Quarta-feira de cinzas – campanha da fraternidade

Curitiba, 18 de fevereiro de 2015.

Quarta-feira de cinzas, início da quaresma deste ano de 2015. Grande parte do povo curtindo a ressaca de carvanal, enquanto os fiéis católicos mais devotos, se dirigem às igrejas para participar da cerimônia de imposição das cinzas, como sinal de penitência. Igualmente é lançada nesse dia a campanha da fraternidade do ano, cujo ponto culminante ocorre durante a quaresma, mas se estende ao resto do ano. No entanto a grande parte da população esquece desse tema depois que passa a fase mais intensa. Talvez isso se deva ao descaso das próprias lideranças comunitárias, desde os párocos, diáconos, ministros e membros de diversas comissões pastorais. Ao relegar esse tema para um plano secundário, leva os demais fiéis a considerar a missão precípua cumprida e consequentemente indicado o olvido do assunto.

A meu ver esse “mote” lançado anualmente pela Igreja no Brasil, tendo inclusive a participação de lideranças de outras denominações religiosas, deveria ser mantido vivo e vibrante durante todos os dias do ano. A cada ano deveríamos incorporar novos procedimentos que se somaria aos dos anteriores, causando uma elevação do nível de vivência dos ideais cristãos. Por mais louvável que seja a campanha a cada ano, seu arquivamento como algo do passado, após o lançamento da nova campanha na quarta- feira de cinzas de cada ano, dá a impressão de que, terminado o ano, o assunto é ultrapassado e não mais tem importância. Tenho a impressão de que se o assunto foi suficientemente importante para inspirar a campanha de um determinado ano por sua relevância para a vivência comunitária geral, deveria manter esse valor pelos anos vindouros, merecendo inclusive um periódico avivamento na lembrança dos membros da comunidade. Vale o ditado: O que não é visto (ouvido) não é lembrado.

O período da quaresma, tem como sentido preceder a celebração da páscoa, com um período de penitência. Não tanto no sentido de submeter o organismo a dores ou privações fortes de alimentos essenciais ou líquidos. Podemos nos penitenciar muito mais com mudanças de atitudes em nosso dia a dia. Em lugar de distribuir caretas, carrancas e olhares furiosos ao nosso redor, fica muito mais edificante substituir tudo isso por sorrisos, gestos de carinho e amizade. Controlar nossos impulsos de agressividade sempre que algo nos desagrada, ou contraria nossos desejos. Dessa forma criaremos ao nosso redor um clima de bonomia, de harmonia na convivência com nossos colegas, vizinhos e especialmente familiares. Se ocupamos posição de comando no trabalho ou liderança na comunidade, podemos aproveitar para darmos demonstrações com gestos de tolerância, compreensão, sem necessariamente transigirmos com disposições essenciais ao bom funcionamento do sistema. Podemos ser firmes, sem sermos grosseiros, rudes e mesmo cruéis.

Pequenas atitudes e medidas de austeridade podem ser bem mais significativos em nossa vivência da fraternidade, se nos privarmos voluntariamente de alguma coisa que apreciamos muito, mas não nos fazem falta ao ficarmos sem. No seu lugar, ou com o dinheiro que gastaríamos nesses itens, podemos fazer alguns gestos de caridade. Há sempre pessoas carentes de todos os tipos. Todos eles, pouco importa o motivo que os tenha levado ao estado de carência, são seres humanos e merecem um pouco de nossa atenção. Nem faz diferença diante do criador, se somos luteranos, católicos, evangélicos, umbandistas, kardecistas, judeus, muçulmanos ou outra denominação qualquer. O que realmente tem valor é o nosso gesto de amor, fraternidade e carinho. É ele que irá contar no dia de nossa “grande viagem” para realizar a travessia entre o mundo material dessa vida para o mundo imaterial, espiritual e sobrenatural, ao nos apresentarmos diante do Senhor da vida e da morte.

Décio Adams

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