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Caminhando nas pegadas de Roque Gonzales, por Sérgio Venturini

Caminhando.

Caminhando nas pegadas de Roque Gonzales.

Caminhando nas pegadas de Roque Gonzales por Sérgio Venturini

Sérgio Venturini, professor da rede de ensino público do Estado do Rio Grande do Sul, lotado em escola na cidade de São Luiz Gonzaga. É natural de Ivorá, no mesmo estado. Sua formação é na área de História e Geografia. Alia à atividade magisterial a pesquisa histórica, especialmente no que tange às reduções jesuíticas, tanto no território brasileiro, como nos países vizinhos Paraguai, Argentina e Uruguai. É devoto do agora Santo Roque Gonzales de Santa Cruz, jesuíta nascido no Paraguai e fundador de um grande número de reduções nos quatro países. O resgate dos fatos históricos da vida do santo, é objetivo de Sérgio.

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Raízes do Piaui – Livro de Adrião Neto.

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Raízes do Piaui

Raízes do Piaui

Terminei de ler o livro que leva o título acima, de autoria do amigo Adrião Neto. De acordo com o próprio autor, é um Pararomance. Em suas palavras define esse gênero como um misto de história com ficção. É realmente isso. O interessante é que ele é provido de uma habilidade tal que entretece os fatos históricos com os ficcionais de forma a tornar quase impossível separar uma da outra. Não houvesse as observações e esclarecimentos prévios feitos por Adrião, alguém menos avisado tomaria o livro como história pura, embora não exista uma cronologia exata dos fatos, ou então veria o todo como uma ficção.

É possível entrever um intenso trabalho de pesquisa em documentos e relatos da época do Brasil colônia, principalmente abrangendo o final do século XVII até a independência na segunda década do XVIX. Relata com realismo incomparável a conquista do território do atual estado do Piaui pelos colonizadores portugueses. A atrocidade no trato com os indígenas, sistematicamente trucidados, escravizados ou submetidos à cristianização forçada. Tais fatos provocaram um efeito de rebelião sob a liderança de Mandu Ladino. Alfabetizado e batizado depois de ver sua família e demais membros da tribo serem todos aniquilados sem a menor consideração. Num momento de rebeldia, matou com uma paulada o padre jesuita encarregado de sua educação e preparação para ser enviado a um seminário onde receberia a ordem sacerdotal.

Um lento trabalho de contato e convencimento levou um grande contingente de populações nativas a rebelião, causando sérios problemas aos fazendeiros e autoridades. Matavam, saqueava e incendiavam as propriedades, como forma de vingar as sevícias que vitimaram seus antepassados. Ao final de oito anos de intensas lutas, finalmente foram derrotados e os sobreviventes submetidos ao aldeamento forçado.

Os padres jesuítas serviram em grande parte aos intentos dos conquistadores, convencendo os índios com promessas que frequentemente eram quebradas pelos fazendeiros e autoridades. Uma tentativa de união dos aldeamentos do norte/nordeste aos demais existentes ao longo do território brasileiro até os Sete Povos das Missões no Rio Grande do Sul. O Marquês de Pombal foi o ministro do reino português responsável pela expulsão da Companhia de Jesus do território português e suas colônias.

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Raízes do Piauí – contracapa.

Um grupo de jesuítas ambiciosos usaram de meios ilícitos para serem considerados como herdeiros de um grande proprietário de terras, de modo que transformaram a Companhia de Jesus de grande parte do atual território do Piaui. Com a expulsão pelo Marquês de Pombal, toda essa propriedade reverteu para a corte portuguesa.

A complementação da independência do Brasil ocorreu na Batalha do Jenipapo, onde foi decidida a independência da província do Piaui e sua adesão ao império do Brasil. São de autoria de Adrião Neto várias iniciativas para valorizar e tornar essa batalha, bem como os personagens centrais em figuras importantes na história do Piaui.

Falando de Adrião, é preciso dizer que se trata de alguém com vastíssimo cabedal cultural, tanto a nível de literatura, história e diversas vertentes culturais. Seria longo demais citar um a um os comentários tecidos sobre seu trabalho de literatos de todos os cantos do país, inclusive do exterior. Viajou o mundo inteiro, trazendo pois em sua bagagem um vasto conhecimento internacional. É invejável sua vasta obra literária.

Realmente vale a pena ler seus livros. Por ora li esse e o outro com o título Parangolé, sobre o qual teci comentários em artigo anterior. Espero futuramente ter ocasião de ler outras obras de tão laborioso autor.

Curitiba, 04 de agosto de 2015.

Décio Adams

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