Voleibol Feminino

Brasil é decacampeão!

       Sheila, em mais um ataque preciso, ajuda o selecionado Brasileiro a conquistar mais um título internacional. O de décimo Gran Prix. Um feito que, salvo engano meu, é inédito no mundo do esporte. Uma sucessão de expoentes destacados na equipe feminina vem encher de orgulhos a todos os apreciadores dos esportes coletivos. É onde a conjugação de esforços traz o resultado final, apesar do destaque de um ou outro expoente mais decisivo. Quando eu era criança e depois adolescente, em minha comunidade no interior do Rio Grande do Sul, a pratica do Voleibol masculino era bastante intensa. Mas nunca havia visto uma equipe feminina. Isso parecia algo da alçada dos homens, ficando reservado às mulheres o papel de torcedoras, por vezes bem fanáticas e entusiasmadas. 

        Tenho viva na lembrança da imagem de alguns atletas mais destacados do time de voleibol da Linha Paranaguá, município de Cândido Godói, RS, nas décadas 50/60 quando ali vivi minha infância e adolescência, mesmo início da fase adulta. De memória posso citar Elmo Bieger, Adolar Friedrich, Roque Bieger, Nilo Bieger, Aloísio Rockenbach, Bruno Sausen, meu tio Evaldo Dewes e alguns outros que me fogem à lembrança no momento. Formavam uma equipe quase imbatível na região, tendo acumulado um grande número de troféus conquistados em torneios periódicos realizados nas comunidades e mesmo municípios vizinhos. De minha parte, quando cheguei a idade de participar, nunca alcancei destaque. Jogava o suficiente para ser reserva do time B e nem sempre dispunha de recurso financeiro para custear as viagens e despesas que corriam por conta de cada membro. Mas era um orgulho da comunidade a equipe desse esporte. Não havia estrutura alguma para dar suporte. Mal a apenas o uniforme era comprado com recursos angariados pela associação, uma espécie de clube formado pelos próprios jogadores. Mas isso serviu para me transformar em um grande apreciador desse esporte. 

       Anos mais tarde, quando aconteceram as primeiras conquistas da seleção nacional masculina e depois também da feminina, sofri muitas vezes quando nossos atletas, por falta de uma preparação tanto física como psicológica inadequada, falta de apoio financeiro, conseguiam com muito sacrifício alcançar alguns triunfos, mas na hora decisiva eram superados por outras equipes mais experientes e bem treinadas. 

       Lembro de Bernard e seu famoso saque Viagem às estrelas, depois o Viagem ao Fundo do Mar, um vice campeonato olímpico, tiveram gosto de uma grande conquista. Faltava porém o melhor, o mais saboroso. Ser campeão. Isso ocorreu pela primeira vez em 1992, na Olimpíada da Espanha. Morávamos em Brasnorte – MT, e assistíamos os jogos em um pequeno televisor a baterias, em preto e branco. Como torcíamos, meus filhos, eu e minha esposa. Ver o selecionado brasileiro sagrar-se campeão olímpico, tendo perdido apenas três sets em toda competição. Nenhuma partida foi perdida. Chegamos invictos. 

        Desde então uma longa sucessão de conquistas no esporte praticado com as mãos, se seguiram. O time masculino saiu na frente mas logo foi secundado pelo feminino e a galeria de atletas destacadas foi crescendo. Apenas para citar alguns nomes como Ana Moser, Fernanda Venturini, Sassá, Leila, atualmente Sheila, Fernandinha, Monique e suas companheiras. Não me vem à memória os nomes, mas as fisionomias estão todas gravadas. Umas mais outras menos, cada uma com suas características próprias e nos momentos adequados, deixaram suas marcas na história do glorioso time feminino de Voleibol, que na última madrugada de domingo(24/08/2014) se sagrou campeão do Gran Prix pela décima vez.  É com incontido orgulho que podemos dizer: somos decacampeões.
       Não é justo esquecer do time masculino que, mesmo não tendo conquistado os títulos dos últimos anos, esteve sempre disputando as primeiras posições. E ainda assim é o mais vitorioso time do mundo. Não é lícito esquecer as duas figuras destacadas dos técnicos que comandam as duas seleções há mais de uma década. São certamente os treinadores mais vitoriosos a nível mundial, reunindo ao seu redor um grupo de auxiliares de alto gabarito , servindo de exemplo a muitos países na elaboração de seus programas de treinamento e preparação de suas equipes. Frequentemente vemos intercâmbios nessa área sendo feitos, pois o programa de treinamentos desenvolvido nas duas seleções é de fato impressionante. A renovação do plantel é constante e o nível de competitividade é mantido praticamente inalterado, se é que não aumenta. 

       É importante lembrar que os demais países que competem nesse esporte investem e trabalham na busca de se equiparar ao nosso time. Dessa forma, se deixarmos estar, dormirmos sobre os louros conquistados, logo estaremos em último lugar. Por isso é necessário ficar a cada dia, cada competição buscando melhorar a qualidade, explorar novas malícias, jogadas ensaiadas e assim surpreender aos adversários. Seria injusto não querermos aceitar algumas derrotas. Nem todos os dias os atletas estão em sua mais perfeita forma e inspiração. Seu estado psicológico não está no ponto mais elevado e alguns fatores externos podem influir. As derrotas devem servir para esquecermos o orgulho e a soberba, mantendo a humildade e sempre respeitando os adversários como eles merecem. 

         É notável também o destaque das duplas brasileiras, tanto no masculino como no feminino, nas competições de Volei de praia. Temos fartura de títulos conquistados em ambas as modalidades, inclusive medalhas olímpicas de ouro, prata e bronze. Os prmeiros a se destacarem foram ex jogadores de quadra, mas gradualmente foi sendo formado um grande grupo de duplas surgidas nas quadras de areia. As praias em geral são as escolas de formação desses atletas e depois seguem para as competições nacionais, posteriormente internacionais. 

        Oxalá os dirigentes e treinadores, bem como os demais envolvidos em outros esportes coletivos, especialmente o futebol, tomem como exemplo as duas equipes de Voleibol e lhes sigam os passos. Evidentemente os recursos e treinamentos são outros, mas o espírito de equipe, o empenho e dedicação determinam em grande parte as conquistas. Foi há muito o tempo em que nossos atletas eram os melhores do mundo e os adversários tremiam ao enfrentar nossa seleção canarinha. Basta ver o exemplo da Copa do Mundo que ocorreu em nossos domínios há pouco tempo. 

         Há outras modalidades esportivas em que ainda não temos tando desempenho ou mesmo nenhum. Talvez devamos deixar que outras nações tenham os seus esportes prediletos e nos esmerarmos em aperfeiçoar aqueles em que temos bom desempenho, assim como locais apropriados para a sua prática. O que não resta dúvida é que as praticas esportivas são benéficas à saúde, tanto física como mental. O esporte já afastou inúmeros jovens da senda de atividades ilícitas, até mesmo do crime. Sendo assim merece todo apoio de cada qual que sinta possibilidade de fazer alguma coisa em prol de alguém ou alguma espécie de esporte. 

Curitiba, 25/08/2014

Décio Adams. 

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