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Na senda dos monges! – Volume II – Capitulo 05 – Conflitos Crescentes.

  1. Conflitos crescentes.

 

A iminência da execução do trecho de ferrovia, trouxe para a região interessados em estabelecer pequenos estabelecimentos comerciais. Toda obra de grande porte, provoca um surto de desenvolvimento na região afetada. Não faltam pessoas interessadas em se estabelecer para progredir honestamente, nem tampouco os que buscam apenas formas de enriquecimento rápido, não se importando com os meios necessários para tanto. Isso fez surgir, nos primeiros anos do século XX, no vale do Rio do Peixe, um grande número de pequenos estabelecimentos, dedicados às mais variadas atividades de comércio e serviços. A princípio eram pequenos, incipientes, os preços cobrados costumavam ser elevados, mas os moradores acabavam por recorrer a eles, pois assim evitavam deslocamentos até lugares mais distantes. Economizavam tempo precioso, mais necessário no trabalho de suas atividades produtivas.

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Na senda dos Monges! – Cap. III – Unindo as famílias.

  1. Unindo as famílias.

 

A visita do monge não tinha dia da semana para acontecer. Era o caso de aproveitar o momento de sua aparição, nada de escolher dia ou hora. Ele não aceitava imposições nem horários. Fazia sua própria hora e o dia era o “hoje”, não importando em que dia da semana se estava. Desse modo o batismo ocorreu em plena quinta-feira. Algumas semanas depois o padre residente em Curitibanos fez uma visita na região. Fora transferido recentemente para a paróquia e estava empenhado em congregar o rebanho da igreja. Era franciscano, ordem que recentemente assumira o trabalho de evangelização da região.

O padre era consciente da presença de benzedores, curandeiros, o monge João Maria e outros nos seus domínios. Sabia de antemão da dificuldade que iria enfrentar. O povo havia criado seu catolicismo, misturando os ritos oficiais da igreja com uma série de procedimentos nada ortodoxos. Decidira fazer seu trabalho por etapas. Se atacasse o problema de frente, numa investida direta, seria rechaçado sem dúvida. A igreja matriz tinha pouca frequência de fiéis, salvo nos dias de festas, batizados dos filhos de gente importante, casamentos ou mortes. Eram esses os momentos de grande afluência do povo, lotando todos os lugares habitualmente vazios no templo. Estava sinceramente preocupado e diariamente passava longo tempo em oração diante do sacrário, pedindo a Nosso Senhor luz para guiar seus passos.

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Na senda dos monges! – João Maria de Jesus, José Maria de Agostinho e os caboclos do contestado. Cap. II

 

  1. Começa construção da EFSPRG.

 

A construção da estrada de ferro, ligando Itararé, no estado de São Paulo, à Santa Maria da Boca do Monte, no Rio Grande do Sul, teve início em 1890, partindo de Santa Maria, rumo ao norte. Em meio a muitas dificuldades da nova república, foi possível inaugurar os primeiros 142 km, ligando Santa Maria e Cruz Alta no decorrer de 1894, apesar do conflito da revolução federalista. Em 1897 foi iniciada a construção do trecho paranaense, partindo de Ponta Grossa, rumo ao sul e também rumo ao norte. Em 1900 inaugurou-se os primeiros 132 km de trilhos, unindo Ponta Grossa e Rebouças, seguindo-se outro trecho de 132 km ligando Rebouças com Ponto União, às margens do Rio Iguaçu, em 1904.

Em 1905 inaugurou-se novos 196 km ligando Cruz Alta com Passo Fundo, apenas 11 anos depois do primeiro trecho inaugurado. Em 1906 foi inaugurado o trecho entre Joaquim Murtinho e Jaguariaíva no Paraná. Nessa época o grupo econômico liderado por Percival Farquhar, conhecido depois como Sindicato Farquhar, disputava acirradamente a aquisição da concessão dessa ferrovia, além de outras concessões públicas em território brasileiro. A transação foi realizada e fixado o prazo de conclusão do trecho faltante, para dezembro de 1910.

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