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Reflexão em tempo de epidemia

Cada macaco no seu galho.

Em época de recolhimento compulsório, proporcionado pela eclosão da pandemia do Corona Vírus, também chamado Covid-19, cujo nome é SARS-Cov-02, não estou me sentindo afetado grandemente. Desde agosto de 2011, quando sofri um acidente, sou amputado e passo grande parte do meu tempo recluso em minha casa. Estou apenas um pouco mais limitado. Mantenho-me ocupado elaborando apostilas de física e matemática, integrados com as postagens dos meus blogs do mesmo assunto. Também tenho alguns livros publicados, todos produto surgido no período pós acidente. Estou me sentindo tranquilo e não me estresso.

Tudo isso me faz pensar e tenho lido muitas matérias envolvendo diversas classes de trabalhadores. Me chama atenção um problema que está em muita evidência nos últimos anos. Estou falando da classe dos empresários e da classe dos trabalhadores. Olhando de fora, é algo de percepção bastante fácil o que acontece nos embates entre as duas categorias. De um lado os patrões, buscando apenas os seus lucros, nem que seja necessário levar o trabalhador à miséria e talvez a morte. Usam de seu poder econômico para pressionar os políticos, em busca de vantagens sempre maiores, em detrimento dos trabalhadores. Pergunto-me se eles imaginam ser possível um mundo em que só haja empresários! Para quem irão produzir, a quem irão vender seus produtos e serviços?

Do outro lado estão os trabalhadores, aglutinados em seus sindicatos, para conseguir ter mais força e assim barganhar algumas migalhas. Nos últimos anos temos assistido a um verdadeiro massacre por parte do nosso governo, aliado ao congresso e mesmo as altas cortes do judiciário. Primeiro foi a reforma trabalhista, que flexibilizou, com a promessa de uma possível geração de empregos, diversos dispositivos que garantiam direitos dos trabalhadores. As garantias se foram e os empregos longe de surgirem. Neste momento, com a pandemia tomando o país de assalto, podemos prever um período mais negro no horizonte de nossa economia.

Não estou me posicionando nem a favor de um lado, tampouco do outro. Vejo o empresário e o trabalhador como as duas faces de uma mesma moeda. Um mundo sem empresários, não se sustenta. As fábricas e outros empreendimentos são necessários. Os trabalhadores por sua vez são imprescindíveis. O maior empreendimento não funciona sem a presença dos servidores, nome aliás um tanto indevido. Há muitos lugares em que se usa a palavra “colaboradores” para designar aqueles que são assalariados ou prestam serviços. Em lugar de se digladiarem e gastar energias preciosas em embates desgastantes sobre salários, direitos e obrigações, deveriam sentar e dialogar. O empresário deveria olhar o trabalhador como seu parceiro. Seus esforços somados transformam o mundo, melhoram a qualidade dos produtos e serviços, aumentam a rentabilidade dos empreendimentos. Então pergunto por quê se tratam com tanto desprezo em muitas situações?

O trabalhador necessita do empresário, pois é ele que lhe provê o emprego. Não vou dizer que é o empresário que lhe paga o salário. O salário eu vejo como a participação de quem produz no resultado de seu trabalho. Por outro lado fica ao empresário o lucro sobre seu investimento, que, diga-se de passagem, é geralmente desproporcional ao que é destinado ao sustento e manutenção dos empregados.

