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A Epopéia do Jenipapo.

A Epopéia do Jenipapo

Por Adrião Neto

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A Epopéia do Jenipapo, de Adrião Neto

Há alguns dias recebi do amigo escritor Adrião Neto, natural e residente no estado do Piauí, mais um exemplar de um dos seus livros. Neste momento terminei de ler a Epopéia do Jenipapo.

À primeira vista, pode parecer tratar-se de uma obra de cunho folclórico ou então humorístico. Mas, conhecendo o trabalho de Adrião, logo lembrei de ter visto esse título citado em outra de suas obras. Adrião é funcionário público, mas dedica grande parte de seu tempo livre à escrever. O material para seus escritos ele o busca na história do estado natal, quase que na totalidade.

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Raízes do Piaui – Livro de Adrião Neto.

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Raízes do Piaui

Raízes do Piaui

Terminei de ler o livro que leva o título acima, de autoria do amigo Adrião Neto. De acordo com o próprio autor, é um Pararomance. Em suas palavras define esse gênero como um misto de história com ficção. É realmente isso. O interessante é que ele é provido de uma habilidade tal que entretece os fatos históricos com os ficcionais de forma a tornar quase impossível separar uma da outra. Não houvesse as observações e esclarecimentos prévios feitos por Adrião, alguém menos avisado tomaria o livro como história pura, embora não exista uma cronologia exata dos fatos, ou então veria o todo como uma ficção.

É possível entrever um intenso trabalho de pesquisa em documentos e relatos da época do Brasil colônia, principalmente abrangendo o final do século XVII até a independência na segunda década do XVIX. Relata com realismo incomparável a conquista do território do atual estado do Piaui pelos colonizadores portugueses. A atrocidade no trato com os indígenas, sistematicamente trucidados, escravizados ou submetidos à cristianização forçada. Tais fatos provocaram um efeito de rebelião sob a liderança de Mandu Ladino. Alfabetizado e batizado depois de ver sua família e demais membros da tribo serem todos aniquilados sem a menor consideração. Num momento de rebeldia, matou com uma paulada o padre jesuita encarregado de sua educação e preparação para ser enviado a um seminário onde receberia a ordem sacerdotal.

Um lento trabalho de contato e convencimento levou um grande contingente de populações nativas a rebelião, causando sérios problemas aos fazendeiros e autoridades. Matavam, saqueava e incendiavam as propriedades, como forma de vingar as sevícias que vitimaram seus antepassados. Ao final de oito anos de intensas lutas, finalmente foram derrotados e os sobreviventes submetidos ao aldeamento forçado.

Os padres jesuítas serviram em grande parte aos intentos dos conquistadores, convencendo os índios com promessas que frequentemente eram quebradas pelos fazendeiros e autoridades. Uma tentativa de união dos aldeamentos do norte/nordeste aos demais existentes ao longo do território brasileiro até os Sete Povos das Missões no Rio Grande do Sul. O Marquês de Pombal foi o ministro do reino português responsável pela expulsão da Companhia de Jesus do território português e suas colônias.

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Raízes do Piauí – contracapa.

Um grupo de jesuítas ambiciosos usaram de meios ilícitos para serem considerados como herdeiros de um grande proprietário de terras, de modo que transformaram a Companhia de Jesus de grande parte do atual território do Piaui. Com a expulsão pelo Marquês de Pombal, toda essa propriedade reverteu para a corte portuguesa.

A complementação da independência do Brasil ocorreu na Batalha do Jenipapo, onde foi decidida a independência da província do Piaui e sua adesão ao império do Brasil. São de autoria de Adrião Neto várias iniciativas para valorizar e tornar essa batalha, bem como os personagens centrais em figuras importantes na história do Piaui.

Falando de Adrião, é preciso dizer que se trata de alguém com vastíssimo cabedal cultural, tanto a nível de literatura, história e diversas vertentes culturais. Seria longo demais citar um a um os comentários tecidos sobre seu trabalho de literatos de todos os cantos do país, inclusive do exterior. Viajou o mundo inteiro, trazendo pois em sua bagagem um vasto conhecimento internacional. É invejável sua vasta obra literária.

