Fantástico mundo novo! – Vol. III – Recomeço em Orient. Cap. VIII – Novos avanços em Orient.

  1. Novos avanços em Orient

 

Em prazo menor do que o previsto, os obstáculos foram superados. Naves, capazes de mover-se com velocidades bem próximas à da luz, haviam sido desenvolvidas e os autômatos, integrados à parte interna da nave, mas que, depois do possível pouso em algum local remoto, poderiam desprender-se e executar algumas tarefas no exterior. Poderiam ser programados para agir de modo autônomo por algum tempo, antes de precisarem se reconectar ao sistema da nave e transferir as informações coletadas aos dispositivos de memória central. Isso permitiria a realização de explorações em lugares situados a distâncias consideráveis, mesmo que houvesse necessidade de ficar algum tempo sem contato com a nave, por conta da distância. Não havia como enviar comandos por outro meio que não fossem as ondas eletromagnéticas.

Nos últimos meses haviam surgido esperanças novas. Um pequeno grupo de cientistas, havia conseguido detectar a possibilidade de transmitir sinais por meio de uma espécie de onda gravitacional. O processo era complexo, mas prometia resultados, depois de dominado, capazes de surpreender. Estava-se no momento na fase de determinação da velocidade de deslocamento de tais sinais. Era um número inconcebível dentro dos limites até agora conhecidos. Faltavam parâmetros para comparação, uma vez que se tratava de um processo completamente novo. Se houvesse possibilidade de atrelar as naves a esses deslocamentos, as viagens ficariam imensamente reduzidas em suas durações, mas as previsões eram de que isso se tornaria possível dentro de 200 a 300 anos somente. Enquanto isso teriam que fazer uso do que tinham disponível, avançando até onde o atual estágio lhes permitia chegar.

Havia vários centros de pesquisas espalhados por toda superfície do planeta. Cada um tinha a seu cargo desenvolver determinada tarefa, cujos resultados depois eram repassados aos demais grupos, de modo a permitir a integração do todo. Com frequência eram promovidas reuniões entre os principais integrantes e diariamente havia comunicações, por um sistema de conferências virtuais, possibilitadas pelas modernas comunicações. Isso evitava as viagens, por mais velozes que fossem os veículos de transporte. Bastava apertar algumas teclas, ou botões, digitar alguns comandos e logo se tinha os maiores cérebros disponíveis no globo, reunidos em uma conferência como se estivessem materialmente frente à frente. Só faltava poderem se tocar fisicamente.

Quando surgia algum ponto de discordância, os líderes dos grupos tomavam providências para que as arestas fossem aparadas.  Não convinha haver pontos de atrito, suscetibilidades feridas que iriam atrasar os encaminhamentos das diferentes pesquisas. A amplitude do campo a ser mapeado e decifrado era tamanha que a perda de energia vital com picuinhas como ciúmes, sentimentos de inveja ou orgulho ferido, seria um desperdício imperdoável. Havia um número elevado de especialistas em psicologia e ciências comportamentais, trabalhando em associação com os cientistas, pois é sabido que estes, muitas vezes, ficam ofendidos ou magoados por coisas insignificantes. Era essencial manter o nível de bom relacionamento entre todos eles. Se acontecia algum fato mais sério, habitualmente se realizava um dia ou dois de descanso especial. Todos eram envolvidos em atividades recreativas, eliminando dessa forma o elevado nível de tensão produzido habitualmente pelos longos períodos de concentração, debruçados sobre um problema, cuja solução parecia não aparecer.

Todo esse esforço, gradualmente produziu resultados. Como um imenso exército, o grande número de cientistas ia derrubando os obstáculos, um pouquinho a cada dia. Uma equipe de revisores vinha depois, checando todos os avanços, testando as novidades para eliminar qualquer possibilidade de enganos fortuitos. O objetivo era impedir que se desperdiçasse energia e dedicação na continuação de uma linha de pesquisa, que se mostrara falha em sua lógica inicial. Quando isso acontecia, reuniam-se os envolvidos, discutiam-se todos os detalhes minuciosamente, verificavam-se novamente todos os passos, até comprovar o engano, ou então confirmar a validade do procedimento. Nestes momentos era primordial a presença dos profissionais comportamentais, pois nada frustra mais um pesquisador do que a demonstração de uma falha em sua linha de pesquisa. Facilmente ficam ressentidos e podem ficar agressivos, o que não é desejável de modo algum.

Todos esses fatos eram do conhecimento dos psicoterapeutas e não mais se surpreendiam com algumas explosões temperamentais. Com toda calma do mundo eles criavam um clima de descontração, faziam baixar o nível de excitação e retomavam as discussões, somente quando os ânimos estavam serenados. Palavras ásperas trocadas entre dois ou mais cientistas, podiam pôr a perder o trabalho de longos anos. Dessa forma foi possível reduzir as desavenças a um nível bem abaixo do habitual, em tempos pretéritos, quando estas providências não haviam sido implantadas. Era evidente o ganho em rapidez no desenvolvimento das pesquisas, bem como o estabelecimento de um ambiente de harmonia e fraternidade entre os técnicos, pesquisadores e cientistas. Nos momentos de descanso, reuniam-se todos em um imenso salão, ficando proibido, nesse momento, falar de trabalho. Era hora de descontração, de contar anedotas, fazer brincadeiras uns com os outros ou mesmo participar de pequenos jogos inocentes.