É com júbilo que venho observando há alguns anos a atitude de empresários com uma visão diferente em seus empreendimentos. Os colaboradores, são vistos com respeito e tratados com dignidade, tornando sua vida mais amena. Um trabalhador satisfeito, desenvolve suas atividades com maior disposição, produz mais e melhor. Ao final, tanto um lado quanto outro tem a ganhar com toda certeza. Infelizmente esses ainda são uma ínfima minoria no mundo como um todo, muito pior no nosso Brasil. Assistimos durante os últimos quatro anos um rosário de projetos aprovados, onde se penaliza cada vez mais os trabalhadores, sobrecarregando-os com contribuições e minimizando-lhes os direitos. Direitos ou vantagens conquistadas ao longo de décadas com muita luta, negociação e apelos ao bom senso de empresários e políticos. Com pouco tempo muito disso virou pó, foi meramente suprimido, contra o desejo dos trabalhadores. Tudo em nome de um deus, denominado mercado, que supostamente se encarregaria de regular tudo e equalizar as diferenças. E o que assistimos? Dia após dia as riquezas de nosso país são dilapidadas, entregues por valores irrisórios aos magnatas vorazes do exterior, incluindo-se aí governos, megaempresas e conglomerados financeiros diversos. Para nosso povo trabalhador, restam, se é que restam, migalhas.

Tenho esperança que após o Tsunami do Covid-19, o mundo acorde para a realidade e se transforme radicalmente. Temos, se estivermos dispostos a isso, condições de parar com o aquecimento global, de alimentar a todos os seres humanos que vivem no planeta. O mundo produz volume de alimentos e demais bens de consumo em quantidade suficiente para que nenhum ser humano ou animal passe fome. Eliminando o desperdício e realizando uma distribuição mais igualitária dos rendimentos, será possível a cada pai/mãe de família, a cada indivíduo pagar o preço justo pelo que necessita para viver condignamente, sem privações sérias. Temos como tornar a vida, o trabalho, a produção sustentável na Terra e vivermos todos muito melhor.

Comecei esse texto há cerca de um mês ou pouco mais e depois o esqueci no arquivo. Hoje o resgatei e quero complementar algumas coisas, antes de publicar. Eram algumas centenas de óbitos por conta do vírus causador da Covid-19, hoje estamos em torno dos 27 ou 28 mil, sendo o número de infectados, notificados mais de meio milhão. Se o governo estivesse disposto a agir com firmeza, promovendo a realização de testes em massa, provavelmente estaríamos contabilizando alguns milhões de infectados e quiçá uma ou duas centenas de milhares de mortos.

Nas últimas semanas a pressão dos empresários, estimulados pelo presidente da república, um literal genocida, pela abertura dos comércios tem sido muito intensa e já se notam sensíveis incrementos no crescimento da curva de avanço da epidemia. Sempre a maldição da economia, em detrimento das vidas. Parece que o dinheiro poderá trazer de volta as vidas perdidas. Até mesmo crianças e adolescentes sabem que para a morte não existe remédio. Mas para o sistema econômico, há sempre uma nova chance. Pergunto a esses ávidos por salvar seus negócios, seus comércios e indústrias, com suas gordas contas bancárias, de que valerão os milhões acumulados em bancos e guardados em cofres, se os possíveis trabalhadores e consumidores tiverem ido para a chamada “cidade dos pés juntos”? Irão vender para quem o que produzem? Quem irão contratar para trabalhar, se os empregados com experiência tiverem ido em grande número para a eternidade?

Peço que Deus ilumine os pesquisadores em suas atividades para que sejam capazes de produzir o quanto antes uma vacina contra essa verdadeira praga denominada Sars-cov-02. Também identifiquem entre os inumeráveis compostos químicos algum que seja capaz de destruir esse patógeno no organismo das pessoas, sem lhes causar danos colaterais sérios. Que seja um ou vários combinados, pouco importa. O importante é oferecer um raio de esperança aos infectados e aos seus familiares. É muito triste para alguém levar um familiar para um hospital, com problemas de respiração e saber que precisará ser colocado em um respirador mecânico. Isto se houver disponibilidade de tal equipamento. Pode ser o último momento de ver essa pessoa viva e depois somente poder imaginar uma morte horrorosa, sem poder ver nem render uma última homenagem. Caixão lacrado e sepultamento sem demora.

São situações que não nos são familiares, pelo menos em tempos de normalidade. Lembro dos comboios de caminhões militares na Itália, levando carregamentos de caixões contendo corpos de vítimas, ficando seus familiares apenas na possibilidade de ver das janelas o passar do fúnebre cortejo.

