Fantástico mundo novo – Volume III – Reinício em Oriente, Cap. VII-Aceleração geral.

  1. Aceleração geral.

 

O rápido progresso científico proporcionado pela verdadeira “queima” de etapas, quando os registros da antiga civilização foram decifrados e seus significados compreendidos, chegou a causar uma perturbação ameaçadora no equilíbrio de todo planeta Orient. No entanto, a chegada do Melquisedeque, em uma outorga extraordinária, teve o poder de restabelecer o equilíbrio. Os pequenos grupos remanescentes das antigas dissidências religiosas, aos poucos foram perdendo força e significado, levando à gradual redução de seu número de adeptos. Muitos deram liberdade aos filhos para seguir o caminho de sua própria escolha e eles optaram por seguir o que lhes pareceu mais condizente. Aderiram ao culto da Trindade do Paraiso. Outros, mesmo já adultos de certa idade, decidiram mudar de opção, aprendendo a doutrina da religião da revelação. Desse modo alcançou-se um estado de quase uniformidade religiosa, embora existissem pequenas diferenças de uma região para outra, mas a crença básica era idêntica.

Uma espécie de liturgia havia surgido ao longo do tempo e nesse sentido existiam as variações. Os diversos momentos, a forma como eram realizadas as adorações, uso da palavra, instruções dadas por filósofos e teólogos variavam significativamente de um lugar para outro. Mas nada impedia o intercâmbio entre uma nação e outra, entre um povo e outro. A troca de ideias e novas reflexões sobre o mundo espiritual era extremamente salutar, pois trazia a constante revitalização da fé. Havia sempre o que aprender, o que desenvolver, discutir e interiorizar, visando o aperfeiçoamento no seguimento da vontade do Pai Universal. Cada vez mais pessoas atingiam níveis elevados de espiritualização, ou seja, sintonia com a Fagulha ou Centelha Divina, chegando próximas ao ponto de fusionamento. Ainda não era momento de iniciar a ocorrência desse evento, pois ninguém alcançara tal nível de sintonia, significando a quase perfeição em vida física.

Era sabido por quase todos, que um dia começariam a presenciar a desmaterialização de pessoas, ao alcançarem o ponto de fusionamento com o divino. Nesse momento, o corpo físico se desintegraria e a personalidade da pessoa, fundida definitivamente com a Centelha Divina, partiria para o mundo espiritual, iniciando a próxima etapa da escalada rumo ao Paraiso, a partir de um estágio mais avançado. Deixariam para trás por completo sua natureza humana material, adquirindo a natureza espiritual, em união com a partícula do espírito de Deus Pai.

O que ninguém sabia era qual seria esse momento ou quando isso começaria a ocorrer. Sob orientação de Melquisedeque, em toda parte foram preparados recintos apropriados para a ocorrência dessas desmaterializações, que poderiam ser assistidas pelos membros da comunidade, especialmente pelos familiares da pessoa. O que sempre fora considerado um momento de profunda tristeza, a morte física, necessitando de providências para destinar o corpo que se transformava em mera matéria, agora sem vida, passaria a ser motivo de alegria para aqueles que tinham a graça de ver um familiar atingir o grau de perfeição necessária. Na medida em que as pessoas avançavam em idade, sua índole se tornava mais e mais suave, seus pensamentos atingiam um grau de elevação maior, significava que o grande momento poderia estar próximo. Cada um saberia, de alguma forma, quando chegasse o momento de isso acontecer, se fosse o caso.

Aqueles que não atingissem o nível, passariam pela morte natural, percorrendo no Mundo das Mansões as várias etapas até alcançarem o estágio do fusionamento e sua transmutação para a forma espiritual. O progresso científico e tecnológico não cessava. Cada dia ocorriam avanços, ora em uma área, ora em outra e tudo era imediatamente partilhado com os irmãos das outras nações. Não havia mais a questão de propriedade intelectual de grupos, registro de patentes, cobrança de direitos de propriedade intelectual. Todos contribuíam à sua maneira para o progresso geral. Os que tinham o dom da pesquisa, da aplicação das ciências no desenvolvimento de novas tecnologias, eram cônscios de suas obrigações. Da mesma forma, os que tinham habilidades para música, artes da pintura, composição de poesias, literatura em geral, dedicavam seu tempo e empenho no desenvolvimento de sua tarefa. Assim, a harmonia crescia constantemente, sendo muito raros os conflitos, embora ainda existissem. No entanto, eram sempre resolvidos de forma pacífica e ordeira. Mediadores se encarregavam de harmonizar as partes litigantes.