Terminado o período de descanso, todos retornavam às suas bancadas ou laboratórios, onde desenvolviam seus trabalhos com afinco. Cada cientista máster, tinha ao seu redor um séquito de seniores e juniores, bem como técnicos da área. Também havia os especialistas de áreas correlatas ou congêneres, que abordavam o mesmo problema sob outro ângulo, pois era preciso usar de todos os meios viáveis para transpor as dificuldades. A cada vitória, um pequeno clamor, um sentimento de euforia se espalhava nos arredores do local em que o avanço ocorrera. Em questão de poucos minutos, o centro inteiro ficava ao par e um pouco depois, também os outros centros espalhados ao redor do planeta tomavam conhecimento. Habitualmente, a cada avanço realizado, uma pequena conferência era realizada para informar os detalhes e o nível em que tudo ocorrera. Possíveis sugestões e aplicabilidades eram coletadas. Outras vinham depois, quando os especialistas de outros centros ou áreas terminavam de “ruminar” a nova informação.

Eram comuns as conferências para estabelecer novas metas, em vista das conquistas alcançadas nos últimos dias. Muitas descobertas eram feitas um pouco “sem querer”, como uma espécie de subproduto da pesquisa principal. Mesmo assim, não raro, eram de tamanha importância que chegavam a geral nova linha de pesquisas, buscando utilizações para o fenômeno constatado. É comum dizer-se nos meios científicos, que a resposta a cada indagação no mundo das ciências, suscita uma dezena ou mais de novas indagações, de modo que o número de questões aguardando respostas só faz aumentar. Mesmo assim, cada pesquisador persegue seu objetivo com tenacidade e obstinação. É prejudicial à consecução dos objetivos gerais a manutenção de conhecimentos ou fatos como segredo de um ou dois indivíduos, constituindo-se em um comportamento mesquinho. Devido à grande diversidade de alvos a alcançar, é importante a soma de esforços em lugar da divisão ou dispersão dos mesmos.

Enquanto a multidão de cientistas de ponta, buscando desvendar novos segredos da natureza, outros, especialmente engenheiros, usavam os conhecimentos já dominados e desenvolviam aplicações em imensos centros tecnológicos. Praticamente todos os dias eram anunciados novos produtos, novas funcionalidades de outros já existentes. Dessa forma, a vida das pessoas se limitava cada vez mais a atividades de recreação, estudos, adoração à Divindade, desenvolvimento artístico e convivência em geral. A jornada de trabalho estava reduzida à no máximo quatro horas diárias, ficando o restante do tempo à disposição das pessoas para usufruir dos benefícios inumeráveis que a ciência e tecnologia lhes ofereciam.

Havia uma preocupação constante de parte das autoridades civis e religiosas para manter todos ocupados em atividades que proporcionam prazer, felicidade e bem-estar. Era comum as pessoas executarem trabalhos voluntários, onde faziam o que gostavam, sem visar remuneração. Seu sustento e manutenção estavam garantidos com a atividade profissional. Os chamados “hobbies” eram a ocupação de grande parcela da população, na maior parte do seu tempo. Mesmo não existindo cobrança em termos de cumprimento de horário, estabelecimento de metas a atingir, todos se empenhavam em alcançar o máximo de êxito nessas atividades. Cada um estabelecia suas próprias metas ou o grupo envolvido numa atividade se impunha um objetivo a atingir. O resultado era que, ao chegar ao final da jornada, isto é, ao fim do dia, estavam confortavelmente cansados, fisicamente relaxados e prontos a ter um período de descanso restaurador.

Na manhã seguinte, quase que na mesma hora, a maioria estava em pé. Os vizinhos se saudavam alegremente, trocando palavras amistosas e pilheriando uns com os outros. O novo dia começava animado. O planeta inteiro parecia literalmente um formigueiro, onde todos sabem o que vão fazer naquele dia, quais as tarefas que irão desempenhar. Era pouco comum ver alguém dando sinais de preguiça ou falta de vontade de enfrentar o dia. Quando isso acontecia, geralmente era sinal de alguma enfermidade se instalando. Os familiares, sem demora, providenciavam para que os profissionais de saúde viessem em casa ou levavam o indivíduo até uma casa de saúde. Dependia do estado geral.

