. Vou postal algumas apenas que foram baixadas do site wikipedia. Quem ainda não conhece o local, poderá facilmente acessar sites com uma diversidade de tomadas inimaginável. Basta digitar no buscador do Google a expressão Cataratas do Iguaçu e terá diante dos olhos uma porção de endereços que contém fotos variadas. Vejamos algumas apenas. 

        Visão aérea do ponto de maior volume de queda d’água, a famosa Garganta do Diabo. Abrange tanto o lado brasileiro como o argentino, sendo que do lado de lá, há um alargamento do leito, distribuindo o fluxo por uma porção de quedas secundárias. Se fosse chegando ao Rio Paraná, do qual o Iguaçu é afluente, teríamos aí um verdadeiro delta, seguido das quedas logo à frente. 

      Um nascer do sol por sobre as cataratas, formando um espetáculo de cor incrível. 
      A seguir a visão da Garganta do Diabo do ar, pelo lado argentino. Logo abaixo uma visão semelhante, dessa vez pelo lado brasileiro, feita em preto e branco. 
  
A imensa massa de água se precipitando de brande altura, provoca a formação de grande quantidade de vapor que se eleva na atmosfera constantemente, semelhante a um imenso caldeirão de água fervendo. 

Tendo interesse em ver uma maior variedade de imagens, basta digitar no buscador do Google a expressão Cataratas do Iguaçu e logo terá à disposição uma variedade de sites para escolher o que mais lhe agradar. Há literalmente milhares de vistas mostrando uma infinidade de ângulos, pontos de observação e também momentos diferentes. Trata-se de um espetáculo dinâmico, cujo aspecto diário é determinado pelas condições climáticas. Apresenta alternadamente situações de grande volume de água e em outros momentos um volume reduzido, permitindo alcançar a pé pontos bem próximos das quedas maiores. Não tenho pretensão de esgotar o assunto ou dizer a última palavra. Apenas um pequeno roteiro de maravilhas naturais de nosso país. 

O salto de Sete Quedas

      Não muito distante das Cataratas, existiu até a década de 80 do século XX, no curso do Rio Paraná, do qual o Iguaçu é afluente uma outra maravilha natural denominado Salto de Sete Queda, ou em espanhol Salto del Guairá, junto a cidade de Guaira, próximo à divisa dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. Eu disse existiu, pois com o fechamento do canal de desvio e colocação das comportas da usina de Itaipu, formou-se um imenso lago artificial que cobriu totalmente a série de 19 corredeiras ou cachoeiras que levavam o nome Sete Quedas. Em um momento de estiagem, algumas pedras e mesmo as corredeiras voltaram a aparecer. A inexistência de recursos digitais avançados comparáveis aos de hoje, especialmente no ramo da fotografia, deixou para a posteridade um menor número de imagens disponíveis para o interessado ver. Mesmo assim é possível encontrar material bastante bom e interessante sobre o assunto, uma vez que só é possível ver por imagens o que foi. Muito remota é a probabilidade de que um dia o lugar voltará a ser semelhante ao que um dia foi. 

 Antes de atingir as pedras o rio Paraná se espraia numa largura considerável e ao londo de uma espécie de canion a água vai se precipitando em seu interior, formando uma torrente caudalosa. 

Havia um grande número de passarelas, ou pontes suspensas onde os turistas passavam para admirar o espetáculo das águas revoltas no fundo do cana. Na imagem a seguir esse detalhe é mais visível

        Nessa vista do alto dá a impressão de uma porção de afluentes desaguando em um rio principal. No entanto olhando mais acima e a direita é possível visualizar uma imensa superfície de água que se vai repartindo em diversos canais e depois se juntam todos em um único, recompondo o rio, agora espremido entre as rochas de um canal bem mais estreito do novo leito. 

        Este é o trecho inicial das quedas, onde havia cachoeiras dos dois lados e depois apenas pelo lado brasileiro ocorre a sequência. 

         Nessa visão um momento mais calmo, trazendo diversos pontos de queda formando novamente o imenso curso de água do rio. Ao redor uma cobertura florestal vistosa. 








Cachoeira de Paulo Afonso.

       Também aqui a mão do homem, na busca do progresso, interferiu na natureza, utilizando-se das quedas naturais da água para transformar sua imensa quantidade de energia potencial em energia elétrica, tão necessária para sustentar o progresso, o conforto de uma população cada vez maior e mais sequiosa de energia farta. Ainda existe possibilidade de ver parte do que a natureza fez, pois, devido à configuração dos saltos, foi possível preservar alguma coisa sem perda de potencial energético. 

 Nessa imagem vemos um ponto em que houve interferência humana. Nitidamente pode-se ver do lado direito uma espécie de mureta para impedir o espraiamento da água para fora do leito. No meio existe uma árvore, contradizendo o que conhecemos habitualmente. Deve ser um ponto em que a água passa casualmente, em momentos de abertura de comportas ou maior volume de chuvas. 