Com isso, reduziu-se a um percentual insignificante o número de detenções. As antigas prisões foram gradualmente transformadas em estabelecimentos de outra natureza. Muitos foram totalmente destruídos e em seu lugar edificou-se novas construções com finalidades mais nobres. Em vários lugares templos de adoração foram erguidos, onde antes havia existido uma prisão. O planeta caminhava celeremente para o estágio de perfeição, coisa que poderia ter atingido há longo tempo, não tivessem os antigos habitantes enveredado pelo caminho da violência e destruição.

O avanço das ciências e suas aplicações tecnológicas, trouxe benefícios não imaginados antes, especialmente no setor de comunicações, bem como de transportes. Tanto as pessoas, como mercadorias eram levados de um extremo ao outro, em questão de pouco tempo, com um dispêndio de energia mínimo, tendo em vista o imenso potencial dela existente em reservas antes nunca consideradas possíveis. Ninguém passava mais frio ou calor excessivo, não importando onde se encontrassem. As vestimentas eram providas de dispositivos de isolamento térmico, o que impedia a perda excessiva de calor para o ambiente, como também a absorção do calor externo, pela pele, com o consequente desconforto térmico. Tudo isso era fruto da ciência e tecnologia que avançavam a cada dia mais um passo. No entanto, ainda restava um caminho significativo a percorrer.

Previa-se para o futuro, na fase final, ao atingir o ponto culminante da Era de Luz e Vida, a jornada de trabalho de cada indivíduo seria de no máximo duas horas diárias, o que garantiria sua subsistência em condições seguras e confortáveis. Por ora estavam oscilando entre uma jornada de 4 a 6 horas diárias, dependendo do setor de atividade de cada indivíduo. Com isso cada vez era maior a participação das pessoas em eventos artísticos, tempo dedicado aos estudos, leitura de livros de entretenimento, espetáculos de música e teatro. Não esqueciam o tempo dedicado à adoração do Pai Universal. Ele tinha preferência sobre todas as demais atividades, muito embora essas mesmas atividades, também tivessem seus momentos que podiam ser vistas como de adoração e culto.

Os locais de reunião para oração, eram especiais, porém não eram únicos. Qualquer lugar servia para se fazer um momento de oração, render graças e entrar em comunhão com o Divino. As doenças estavam praticamente extintas, com exceção de algumas afecções advindas com o passar dos anos. O organismo sofria seu natural desgaste, ocasionando algumas dores, dificuldades de movimentos, fraqueza ou debilidade. Os seres vivos não deixavam de ser limitados no tempo e espaço. Tinham um prazo de “validade” determinado e ao findar-se tal tempo, ocorreria a passagem para a outra vida ou seria o fim daqueles que não aceitassem viver de acordo com a vontade do Pai.

Pode parecer que isso seria impossível num mundo quase perfeito nesse estágio, porém, havia indivíduos que teimavam em não aceitar essa submissão à vontade divina. Agiam de acordo com sua vontade e escolha, o que lhes rendia frequentemente punições civis, na forma de multas, horas extraordinárias de trabalho, perda de regalias e, somente em casos extremos, recorria-se à privação da liberdade, por um curto período de tempo. Muitos, mesmo sem aceitar seguir o caminho reto, mantinham-se depois em condições suficientes para não sofrer punições aplicadas pelas autoridades civis. Os familiares e vizinhos, mesmo sabendo dessa situação, conviviam com eles, dando-lhes liberdade para seguirem sua própria vontade. Se o Pai, criador e “dono” de tudo, não impunha sua vontade, não tinham eles, suas criaturas, o direito de impor a ninguém sua vontade ou ideias.

O nível intelectual geral havia se elevado significativamente, de modo que grande parte do tempo de lazer era consumido em programas de teatros, músicas, leituras, assembleias de discussões filosóficas. As pessoas tinham descoberto o prazer proporcionado pelas atividades elevadoras da mente. Em toda parte, havia reuniões de grupos dedicados ao estudo de vários assuntos, conforme as afinidades de seus integrantes. Em geral esses grupos se formavam em torno de algum expoente mais graduado da área de interesse. Mesmo as pessoas com conhecimentos profundos nas várias áreas, tinham imenso prazer em compartilhar com os demais seus dons. Isso, não raro, servia de despertar de novas inteligências para o setor, que posteriormente floresciam em novas pesquisas e descobertas. Nada era considerado segredo ou tabu. Discutia-se tudo, desde assuntos do dia a dia, a convivência, leis civis, como questões de nível espiritual, ligadas à religião.

O resultado de tais debates era um nível cada vez mais elevado de consciência de todas as pessoas. Mesmo tendo nascido em lares mais humildes, gradativamente se aprimoravam, atingindo patamares invejáveis de domínio de vários assuntos, além de um desempenho aceitável em outros, em que tinham menor nível de interesse. De tal forma o progresso cultural geral era simplesmente vertiginoso. Em poucos anos, os avanços cobriam o que em tempos idos, demoraria décadas e mesmo séculos.