Não bastasse todo esse horror, ainda encontramos inúmeros homens e mulheres que desrespeitam as recomendações de precaução como uso de máscara, manter-se longe de aglomerações, sair de casa apenas para fazer o estritamente necessário. Se eu me cuido, certamente também estarei cuidando do próximo, pois se não me infectar, não terei possibilidade passar o contágio para outras pessoas. O isolamento social, a manutenção da distância, uso de proteção, tudo tem consequências comunitárias. Não somos ilhas e temos que nos manter suficientemente afastados para não nos destruirmos mutuamente.

Poderia passar horas desfiando argumentos e apresentando fatos, mas de nada adiantaria, pois quem não quer ouvir, ou se nega a ver, é o pior surdo ou o pior cego. Tenho que tomar cuidado para não ser levado junto com ele para o abismo.

Vamos nos cuidar, vamos ficar em casa o quanto mais tempo possível. Há coisas que podemos fazer e assim ocupar nosso tempo de modo criativo e útil. Se você acredita em oração, seja qual for a sua crença, não hesite em orar. Deus não está a postos para realizar milagres o tempo inteiro. Ele espera que façamos a nossa parte, pois o que lhe compete Ele o fará com certeza.

PS.: Hoje completam exatamente 19 anos que eu fui submetido à cirurgia cardíaca, para implantar uma ponte safena e uma mamária. Isso naquele momento era minha redenção. Hoje minha redenção é ficar em casa. Bom final de semana e isolamento produtivo.

Curitiba, 30 de maio de 2020

Décio Adams

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Uma mensagem de alerta e orientação.

Nestes dias que correm, vejo o mundo inteiro prostrado ante um micro organismo, aliás nem é bem um organismo. É apenas uma ínfima porção de RNA, envolta em uma fina camada de gordura. Não possui capacidade de se multiplicar por suas próprias armas, mas consegue se apoderar de uma célula do organismo portador (humano), preferencialmente nas vias respiratórias, consegue fazer a célula dominada replicar inúmeras cópias de seu RNA. No limite, a célula se rompe e morre, mas lança no mesmo instante uma infinidade de cópias do agente invasor. Esse processo se repete até dominar completamente o corpo do infectado.

A maior ou menor capacidade de reação do sistema imunológico faz com que os níveis de manifestação em sintomas de doença sejam variados. Inicialmente nos foi dito que os mais atingidos seriam os idosos e os portadores de alguma comorbidade como doenças respiratórias crônicas, insuficiência cardíaca, fumantes, diabéticos e demais males que em geral afetam grande parcela das pessoas idosas. Mas a realidade se mostrou mais cruel. Diariamente são noticiados óbitos de crianças, adolescentes, jovens, adultos na faixa dos 20 aos 50 anos. Foi decretado o isolamento social ou distanciamento social, mas uma enorme parcela de pessoas, de todos as faixas etárias descumpre essas determinações. Também foi tornado obrigatório o uso das máscaras, mas ainda assim uma significativa quantidade de pessoas se nega a usar. Todas essas providências visam minimizar as probabilidades de transmissão da moléstia.

Não foi um nem dois os casos em que pessoas foram entrevistadas e lamentando a perda de um ente querido, que foi infectado por uma das formas de desobediência às medidas de precaução. Infelizmente, qualquer dano material que soframos por conta de um período de inatividade pode posteriormente ser recuperado, porém a vida de ninguém que tenha morrido, pode ser devolvida. Não bastasse a morte em si, há ainda o fato de ser um modo horroroso de morrer. É praticamente como se afogar, sem haver água por perto. Imaginar um ente querido lutando para viver, tentando conseguir um pouco de oxigênio e a moléstia não permitir, por ter destruído o sistema de absorção do precioso elemento.