      Vemos aqui a água escorrendo por canais laterais e se reunindo para depois se precipitar em uma queda de maior altura. 


É notável a conformação rochosa do terreno e a água fazendo o que a literatura costuma descrever como uma habilidade. Ao encontrar um obstáculo ela o contorna, escorre pelo caminho mais fácil, mesmo que seja o mais longo, pouco importa. Podemos perceber uma vegetação pouco densa nas proximidades das margens, em vista do solo excessivamente rochoso, impedindo o desenvolvimento de florestas de maiores dimensões e densidade.



Aqui é visível um arco íris em meio à densa nuvem de vapor que se eleva das águas espumantes que se agitam ao fundo. 

        A quantidade de quedas d’água espalhada pelo território brasileiro é tamanha que para listar e fazer uma breve descrição de cada uma delas, inserindo algumas poucas imagens, é necessário um livro de um bom número de páginas. É utópico querer falar de todas em um único artigo em um simples blog. 

          No próximo irei falar das cachoeiras, saltos e quedas situadas em Prudentópolis no estado do Paraná.

Vitória Sofrida!

Vitória sofrida!
                                                      Décio Adams

Num sábado à noite,
De moto eu andava,
De repente um açoite,
O farol me cegava.
O impacto foi forte,
No asfalto eu caia,
Na perna de um corte,
Abundante o sangue vertia.
Enfermeira Fernanda,
 Sobrenome não sei,
De mim se acercando,
O celular lhe alcancei.
O nome do meu filho,
No topo da agenda
Ao lado do trilho,
De trem encontrou.
O SIATE avisado,
Polícia também.
Em instantes no ouvido,
Um apito de trem.
  
Por sorte caíra,
Um pouco aquém,
Do trilho onde corria
O comboio. Amém!

  Hemorragia abundante,
Perdi os sentidos.
Durante semanas,
Dias seguidos,
Alternava momentos,
Conscientes, semi-conscientes talvez.
À beira da morte
Por mais de uma vez.
Perna esquerda amputada,
Para completar,
Infecção generalizada,
E mais uma vez a morte adiada.
Dia doze de outubro,
Voltei para casa.
Iniciava um trabalho árduo
De lenta recuperação.
Vieram consultas e exames,
Avaliações globais agendadas,
Até que após meses,
Terapias aprovadas.
Passaram três anos,
Dor, angústia, sofrimento!
Transtornaram meus planos,
Sem meu consentimento.
Foi um tempo difícil,
Desânimo e desalento
Foram meus companheiros
Em muitos momentos.
Com coragem, fé e esforço
O amparo da família,
Enfrentei muita vigília,
Para encontrar o conforto.
Hoje estou caminhando,
Uso prótese e bengalas,
Mas é bom quando,
Sinto os raios do sol,
A brisa suave, um perfume de flor,
Em meu corpo resvala.
A vitória está aí,
Recuperei uma parte
Da minha mobilidade,
Por graça e por sorte,
Não tive afetada
A intelectual capacidade.

A vida

A vida
                                                            Décio Adams.
Dádiva preciosa é a vida,
Se parece com uma estrada,
Às vezes é comprida,
Outras tantas fica truncada.
Truncada por acidentes,
Que não escolhem idade,
Se nascemos doentes,
Não chegamos à mocidade.
Quem tem longa vida,
É então mais feliz?
Nada adianta se é sofrida,
Ou cinzenta e sem matiz.
O que conta afinal,
É qualidade no viver,
Dividindo por igual
O gozar e o sofrer.
Mais vale chorar
Amargas lágrimas de derrota,
Do que simplesmente murchar
Sem chegar nem à porta.
Porta que abre
Possibilidades de vitória,
Chances quem sabe
De ficar na história.

Formações rochosas impressionantes – Vila Velha.

Rochas impressionantes.
Formas variadas de Vila Velha.

         Seguindo a trajetória de formações rochosas caprichosamente trabalhadas pela natureza, encontramos no território nacional um conjunto de formações adequadamente denominado Vila Velha, situada no município de Ponta Grossa, Estado do Paraná. A denominação é apropriada, pois trata-se de um conjunto de formações variadas, à semelhança de uma antiga cidade, que se houvesse petrificado e depois sofrido a ação do tempo ao longo de milênios. São ali encontradas formações bastante variadas. A cada passo conseguimos visualizar um ângulo que talvez nunca alguém tenha levado em conta. É possível obter tamanha variedade de imagens que dificilmente haveria espaço suficiente em um equipamento de menor capacidade de armazenamento e processamento, para guardar todo o material. Certamente não haveria risco de termos imagens repetidas. Sempre haveria um detalhe diferente, um novo ponto de vista no enquadramento, tornando-as diferentes umas das outras. Vou apresentar algumas imagens mais destacadas na minha visão. Para quem quiser ter maior variedade de vistas, acesse www.pontagrossa.pr.gov.br/vilavelha. Lá existem imagens a escolher para ver de perto, de longe, de cima. Se não encontrar o ângulo de sua predileção, faça uma visita munido de uma câmera adequada e procure, pois certamente nunca será virá o dia em que o último clic possível tenha sido dado. É um verdadeiro deleite para a visão de quem sabe admirar a natureza. 