Os mais idosos, quando já estavam com o organismo desgastado, eram mantidos por um sistema de pecúlio, garantindo sua saúde, alimentação e cuidados gerais. Como isso acontecia agora em torno da faixa entre os 150 e 200 anos de vida, havia mais de um século de contribuições mensais acumuladas, investidas e os lucros revertidos em seu benefício. Dessa forma, não havia falta de recursos para os que não mais tinham forças para desenvolver atividades profissionais. Todos tinham seus rendimentos suficientes e sobejos para suprir suas necessidades. Nessa fase eles se dedicavam à pequenas tarefas domésticas, idas aos centros de adoração, atividades de recreação, espetáculos teatrais, shows musicais e leitura. Mesmo havendo uma grande variedade de formas de entretenimento, a leitura, em meios eletrônicos modernos, era preferida por grande número deles. Ler e imaginar as cenas que o escritor descrevia, as paisagens apresentadas, enfim, criar na mente uma espécie de filme do que o livro dizia, era extremamente cativante e saudável.

Já outros preferiam ver filmes, gravações de shows, assistir palestras ou mesmo programas ao vivo, em auditórios, onde eram captados e transmitidos para boa parte do globo. Participavam de competições culturais, programas de perguntas e respostas, números de prestidigitação, apresentação de animais adestrados, equilibrismo, ginástica e uma grande variedade de opções para diversão. Na medida em que a idade avançava, o nível de dedicação à atividade de adoração, oração, louvor ao Criador tornavam-se mais significativas na vida da grande maioria das pessoas. Passavam longos períodos em meditação, tornando-se nessa situação quase desligados do mundo físico, tamanha era a comunhão que alcançavam com a centelha e consequentemente com o Pai.

Era comum ver, no decorrer das reuniões de adoração, grupos de idosos, que permaneciam estáticos, quase etéreos. Isso estimulava aos mais jovens no seu empenho em estabelecer a sintonia com sua centelha. Recebiam orientações e passavam períodos em exercícios de meditação. Tudo isso gradativamente ia desapegando os indivíduos do mundo material, levando-os para mais próximo do lado espiritual. Sempre havia a expectativa da ocorrência de uma desmaterialização de algum dos mais idosos ou mesmo os mais fervorosos em sua devoção ao lado espiritual da vida. Mas não era algo que acontecesse ainda com frequência. Entre um evento e outro, transcorriam longos períodos de tempo. Não era algo fácil de alcançar. O fusionamento da mente material com a centelha espiritual do divino, exigia um elevado grau de envolvimento do humano com o mundo do além. Quando começava a existir algum foco de gente questionando essa demora, ou dificuldade, em determinado momento, por vezes onde menos era esperado, o fato acontecia.

Os meios de comunicação se encarregavam de divulgar para todos os pontos do planeta a ocorrência. Dessa forma, os que haviam chegado a duvidar, sentiam-se arrependidos e redobravam seu ardor. Participavam mais ativamente de todas as atividades correlacionadas à religião. Trabalhos voluntários, especialmente em atividades menos agradáveis, que exigiam uma dose de renúncia ou sacrifício, tornavam-se mais procurados. Dessa forma os necessitados desses trabalhos, em geral dos bem idosos e doentes, muitas vezes já sozinhos na vida, por serem os últimos sobreviventes de sua geração. Eram poucos em comparação com o número de pessoas existentes, pois existia o estímulo de cuidado com os familiares idosos ou doentes. Eram nessa época raras as doenças, mas ainda existiam algumas pessoas portadoras de deformidades físicas, originadas de sua genética. O gradual aperfeiçoamento da espécie, havia eliminado quase que todas as falhas que existiam no princípio entre os seres humanos.

As anomalias persistentes, eram em grande parte corrigidas pela medicina, no período de gestação ou nos primeiros meses de vida. Ficava um pequeno número de indivíduos que passavam a vida carregando seus problemas físicos daí decorrentes. Ainda era mais comum a existência de indivíduos portadores de deficiências mentais, de origem genética. Para estes não haviam sido descobertas soluções, mas se caminhava-se na direção de sua solução. Talvez ainda demorasse um ou dois séculos, mas, em comparação com a eternidade, isto nada significava.

Depois de realizar as primeiras viagens com sondas guiadas e mesmo “comandadas” por autômatos, que alcançaram os sistemas cósmicos mais próximos, sem tentativas de realizar pousos, mas sobrevoos, a alturas significativas, os cientistas estavam mergulhados em uma verdadeira avalanche de informações. Uma infinidade de imagens, medições de campos magnéticos, gravitacionais, detecção de outras forças de forças existentes no espaço cósmico, tudo demandava longas horas de análise e pesquisa. Para completar, em um belo dia, uma equipe que vinha se dedicando à possibilidade de enviar informações, por outro meio que não as ondas eletromagnéticas, lançou um sinal de sucesso. Haviam conseguido estabelecer a comunicação, entre dois equipamentos, situados a alguma distância, por meio de sinais gravitacionais. Era um leve indício, mas representou um momento de júbilo. Se fosse confirmada essa possibilidade, seria mais fácil enviar pessoas para lugares remotos, uma vez que a comunicação ficaria facilitada, inclusive o envio de comandos para naves não tripuladas se tornaria mais rápido e eficiente.