As reuniões de toda natureza, eram sempre precedidas de um momento de preces, adoração e louvor ao Pai Universal. Dessa maneira as mentes e corações ficavam predispostos ao diálogo profícuo, trazendo benefícios a todos os participantes. Os líderes religiosos, muitas vezes presentes a essas reuniões, geralmente observavam o desenrolar dos debates, apenas interferindo quando solicitados. Tinham a finalidade de confirmar o rumo das discussões ou sugerir alguma mudança sutil, para dirigir o foco sobre o objeto mais importante. Esses líderes, passavam grande parte de seu tempo em atitude de contemplação e adoração. Suspeitava-se que tinham uma espécie de diálogo com seu anjo da guarda, junto com a Centelha Divina. Posteriormente costumavam fazer breves preleções aos participantes de reuniões de adoração. Suas mensagens pareciam ditadas pelo próprio Filho Criador, ou talvez o Pai Universal. Com certeza, em algum tempo, muitos destes atingiriam o momento de fusionamento com suas Centelhas. Talvez eles estivessem conscientes de tal fato, porém mantinham silêncio a respeito, pois não convinha causar alvoroço.

Na vida diária no planeta, a produção industrial, agrícola, artesanal, artística era direcionada para suprir as necessidades de todos, sem distinção. Não mais existiam as chamadas “grandes fortunas”, de forma que instituições como bancos, conglomerados industriais ou comerciais, não tinham predomínio de grupos de pessoas na composição de seu capital. A maioria era de propriedade pública, ou seja, todos os cidadãos de uma nação eram igualmente proprietários de tudo, de modo que tinham o direito ao consumo dos produtos, bem como ao usufruto dos lucros gerados. Havendo um governo central planetário, soberano sobre os governos locais de cada continente ou nação, era de sua atribuição zelar pelo equilíbrio na distribuição de todos os benefícios. Havia normas e instâncias de controle destinadas a evitar manifestações egoístas de uma ou outra pessoa, ocupante de posições mais elevadas.

A seleção para ocupar os cargos mais diversos, era procedida de forma rigorosa, destinando cada um aos postos em que demonstrasse maior aptidão. Assim ocorria a otimização no uso dos recursos humanos disponíveis, transformando toda estrutura em uma “máquina” eficiente. Os pontos deficientes eram constantemente identificados e soluções buscadas para evitar as possíveis perdas. Com cada um ocupando uma posição condizente com sua habilitação, o ambiente geral era de satisfação e contentamento. É fato notório que trabalhamos com mais dedicação e eficiência se fazemos o que gostamos e temos capacidade de fazer. Qualquer cidadão tinha o direito de apontar falhas existentes, por meio de sistemas de auditoria. Nenhuma reclamação, sugestão ou ideia era menosprezada.

Havia em toda atividade uma equipe altamente treinada que se encarregava desses assuntos. Recebiam as reclamações, sugestões ou ideias e dissecavam sob todos os aspectos, testando sua viabilidade de implantação, antes de qualquer mudança. Era preciso evitar que, ao tentar corrigir um problema, não fosse criado outro maior e prejudicial. Uma vez comprovada a validade da contribuição, eram tomadas as providências necessárias para a implementação das mudanças cabíveis.  Isso resultava no constante aprimoramento de todos os processos, sejam na área industrial, serviços e agricultura ou artes. Desse modo, cada um podia observar, depois de algum tempo, se a sua contribuição estava sendo posta em prática. Muitas vezes o autor era convocado para participar das discussões. Em caso de inviabilidade de aplicação, recebia as explicações e promessa de desenvolvimento de pesquisas mais avançadas, visando resolver o problema ou dificuldade. Ninguém ficava sem receber satisfação de suas participações em qualquer assunto.

Sentindo-se valorizados dessa forma, os cidadãos confiavam em todo sistema administrativo existente. Podiam participar livremente de todas as instâncias de decisão, bastando ter vontade. A grande diversidade de setores, não permitia que todos participassem de tudo, uma vez que cada um tinha suas ocupações próprias a desempenhar. Isso por vezes surpreendia alguns, ao se depararem com novidades que pareciam ter surgido do nada, porém haviam ficado um período relativamente longo em desenvolvimento. Alguns desentendimentos eram sempre esperados. É quase desde sempre que se sabe desse fato. Cada cabeça corresponde a uma sentença, gerando invariavelmente algumas dificuldades. Nestes momentos os outros entravam em ação para apaziguar os ânimos e, em caso de necessidade, uma autoridade era chamada para mediar a questão. Isso geralmente bastava para restabelecer a normalidade.

