O professor não é educador! – Parte V

Parte V

 

No vídeo que iremos ver logo adiante, Armindo Moreira afirma que o sistema de aprovação automática, ou seja, a ausência de repetência nas escolas, é um erro grave. O entrevistador Edésio Reichert apresenta dados estatísticos indicando a desaprovação do sistema por elevado percentual de pais, professores e mesmo alunos. Pela minha própria experiência posso afirmar que, ninguém se sentirá seguro para enfrentar uma nova etapa de aprendizado, se a(s) anterior(es) não estiverem fazendo parte do suas habilidades adquiridas. Tenho plena convicção de que, uma reprovação no momento certo é mais útil do que a aprovação sem mérito algum. Vejamos um professor de matemática, tentando ensinar ao aluno álgebra, se este sequer domina as propriedades das quatro operações aritméticas, as propriedades dessas mesmas operações, que são a base para o aprendizado de álgebra. Vai resultar indubitavelmente um novo fracasso ao final do ano. Mas ele é mandado para frente, enquanto em sua cabeça se acumulam frustrações sobre frustrações, além de desenvolver o desinteresse pela disciplina. Para que ele irá se esforçar, se a aprovação não irá depender desse esforço?

Se no entanto for confrontado com a reprovação, seja na disciplina que for, terá pela frente um ano para repetir os mesmos conteúdos. Há evidentemente necessidade de estímulos para que ele queira ultrapassar o obstáculo. É necessário lançar lhe o desafio, mexer com os seus brios e isso o levará a enfrentar os anos posteriores, com os pés firmes no chão. O aprendizado dos conteúdos novos, baseados nos precedentes, ficará enormemente facilitado. Sem esquecer que o fato de ter repetido uma vez, servirá de acicate para lhe espicaçar o espírito e querer ser aprovado, sem necessidades de manobras diversas. Sentirá que foi aprovado por seus conhecimentos, servindo assim para lhe preparar o espírito, em vista dos desafios que a vida pós-escolar lhe irá apresentar.

Outro assunto abordado é o ECA. Devo confessar que comungava da ideia comum de desaprovação do estatuto, mas não cheguei a ler o teor completo do documento. Conhecia por algo alguns tópicos. Moreira no entanto o leu inteiro e lhe fez uma crítica de forma construtiva. Vendo a questão pelo ângulo que ele demonstra, sou obrigado por meu turno a dar razão. Preciso rever minha posição e, no momento oportuno, dedicar algumas horas para ler o conteúdo inteiro. Trata-se de um Diploma Legal, que, à semelhança da Teoria de Marx, é muito mal interpretado e mais mal aplicado. Dessa forma gera uma porção de incompreensões, ações desconexas e contraditórias. Temos como resultado uma insatisfação geral com relação aos assim chamados “efeitos do Eca” sobre nossa juventude e os adultos em que eles irão se transformar. É urgente um estudo aprofundado das disposições desse estatuto. Se forem encontradas incongruências, devem ser discutidas e sugeridas as devidas modificações, para que se torne algo útil e não meramente “letra morta”, como tantas de nossas leis. Aprovadas, sancionadas, promulgadas e no entanto seu efeito jamais se faz sentir, pois não entra em vigor realmente. Há sempre uma forma de contornar, desviar, burlar e fica tudo na mesma.

https://www.youtube.com/watch?v=mrndG0H4GEg

 

O entrevistador Edésio Reichert faz uma proposição. Sugere que todos deixemos de usar a palavra  educação, quando em verdade estivermos nos referindo ao ensino; à aquisição de habilidades, competências. Com o tempo iríamos ter um Ministério do Ensino ou da Instrução, Secretarias Estaduais de Ensino ou Instrução e assim por diante. As famílias seriam forçadas a assumir a educação de seus filhos, para que ao chegarem aos bancos escolares, tragam em si a personalidade, a ética, a moral, o respeito e educação, estando prontos, dispostos a estudar de verdade. É uma atitude de ruptura com o status quo do momento, mas se o país é o que nós fazemos dele, cabe darmos a contribuição usando os meios as nosso dispor. Não devemos nos omitir nem escusar de fazer o que nos compete na qualidade de cidadãos. Não é por estarmos em idade mais avançada, não termos mais filhos em idade escolar que estamos isentos disso. Somos cidadãos até o final de nossa vida. Cabe-nos dar exemplo e apontar o caminho do futuro até o fim. Sendo assim, vejamos o vídeo e comecemos a por em prática nossa atuação.