Tenho lido algumas postagens, especialmente no facebook, no messenger e até WhatsApp, em que pessoas moradoras de pequenas localidades indagam se alguém sabe da existência de algum doente da Covid-19 na região, entre seus parentes e amigos. Deixam, pelo menos na aparência, transparecer um ar de troça ou de deboche em relação à moléstia. Não sei se fazem isso por influência superior, de onde vem a mensagem de que se trata apenas de uma “gripezinha”, que não afeta os jovens e crianças. A eles eu recomendo, deem graças a Deus se ainda estão livres. Orem fervorosamente que o Criador não permita o aparecimento em sua região de alguém, vindo de outra cidade e seja portador do vírus. Mesmo estando assintomático, já é transmissor e não fica rasto. O efeito irá aparecer em alguns dias e daí será tarde. Ninguém está livre.

É evidente que as localidades mais isoladas são menos suscetíveis de contágio, mas não são blindadas de modo algum. Não caiam na conversa de que estão protegidos e nada os atingirá. Lembrem-se que, se estão mais isolados, também é quase certa a inexistência no local recursos médico/hospitalares adequados para o tratamento eficiente. Isso obrigará ao transporte para longe, expondo uma série de pessoas ao contágio. O paciente, uma vez internado, fica inacessível aos familiares. Se sobreviver a família receberá o aviso da alta, quando ocorrer. Se ocorrer o óbito, sairá do necrotério em caixão lacrado e deverá ser sepultado quase sem tempo para qualquer coisa. Assistam aos sepultamentos que diariamente ocorrem nos centros como SP, Manaus e outras metrópoles. Falta pouco para que a urna seja colocada no buraco e imediatamente coberto de terra. Ficará até difícil de identificar a sepultura num momento posterior.

Por isso, se ainda existe sossego nesse aspecto em sua comunidade, tomem o maior cuidado no contato com quem vem de fora ou quando tiverem que se deslocar até um centro maior. O vírus é minúsculo, invisível a olho e extremamente mortal. Não esqueçam do fato de que ele se transmite muito rapidamente e permanece aderido à superfícies por longas horas. O uso do álcool em gel ou o ato de lavar cuidadosamente as mãos são recomendações de suma importância. Podem significar a diferença entre a vida e a morte sua, ou de um ente querido, um amigo, um vizinho.

Eu estou recluso, dentro de minha casa, há mais de um mês, aliás quase dois. Mesmo assim não tenho certeza de ficar incólume. Meus familiares me ajudam nesse processo, pelo fato de eu já ser idoso, ter diversas comorbidades, o que me torna uma pessoa com alto risco, em caso de infecção. Apesar disso espero poder escrever muitas mensagens aos amigos e para o público em geral, depois que essa tormenta tiver passado.

Se possível, fiquem em casa, não saiam à rua sem usar máscara. Lavem as mãos antes de tocar no rosto, nos alimentos e utensílios de uso geral ou use álcool em gel. Por mais que nos cuidemos, ainda assim estamos sujeitos ao contágio. Não devemos dar sopa ao azar, como se usa dizer em situações de risco.

A todos um abraço e fiquem com a benção de Deus.

Curitiba, 29 de abril de 2020

Décio Adams

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Lembranças a infância.

Teor de um E-mail que enviei à uma amiga em resposta a uma crônica que ela fez sobre lembranças da infância, especialmente sobre a existência ou não de Papai Noel. A publicação foi sugestão dela. Então aqui vai.

