Ódio milenar.

Palestinos(Hammas) x Israel.
           O moderno estado de Israel, tem a mesma idade que eu. Foi criado por resolução da ONU em agosto de 1948, sendo que eu nasci em 23 de dezembro do mesmo ano. Em 1967, durante meu serviço militar, ocorreu a guerra dos seis dias, vencida por Israel que conquistou vasta área de território aos vizinhos árabes, especialmente na região até hoje em litígio na Faixa de Gaza, ocupada pelos palestinos. Desde essa época venho acompanhando, ano após ano, as agressões de lado a lado. Alguns intervalos com relativa paz, porém sempre um verdadeiro caldeirão, pronto a explodir ao menor sinal de agressão, ou mesmo gesto que possa ser interpretado como tal. 
             Recentemente, impulsionado pela curiosidade, despertada por frequentes comentários ouvidos sobre o conteúdo pacífico do Alcorão, o livro sagrado do Islam, religião dos muçulmanos, comecei a ler esse livro. Estou no momento na parte dos comentários escritos por um exegeta, explicando e interpretando os milhares de versículos das mais de 100 Suratas que compõe a parte da assim denominada revelação divina ao profeta Maomé(Mohamad). O que chamou minha atenção é a quantidade de vezes que são mencionados Abraão, Jacó, José do Egito, Lot, Jó, Moises, Jesus Cristo, sua mãe Maria, Davi, Salomão, além de outras figuras judaicas/cristãs. Os mentores do islamismo conhecem com perfeição as escrituras judaicas, cristãs e outras. Uma nota constante é a afirmação da mensagem de amor, caridade e convivência pacífica com os não muçulmanos. Isso está em franco contraste com as mensagens de ódio divulgadas nos meios de comunicação pelos combatentes de grupos radicais islâmicos. Os crimes que assistimos nas últimas semanas sendo divulgados ao vivo contra jornalistas americanos e ingleses, são abertamente contrários à mensagem encontrada no livro sagrado e sua interpretação. 
              O ódio parece remontar ao tempo de Ismael, filho de Abraão com a escrava e depois Isac, filho de Sara, sua esposa. Com o nascimento de Isac, Abraão foi levado a rejeitar Ismael, tendo sua mãe enfrentado muitas dificuldades para o sustentar e lhe dar educação. Durante séculos antes da era cristã, os israelitas e os descendentes de Ismael (árabes) conviveram ora em paz, ora em estado de guerra. Também compartilharam períodos de dominação babilônica e outros povos. Na época de Jesus Cristo, estava toda a região sob o domínio romano. Cerca de quatro séculos depois surgiu o profeta Maomé e com ele foi implantado o islamismo. Nesta época a região estava sob o domínio quase pleno dos árabes, depois da dispersão dos judeus pelo mundo (Diáspora). 

            O surgimento do moderno estado de Israel provocou o desalojamento de parte da população palestina de suas terras, o que criou certamente resistência e gerou muitos conflitos. É possível dizer sem medo de cometer um erro grave que Israel viveu poucos ou nenhum dia de paz completa desde seu surgimento em 1948. Há sempre um estado de prontidão dos reservistas, quer masculinos como femininos. Não sei se atualmente ainda acontece isso, mas alguns anos passados, os reservistas guardavam em suas casas o fardamento básico, bem como as armas, permitindo uma rápida mobilização e pronto estado de prontidão para o combate. Depois de 1967, aos poucos foram sendo estabelecidos tratados de paz com os demais estados árabes da região, fixados os limites dos territórios, devolvidos partes conquistadas por Israel, permanecendo apenas o conflito na Faixa de Gaza. 

            Assistimos constantemente à divulgação de parte dos palestinos de acusações feitas à Israel que teria atacado com bombas e mísseis populações civis. De outro lado Israel relata pequenos atos de hostilidade praticados quase que diariamente em diversos locais do território, bem como a utilização de crianças, mulheres e idosos como escudos humanos. Colocam-nos sobre telhados, em terraços e outras posições que os exponham aos ataques israelenses, sendo que por trás, nas mesmas instalações estão os lançadores de mísseis utilizados pelos combatentes do Hammas. Dá a perfeita noção de que, enquanto não houver um completo desarmamento do espírito, seja de um lado ou de outro, preferencialmente de ambos, não será possível estabelecer uma paz duradoura na região. 

          As acusações de ambas as partes em conflito dirigidas aos opositores, aparentam justificar as ações de guerra e o resultado é o que assistimos quase diariamente nos meios de comunicação. Crianças, mulheres e velhos sendo retirados dos escombros dos bombardeios. Visto dessa forma, isso colocaria Israel como um agressor cruel e sanguinário. Quando olhamos as imagens mostradas por Israel, vemos que as aparentes vítimas inocentes dos ataques, foram colocadas ali propositalmente para disfarçar a realidade. Destinam-se a proteger as armas de agressão a Israel. Não sou de forma alguma favorável a ação israelense, pois ela sempre é contundente e parece ser bem desproporcional com a agressão sofrida. 

            Quem quiser saber o quanto muçulmanos, judeus e cristãos estão unidos pelas mesmas crenças, apenas alguns detalhes os separam e colocam em campos opostos, aceite minha sugestão. Leia o Alcorão, não com o fim de se converter, mas para saber que na verdade não há motivos para tamanha divergência e agressividade de alguns grupos radicais. Ao longo da história temos assistido a várias demonstrações de fanatismo religioso que levaram sempre à prática de um grande número de atrocidades. O que estamos assistindo hoje no Iraque, nada mais é do que a repetição do que já ocorreu no passado em outros lugares. No Afeganistão, países africanos também temos assistido a ocorrência de crimes horrendos em nome de Alá. Isso não encontra fundamento nos escritos de Maomé. É uma interpretação errônea de pequenos trechos, sem ver o contexto geral e completo. Cometem-se um número de crimes horrendos em nome de Deus, da fé, da religião. É puro fanatismo, jamais sugerido ou determinado pela revela
ção divina nos livros sagrados de nenhuma religião.

           Sugiro aos dirigentes dos órgãos como ONU e assemelhados que se empenhem em levar um pouco de racionalidade aos dirigentes políticos das nações em conflitos internos ou com os vizinhos, que se coloquem na posição das vítimas inocentes que tombam tanto de um quanto de outro lado. Pouco importa o número delas. Uma única vida humana inocente ceifada por projéteis, bombas e outros artefatos deveria ser motivo suficiente para frear os ímpetos de agressividade. Mas infelizmente, para o mal dos inocentes que a cada dia sucumbem nas áreas de conflito, ninguém pratica a lei do amor, do perdão e misericórdia. Enquanto isso não vier acontecer, dificilmente teremos paz de verdade e duradoura. 

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