A sociedade orientiana em geral tendia a uma gradual uniformidade, respeitadas as diferenças de aptidões naturais de cada indivíduo. A identificação dessas era preocupação sempre presente desde o nascimento de uma criança. Além do aprendizado geral, era dirigida no sentido de aprimorar ao máximo seus dons naturais. Desse modo era raro encontrar um profissional de qualidade inferior. Havia sim, diferenças entre eles, mas seu trabalho sempre apresentava o máximo de eficiência e precisão. Poderiam diferir em detalhes e minúcias, mas os clientes jamais ficavam insatisfeitos com alguma coisa, apesar do fato de, junto com a evolução geral, o nível de exigência de todos atingir patamares bem mais altos. Os museus estavam cheios de objetos, equipamentos que, poucas décadas antes eram tecnologia de ponta. Nesse momento eram olhados como curiosidades há muito ultrapassadas por coisas mais modernas e eficientes.

A ciência avançara de modo extraordinário, tendo desvendado os segredos de novas fontes de energia, que não exigiam a produção de rejeitos altamente poluentes. Em outros casos esses rejeitos tinham outras aplicações, onde sua toxicidade ou poder destruidor eram aproveitados para novos produtos, tornando-se inofensivos.  Isso permitia que se realizassem viagens orbitais e mesmo até os satélites Selington e Single. Ali haviam sido instaladas colônias que eram constantemente abastecidas de mantimentos e oxigênio para respiração, enquanto equipes se revezavam na extração de minérios ali descobertos em quantidade superior à existente no planeta. Também serviam para destinar algumas formas de sucata impossível de ser reciclada pela tecnologia existente até o momento. Para evitar poluir o ambiente, eram levadas para locais onde eram retirados minérios na superfície dos satélites e cobertos para não ficarem expostos.

A energia utilizada era limpa e dispensava propulsores de grandes dimensões. Isso aumentava a carga útil de forma significativa, permitindo a reutilização dos mesmos veículos em um grande número de viagens sucessivas. Havia uma espécie de linha regular de pontos estratégicos na superfície do planeta, para o solo dos satélites. Os mesmos veículos eram capazes de pousar tanto em um como em outro, bem como deslocar-se entre eles, sem nenhuma dificuldade. A mesma forma de energia era empregada no transporte na superfície. Havia veículos sobre rodas, mas as grandes cargas e viagens longas, com objetivo de chegar ao destino depressa, eram feitos em veículos voadores, apropriados para o tipo de transporte desejado. Eram também adaptáveis com algumas rápidas modificações para se adequar a cada modalidade.

Em vista dessa possibilidade, as estradas existentes por toda parte, eram finamente pavimentadas e serviam especialmente para pequenas viagens de lazer. Isso fazia o pavimento tornar-se altamente durável. Havia também veículos de deslocamento aéreo, para distâncias menores e que dispensavam o uso de estradas, tampouco necessitavam de pistas de pouso. Decolavam e pousavam na vertical com extrema facilidade. O que diferenciava os veículos de grande porte e os de pequeno porte no ar era a altitude de voo. Assim, as rotas ficavam isentas de interferências entre os dois tipos de veículos. Com essa facilidade colocada à disposição da população, as viagens eram constantes. Eram poucas as pessoas que não haviam percorrido em viagens, mais ou menos longas, grande parte da superfície do planeta. Tanta movimentação das pessoas fazia o intercâmbio cultural e religioso ser cada dia mais intenso. A consequente uniformização, tanto num como noutro aspecto, era cada vez maior.

Durante muito tempo os astrônomos perscrutaram o espaço sideral com equipamentos óticos, localizando galáxias, nebulosas, estrelas de vários tipos, buracos negros, constataram a expansão do universo, o surgimento e desaparecimento de astros que acontecia diariamente em algum recanto do universo. Havia, além de Orient, orbitando a estrela Espectron, outros 11 planetas. Alguns em órbitas mais próximas, desprovidos de vida, outros maiores e em órbitas mais abertas, onde havia possibilidade de existência de alguma vida. O maior deles, dispunha de um satélite, cujas dimensões eram semelhantes às de Orient, levando a supor que ali houvesse possibilidades de existir alguma forma, mesmo que incipiente, de vida. Para comprovar estas suposições, só realizando viagens por meio de sondas automáticas para investigar.

As novas fontes de energia, permitiam alcançar velocidades bem elevadas, porém muito distantes da velocidade da luz, o que tornaria as viagens a esses locais remotos bastante dificultadas, especialmente para levar tripulantes. Seria necessário ter certeza da existência de vida no destino, permitindo o reabastecimento e obtenção de alimentos. De outra forma essas viagens seriam nada mais do que temeridade, pois poderiam significar a condenação dos tripulantes a uma morte em condições inimagináveis. Um projeto detalhado de naves capazes de levar diversas sondas menores, equipadas para variadas operações, obtenção de imagens, análise de composição da atmosfera, eventuais formas vegetais e, quem sabe animais, se eles existissem. O programa foi projetado para ter a duração de trinta anos, desde as primeiras viagens de sobrevoo e obtenção de imagens à distância, o que permitiria formar uma ideia do que era possível existir nas camadas mais baixas e na superfície. Enquanto esses voos iniciais eram realizados, uma ampla variedade de equipamentos sofisticados foi desenvolvida para integrar as sondas pioneiras em sua aproximação da superfície do satélite visado. Se fossem constatadas condições propícias, poderiam realizar pousos e coleta de material para estudos. Esperava-se dispor, ao final do projeto, de informações suficientes para decidir sobre a possibilidade de enviar tripulantes para o solo do satélite.