https://www.youtube.com/watch?v=GqRDo_wXUfk

No vídeo a seguir, Armindo faz a Edésio Reichert um resumo do conteúdo de seu livro. Em poucas palavras nos diz que para termos uma escola realmente transformadora de nossa sociedade, precisaremos primeiramente de currículo único para todo país. Sei que isso irá gerar resistências em muitos lugares, no entanto, imaginem uma criança que seja, por qualquer razão, obrigada a se mudar. Ela poderá sair de uma escola em que o currículo seja totalmente diverso daquele que encontrará no novo endereço. Como ela irá se adaptar a essa nova realidade? Podem crer, não será fácil. Atrevo-me a dizer que, em muitos casos, será até impossível. Qual será o efeito sobre a vida dessa pessoa quando for colocada no mercado de trabalho? Poderemos esperar dela um desempenho satisfatório?

Outra questão é a profissionalização das direções escolares. É fácil compreender que, se qualquer empresa para ser bem gerida, precisa de um administrador competente para dirigir seus destinos. Por que então, uma escola deveria ser diferente? Lembro dos anos de faculdade. Em nenhum momento fomos confrontados com os problemas administrativos de uma escola. Mesmo assim depois é esperado de muitos de nós que saibamos administrar uma escola, com todas as suas implicações, particularidades, questões burocráticas e relações humanas. Não vamos ao ponto de dizer que não poderão ser professores os diretores. Mas antes deverão passar por cursos de preparação para ocupar as funções administrativas. Não bastam alguns dias, ou mesmo horas de orientações e pronto, o professor está pronto a enfrentar toda diversidade de questões inerentes à gestão da escola.

Há um ponto em que tenho ligeira discordância, mais no sentido da exequibilidade do que na intenção e validade de aplicação. Defende Armindo que as provas a que os alunos serão submetidos visando sua aprovação ou não, sejam elaboradas pelo professor, mas avaliadas por outro professor. Isso cria uma dificuldade pois poderemos ter um professor de química, avaliando provas de português, uma professora de educação física avaliando provas de matemática e assim por diante. Isso me parece uma incoerência. Nas escolas de grande porte, onde haja vários professores da mesma disciplina, poderá ocorrer esse revezamento, mas nas menores, isso fica impraticável. Deve ser objeto de melhor discussão esse aspecto da questão.

Dedicar uma boa porcentagem do tempo escolar à leitura. Objetivando com isso desenvolver o hábito, agilidade e capacidade de compreensão do texto lido. O resultado seria uma maior desenvoltura na aprendizagem de todos os demais conteúdos que virão depois. Isso me lembra das minhas aulas e provas de matemática/física. Sempre corrigi os erros de ortografia, sendo por isso questionado pelos alunos. Diziam que eu não deveria lhes corrigir os erros de português, uma vez que não era minha disciplina. Lembro que nunca lhes atribuí notas a menos por isso, mas sempre lhes afirmei: Escrever e falar corretamente é necessário em todos os ramos de atividade. Não é exclusividade das aulas de português. Hoje, muitos deles são meus amigos no facebook e em muitas ocasiões recebi deles elogios variados relativamente à minha atuação enquanto atuava na sala de aula.

Para ver todos os itens do livro, vamos ver o vídeo. O que comentei, foi a parte que mais chamou minha atenção. Vamos mudar nosso país pela educação, especialmente pela atuação de cada um de nós durante a vida.

https://www.youtube.com/watch?v=Wk5b1oBf5xU

Espero que isso não termine aqui. Não basta vermos os vídeos, comentar uma ou outra coisa, mas depois tudo cai no esquecimento e esperamos que os outros façam a diferença, afinal não é nossa tarefa mudar o mundo. É nossa tarefa sim e precisamos todos fazer nossa pequena parte. Só assim teremos um dia um mundo melhor para legar às próximas gerações.

Décio Adams

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