Décio Adams <[email protected]>ter., 17 de dez. 11:02 (há 1 dia)
para Urda

Essa história de acreditar em Papai Noel, eu vivi uma experiência um tanto diferente. Como vivi, da idade de um ano e dois meses ou um ano e meio, até aos 12 anos na casa dos meus avós, rodeado de meus tios e tias maternas, chegou o momento em que, ao ingressar na escola um dos tios, pouco mais novo que minha mãe, decidiu me convencer de que Papai Noel não existe. Chegou a prometer me comprar uma bicicleta, coisa que eu ambicionava ardentemente. Mas as tias e a avó foram unânimes em defender a posição contrária. Como eu era ligado muito aos avós e tias, elas levaram a melhor na disputa. Lembro que alguns colegas de escola, um pouco mais adiantados, cochichavam a respeito de minha credulidade, mas eu não me deixei abalar. Perdi a bicicleta prometida e continuei até chegar próximo aos 10 anos, se não me engano. Certa noite, algum tempo antes do Natal, eu percebi uma espécie de clima de conspiração entre as tias e a avó. Qual não foi minha surpresa quando, de um momento para outro uma delas me disse do modo mais suave a “triste verdade”: Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não existem. São os pais, tios, irmãos mais velhos e vizinhos que encenam a história toda para alegrar as crianças. Uma falou e as outras corroboraram, completando os detalhes. Parece-me que aquele momento foi uma das maiores decepções de minha vida. Havia sido enganado por longo tempo. Outras crianças já sabiam da verdade há tempo e faziam troça comigo. Perguntas capciosas eram-me feitas por pessoas adultas que sabiam do que ocorria. Se existe um momento de minha vida em que perdi o chão, com certeza foi aquele. Um belo castelo de sonhos, feito apenas de papel, ruiu sem nem mesmo fazer barulho. Murchou como um balão furado. 

Alguns dias depois eu fiquei ansioso por contar a novidade aos outros e geralmente recebia de volta um sorriso que parecia dizer:”Viu? Eu avisei, mas você não acreditou.” Como não sou de ficar de “baixo astral” por muito tempo, logo me refiz e passei a participar dos preparativos, que antes me eram completamente vedados. O dia da feitura das famosas bolachas, cobertas de glacê e açúcar colorido, bolinhas, era dado um jeito de me afastar de casa. A cada ocasião encontravam um novo pretexto para me manter fora de casa, sem saber o que ocorria na verdade. Depois me era contado que o Papai Noel havia vindo fazer as bolachas e eu recebia algumas para experimentar. O mesmo ocorria antes da Páscoa. Dessa vez era o Coelhinho que vinha para fazer as tais bolachas. Não sei como ele encontrava tempo para passar em todas as casas. Deviam ser uma verdadeira “legião” para dar conta de tudo.

Minha decepção foi como chuva de verão. Deu e passou. Logo encontrando novos assuntos para despertar meu interesse. Passei alguns anos, dos 12 aos 16, interno num Seminário e depois de dois anos já era adulto, indo prestar o serviço militar. Enquanto isso minha família mudou-se lá do RS para o interior de Foz do Iguaçu, onde meu pai havia comprado terra. Em outubro de 1967 faleceu meu irmão Genésio, o segundo, aos 17 anos. Em dezembro nasceu o caçula, completando 52 anos depois de amanhã.

Meus filhos souberam desde cedo da verdade e nem por isso ficavam menos ansiosos aguardando os presentes de Natal e Páscoa. Não sei dizer se o que eu vivi foi bom ou ruim para minha vida, apenas tenho certeza de não querer ver meus filhos passando pela decepção que passei quando me foi revelado. O pior foi ter deixado de poder cobrar do tio a tal bicicleta, nem sei se ele falava a sério ou se apenas brincava. Será que naqueles dias, final da década de 50, existiam bicicletas para crianças?

Faz bem recordar as reminiscências de nossa infância. Nos trazem à memória um pedaço de nossas vidas há muito passado, mas faz parte de nosso Eu de hoje certamente. Reitero os votos de Feliz Natal e Ano Novo venturoso.
Saudações 

Décio Adams

PS.: Nas semanas que precedem a Páscoa, era comum participar do descascamento de amendoins, para fazer paçoca e uma farofa de amendoim com açúcar. Era para ajudar o Coelhinho que levaria o amendoim para encher as casquinhas de ovos, acumuladas por longos meses para a ocasião. Não foi uma nem duas vezes que fui agraciado com o “achado” de um ninho, cheio de algumas dessas casquinhas, bem coloridas, tampadas com uma rodela de papel, também colorido. Era uma forma de me cativar para alguma tarefa a ser executada. A justificativa era de que isso contaria “pontos” junto ao tal Coelhinho da Páscoa, na hora de preparar minha cesta, recheada de ovos e outras guloseimas. Lembro que eu ficava eufórico e antegozava as delícias que me esperavam dali a alguns dias, na manhã do dia da ressurreição de Jesus.