Mesmo sem ter certeza sobre essa possibilidade, já foi criado um programa de preparação de eventuais pioneiros a serem enviados nessas viagens interplanetárias. Mesmo cientes de que essa viagem poderia jamais ser realizada, os integrantes do programa se dedicavam com todas as energias ao programa de treinamento. Eram iniciados ainda crianças, em plena infância, para que, se viessem a realizar as primeiras viagens, estivessem em idade de pleno vigor físico. Não seria possível preparar alguém em pouco tempo ou que já estivesse em idade mais avançada. Mesmo ainda gozando de todas as suas faculdades, um indivíduo de idade mais avançada, poderia não ter mais o vigor exigido para situações extremas em uma aventura dessa natureza. As lideranças religiosas não se opunham a esses programas espaciais, uma vez que cabia a cada população avançar até o ponto máximo possível no domínio das ciências. Desenvolver tecnologia era parte dos desígnios do Pai. Quanto mais pudessem avançar, melhor. Isso aceleraria o processo de alcançar o ingresso na Era de Luz e Vida pelo planeta.

Havia em órbita do planeta uma grande quantidade de satélites artificiais, com as mais variadas finalidades. Tanto de pesquisas ambientais, comunicações, providos de potentes equipamentos de obtenção de imagens, perscrutando as profundezas do universo em todas as direções e sentidos. Enviavam em sucessão interminável imagens de todos os tipos, que por sua vez eram informadas a poderosas centrais eletrônicas, onde eram analisadas em todos os detalhes. Tais informações eram confrontadas com um enorme número de astrônomos amadores existentes em todo globo. Embora não dispusessem de tanta tecnologia, dispunham de uma coisa diferente. Seus olhos, capazes de perceber pequenas diferenças, que os “olhos” eletrônicos não conseguiam ver. Assim eram feitas inúmeras descobertas sobre os mais variados corpos celestes existentes em lugares nunca imaginados.

As primeiras viagens destinadas a investigar as condições do satélite de um dos 12 planetas que orbitam Espectron, tiveram início após cinco anos de pesquisas gastos no desenvolvimento da capsula com os equipamentos necessários, bem como o propulsor capaz de levar o conjunto em viagem de ida e volta. Algumas informações essenciais seriam obtidas somente com o retorno da nave. Daí o empenho em prover condições de trazer o equipamento de volta. Algumas transformações que seriam possíveis de ocorrer na estrutura, só seriam conhecidas com uma análise detalhada. Se o objeto se perdesse no espaço, estas informações ficariam para sempre desconhecidas. Se não existissem, talvez fosse melhor, pois permitiria a reutilização do equipamento, uma vez padronizado, depois de submetido a modificações de atualização de dispositivos.

A viagem de ida, demorou dois meses e meio. O envio de imagens detalhadas teve início, sendo que cada uma delas demorava aproximadamente meia hora para chegar, depois de ser transmitida pela nave. No entanto elas, uma vez iniciado o fluxo, chegavam em sucessão quase ininterrupta, salvo nos momentos em que inexistia luz para a formação de imagens. Um equipamento em infravermelho seria parte da próxima viagem, para ser possível fazer imagens na face escura do satélite. As primeiras impressões foram as melhores possíveis, porém seria necessário fazer uma análise criteriosa antes de ser possível fazer qualquer juízo mais definitivo. Ao que parecia havia, na superfície do satélite, batizado de Luxor pelos astrônomos, alguma forma de vegetação. Ainda não era possível dizer se eram árvores ou se era vegetação mais rasteira. Isso exigiria mais imagens e novas observações em condições diferentes, ajuste de definição dos equipamentos. Mesmo assim o feito foi comemorado como sendo um êxito memorável. A nave ficou circulando em órbita de Luxor por uma semana, variando a órbita constantemente, para assim obter imagens de uma parte maior da superfície.

Ao final da sequência a nave acelerou e retomou o caminho para casa. O fato de já estar em órbita, tornou mais rápido o início da viagem de regresso. Não havia a necessidade de vencer a imensa força da gravidade existente ao partir da superfície. Havia sido feita a medição da gravidade do satélite e o resultado foi condizente com o valor que havia sido calculado pelos astrônomos. Uma variação para menos, menor que 1%, o que é pouco significativo. Ao final de pouco menos de seis meses, depois da partida, a nave pousou suavemente no ponto previamente calculado. Um grupo ansioso de cientistas e engenheiros se aproximou com cuidado. Fez-se medições de radiação para identificar eventuais problemas dessa natureza. Para tranquilizar, não foi constatado nível adicional de radiação do que seria possível esperar de um objeto que percorrera uma distância imensa, indo e voltando até as proximidades de um satélite distante.