Realmente vale a pena ler seus livros. Por ora li esse e o outro com o título Parangolé, sobre o qual teci comentários em artigo anterior. Espero futuramente ter ocasião de ler outras obras de tão laborioso autor.

Curitiba, 04 de agosto de 2015.

Décio Adams

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Parangolé! Arre égua!

 

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Dedicatória de Adrião Neto, ao enviar-me o seu livro Parangolé.

Parangolé.

Para quem não conhece o “nordestinês” e para quem conhece recordar, essa palavra tem por significado, pelo menos em terras piauienses: ” lero-lero, conversa fiada, lábia, história contada com floreios e arrodeios”.

Pode parecer que o livro seja um amontoado de lero-lero, conversa fiada. Ledo engano. Adrinão Neto, consegue em seu linguajar, entremeado de expressões típicas do nordestinês, do qual apresenta um pequeno glossário ao final do livro, nos contar uma história fictícia, enquanto paralelamente narra fatos históricos que remontam ao tempo da independência nacional.

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Parangolé, de Adrião Neto.

É uma prosa leve, que prende nossa atenção, da primeira à última página, sendo difícil interromper a leitura por algum motivo que não seja muito forte.

Recebi o livro pelo correio na última segunda feira e já na quarta feira o havia lido totalmente, desde as orelhas da capa, as páginas introdutórias e o glossário com termos regionalistas encontrados ao longo do  texto.

Não bastassem os comentários elogiosos encontrados impressos na orelha da capa, bem como no marcador de páginas que o acompanhou, para apurar os sentidos do leitor apaixonado, logo de saída encontramos as páginas do primeiro capítulo que prendem a atenção. Não bastassem as figuras dos padres, um deles quase morto por uma sucuri durante o banho nas águas refrescantes de um riacho, há as figuras do guia e do acólito, típicos da época e região.

As estripulias de uma tribo indígena, sempre em disposição de guerra, dão um tempero bem próprio ao tempo do Brasil Colônia e Império. Somos conduzidos pelas páginas de Adrião Neto pela história piauiense nas primeiras décadas do século XIX, com a tentativa dos militares portugueses que por lá estavam aquartelados, de manter as províncias do norte brasileiro, sob domínio português. Aos poucos os nativos os derrotaram e aderiram ao grande país Brasil, sob os auspícios de Dom Pedro I, mesmo sendo ele filho de Dom João VI, rei de Portugal. Deixara de existir o Reino do Brasil, unido ao de Portugal e algarves.

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Contra-capa.

Adrião Neto, é um prazer ler sua prosa, viajar na história de seu estado natal, bem como a ficção entrelaçada no meio dos fatos históricos. Há momentos em que temos dificuldade em separar a ficção, da parte real da história. É preciso estar atento para não misturar as duas partes.

O uso das expressões regionais, misturadas ao texto, torna-lhe o sabor todo típico. Leva-nos a sentir as areias das praias nordestinas, o calor do sol, o sabor dos cajus, côcos e peixes, a brisa marinha trazendo a maresia repleta de sal.

A  religiosidade popular, contrastando com o zelo dos padres, empenhados em levar o evangelho aos rincões mais distantes, com elevado teor de sacrifício e abnegação. Mesmo assim, por vezes, são tratados com pouca consideração. Os índios, parcialmente aculturados, mantém suas tradições na medida do possível, mas misturam parte dos costumes do homem  branco, transformando-se em algo intermediário do silvícola nativo e o homem civilizado.

Sem dúvida é uma leitura agradável, instrutiva. Com o glossário de palavras regionalistas do final, não restam dúvidas na compreensão de todo o texto, pois a linguagem geral é tal qual a nossa aqui do sul.

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Marcador de página de Adrião Neto.

Ao amigo Adrião Neto, meus cumprimentos e espero no futuro ter oportunidade de saborear outros trabalhos de sua lavra. Receba um caloroso abraço de um gaúcho, nascido na terra das Missões do Rio Grande do Sul, porém há longos anos afastado, vivendo em terras paranaenses, com uma incursão breve no Mato Grosso nos anos 80/90 do século findo. Desejo que nos brinde com outros produtos de rara beleza e conteúdo típico do nordeste.

Curitiba, 04 de julho de 2015.

Décio Adams

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