O pedido de reforço na equipe, suplementação de recursos que fizeram, após uma demonstração convincente do sucesso, foi prontamente atendido. Dessa forma mais especialistas passaram a atuar no setor, acelerando a resolução de alguns problemas que precisavam ser superados. A possibilidade de comunicação por esse caminho existia. Apenas faltavam dominar todos os detalhes. O caminho existia, restava delimitar detalhadamente todos os pormenores. As viagens programadas para aqueles dias continuaram a ser realizadas, pois delas dependiam algumas informações que eram essenciais em alguns setores da pesquisa. Porém as previstas para um pouco mais a frente, sofreram um pequeno remanejamento. Seria muito mais simples se pudessem enviar comandos, que seriam recebidos quase instantaneamente, bem como obter informações igualmente rápidas sobre o que existia ou estava sendo focalizado pelos equipamentos da nave em determinado momento.

Uma vez mostrada a direção, a somatória de esforços trouxe depressa seus resultados. Em pouco mais de dois anos, estava disponível o primeiro sistema de comunicação por via dos campos gravitacionais. A velocidade era incomparavelmente maior. Podia-se dizer que, dentro da galáxia, era quase instantânea a recepção de sinais enviados de qualquer ponto. Assim, as próximas naves que iriam ser lançadas, levariam, além do equipamento antigo, o novo. Era temerário lançar uma sonda ao espaço, apenas com um equipamento ainda não plenamente testado. Ter na reserva o velho e conhecido sistema de ondas eletromagnéticas, era fator de segurança. Os primeiros testes foram feitos nas viagens rotineiras entre Luxor e seus satélites vizinhos, onde a distância era, com as velocidades atuais, algo insignificante. Sequer podiam acelerar até ao máximo, com o risco de colidir ou ultrapassar o ponto.

Depois de um anos e meio de testes, nestas viagens próximas, foi o momento de dar o próximo passo. Agora poderiam construir uma nave com capacidade para levar uma pequena tripulação e arriscar, quem sabe, um pouso experimental em um planeta identificado nas viagens feitas pelas sondas. Tinha boas possibilidades de ser habitável, até mesmo de ter alguma forma de vida. Havia necessidade de mais informações que, uma tripulação poderia trazer de maneira mais concreta e definitiva. A tripulação foi preparada, dentre os mais jovens e hábeis integrantes do significativo contingente de possíveis astronautas. Seriam, ao todo, seis pessoas. Para evitar a questão da solidão ou depressão, foram escolhidos casais, já enamorados ou mesmo convivendo em família. Um deles tinha dois filhos e os outros ainda não eram pais.

Passaram por um período de treinamento e isolamento por vários meses, convivendo apenas entre eles. Como a viagem estava prevista para durar em torno de seis anos, estes cuidados eram justificados. Seria algo terrível se no meio do caminho surgissem atritos graves entre os integrantes da tripulação. Claro que todos sabiam que até mesmo assim isso era algo não afastado de todo. Mas minimizava-se a probabilidade. Quando chegou o dia de lançar a nave, uma multidão estava no espaço onde era permitido ficar nestes momentos. O resto da população estava diante de algum aparelho de transmissão de imagens, mostrando o embarque, a decolagem e o desaparecimento rápido do veículo das telas, ao acelerar à plena potência. Na verdade, essa aceleração era permitida somente depois de afastar-se de uma distância segura. Antes, poderia causar problemas na superfície do planeta.

Quando pudessem viajar a velocidades comparáveis às dos sinais gravitacionais, as viagens de hoje seriam brincadeiras de crianças. Mas até lá ainda havia um longo caminho a percorrer. Se a velocidade próxima da luz, já causava problemas com os organismos, sendo necessário usar o tempo inteiro uma vestimenta especial, capaz de anular esses efeitos, imaginem então velocidades quase infinitamente maiores do que isso. Seria simplesmente inconcebível, sem algum artifício para suprimir esses problemas.

A viagem transcorria conforme planejado, seguindo um roteiro previamente estabelecido. Era impossível deslocar-se em linha reta até o destino. Havia etapas a cumprir e ao longo delas, a nave ia capturando um grande número de informações que eram imediatamente enviadas para Orient. Se as sondas automáticas já haviam fornecido um volume incomensurável de informações, agora, com seres vivos no comando, tudo isso tornava-se mais importante. Detalhes que antes passavam despercebidos, agora ganhavam destaque e relevância. Essa atividade manteve a equipe de bordo em atividade, não permitindo que se estabelecesse a monotonia ou apatia dos tripulantes. Estavam sempre ocupados com alguma atividade, ou em seus períodos de descanso. O período correspondente a um dia havia sido dividido em três turnos, de modo que sempre havia um casal dormindo, enquanto um comandava a nave e o outro encarregava-se da coleta de dados. Havia tanto a descobrir que ficava difícil selecionar o que priorizar.