Logo depois as escotilhas que permitiam o acesso ao interior foram abertas e os equipamentos foram retirados um a um, para análise de possíveis danos sofridos e identificar detalhes que deveriam ser aperfeiçoados para missões futuras. A previsão para o próximo lançamento era para dali a seis meses, se nada viesse a interferir com os planos. Enquanto isso, a imensa quantidade de imagens recebidas, vinha sendo analisada e pouco a pouco se conseguia identificar detalhes da superfície de Luxor, até pouco tempo impossíveis de saber. De fato, existia vegetação, mas ainda não fora possível determinar a provável altura da mesma. Provavelmente isso só seria possível saber quando as sondas menores pudessem pousar na superfície e fazer imagens a partir de posições mais adequadas. Havia uma boa área da superfície sem vegetação, que poderia ser de oceanos, assim como poderiam ser desertos. Só mesmo mais informações futuras tirariam essas dúvidas.

Além do que poderia ser interpretado como oceanos, havia também os longos riscos, que se assemelhavam a cursos de água, ou seja, rios. A existência de vegetais, deixava evidente a presença de água no satélite Luxor. Restaria saber em que quantidade o líquido estava presente. Conhecer a composição da atmosfera, coisa que com as imagens obtidas de centenas de quilômetros de altura, era difícil. Permitiam ter uma ideia, mas nada definitivo. O importante era que o primeiro passo fora dado e se mostrara um êxito a trazer promessas de novos horizontes que se descortinavam diante da humanidade existente em Orient. A densidade demográfica havia alcançado um limite que não era seguro ultrapassar, sob pena de haver riscos sérios ao equilíbrio ambiental. O uso, na atualidade, de energia limpa, eliminara o perigoso uso da combustão que produz gases produtores do efeito-estufa. Um intenso programa de reflorestamento, em todos os espaços disponíveis, conseguira reduzir o nível desses gases a patamares aceitáveis, depois de terem atingido limites altamente perigosos.

Em cada estado havia um local onde uma parte dos pioneiros vindos de Urantia estavam sepultados. Eram locais preservados e tratados com muito respeito. Todos os seres humanos existentes naquele planeta, eram descendentes daquele grupo de pouco mais de 18 mil pessoas, vindas em transportadores celestes, através do espaço. O passado deles ficava num planeta impossível de ser visto dali onde estavam. Muita gente se perguntava como estaria o planeta de onde seus antepassados distantes haviam vindo. Já teriam superado as dificuldades que eram próprias de um planeta isolado e desprovido de muitas coisas que para eles não haviam faltado. O fato de terem sido preparados para um processo de repovoamento neste planeta, desabitado temporariamente, lhes trouxera algumas facilidades. Dessa forma estavam se aproximando do momento de ingressar na Era de Luz e Vida.

Os grandes mestres como o filósofo Zósteles, o mestre de luta com as mãos vindo do Japão, Iagushi Tomishi, o agrônomo egípcio Alek, os metalurgistas e um bom número de outros que, além de ensinar suas artes também haviam aderido à força de colonização. Seus restos mortais repousavam em um mausoléu especialmente construído para tal fim e, sempre que possível, as pessoas peregrinavam até ali para render homenagens à memória deles. Ali também estavam sepultados Minck e Edith, junto com os principais líderes da primeira hora. Na época de maior intensidade da peregrinação, na cidade que surgira onde haviam chegado ao planeta, eram realizadas competições esportivas, especialmente na área de lutas. O mestre japonês vivera até idade avançada, sempre ensinando sua arte e aperfeiçoando as técnicas, tornando-as mais eficientes e seguras. Essas competições eram quinquenais e a cidade havia sido batizada com o nome Minkling, em homenagem ao líder Mink. A província central tinha o nome de Zostelon, homenageando o filósofo, vindo da Grécia.

Nos países todos havia competições anuais, visando classificar os melhores atletas, para participar do evento geral que ocorria a cada cinco anos. Uma grande variedade de competições fazia parte desses jogos, envolvendo demonstrações de força, velocidade, agilidade e precisão. Eram sempre um momento de grandes demonstrações fraternas. O espírito competitivo não impedia a fraternidade entre todos os atletas e seus preparadores. A população da cidade ficava multiplicada com o grande afluxo de atletas e suas equipes, bem como outras pessoas que vinham para assistir às competições. Os aplausos eram gerais, cada vez que um limite era ultrapassado. Assim os competidores eram estimulados a se empenhar mais ainda, visando superar os próprios limites, bem como os dos outros melhor colocados. Cada final de uma modalidade era festejada com uma confraternização, entre todos os competidores e demais envolvidos.