         Vista de longe, assemelha-se à um castelo sobre uma colina, faltando apenas o fosso com água, crocodilos e pontes levadiças nos portões.

          O símbolo do local é uma gigantesca escultura em arenito, denominado Taça. Um bojo enorme encimando um pedestal aparentemente frágil para sustentar tal carga. Algum dia, num futuro imprevisível, ocorrerá a queda, quando o desgaste do pedestal atingir o limite de sua capacidade. Esse dia certamente está muito distante. 

Figura símbolo de Vila Velha. Denominado Taça.
          Temos a Cabeça do Camelo. Um imenso arenito, como se fora um imenso camelo, com a cabeça levantada em atitude de alerta, atenção. 




         Numa sucessão de formas onde poderíamos identificar talvez dinossauros, outras figuras pré-históricas as mais variadas possíveis. Dependendo inclusive da imaginação do observador. Pouco importa 

       Uma série de torres como se fosse uma fortaleza medieval. Podemos também compará-los a cogumelos imensos. A imaginação de cada qual pode se por a viajar ao bel prazer. O que impressiona no conjunto é que as formações parecem caprichosamente enfileiradas, tal qual fossem previamente projetadas por um arquiteto no longínquo passado da pré-história. 




          A cada passo podemos descortinar uma nova vista. Impossível afirmar ser essa ou aquela mais esplendorosa que as demais. Uma comissão de julgadores teria uma tarefa dificílima se tivessem que decidir entre diversas imagens, qual delas mereceria o prêmio de mais espetacular. Vejam a sequência abaixo. 
















        Continuando encontramos a cabeça do lagarto, semi oculta na vegetação, aparecendo a taça ao fundo. Não tenho a intenção de julgar a adequação da denominação. Talvez haja quem lhe daria outro nome, o que não tem a menor importância. 

















        Ainda é possível se extasiar diante de uma depressão circular, bastante profunda, tendo no fundo um lago de águas cristalinas. Tem semelhança com outra formação semelhante, apenas com maiores dimensões, existente no Estado de Mato Grosso do Sul, conhecido como Buraco das Araras. 













       Não bastassem as inebriantes maravilhas vistas até aqui, ainda iremos encontrar uma cachoeira onde a água de um pequeno curso d’água se lança do alto para um pequeno lago existente na base. 
















        Um par de colunas encostadas uma na outra pelo topo, fendas entre rochas e outras formações interessantes, capazes de deixar qualquer um maravilhado. 
















          Em benefício da preservação do local, o número de visitantes diários é controlado. Para ter certeza de poder fazer sua visita sem problemas, acesse agendamento.ecoparana@ecoparana.pr.gov.br; quem não puder ir até lá pessoalmengte, poderá encontrar mais detalhes e uma variedade imensa de imagens acessando o site www.pontagrossa.pr.gov.br ou a página www.facebook.com/parquevilavelha. Todas as imagens apresentadas nesse artigo foram baixadas do site acima citado.

         Creio ser possível a alguém que queria viajar pelos diversos locais com formações rochosas notáveis, ter um roteiro para várias oportunidades. A extensão territorial do país torna a visita em um único tour impraticável. Há lugares magníficos para visitar, em grande parte hoje servidos por boa estrutura de apoio ao turismo como hotéis, restaurantes e demais serviços. 

Formações rochosas impressionantes – Pedras Furadas.

Rochas impressionantes I.
Pedras furadas


     Olhando algumas postagens do facebook, uma coisa me chamou a atenção. Uma série de formações rochosas impressionantes. Fiz uma pequena pesquisa e vou aqui apresentar algumas imagens e informações resumidas sobre a localização das mesmas. Tenho certeza de que certamente será possível encontrar dezenas, ou mesmo centenas de outras formações igualmente interessantes, curiosas, todas elas obras da natureza através dos milênios. Vamos começar por uma formação com o mesmo nome, porém que é encontrada em vários locais, sendo alguns deles no Brasil. O nome geral é Pedra Furada. 

           Vou começar pela de Santa Catarina. Fica localizada no município de Urubuci e faz parte do Parque Nacional de São Joaquim. Vista de longe assemelha-se a uma construção antiga ou uma espécie de Portal.

Pedra Furada, no Parque Nac. de São Joaquim, Município de Urubici-SC.