A nova tecnologia de comunicação, permitia que fossem realizadas entrevistas entre os tripulantes e redes de comunicação situadas em Orient. Assim era possível aos familiares conversar com eles, enquanto se deslocavam a uma velocidade espantosa para mais longe. A nova tecnologia ainda não transmitia imagens de alta qualidade, mas o fato de ouvir a voz das pessoas queridas ou conhecidas, era de grande importância para a equipe. Dessa forma o percurso de ida transcorreu sem maiores dificuldades. Antes de tentar uma operação de pouso, a tripulação realizou sobrevoos demorados de diversos pontos do planeta. A possibilidade de captar informações de pontos mais próximos da superfície, permitiu saber que realmente havia possibilidades de existir vida no planeta. Restaria saber se isso era fato consumado e, se comprovado, qual era o tipo dessa forma ou formas de vida.

As imagens enviadas à Orient foram analisadas detalhadamente e comprovaram a existência de vegetação. Faltava nitidez no que era enviado ao planeta, não permitindo uma análise mais detalhada. Uma vegetação primitiva é fato, mas, mesmo assim era uma forma de vida. Restaria saber se também ocorrera ali o desenvolvimento de vida animal, com possíveis populações inteligentes. Por mais que analisassem as imagens, os cientistas não conseguiram confirmar se havia vida animal no planeta. Alguém sugeriu que se desse ao astro o nome de Primus e depois de algumas ponderações, foi aceita a sugestão, pelo menos até uma deliberação mais criteriosa. Depois de mais algumas órbitas completadas, em velocidade reduzida ao mínimo para poder circundar o planeta, os tripulantes decidiram em acordo com o comando situado em Orient, fazer um pouso provisório, para observação, antes de decidir se haveria desembarque. A inexistência de seres de dimensões maiores, não eliminava a possibilidade de micro-organismos, o que poderia pôr em risco a vida dos seres humanos.

Com dispositivos mecânicos de que era provida a nave, fariam a coleta de material e analisariam em busca da presença de micróbios. Isso iria afastar, pelo menos em primeiro momento, a chance de um ataque de parte deles. Os preparativos foram realizados, escolhido o local para o pouso, situado em uma área desprovida de vegetação, para não haver obstáculos. Não poderiam fazer essa operação num local muito distante de vegetação, pois reduziria a possibilidade de encontrar ali os micro-organismos, provavelmente existentes no solo. No momento aprazado, acompanhados por voz pelos comandantes no planeta Orient, começaram a descer lentamente até pousar suavemente em uma região, aparentemente isenta de vida.

Os primeiros momentos e mesmo a primeira hora no solo virgem que estavam desbravando, foram consumidos em observar detalhadamente todos os arredores. Potentes aparelhos óticos, permitiam trazer as imagens para uma posição bem próxima. Assim era possível ver até os pequenos insetos que havia no solo. Era o primeiro sinal de que de fato havia vida em Primus. Se havia insetos, bastante estranhos por sinal, certamente haveria também outras formas maiores, o que não tardou a ser comprovado. Uma espécie de serpente, de cores vivas, mas que mudavam conforme o momento, parecendo que ela era capaz de adaptar sua cor ao ambiente, para melhor caçar suas presas que lhe serviam de alimentos. Estava caçando insetos de determinado tipo, recusando os outros. Em alguns momentos sacudia com certa violência a cauda para livrar-se de uma espécie de formiga, com garras que lhe tentavam furar a pele.

Quando as “formigas” chegaram em número elevado, ela tratou de bater em retirada com mais rapidez do que parecia ser capaz. Assim o exterior voltou a estar apenas sujeito ao domínio dos insetos. Em alguns minutos, outros pequenos animais, semelhantes à répteis, como os lagartos, outros de pouca estatura, mas munidos de fortes carapaças também deram o ar de sua graça, pondo-se a caçar as formigas, que foram rapidamente dizimadas. Somente um pequeno número conseguiu escapar. Uma espécie de pássaro pousou nas proximidades, pondo-se a bicar pequenos insetos, semelhantes à cupins, que emergiam de um orifício do solo. Parecia faminto, pois não parou de comer enquanto não saiu dali pesado, dando impressão de ter seu peso aumentado enormemente naqueles minutos que ali ficara. Os insetos continuaram a emergir e voar, parecendo que estavam em momento de formar novas colônias. Tudo ia sendo gravado e retransmitido para Orient, onde era armazenado para análise posterior. Paralelamente os equipamentos da nave armazenavam as imagens, para análise quando retornassem ao planeta posteriormente. Eram imagens mais nítidas e detalhadas.

Depois de um período de observação, foi feita a coleta, em vários pontos e iniciou-se a análise. Não tardou a ser constatada a existência de micro-organismos em quantidades semelhantes às existentes em condições idênticas em Orient. Isso em si não tinha motivo para pânico. O único problema era saber se os organismos humanos seriam suscetíveis a ataques desses seres microscópicos. Nesta primeira experiência, não poderiam correr o risco de se expor ao ambiente de Primus. Teriam que levar material no retorno para exames mais detalhados, culturas e testes de laboratório. Assim, poderiam ser identificados possíveis agentes patológicos existentes no ambiente que invadiam. Ali estava tudo em equilíbrio, mas a chegada de seres de outro planeta, de outro mundo, poderia pôr em risco o ecossistema. Todas as precauções eram necessárias, para evitar causar danos irreversíveis, tanto ao planeta que visitavam como aos próprios visitantes.