No programa de treinamento de possíveis passageiros das naves do futuro, que visitariam o satélite Luxor, os encarregados buscaram inspiração e ensinamentos nos escritos deixados pelos pioneiros, especialmente por Minck, Zósteles e outros mestres. Eles haviam vivido o período de aproximadamente vinte anos, desde o primeiro contato do anjo Arki com Minck, até a madrugada do embarque para a grande aventura. Tudo isso parecia tão distante no tempo, dando a impressão de haver transcorrido uma longa era e haviam se passado apenas 1200 anos desde aquela epopeia. Hoje estavam em vias de enviar seres humanos para um local distante no espaço, usando veículos de sua própria fabricação, não mais vindos do espaço cósmico. Eram mais lentos é claro, mas até aquele ponto, imensas dificuldades haviam sido superadas. Avanços fantásticos tinham sido realizados por sucessivas gerações de cientistas, pesquisadores, engenheiros e especialistas de toda sorte.

Todos estavam agradecidos pelo progresso alcançado e o recente sucesso do primeiro voo sonda até aquele local remoto, com o posterior retorno incólume. Depois de mais uma série de missões, teriam condições de inserir mini naves, capazes de pousar no satélite, em locais escolhidos previamente. Só depois de muitas informações, seria viável enviar pessoas nessa aventura. Todo esse processo estava projetado para ser realizado naqueles 30 anos iniciais. Cinco já haviam transcorrido, o que deixava ainda outros 25 anos, com possíveis prorrogações de prazos, se assim fosse necessário. Os futuros astronautas estavam agora com idades entre 5 e 10 anos de idade, tendo todas suas funções cuidadosamente monitoradas, para que, ao chegar o grande momento, não restassem dúvidas sobre a viabilidade do projeto.

O lançamento da segunda missão, ocorreu no prazo previsto, levando a bordo várias inovações em equipamentos novos e outros aperfeiçoados, visando obter novas informações a respeito da superfície e vegetação de Luxor. O tempo de viagem para ir foi aproximadamente o mesmo, porém a permanência foi estendida para duas e depois três semanas, pois surgira a possibilidade de obter imagens não imaginadas na preparação. Quanto mais informações pudessem obter com uma missão, menos gastos seriam necessários, além de tornar o processo futuro mais fácil e abreviado. Se na primeira viagem o volume de informações obtidas era enorme, o da segunda ficou muito além das próprias expectativas. Foi possível detectar a existência de vida animal, as grandes áreas desprovidas de vegetação, eram predominantemente oceanos, além de alguns desertos. Os rios foram confirmados.

Os oceanos eram habitados por enormes animais marinhos, cujas imagens, foi possível identificar com técnicas novas que haviam sido recentemente desenvolvidas. Isso tornava a previsão de viagens tripuladas no futuro, em uma quase certeza. Faltaria descobrir se havia alguma espécie de vida inteligente. Se isso se confirmasse, a possibilidade de viagens tripuladas mudaria de perspectiva. Era importante identificar o nível de desenvolvimento que haviam atingido. Se a vida se restringisse apenas a espécies animais, não haveria problemas nesse sentido. Se a atmosfera fosse adequada para seres humanos, estaria tudo resolvido.

Enquanto os cientistas avançavam em suas pesquisas e desenvolviam novas tecnologias, os possíveis astronautas cresciam e se preparavam para a viagem que esperavam realizar. Muitos dos que haviam sido iniciados no programa, apresentaram algum problema durante o desenvolvimento da preparação e eram afastados. Depois eram encaminhados para algum outro programa, onde este problema não era empecilho. Não era fácil frustrar as expectativas de alguém que vivera na esperança de viajar pelo espaço, porém, não lhes seria permitido arriscar a vida desse candidato, uma vez que sua ida poderia significar problemas, inclusive a morte, como consequência. Dessa forma, quando o programa prévio concluiu que era viável enviar tripulantes e que estes teriam condições de segurança para visitar o satélite e trazer as impressões pessoais, que nenhuma máquina consegue dar. Nesse momento os candidatos a tripulantes estavam prontos para isso. Faltaria concluir a nave, ultimar o treinamento para tripulá-la e resolver possíveis emergências que poderiam ocorrer. Esse processo demorou aproximadamente um ano e seriam seis pessoas, três homens e três mulheres que iriam na primeira viagem. Os melhor preparados seriam os pioneiros do espaço. A data do início da viagem foi marcada.