Continuando no território brasileiro encontramos outra Pedra Furada na praia de Jericoacoara, no estado do Ceará. Uma rocha imensa se projeta mar adentro, sendo que em sua parte inferior, provavelmente em um ponto mais fraco a água escavou uma passagem relativamente grande. 

         Com a maré baixa, a passagem fica livre ou quase isso da água. Ao subir a parte interna fica coberta por uma camada de água. Uma raríssima beleza natural para ser admirada pelos olhos dos viajantes brasileiros. 

         Estas imagens mostram turistas em visitação ao local. Aparentemente não há locais de escalada pois a parede é praticamente vertical, embora apresente saliências suficientes para permitir a alguém experimentado realizar a escalada. Pode-se notar que a altura não é muito grande, o que tornaria o tempo de escalada relativamente pequeno. Desconheço se existe alguma proibição a respeito, pois um movimento intenso de escaladas, certamente acabaria danificando a rocha, algo que não há como restaurar, uma vez degradado. 

        Em Pernambuco há outra Pedra Furada. Um imenso arco, dando a impressão de ser resto de uma construção gigantesca, tem suas extremidades apoiadas no solo, apresentando uma extensão enorme sem nenhum apoio, aproximadamente na horizontal. 

         O terreno ao redor é rochoso, sendo visível uma espécie de linhas horizontais como se fossem demarcadora de uma viga de sustentação do imenso arco. É uma visão impressionante. Em minha opinião desafiam a engenha
ria moderna, mantendo-se inalterado durante muito, muito tempo. 


         Outra rocha com esse nome encontra-se na ilha à qual dá o nome, no litoral nordestino. Sua extensão é menor e aparenta ser uma espécie de rampa, ou elo de ligação entre duas partes de rocha, próximas a praia. 


        Trata-se de um local com exploração turística apreciavel, podendo ser encontrado em roteiros apresentados pelas agências de viagem.







          A altura é pequena, permitindo a uma mulher alcançar com as mãos a parte inferior do arco. Notem a quantidade de plantas que crescem sobre a rocha, provavelmente em pequenas porções de terra ali sedimentadas no decorrer dos séculos. Ponho-me a imaginar a ação da natureza. Em eras perdidas nas brumas do tempo, movimentos geológicos, vulcânicos ou sísmicos contribuíram para formar as rochas que o tempo se encarregou de desgastar, moldar, escavar, grão a grão, partícula a partícula. Uma ou outra vez uma porção um pouco maior se desprende, ficando depois décadas, mesmo séculos praticamente inalterado. As mudanças realmente visíveis ficam evidentes após períodos muito longos de tempo. Não é durante uma vida, ou duas que se percebem modificações palpáveis. Devo admitir que o artista “natureza” é de uma habilidade, paciência e persistência infinitamente grandes. Ele não dispõe de cinzéis, formões, talhadeiras ou máquinas de cortar. Tudo é feito de forma gradual e sem um aparente planejamento. O resultado é que somos levados a nos extasiar diante das maravilhas resultantes. E elas não estão prontas, nem jamais ficarão. As futuras gerações terão diante dos olhos certamente alguma coisa, com o mesmo nome, no mesmo lugar, embora ligeiramente modificado. Se pudermos conservar as imagens de hoje por tempo suficiente para que nossos descendentes as comparem no futuro com as da época e assim constatem as mudanças ocorridas.

       Outra imagem que dessa vez vem das ilhas Açores, Portugal. A costa escarpada se projeta para o interior do mar e a água, em milhares, talvez milhões de anos perfurou a rocha em um lugar mais frágil. Em muitos séculos poderá ocorrer a fratura da parte superior, separando a ponta do resto. Talvez em 2507 ou 3279, isso venha a ocorrer, mas não há como prever absolutamente nada. O certo é que a água irá continuar a solapar lentamente as pedras e um dia as terminará de corroer. 

        Vejam a imponência dessa formação. Olhando de longe temos a impressão de se tratar de um antigo castelo, com seus telhados exóticos, os diversos andares, portais e outros detalhes. No entanto se trata de uma rocha, esculpida pelo tempo e em constante evolução. Está situada na localidade de Jalapão. 
        Em Minas Gerais, nas proximidades de Ponte Alta, encontram-se por sua vez impressionantes formações rochosas tendo o formato de Pedra Furada, mas ao mesmo tempo a conformação da parte superior se assemelha de certa forma a uma taça. Vejamos as imagens abaixo. Nos faz lembrar das rochas de Vila Velha no município de Ponta Grossa, no estado do Paraná. São também rochas arenosas, apresentando porém algumas características singulares, como camadas horizontais. Provavelmente diferentes camadas de arenito depositado em eras distintas e solidificadas ao londo do tempo. Posteriormente foram erodidas até atingirem a forma atual. O resultado é uma imagem semelhante a um “bolo” com diversas camadas e caprichosamente recortado pelas mãos do confeiteiro. 