Depois de realizar as primeiras análises, anoiteceu no local escolhido para pousar. A nave era provida de um campo energético que a envolvia, quando acionado. Dessa forma seria impossível a qualquer espécie de atacante danificar a estrutura ou mesmo tentar invadir o veículo. Assim, após uma refeição mais tranquila, os seis tripulantes mantiveram um prolongado intercâmbio com outra equipe em solo de Orient. Assim, todas as questões foram discutidas, levando a adoção de algumas precauções especiais. A permanência não poderia ser muito prolongada, para não expor a nave ou a tripulação a riscos de ficar sem energia para o retorno. Calcularam o nível das reservas e estabeleceram o tempo de dois dias para fazer algumas incursões nas proximidades da nave. Procurariam coletar o máximo de exemplares de insetos, algumas plantas e, se possível, capturar algum animal de maior porte, embora isso envolvesse algum risco. Não sabiam dos hábitos alimentares e nem como substituir sua dieta por outra que pudesse mantê-los vivos durante a viagem e mesmo depois.

O grupo decidiu por sua conta que abandonariam a ideia de captura de animais maiores. Insetos e amostras de plantas, pedras e pedaços de solo, seriam o suficiente para uma primeira viagem. Evidentemente uma viagem de tal envergadura, tinha que ser aproveitada ao máximo. Nenhuma chance de angariar informações deveria ser menosprezada, mas expor-se a ficar por meses com um animal morto à míngua dentro da nave, poderia significar um risco incalculável. Dormiram e ao amanhecer, que ocorria depois de 10 horas após o anoitecer. Acrescentando o período intermediário entre a escuridão e claridade plena, revelou que o dia tinha aproximadamente 11 horas de duração. Fizeram o desjejum e depois prepararam-se para fazer as primeiras incursões. Enquanto dois casais iriam percorrer um quadrante da região ao redor da nave, o outro iria examinar as imagens que as câmeras de infravermelho haviam feito dos arredores próximos durante o período noturno. Seria interessante saber o tipo de seres vivos povoam a noite de Primus. Ainda estavam pela metade dessa tarefa, quando os outros dois casais retornaram. Haviam percorrido todos os pontos que que lhes pareceram dignos de nota na região delimitada no sistema eletrônico do veículo que usavam.

Todas as amostras coletadas foram cuidadosamente embaladas e etiquetadas, para depois ser acondicionadas em local adequado. Fizeram esse trabalho em conjunto com os outros dois e decidiram almoçar. A refeição estava pronta, faltando apenas aquecer e depois comer. Esta era uma coisa que lhes fazia sentir saudades de casa. Quando retornassem, passariam certamente um bom tempo longe de qualquer forma de alimento enlatado ou embalado pronto para comer. Era o que havia disponível e não havia outra solução.

Após a refeição, sentaram-se para trocar impressões e planejar a forma de passar o resto do dia. O casal que ficara na nave, agora sairia junto com um dos outros dois, ficando os restantes para continuar a análise das imagens. Até aquele momento, pouca coisa, digna de nota, haviam encontrado. Mas tinham examinado apenas uma parte das imagens. Era provável que os animais noturnos saíssem para caçar na madrugada. Seguiram a mesma rotina. Ao anoitecer estavam novamente juntos e se dedicaram a embalar, classificar e guardar as amostras. O casal da tarde havia sido melhor sucedido em sua caça aos seres noctívagos de Primus. Uma forma viva, de uma cor impossível de identificar, embora parecesse algo entre o marrom e o cinza, com porte semelhante a um leopardo apareceu, olhou para a nave, caminhou ao redor e depois se afastou. Provavelmente sentiu o efeito do campo protetor ao se aproximar. Pelo que as imagens permitiam ver, era provido de órgãos semelhantes a olhos, em número de três. Um deles ficava voltado para frente e os outros dois, para as laterais, podendo girar e possivelmente permitir enxergar a retaguarda, sem mover a cabeça.

Depois, outro animal, um pouco maior, também se aproximou, e parece ter-se assustado com alguma coisa, empreendendo uma retirada apressada. Isso mostrava que existiam animais diversos no planeta. Até o momento, nenhum sinal de vida semelhante à humana. Nem mesmo algo parecido com símios haviam detectado. Era possivelmente um planeta onde a vida ainda estava em evolução, não tendo atingido a plenitude de seu amadurecimento. Nesse momento um do grupo lançou aos demais a pergunta:

– Será que temos o direito de interferir nessa natureza em evolução? Não estaremos prejudicando o processo natural que está em curso?

– Realmente, parece que o estágio evolutivo aqui está bem avançado, porém muito distante de alcançar o estágio em que chegamos em Orient ou outros mundos habitados, principalmente aquele de onde vieram nossos antepassados. Se não me engano se chama Urantia.