No dia indicado, uma nave de dimensões maiores que vinha sendo desenvolvida e testada há vários anos estava na plataforma de lançamento. Os seis escolhidos embarcaram e ocorreu a contagem regressiva, antes do lançamento. Os demais desejaram, por meio de sistemas de rádio, boa viagem e feliz retorno a todos. Iniciava-se um período de mais de dois meses em que os viajantes ficariam confinados em um espaço bastante exíguo, o que exigia deles o uso de todo seu treinamento. Só quem passava pela experiência sabia o significado dessa condição. Além desse confinamento, o movimento constante em velocidade elevadíssima, com cerca de um décimo da velocidade da luz, também trazia seus efeitos. Era impossível simular esse efeito integralmente. Várias tentativas haviam sido realizadas, mas nenhuma fora plenamente bem-sucedida.  Isso era motivo de preocupação para os responsáveis pela missão.

Uma equipe de especialistas em psicologia e comportamento em condições especiais, ficava diuturnamente de plantão, para entrar em ação se alguma dificuldade surgisse com os tripulantes. Graças a Deus todos se comportaram maravilhosamente e chegaram ao momento do pouso em Luxor, em boas condições. Um programa de exercícios impedira seus músculos de atrofiarem, dificultando seus movimentos no momento do desembarque. Um a um desceram, munidos de instrumentos de defesa especial, para evitar o possível ataque de algum animal nativo. Porém nada aconteceu e demoraram algum tempo até verem os primeiros sinais de vida. Foram espécies semelhantes às aves existentes em Orient que se permitiram ser vistos primeiro.

Seus corpos eram revestidos de modo similar, com cores bem vibrantes e gritos estridentes, como também alguns com vozes mais graves e mesmo guturais. Algumas plantas apresentavam algo semelhante a flores e começaram a procurar por frutos. Depois de explorar as proximidades do local de pouso da nave, decidiram descarregar o material destinado a armação de um abrigo em que iriam se proteger de possíveis intempéries locais. O solo era firme e de cor avermelhada em alguns pontos e em outros puxando para o amarelado, especialmente nos locais mais baixos, próximos ao nível de cursos d’água ou oceanos e lagos. Antes de findar o período luminoso, haviam montado a parte básica do abrigo, o que lhes permitia se abrigar até a próxima fase clara. Não havia uma nítida distinção em dia e noite, pois sendo um satélite, orbitando um planeta, os períodos de insolação e escuridão eram bem diversos, ocasionados pelos movimentos simultâneos em torno do planeta, bem como o movimento deste em torno da estrela.

Sem demora, fecharam a nave para que nenhuma surpresa fosse preparada durante o período escuro e se recolheram para o interior do abrigo. Por algumas escotilhas de material transparente, podiam observar os arredores, por meio de lentes de raios X e assim observar a movimentação de animais amigos da escuridão. Conseguiram ver uma variada fauna noturna. Este período durou algumas horas, e o novo período de claridade era mais intenso, pois os raios de Espectron chegavam com mais força. Mesmo assim era necessário usar vestimentas especiais, pois as temperaturas eram bastante baixas. O estranho é que as plantas estavam adaptadas e essa condição, parecendo não se importar com a aparente falta de calor.

No novo período de claridade, coletaram grande quantidade de amostras de partes de várias plantas, fazendo imagens e registros em movimento de todas as espécies, sendo que assim poderiam ter maior possibilidade de identificar suas características depois do retorno para casa. Capturaram alguns exemplares de insetos, tanto terrestres como aéreos, que precisavam ser imobilizados, mas não mortos. Isso implicaria em identificar seus alimentos e providenciar um sortimento deles para mantê-los vivos, pelo menos até chegarem em casa. A previsão de permanência ali era de uma semana, pois um período maior, exigiria um maior estoque de alimentos para os tripulantes. Isso trazia o inconveniente de disponibilidade de espaço. Quanto mais carga, maior precisava ser a nave, o que exigiria mais energia, menos velocidade, tornando o processo por ora ainda difícil.

Em determinado momento começou a escurecer, porém, pouco tempo depois, voltava a clarear. É que o planeta se interpusera entre o satélite e Espectron, sem impedir totalmente a luz de chegar. Não era fácil se acostumar com as variações de dias, noites e quase noites ou também, quase dias. Seria divertido, depois de se habituar o corpo a dormir nos momentos adequados, ou então, criar um calendário adequado. Os próximos dias foram de intensa atividade. Inclusive capturaram alguns animais aquáticos, semelhantes à peixes e ficaram tentados a experimentar se serviam para comer. Haviam recebido instruções para não se expor ao risco de comer alguma coisa, que poderia não ser adequado ao seu organismo. Era necessário fazer um estudo prévio, antes de poder ingerir alimentos encontrados no satélite. Por mais apetitoso que parecesse, não era possível saber a eventual toxicidade. Toda precaução era necessária. Levariam o limite de carga permitido para a nave, de material para análise.

Curitiba, 14 de junho de 2016 (Atualizado em 23/08/2016)

Décio Adams

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