Arquivo mensais:abril 2016

Incursão ao futuro.

Pesquisa histórica no futuro.

Nos últimos dias me peguei pensando, procurando imaginar a vida de um pesquisador, daqui a um século, pouco mais ou menos, revirando os arquivos escritos, virtuais, ou sejam os meios então disponíveis, no afã de escrever sua Tese de Doutorado em história. Na sequência imaginei que ele tenha escolhido o período da história nacional, envolvendo as duas primeiras décadas do século XXI.

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Política. O que é esquerda? Direita? Centro?

Questão semântica ou dialética?

Para introduzir o assunto, vou lembrar que eu tinha exatamente 15 (quinze) anos de idade, quando ocorreu o Golpe Militar de 1964 (por muito tempo denominado Revolução). Em 1967 prestei serviço militar, passando para reserva como cabo reservista de primeira categoria. Isso tudo ocorreu no Rio Grande do Sul, onde nasci e vivi até aos 19 (dezenove) anos.

Vale lembrar que sou filho de pais, nascidos de imigrantes, ou netos de imigrantes alemães. Nasci em 1948, logo depois do fim da segunda Guerra Mundial. Durante a Guerra, era proibido aos alemães terem rádios, pois permitiam sintonizar estações da Alemanha, ouvindo os discursos de Hitler. Isso criou um clima de medo e a consequência foi que, as famílias mais preocupadas com a segurança de seus membros, orientavam desde cedo que era preferível ficar de boca fechada, obedecer sem discutir e não dar motivos de aborrecimento. Cair nas mãos das autoridades, era algo considerado terrível, quase fatal. Assim começava a vida da gente naquele tempo. Aprendia-se desde cedo a por em prática os cuidados da preservação da própria vida. O resto, bem o resto se veria depois. Primeiro era importante estar vivo, depois pensar em outras coisas. Os mortos não tem mais vontades, nem necessidades.

Tão logo passei para a reserva, vim para Foz do Iguaçu, Paraná. Minha família havia se mudado para o interior do município, onde atuavam na agricultura. Tendo antes estudado no internato, até o começo da quarta série do ginásio, eu quis continuar os estudos e consegui trabalho na agência local do extinto Banco Comercial do Paraná S.A. Do ponto de vista político, eu estava completamente obliterado. Vindo de lugar remoto, com pouca comunicação com o mundo, aprendi cedo a classificar os políticos em de esquerda e direita, aparecendo também os de centro. Na minha visão limitada da época, os da esquerda eram os que promoviam anarquia, buscavam subverter a ordem, implantar o comunismo e coisas assim. Foi fácil associar a palavra esquerda com o latim, onde sinistra é esquerda e na literatura, a qual eu já tivera relativo acesso, tinha conotação negativa. Tanto que um personagem sinistro, era alguém com características a serem temidas. Era capaz de ações cruéis, desumanas e portanto um malvado. Como consequência associei os políticos de esquerda, todos eles, sem exceção com essa característica. Eram pois pessoas que não mereciam confiança. Já os de direita, eram associados à bondade, à ações honestas e todo um corolário de loas à sua propalada bonomia. O que os tornava incondicionalmente merecedores de confiança.

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