– Devemos informar a base sobre isso que estamos discutindo, ou deixamos tais detalhes para discussão no momento de retornar? – Perguntou o piloto, que era o segundo no comando.

– Uma questão que precisamos resolver entre nós, – falou o engenheiro de bordo.

– Que tal fazermos uma votação? – Indagou a esposa do comandante. – Todos os votos têm o mesmo peso, nada de voto de minerva ou coisa do tipo.

– Creio que podemos pensar sobre isso até antes do momento de partida, pelo menos até novo amanhecer, ou por volta da hora do almoço, – sugeriu o bioquímico.

– Mas podemos dialogar sobre o assunto, para que cada um forme sua opinião final, – tornou o comandante. – Eu acho bastante temerário a gente vir de tão longe, de um mundo completamente diferente, o que se pode ver pelas formas vegetais e outros seres vivos, para alterar o processo natural de evolução.

– A questão é, se o Pai Universal e o Filho Criador, nos permitiram desenvolver conhecimentos e tecnologias capazes de nos trazer até aqui, não devem, na minha opinião, se opor a que participemos da evolução que está ocorrendo aqui, – disse o engenheiro.

– Também é um ponto de vista válido. Embora não devamos esquecer da questão do livre arbítrio. Nos é permitido tudo que desejamos fazer, mas falta responder se isso tudo nos convém! – Falou a esposa do engenheiro.

– Realmente, é hora de consultar nossa centelha divina. Ela pode nos dizer alguma coisa, embora seja complicado se comunicar com ela. Eu pessoalmente, tenho muita dificuldade nisso, – falou o bioquímico.

– Meu bem, vamos descansar e quando o novo dia raiar, teremos uma luz qualquer para nos orientar nessa decisão. Mesmo depois de iniciar a viagem de regresso, ainda poderemos decidir e comunicar o que pensamos. Sem esquecer que, não seremos nós apenas que decidiremos sobre o que fazer, afinal das contas. Somos apenas seis membros de uma população de mais de três bilhões de indivíduos sobre a superfície de Orient.

– E tem a questão de que já fizemos isso no satélite Luxor e outros seus vizinhos. Há séculos exploramos os astros que estão no nosso sistema planetário. Não fossem os minerais e outras substâncias trazidas de lá, não teríamos alcançado o estágio tecnológico atual.       Cansados do dia, marcado pela tensão de estar em um local possivelmente hostil, onde o perigo poderia aparecer, em formas não imaginadas e de onde não era possível prever, decidiram dormir. Antes acionaram todos os sistemas de proteção da nave, para reduzir ao mínimo qualquer risco de algum ataque. Este risco poderia ter formas e aparências desconhecidas. Em verdade não havia como precaver-se contra todas as formas de ataque, uma vez que não se conhecia os poderes de possíveis agressores. Mesmo assim, dormiram sem sobressaltos.

Mal os raios de luz da estrela sol apareceram no horizonte, estavam todos em pé e se prepararam para mais um dia, o último fora da nave, pesquisando os arredores. Foi a vez do bioquímico e sua esposa ficar analisando imagens, enquanto o piloto e o comandante, com as respectivas esposas realizavam uma das últimas excursões aos arredores. Depois do almoço, uma excursão, agora com os três casais, usando os três veículos disponíveis. Assim, terminaram o dia com um considerável volume de amostras, imagens e impressões visuais de todos os tripulantes. Tudo isso seria útil no futuro próximo. Muitas decisões iriam ser tomadas, tendo esse imenso cabedal de informações como base.

Naquela noite estabeleceram contato com Orient e receberam as últimas informações sobre os procedimentos de decolagem e início da viagem de retorno. Iriam ser responsáveis pelo comando na fase inicial do processo. Haviam avaliado a carga que iriam transportar, o que mostrou ser necessário abandonar algumas coisas que seriam dispensáveis na viagem. O excesso de carga poderia comprometer a eficiência dos propulsores, reduzindo a velocidade. Isto prolongaria em muito o tempo, trazendo consigo o risco de falta de alimentos e energia no veículo. O imenso esforço despendido até ali não deveria ser desperdiçado, por falta de previdência, antes do início da viagem.

Depois de tudo preparado, os sistemas foram acionados, para o processo de aquecimento prévio, permitindo assim a decolagem logo ao amanhecer. Haviam podido estabelecer a hora provável da aurora e assim era possível determinar o início da contagem regressiva para o momento apropriado. Todos foram despertados um pouco mais cedo, dedicando-se aos últimos preparativos antes do início da movimentação. Cada um foi afixado a seu local próprio pelo comandante, sendo que por último ele mesmo, com o auxílio do piloto que ficava ao lado, se fixou de modo a não ser lançado para nenhum lado durante o processo de aceleração intensa que iria acontecer em poucos minutos. Uma vez alcançada a altitude correta, haveria uma aceleração inicial até escapar da gravidade do planeta, para depois ocorrer a aceleração até a velocidade de cruzeiro pelo espaço.