        Nenhuma mão humana, instrumento de escultura, seria capaz de reproduzir tais obras incomparáveis. Somos levados a percorrer os milhões de anos da pré-história, desde os primórdios da existência de nosso planeta. Sua formação a partir de uma porção de matéria incandescente, lançada ao espaço, onde iniciou um movimento de rotação sobre um eixo, enquanto era mantido em uma órbita por uma massa gigantesca no centro e outras maiores ou menores que ela, formando uma família. Aos poucos adquiriu a sua forma esférica, sua trajetória foi definida e se mantém aproximadamente estável desde então. Um lento e contínuo processo evolutivo teve início e nos trouxe até os dias atuais. Temos muito que aprender sobre esse processo todo, apesar da infinidade de informações já reunidas. Existem todavia imensas lacunas em nossos conhecimentos e que, lentamente estão sendo preenchidas. Enquanto isso acompanhamos as modificações que diuturnamente estão em processo, seja por ação de ventos, chuvas, águas oceânicas, lagos, desertos e a ação do próprio homem.








     Nesta sequência de imagens algumas tomadas formando um efeito sublime, capturado pelo fotógrafo num momento único. São esses momentos que a tecnologia digital moderna facilita que sejam guardados para o futuro. Não sabemos o que poderá ocorrer amanhã com todos esses colossos de pedra. Talvez permaneçam por mais alguns milênios pouco alterados, como também podem sofrer alguma transformação drástica, privando as futuras gerações de apreciar sua beleza. 

      As imagens a seguir também fazem parte do grupo das pedras furadas, porém sua imponência
não está ligada tando à proporção, mas a forma exótica. Assemelha-se a uma espécie de fachada de uma igreja antiga, uma catedral ou algo assim, apresentando perfurações em sua face frontal. Vista de outro ângulo já se assemelha a uma carranca semelhante a alguns totens encontrados entre povos primitivos. 

Feira Anual do Livro de Gramado II – A Feira.

A Feira Anual do Livro de Gramado
                     No dia 14 de junho, por volta das 20 horas, chegamos ao ponto inicial da Avenina das Hortênsias, que dá continuidade à rodovia RS-235 dentro da cidade de Gramado e termina nesse portal, que recebe o turista que chega pela mesma rodovia vindo de Nova Petrópolis. Viemos percorrendo a avenida inteira até poucos metros antes, onde entramos à esquerda, onde fica a casa de Flavia Ten Caten, onde ficamos hospedados. A chuva que nos acompanhava há horas, continuou caindo até de madrugada. Estávamos cansados, no entanto levamos um bom tempo para irmos dormir. Havia muito que conversar, contar, perguntar e responder. Flávia era criança quando minha família mudou do RS para o Paraná em 1967. Desde então nunca mais nos havíamos visto. Falávamos pelo facebook desde o ano passado. 

Portal de recepção ao turista que chega.

           O mesmo portal, visto pelo outro lado tem o aspecto a seguir. É uma despedida ao turista que vai voltando para sua casa, ou segue seu caminho. 

Portal de despedida do turista. 

          Estávamos hospedados a poucos metros desse lugar, ao lado do destacamento da polícia rodoviária estadual. 

          O domingo amanheceu bonito. O sol não tardou a varrer do céu as últimas nuvens e transformou o dia num belo domingo ensolarado. O tempo parecia me dar as boas vindas à feira da qual eu viera participar. Pela manhã saímos para conhecer um  pouco da cidade e depois ver o lugar da realização do evento, a assim denominada Rua Coberta. Logo ao chegar o visitante era acolhido por um grande cartaz, em forma de livro, alegoria ao evento. Vejam as fotografias que fiz ao lado do mesmo. 

(I)

(II)
(III)

          Fomos conhecer o local das sessões de autógrafos, os quiosques de uma boa quantidade de livrarias que estavam ali instalados, colocando à disposição dos visitantes uma variedade bem grande de livros a todos os preços imagináveis. A impressão que eu tive a respeito, foi no geral boa. Estava ansioso pois minha sessão de autógrafos seria naquela tarde, à partir de 16 horas. 

(I)

(II
(III)

(IV)

(V)

(VI)

  

(VII)

          Depois de vermos o local, fomos conhecer a igreja que fica do outro lado da rua, toda construída em pedras. É uma construção imponente nem tanto pelo tamanho que é até modesto, mas pela beleza de sua arquitetura. 
(I)

(II)

(III)

(IV)
             Depois de apreciarmos o exterior da igreja, entramos para ver o interior. aproveitei para pedir a benção para minha participação no evento logo mais à tarde. Vejam algumas imagens do interior. 
O pé do altar visto de perto.

Abóbada do átrio, onde está o altar. 

Vista da lateral esquerda do altar.

