Se beber, não dirija! Também não entre no facebook!

Novo risco para os alcoólatras!

      Hoje ao ler a coluna Pelas ruas da cidade, de autoria do jornalista e escritor Edilson Pereira, no jornal Tribuna do Paraná, de 05/09/2014, me deparei com uma descoberta importante, feita pelo ilustre autor. Trata-se do relato de uma vivência que ele teve em um táxi de nossa cidade Curitiba. Vou transcrever aqui como ele redigiu em sua coluna. O crédito é inteiramente dele e acho importante compartilhar, para que mais pessoas tenham possibilidade de conhecer o que ele encontrou em suas andanças pela cidade. Aí vai o artigo que ele publicou. 

Se beber não dirija e muito menos entre no facebook.

    Entrei no táxi de Antônio de Souza Pinto. Ele estava de olho roxo. Perguntei se estava bem e ele disse que não. Fiquei quieto. Ele perguntou se eu não ia indagar sobre o olho roxo. Taxista se divide em duas categorias: os que gostam de falar e os que odeiam falar. Parece que há uma terceira categoria, um meio termo. Na realidade são os que pertencem a uma das duas categorias e fazem um esforço sobre-humano para serem gentis, falando pouco, tanto num caso como no outro. Pinto pertencia à categoria dos que gostam de falar. Então não adiantava fingir que não sabia e perguntei: O que aconteceu no olho, amigo? Chamar alguém de amigo não ofende. Pinto respondeu: “Foi o facebook”. 

       Não entendi e pensei:” As pragas tecnológicas contaminam. Parece epidemia!”. No ônibus todo mundo de fio conectado ao ouvido, ligado em outro universo, ouvindo música ou, pior, falando pelos cotovelos. Parece bando de loucos. E, depois do facebook, gente o tempo todo como galinhas tecnológicas catando milho no celular, no ônibus, na rua, nas filas, no parque, em todos os lugares, mandando mensagens quase sempre sem urgência e publicando mensagens sem interesse. O facebook faz parte disso. O motorista do ônibus tem facebook e avisa ao cobrador que adicionou a gostosa do financeiro e curte tudo o que ela publica, para ver se rola um lance legal. Normalmente não rola nada. Mas o cara está lá na maior curtição. 

        Agora Pinto diz que o facebook quebrou a sua cara. Como não queria fazer outra pergunta eu disse: “O facebook anda violento”. Pinto contou que aquilo virou um poço de encrenca e está dando um tempo com o facebook. Sujeito ressabiado com rede social, ele disse que “a pior coisa do facebook é você chegar em casa, beber e entrar na rede para fazer comentários”. Logo acrescentou:” Amigo, não faça isso se não quer arrumar encrenca ou tragédia”. Concordei. Eu também já andei falando bobagem com quem não devia, surtei com uma dona que estava na maior alegria, curti posts de quem não conhecia e fiz gracinha com comentário de quem não sabia. Andei desconfiando que tinha gente de cara virada comigo. Mas com Pinto o negócio foi cruel. 

          Depois de trabalhar até meia-noite, Pinto chegou em casa e tomou todas. Em seguida, entrou na linha do tempo de Adalice e se engraçou com um selfie da loirinha num tubinho preto. Loirinha essa que sabia ser irmã de seu amigo Demerval. Na manhã seguinte ela contou tudo ao irmão, que não fez cara feia, nem disse nada. Assim que chegou ao ponto de táxi e encontrou Pinto com aquela cara amassada de ressaca, simplesmente enfiou a mão no coitado. O olho ficou roxo. Para Pinto largar de ser besta e respeitar as irmãs dos outros. Inclusive no facebook. Pinto tentou reagir, mas estava atordoado e não se lembrava do que dissera para a irmã do amigo. Fez cara de quem não gostou, saiu de cena e foi pegar seu iPhone para conferir o que escrevera. 

         Quando viu as safadezas que havia escrito, chamou Demerval num canto e disse: “Foi mal, cara. Tô morrendo de vergonha da Adalice. Fala para ela me perdoar. É que tomei umas a mais ontem, sabe, aí a gente perde a noção”. Demerval depois de baixar o braço no amigo estava calmo e aconselhou: “Se beber não dirija e muito menos entre no facebook! Você ainda vai acabar levando um tiro”. Ali no carro, Pinto disse: ” Agora eu estou assim, de olho roxo e longe do face”. Eu fiquei quieto pensando que a chamada plataforma é coisa inteligente e barata. Converso com uma amiga que está em Londres, outra está em Paris e um colega está no Japão. Tudo a custo zero. Não tem nada mais democrático. Mas o diacho que a maioria das pessoas escreve bobagens, posta tolices sobre política, sexo e religião. Como se o facebook fosse mudar a cabeça de alguém. Depois de contar sua história, Pinto fez o resto da viagem quieto, refletindo sobre como ia viver de agora em diante sem poder olhar o face. Não vai ser fácil. Mas será melhor que levar um soco no olho. Que não é coisa bacana, embora seja um aviso importante.  
Edilson Pereira, jornalista e escritor. Jornal Tribuna do Paraná, 05/09/2014

          Ol
hem só  o que pode resultar de umas bebidinhas a mais. Se dirigir, pode dar uma trombada num poste ou outro carro, atropelar alguém, além de cair numa blitz da polícia de trânsito e ser multado, ter o carro apreendido e por aí vai. Se entrar no facebook, corre o risco de falar o que não deve a quem não gosta e o resultado é uma verdadeira “
trombada” na munheca de um irmão enfezado da pessoa que se sentiu ofendida. Pode até ser que nem isso haja acontecido, mas contou ao irmão e esse sim ficou muito “puto” e foi tirar satisfação com o amigo. Sugiro que de hoje em diante o slogan passe a ser:
                 
                     “Se beber não dirija e não entre no facebook”. 

     Boas lições tem a vida a nos ensinar. Cabe a nós estar atentos e tomar nota cuidadosamente para não sofrer as consequências de atos, aparentemente inocentes, mas que podem trazer consequências sérias. Umas palavras digitadas de modo impensado podem causar um desgosto considerável. Depende apenas de quem está do outro lado da linha e principalmente se tem um irmão ou marido ciumento. Garanto que muita gente irá se partir de dar risada, mas o Pinto, com seu olho roxo não achou nenhuma graça da história. Ao contrário, ficou foi é muito chateado e triste. 

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