No momento marcado, os propulsores foram acionados e, em segundos, a nave, bastante volumosa iniciou sua lenta ascensão até a altura propícia. A direção do impulso ajustada, iniciando a aceleração que em pouco tempo levou à velocidade ao ponto de escapar da gravidade. Uma vez iniciada a viagem, restabeleceu-se a comunicação com Orient e as leituras dos aparelhos de orientação foram transmitidas. Foi preciso fazer pequenas correções e logo depois iniciou-se a aceleração final. Uma das várias etapas da viagem era iniciada. O tempo transcorrido desde a ida, tornava o posicionamento dos sistemas estelares um pouco diferentes e assim a trajetória final era um pouco diversa da anterior. Dessa forma encurtariam um pouco a distância, diminuindo ao máximo o tempo até retornar ao solo de Orient.

Havia sempre dois pares de olhos atentos a todos os aparelhos indicadores de posição, leitura das posições astronômicas gerais, para evitar passar pelo ponto de mudança de direção. Essa tinha que ser realizada no momento preciso, evitando desvios desastrosos. As atividades de controla da nave eram feitas alternadamente nos três turnos como haviam ocorrido na ida. O casal desperto, livre das tarefas de comando, ocupava-se em inspecionar o estoque de amostras, registrar anotações, analisar imagens ainda não submetidas ao crivo de seus olhos treinados.

Enquanto isso, na base em Orient, o deslocamento vertiginoso da nave era acompanhado com avidez por uma equipe ansiosa por colocar as mãos nas inúmeras amostras e imagens originais que ela trazia do planeta Primus. A distância percorrida ao todo, na ida e volta era um número praticamente impronunciável. As velocidades tremendas hoje possíveis, tornavam isso possível. O comum das pessoas chegava a esquecer da equipe de astronautas que estava tão longe no espaço. Quando o tempo de retorno começou a ficar mais próximo, aos poucos a população começou a ficar alerta. Notícias mais frequentes nos meios de comunicação traziam alguns dados já disponíveis, mesmo naquela distância proibitiva. Dessa forma, muita gente começou a contar os dias que restavam para a data prevista da chegada da nave em seu retorno.

Em uma de suas mudanças de direção, ocorreu um imprevisto. Viram em seus sistemas de navegação a presença, bem na trajetória que percorriam, de um pequeno asteroide. Era imprescindível realizar uma manobra de desvio, para evitar uma colisão. Por maior que fosse o risco da manobra, sem sua realização, a missão estaria condenada. Os engenheiros e técnicos de Orient fizeram em segundos os cálculos com seus sistemas eletrônicos. Os resultados foram transmitidos e a manobra foi realizada. Ficou possível ver detalhes da superfície do asteroide, ao passar a algumas centenas de quilômetros. A trajetória foi novamente corrigida para evitar maiores problemas. Foi feito um cálculo e constatou-se que não havia ocorrido consumo significativo de energia na manobra de evasão. Assim, estava afastado o receio de chegar a faltar energia para conclusão final da missão.

Os músculos dos tripulantes continuaram a manter a tônus, graças a um sistema de exercícios especialmente desenvolvido por especialistas. Assim, era imperceptível a perda de massa muscular ocorrida durante os anos de viagem ao espaço. Os ossos, mantinham também sua densidade, não tornando necessária uma quarentena de fortalecimento antes de retornarem ao convívio dos amigos e familiares. Os contadores dos dias, viram o número diminuir até chegar ao dia final, quando finalmente haveria o pouso da nave que navegara a um lugar muito distante e agora retornava.

Trazia em seu bojo seis tripulantes que haviam partido e voltavam intactos, esperando-se que pudessem pisar solo pátrio em segurança. E chegou o grande momento. Em séculos passados, tais eventos haviam ocorrido, quando das primeiras viagens tripuladas realizadas a Luxor, tornando-se depois corriqueiras. Esta, porém, era algo diferente. Tratava-se de uma incursão a um mundo desconhecido, fora do alcance da visão do comum das pessoas. Assim, reuniu-se uma multidão nas proximidades do local de pouso, embora fosse necessário manter uma distância segura.

O restante do planeta estava literalmente grudado às telas de aparelhos de transmissão de imagens e áudio, esperando o grande momento. Um clamor geral ergueu-se em toda superfície do planeta, no momento em que finalmente a imagem majestosa, embora aparentemente desbotada da nave, devido à longa exposição às “intempéries” cósmicas. Lentamente ela pousou. Alguns procedimentos eram necessários no processo de desligamento dos sistemas de propulsão e comunicação. Enquanto isso, os controladores da base, mantinham contato constante com os tripulantes.

Após um longo momento, finalmente a escotilha de entrada e saída foi aberta, para logo emergir dela o comandante, seguido de sua esposa. Na continuação veio o piloto, a esposa e finalmente o casal bioquímico. Ficaram por alguns instantes parados, sendo submetidos a uma análise rápida por equipamento eletrônico. Depois desceram alguns degraus, sendo recebidos pelos chefes da missão.

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