V
ista do altar com o sacrário ao fundo.

Vista da lateral direita do altar.

Imagem do cristo morto na lateral esquerda.

Capela lateral esquerda.

Outra vista da mesma capela.

            Ao lado da igreja fica situada a fonte onde os casais deixam cadeados e mensagens, declarações de amor ou coisas assim presos. Havia tirado uma porção de fotos no local, mas um acidente com meu notebook, me fez perder as imagens. Lamentavelmente não havia feito um back up. Não vou mais correr esse risco futuramente pois tomei providências para evitar. 

          Voltamos à residência e nos preparamos para a tarde. Saímos para almoçar no centro em um restaurante indicado pela nossa hospedeira e depois nos dirigimos ao local da sessão de autógrafos. Não foi preciso esperar muito tempo, pois o almoço ocorreu em hora avançada. Terminamos após as 14 horas. 

           Pontualmente às 16 horas a “sala de visitas” de número 3 ficou livre para minha utilização. Trouxemos do carro os livros, folders e marcadores de páginas e demais utensílios que iríamos utilizar e nos instalamos no lugar. Eis abaixo a primeira imagem feita após a ocupação do espaço. 

           Nas duas imagens abaixo, estamos tomando chimarrão enquanto aguardávamos a visita dos leitores que se interessassem pelos meus livros. Estavam comigo nessa ocasião Flávia e sua filha Cristiane Inês. 



           Pouco tempo depois recebi a visita do patrono do evento, o também é escritor Jorge Luis Martins, que reside na cidade. Conversamos durante alguns minutos e ele falou de seu empenho em trazer o evento novamente à Rua Coberta, pois nos anos anteriores vinha sendo realizado nas imediações do Lago Negro, deslocado do centro da cidade. 

          Mais tarde recebi a visita de João Lempek, com quem troquei um exemplar do livro de contos de sua autoria por um exemplar do meu primeiro. Trocamos algumas informações e nos despedimos amistosamente.

         Uma senhora interessou-se por meu livro e adquiriu um exemplar. Ela se chama Stephanie e se encontra sentada, recebendo o livro de minhas mãos. 












          Na próxima imagem pode-se ver, do lado esquerdo a escritora Mariza Baur autografando o seu livro infantil Era uma vez um padre e um rei…, que trocamos, levando ela um exemplar do meu primeiro livro de contos. À direita estou eu autografando o meu. Na sequência a outra imagem ficou um pouco escura e Mariza, usando roupas também escuras ficou pouco visível. Nela estamos ambos segurando os livros que acabávamos de trocaro. 



















         Num outro momento encontrei com outro escritor nascido em São Paulo e que recentemente se radicou na cidade de Gramado, por gostar do clima. 

          Lamentavelmente o foco do evento não estava aparentemente bem definido. Os visitantes mais pareciam meros turistas visitando o lugar em busca de curiosidades e sem interesse algum em livros, coisa que ficava visível ao oferecer folhetos ilustrativos. A imensa maioria não demonstrava nenhum interesse, mal se dignando a voltar o rosto ligeiramente. Havia três locais para a realização dos autógrafos, denominadas salas de visitas. A primeira ficou desocupada menos de meia hora depois, abandonada pelo escritor decepcionado com o ambiente que encontrou. Na segunda estava Mariza Baur que conseguiu realaizar algumas vendas, tendo junto com ela uma ou duas meninas que traziam outras crianças do meio dos passantes para lhes mostrar o livro. Para falar a verdade, nos sentimos como meros ornamentos vivos para compor a vista que o visitante levava do lugar. Esperava haver um direcionamento mais intenso dos visitantes para o foco do evento. Valeu pelos contatos que fiz com os demais escritores. 

          Abaixo seguem algumas imagens do local do evento e outras da cidade de Gramado. Não houve como fazer visitas mais prolongadas devido ao retorno da chuva. Por isso optamos por partir na terça feira, dia 17 para a região noroeste do estado, onde vivem amigos e parentes. Lá também está a minha terra natal, o colégio onde estudei na adolescência. 

A imagem acima reúne Flávia Ten Cate, Minha esposa Rita, uma das proprietárias da livraria Café Conceito e eu. 
           Abaixo imagens que retirei de postagens do facebook, pois as que eu havia tirado, foram perdidas no acidente citado anterioremente. A primeira é uma alegoria a um acidente ocorrido no passado, envolvendo uma locomotiva e uma indústria. 

          Belíssima igreja de Canela, cidade irmã, a apenas 5 km de Gramado. Várias imagens dela iluminada em ocasiões festivas. 


      
          Gramado com neve.

            Dia frio em Gramado, mas de céu com algumas nuvens esparsas. 

Portal de entrada em dia de neve. 


            No dia 17 de junho, em torno de 9 horas nos despedimos de Gramado e rumamos para o interior do estado. 

