A última ceia do Senhor Jesus

A última ceia de Jesus com os apóstolos

Santa Ceia - 1

Última Ceia do Senhor Jesus (Retirado de página da internet)

 

Esta, na verdade, foi a ceia de despedida de Jesus de Nazaré, cujo nome era Joshua bem Jose, dos seus doze apóstolos. Estes haviam sido criteriosamente eleitos, instruídos e preparados para levar a boa nova do Evangelho que ele veio trazer à humanidade.

Era a ceia da Páscoa judaica. Páscoa, quer dizer passagem. Segundo a tradição dos hebreus, era a celebração da noite em que o Anjo Exterminador, passou pelo Egito, levando à morte todos os primogênitos, exceto nas casas marcadas com o sangue do cordeiro. Este cordeiro devia ser assado inteiro, comido pela família reunida, com pães sem fermento e ervas amargas. Devia ser comido, em estado de prontidão para iniciar uma viagem, pois àquele evento seguiu-se, segundo registros do Deuteronômio, a saída do povo hebreu, finalmente liberto da escravidão egípcia. O dia desta celebração era a noite da sexta-feira, já fazendo parte do sábado, que era o dia de descanso, ou o dia do Senhor.

Por muito tempo me questionei a razão de Jesus ter escolhido comer aquela Ceia Pascal, na noite de quinta-feira, em vez da sexta-feira, como seria normal. No entanto não me aprofundei no assunto e imaginei que talvez fosse opcional o dia, contanto que fosse feita na semana anterior ao sábado da celebração da Páscoa. Em leitura recente, encontrei uma explicação mais adequada e aceitável. Todos sabemos que Jesus era o Filho de Deus, que nasceu na carne, para viver a vida de uma de suas criaturas, em plenitude. Isso significa estar sujeito à todas as vicissitudes próprias do ser humano. Sentir fome, sede, frio, cansaço e até, eventualmente, ficar doente. O que muitas vezes não nos fica bem claro é como o próprio Deus, viveu na carne. Ele nasceu consciente de que era o criador desse mundo e tudo que nele existe? Ele estava o tempo todo ciente de tudo, de seu poder, sua onipotência e glória? Ou descobriu aos poucos cada detalhe de sua natureza dupla?

Embora o Novo Testamento (Evangelhos) seja bastante limitado em informações sobre a infância, adolescência e mesmo vida adulta de Jesus, antes do início de sua vida pública, existem alguns escritos, que nos permitem vislumbrar as coisas que de fato aconteceram. Também existe também existe um Escrito, chamado Livro de Urantia, tido como a Quinta de Revelação de Época, sendo a quarta a mensagem de Jesus. Parece que o menino que nasceu em Belém, viveu todas os fatos como qualquer outro, nascido de mulher. Deve ter chorado, foi amamentado por sua Mãe Maria, foi apresentado no Templo, foi circuncidado como todos os filhos varões hebreus, foi levado para o Egito, fugindo da perseguição de Herodes. Voltou para Nazaré e ali viveu sua infância. Brincou com outros meninos, foi para escola onde aprende a ler, escrever e conheceu as escrituras sagradas. Assim, tornou-se um homem normal e completo, enquanto cresceu até alcançar a idade adulta.

Isso nos leva a pensar que ele não tinha consciência de sua divindade ao nascer. Com a sua primeira decisão moral, recebeu do Pai a Centelha Divina, também chamada de Ajustador do Pensamento, como todos os filhos e filhas de homem. Essa Centelha reside na mente da pessoa e serve como uma espécie de bússola para guiar o ser humano, no caminho ao encontro de Deus. Tal como a bússola indica o Norte ao piloto do avião ou navio, também a Centelha apenas indica o caminho. O livre arbítrio de que o Pai nos dotou, concede-nos a liberdade de escolher seguir o caminho que queremos. Podemos seguir a “bússola”, buscando fazer a vontade do Pai, encaminhando-nos para a vida eterna, como podemos negar-nos a seguir esse caminho. A Centelha não tem poder para nos obrigar a nada. Tudo é nossa própria decisão.

O Menino Jesus, depois adolescente e mesmo adulto, desde muito cedo teve também sua centelha. E decidiu seguir as suas indicações, chegando gradativamente ao conhecimento de sua existência dual. Ele era um homem verdadeiro na completa acepção da palavra, porém, era também o Filho de Deus. Essa dualidade não se revelou de uma vez, com toda sua significação. Ele foi percebendo gradativamente e cada vez mais se retirava com frequência para um local ermo e silencioso, para orar, falar com o Pai, que aos poucos se revelava a ele, o próprio Filho.