Nos dias que precediam o Natal, a partir de certo ano, era momento de preparar a base para colocação das figuras componentes de um pequeno presépio. Ajudei a fazer casinhas e as pintávamos, buscar musgo e a famosa “barba de pau”, algumas plantinhas que cresciam nos troncos das árvores de dois pequenos bosques existentes no pasto das vacas e bois. Eram sem dúvida dias felizes. Depois de pronto, o presépio ficava a espera do momento da noite de Natal, quando em um momento mais silencioso, minha tia Hedda Dewes Czapla se encarregava de colocar o Menino Jesus, Maria, José, os pastores e outras figuras completando o presépio, num momento em que eu não estava presente.

Quanta alegria a ver tudo completo, as velinhas fixadas em prendedores, semelhantes aos usados para prender roupas no varal, apenas feitos de metal, eram fixadas nos galhos do pinheirinho. Era um galho de pinheiro ou um pinheirinho especialmente cultivado para tal finalidade.

Fazendo um balanço, minha infância foi repleta de momentos alegres e felizes. Acho que, se tivesse a ocasião, faria tudo novamente.

Curitiba, 18 de dezembro de 2019.

Décio Adams

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Meu novo livro: Gaúcho de São Borja

Gaúcho de São Borja

Financiamento coletivo

O financiamento coletivo é realizado pela agregação de pessoas, em torno de um objetivo, previamente definido e com uma meta de recursos a ser alcançada. Geralmente é elaborado por um realizador ou um grupo realizador, visando transformar em realidade uma ideia ou projeto que pode ser desde uma ação social, um evento artístico, um trabalho literário, musical, uma obra de arte, uma pesquisa científica/humanista ou outro objeto que se tenha em mente. O realizador pode oferecer recompensas em troca de apoios com valor previamente fixado. O Catarse.me é a primeira e maior plataforma que oferece suporte, orientação e estrutura para realização desse tipo de projeto. Há a forma “Tudo ou nada” ou “Livre”. No formato “tudo ou nada”, se a meta não é alcançada no prazo estabelecido (≤60 dias), as contribuições dos apoiadores são integralmente devolvidas a eles, sem nenhum custo. O projeto não é realizado. No formato “livre” o Catarse repassa ao realizador o valor arrecadado, deduzido de 13% pelos serviços prestados, ficando o realizador comprometido a realizar o projeto, dentro dos parâmetros e recompensas fixadas.

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Mais um livro lido: A Guerra do Paraguai, por Luiz Octávio de Lima

A Guerra do Paraguai. 

Por Luiz Octávio de Lima

Quero primeiramente agradecer ao meu filho Anselmo Daniel Adams que encontrou essa verdadeira jóia e resolveu presentear-me com um exemplar antecipadamente ao meu aniversário e também pelo Natal. O assunto me atrai intensamente.

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Eu parei e você está começando?

Casal do interior

 

Na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul, mais precisamente nos municípios vizinhos à Santa Rosa, era habitual os colonos, viajarem de ônibus para a cidade maior, resolver problemas de banco e fazer algumas compras mais importantes. Geralmente o ônibus partia de uma cidadezinha interiorana e percorria um itinerário onde coletava os passageiros que faziam uso de seus serviços. Isso ocorria pela manhã, chegando por volta das nove ou dez horas. Os passageiros tinham algumas horas para resolver suas questões e em torno das quatro ou cinco horas voltavam para embarcar na viagem de regresso. O veículo refazia o mesmo caminho, deixando cada um no seu destino, onde havia embarcado.

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Nomes e sobrenomes engraçados.

Nomes engraçados, com significados próprios.