Feira Anual do Livro de Gramado I – A viagem.

Nossa viagem na ida

            Planejamos iniciar a viagem pela manhã no dia 13 de junho, para permitir um percurso tranquilo até Treviso, em Santa Catarina, onde mora Patrícia Brephol Cesconetto, minha ex-aluna do tempo que morei em Brasnorte, MT. Dois dias antes ligaram da APR marcando meu comparecimento na sexta feira às 13 h na sede da mesma, visando substituir o encaixe da minha prótese da perna esquerda. Consegui convencê-los de fazer isso pela manhã, para não atrasar demasiadamente o início de nosso passeio. Eu aproveitaria na volta para apanhar na gráfica os folders e marcadores de páginas que mandara imprimir. 
                Para complicar, o processo atrasou na APR e os impressos não ficaram prontos, obrigando a esperar até perto de 14 h para sairmos. Pela manhã, antes de sairmos de casa, tiramos duas fotos para registrar o momento. Nossa primeira viagem após o meu acidente em 2011. Eis as imagens.
Vista de nossa rua, com neblina.
Vista da nossa rua.
                    Iniciamos o percurso faltando alguns minutos para as 14 horas. O dia que começara com neblina, estava ensolarado e a temperatura havia subido consideravelmente desde as primeiras horas. Nessa ocasião tive oportunidade de conhecer o tão falado Viaduto Estaiado construído sobre a Avenida Comendador Franco, que liga Curitiba a São José dos Pinhais. O fluxo de veículos era intenso, mas fluía com regularidade. Não resisti e bati duas fotos da obra que tanta celeuma causou no período pré copa do mundo, alguns contra, outros a favor. Alguns inclusive querendo parar a obra, como se com isso houvesse algum ganho na verdade. Eis que enfim ficou pronto e estava em uso, cumprindo sua finalidade. Se era possível fazer uma obra mais barata ou não, é questão para ser resolvida em outro fórum. Vejam as imagens que fiz. 
Andando pela Avenida Comendador Franco.
Viaduto estaiado sobre Avenida Comendador Franco.

                   Aos poucos nos livramos do trânsito misto da área urbana e rodoviário, existente nessa fase. Iniciamos a descida da serra no sentido de Joinville em Santa Catarina. Não tardou e encontramos uma enorme quantidade de veículos parados, devido a uma obstrução da pista devido ao tombamento de uma carreta carregada de soja, que demandava o porto de Itajaí-SC. Perdemos cerca de uma hora esperando a liberação da pista. quando finalmente voltamos a andar já eram 16 h 45 min. 
          Este portal recepciona os visitantes e também os que estão de passagem, por São José dos Pinhais, cidade que faz parte da região metropolitana de Curitiba. 
Uma parte do lago formado pela represa existente em território paranaense, no caminho de quem demanda o território de Santa Catarina em sua região de litoral.








       Algumas imagens da estrada no início da serra por onde passa a estrada BR-101.
  

Assim passamos por Joinville já perto de 18 horas, devido ao tráfego pesado existente na região. Seguimos e em pouco a intensidade do movimento de veículos diminuiu e pudemos desenvolver boa velocidade. Minha “motorista” se habituou logo ao movimento e passamos a devorar quilômetros rapidamente. Passamos por uma sucessão de cidades como Camboriú, Blumenau e outras, enquanto a noite ia se fechando. Passamos por Florianópolis quando já estava completamente escuro. 

         Algumas imagens noturnas na BR-101, defronte dos acessos à Florianópolis. 









          Depois que ultrapassamos Florianópolis, encontramos um trecho de estrada em obras. Diversos pontos com pista simples e precária, desvios, obrigando a uma sensível redução de velocidade em nome da segurança. Paramos para jantar em um restaurante à beira da estrada, em Paulo Lopes. Pouco depois o GPS nos indicou o ponto em que de
veríamos deixar a BR-101, dirigindo-nos para Criciuma e depois Treviso. Mal tomamos a estrada secundária e nos deparamos com dois problemas. Começava a chover e as condições do asfalto, sinalização e condições gerais da rodovia eram precárias. O que deveria demorar em torno de uma hora ou pouco mais, acabou se transformando em praticamente três horas. Acabamos chegando à casa de Patrícia em torno de meia noite. Isso ainda graças à precaução dela de nos esperar alguns quilômetros antes, para auxiliar e indicar um caminho mais curto. É fácil imaginar a dificuldade de enfrentar, em hora adiantada, uma estrada problemática e com chuva. E realmente teria sido praticamente impossível encontrar o endereço, pois ela me omitira esse detalhe, provavelmente já tendo em mente o objetivo de nos encontrar no caminho. 