Carpinteiro

Jesus aprende com o pai José (Internet)

Enquanto crescia e aprendia tudo que era possível aprender, Jesus foi se conhecendo cada vez mais profundamente. Esta descoberta concluiu-se pouco antes do início de sua vida pública, que teve início com o seu Batismo, pelas mãos de João Batista, seu primo, filho de Isabel e Zacarias.

Feitas essas considerações, podemos inferir que ele, ao aproximar-se o dia de sua paixão e morte, estava, na qualidade de filho de Deus, consciente de tudo que viria nas próximas horas e dias. Sabia perfeitamente da traição de Judas, de sua paixão, morte e ressurreição. Assim ele sabia que não estaria com os apóstolos no momento da celebração da Páscoa, na noite da sexta-feira. Nessa hora seu corpo estaria repousando na sepultura, enquanto eles todos estariam espalhados por diversos lugares, escondidos de medo dos sacerdotes e fariseus.

Por isso ele escolheu celebrar com seus amigos mais próximos a Ceia Pascal antecipadamente. Naquela noite, após a chegada dos doze, o Mestre entrou na sala especialmente preparada e fez um gesto definitivo, para completar seus ensinamentos. Era hábito entre os hebreus lavar os pés aos convidados, antes de se assentarem para a ceia. Mas não havia ninguém encarregado disso e os apóstolos, embora longamente doutrinados por Jesus, eram, por natureza orgulhosos e não iriam lavar os pés uns dos outros. Sabendo desse sentimento, o Mestre, despojou-se de seu manto, cingiu-se com uma toalha, deitou água em uma bacia e começou a lavar os pés dos apóstolos, um por um. Completamente estupefatos eles se entreolhavam, mas não sabiam o que dizer. Provavelmente sentiam-se profundamente envergonhados de seus sentimentos mesquinhos de pouco antes.

Ao chegar aos pés de Simão Pedro, este lhe falou:

Lava-pes (2)

Jesus lava os pés de Simão Pedro

– Mestre, tu nunca lavarás meus pés. Não sou digno desse gesto.

Jesus lhe falou:

– Se eu não lavar os teus pés, tu não terás parte no meu reino.

– Então, lave-me o corpo todo, não apenas os pés.

– Quem está limpo, precisa lavar apenas os pés, para remover a poeira do caminho.

Assim terminou aquela cena em um silencio opressivo. Jesus tomando a palavra, disse, entre outras coisas:

– Vós me chamais Mestre e Senhor. Estais certos, pois eu o Sou. Por isso vos digo. Se eu, que sou vosso Mestre e Senhor, lavei os vossos pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Aquele que quiser ser grande no Reino dos Céus, faça-se servo. Quem se humilha será exaltado, quem se exalta será humilhado. Eis que eu vos dou um novo mandamento. “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Eis como irão reconhecer-vos como meus discípulos, se vos amais uns aos outros como eu vos amei”.

A ceia transcorreu com a partilha do pão e do vinho, onde lhes deu ordem de ir pelo mundo, anunciar a boa nora a toda criatura. Essa boa nova era a mensagem que ele veio trazer. Ele veio dizer aos homens que o Pai Celeste, não é um Deus irado, vingador, ciumento e sempre disposto a castigar, aos menores deslizes de seus filhos. Ele é repleto de infinito amor, bondade e misericórdia. Seu perdão a todas nossas rebeldias, descaminhos, está sempre a nossa disposição. É suficiente que reconheçamos nossos erros e nos refrigeremos na fonte da eterna misericórdia desse Pai, cheio de amor. O coração desse Pai está sempre aberto e pronto a nos acolher. Ele preparou um Universo inimaginável para nossa mentalidade limitada, onde iremos galgar gradativamente os inúmeros degraus do aperfeiçoamento, até chegarmos no Paraíso, para receber o abraço paterno. Então repartiremos com Ele nossa experiência adquirida na fantástica aventura no processo de transformação de criatura material, mortal e imperfeita, em um espírito imortal e perfeito, à semelhança do Pai.

Mesmo sendo desde toda eternidade perfeito em sua completude, sua glória, seu poder e majestade, falta-lhe a única coisa que nestas condições lhe é impossível. A experiência de viver e evoluir, desde uma criatura material e mortal, até a perfeição espiritual com a consequente eternidade. Por isso ele precisa de nós e anseia por nossa chegada ao Paraíso, pois assim enriquece a sua natureza, por si só perfeita e completa.

A nossa vida eterna é escolha nossa, única e exclusivamente. Somos livres e podemos seguir o caminho que queremos. Jesus não veio livrar-nos dos obstáculos próprios da nossa vida material. Ele veio nos mostrar o caminho para o abraço final do Pai, no Paraíso. Por isso, a frase tão nossa conhecida: ” Buscai primeiro o reino do Céu e tudo o mais vos será dado por acréscimo”.

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Décio Adams

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