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Oliveira, carregada de frutos

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Peras no pé, mostrando suas folhas

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Oliveira centenária

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Macieira vergada sob o peso dos frutos

Havia certa vez uma comunidade constituida quase exclusivamente de imigrantes alemães e seus descendentes, no estado do Rio Grande do Sul. Podemos observar que os nomes e principalmente os sobrenomes, têm em grande parte, significados de coisas, bichos, profissões e outras referências. Poderíamos citar na nossa língua nacional: Oliveira, Pereira, Macieira, Ferreira e muitos outros. Já na antiguidade, na Bíblia por exemplo, quando uma criança nascia e se escolhia o nome pelo qual ela seria conhecida, sempre se buscava algum significado, como Moisés, que significava Salvo das águas. Ficaria extensa a lista, interminável mesmo e não é esse o objetivo dessa pequena crônica ou estória.

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Vizinhos sovinas!

Vizinhos sovinas!

 

Nos idos dos anos 60 do século passado, havia numa localidade do Rio Grande do Sul, dois vizinhos muito sovinas. Eram o Gustav Möhler e Francesco Simeoni. Conviviam há muitos anos e com o avançar da idade, a sovinice aumentava proporcionalmente. E faziam questão de contar um ao outro, falando português atrapalhado, suas ações que visavam economizar ao máximo em tudo. Cada vantagem contada por Gustav, era sem demora rebatida com outra narrada por Francesco. Economizavam em tudo e sempre visando sobrepujar um ao outro em detalhes inimagináveis para as pessoas comuns. Cada encontro entre eles era um longo debate sobre quem havia sido mais econômico em suas ações dos últimos dias. Até os familiares acabaram se afastando um pouco dos dois, especialmente nos momentos em que começavam a contar as vantagens e debatiam entre si quem havia sido mais pão duro.

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Um casal inocente.

Casal inocente.

Um casal inocente!

 

No mês de fevereiro de 1987 eu cheguei em Brasnorte, no estado do Mato Grosso. No ano anterior havia viajado até Diamantino, realizar a prova de concurso para professor. Aprovado, fui nomeado no dia 02/02/1987 e cheguei para tomar posse no cargo. Deixei para trás um padrão efetivo no Estado do Paraná, além de um padrão (20 h/a) no CEFET-PR. A escola local é o Colégio Estadual Evaldo Meyer Roderjan.

Ali encontrei uma comunidade de três irmãs da Divina Providência, constituída da Ir. Theonila, que atuou como enfermeira em hospitais de Santa Catarina. Ali trabalhava no posto de saúde, muitas vezes fazendo o que deveria ser feito por um médico, se ali houvesse um deles, dentro dos limites de seus conhecimentos; Ir. Ana, atuando como professora de ensino religioso na Escola Estadual e Ir. Leonila, encarregada da cozinha da pequena comunidade. Prestavam serviços na capela da comunidade, auxiliando nos cultos, nas visitas mensais de Frei Natalino Vian, capuchinho sediado em Tangará da Serra.

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Prefeito arrogante e vaidoso.

Prefeito arrogante e vaidoso.

 

 

Na década de 70 do século XX, houve num dos municípios do oeste do Estado do Paraná, um prefeito bastante bizarro. Oriundo do meio agrícola, estabelecera-se no comércio e com o sucesso nessa atividade, ingressou na vida política. A respeito de sua atuação política existem várias histórias, contadas e recontadas, vindo talvez a perder muito de sua originalidade, porém ganhando em diversidade. Isso torna-as um tanto lendárias.

Era o tempo dos carrões como o Ford Galaxie, o Landau, os Dodge Charger RT e outros. O nosso personagem, aproveitando o crescimento econômico do município, encaminhou a aquisição pela prefeitura de um Ford Landau para uso em seus deslocamentos. Determinou a contratação de um motorista para dirigir o carro e ele viajava, especialmente quando ia a capital do estado, sentado no banco do passageiro, apreciando a paisagem.

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