              Foi uma sensação um tanto receosa que sentimos quando chegamos, pois na escuridão praticamente total que nos rodeava, não víamos os arredores. Tivemos a impressão de termos chegado ao fim do mundo. Fomos calorosamente acolhidos e matamos a saudades de mais de vinte anos. Quando fomos dormir passava de duas da madrugada. O cansaço da viagem e o avançado da hora frustraram nosso projeto inicial de partir na manhã de sábado cedo para chegar a Gramado por volta do meio dia. Dormimos sem nos preocuparmos com a hora de levantar. Na manhã seguinte, uma agradabilíssima surpresa nos esperava. As fotografias que tirei, apesar da chuva que continuava caindo sem cessar, mostram a beleza do lugar. Na hora da chegada a escuridão havia ocultado uma vista mais linda que a outra por todos os lados. Muito verde, reflorestamentos de eucaliptos, pinheiros e pínus eliotis(se não me engano) cercam tudo, vários jardins das outras residências da família Cesconetto, lagos, árvores frutíferas, formando um conjunto deslumbrante. Vejamos as fotografias. 

Esta é a estrada de acesso ao pequeno núcleo residencial de várias famílias em casas cercadas por amplos jardins e pomares. 
Por toda parte muitas árvores, flores em profusão, gramados e beleza que nem o tempo encoberto era capaz de ocultar. 




Flores, verde, lago e beleza luxuriante por toda parte. Para o lado oposto, árvores frutíferas, eucaliptos e mais verde. 

Mais longe o reflorestamento que é a base da economia da região, ficando mais abaixo o lago visto na outra foto.
Em frente uma bela casa em estilo colonial, com muito verde por toda parte










Vamos mostrar os moradores da casa que nos acolheram por aquela noite. Ficaram todos contentíssimos com nossa visita, embora rápida. É a mãe com seus dois filhos e uma filha, pois o marido os deixou por doença grave há pouco mais de um ano. 
A dona da casa, tendo a mim ao lado, em sua copa/cozinha, preparando o café da manhã. 

Logo abaixo vemos o fogão a lenha, sinal da existência abundante desse combustível na região, graças aos reflorestamentos. 

É um modelo que eu nunca havia visto, aparentando muita robustez e beleza em sua core escura. 

Rita, minha esposa, já refeita do cansaço da véspera, logo após levantar já próximo do meio dia. A estrada judiara na primeira etapa e a falta de hábito também ajudou a deixá-la esgotada.





Abaixo ela e a dona da casa Patrícia, conversando, lembrando o tempo de convivência em Brasnorte, MT.

Patrícia e seus dois filhos comigo, pouco antes de reiniciarmos a viagem.  

Patrícia junto à pia de lavar louças, tendo ao lado o fogão a gás e do outro o a lenha, em plena ação.








        Pouco após o almoço, em torno de 14 horas, encetamos a segunda etapa da viagem a Gramado. Aconselhados pela filha de Patrícia, mudamos o plano inicial que era tomar o caminho pelo interior, na rodovia RS-235. Esse conselho foi motivado por problemas de transitabilidade da rodovia em finais de semana e principalmente com chuva. Por isso retornamos para a BR-101 e seguimos até a rodovia conhecida como Rota do Sol que liga o litoral gaúcho a cidades do interior, passando por Gramado e Canela. Fôramos informados em um estabelecimento comercial às margens da 101 tratar-se de uma estrada ótima, sendo fácil chegar assim ao nosso destino. A chuva continuava e chegamos à rodovia que nos foi recomendada. 

        Se não fosse o adiantado da hora, nem a chuva, provavelmente teríamos apreciado muito o percurso. Uma estrada altamente sinuosa, em grande parte ladeada de florestas ora de conservação ambiental ou então de reflorestamentos; ladeiras íngremes, túneis com entradas em curva acentuada, seguida de curvas no interior da escavação. Depois um longo trecho sem luz alguma visível da estrada. Não existe nenhuma estrutura de apoio no trecho. Se precisássemos de algum socorro, seria necessário aguardar pacientemente a passagem de algum viajante tardio, coisa pouco provável naquelas condições. O sinal de telefones celulares não existia evidentemente. Graças a Deus conseguimos chegar ao destino por volta das oito horas, e ficamos hospedados em casa de Flávia Ten Caten, filha de uma prima de minha mãe que lá reside com seus filhos. A viagem fora muito mais cansativa do que havíamos imaginado, porém nenhum contratempo nos incomodou.

Essa é a Flávia que nos hospedou durante a estadia em Gramado. Obrigado pela acolhida calorosa. 


Esta foto foi feita um pouco antes de chegarmos ao viaduto, sob o qual iríamos passar. Tudo estava em clima de Copa do Mundo. Ali estava uma via de acesso de turistas provenientes do Aeroporto Afonso Pena, situado em São José dos Pinhais. 
        Em alguns segundos nos aproximamos do viaduto e ei-lo em sua imponência. Uma obra de engenharia realmente notável.