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Na senda dos monges. -Capítulo II (Indo para o sul)

Botucaraí2

Botucaraí, vista do lado do rio.

Indo para o sul.

 

 

Depois de algumas semanas de caminhada, dormindo algumas noites em celeiros. A chuva torrencial e sem uma gruta para se abrigar, levaram-no a pedir pouso em propriedades ao longo da estrada. Haviam-no convidado para a refeição e aceitara apenas alimentos leves. Pão, legumes e frutas. Em várias ocasiões passara algum tempo palestrando com o proprietário da casa. Sua voz era sempre serena, embora grave. Tinha na mente passagens bíblicas, evangélicas, profecias e salmos. Sabia sempre recitar alguma parte e depois fazer uma interpretação aplicável aos dias correntes. O tropeiro lhe deixara o animal para ser usado. Quando se encontrassem novamente, poderia devolvê-lo ou então deixar em algum lugar de pouso.

Diversas vezes pernoitara na beira do acampamento de tropeiros em viagem para Sorocaba. Passou por Jacarezinho, Castro, Ponta Grossa e chegou à Lapa. Ali encontrou um maciço rochoso, com uma vertente abrupta voltada para o povoado próximo. Habituado a procurar abrigo em lugares aparentemente inóspitos, localizou uma gruta onde se fez sua morada temporária. A longa caminhada, tivera como efeito deixar os ossos doloridos. O corpo cansado necessitava repousar.  A vegetação da encosta forneceu a cama, a lenha e algumas frutas silvestres. Um pedaço de pão e uma fatia de queijo completariam a refeição frugal da noite que se aproximava. O burro encontrou pastagem e água nas proximidades, onde o deixou amarrado.

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Na senda dos monges! – Capítulo I, (Revisto)

morro de araçoiaba

Morro Araçoiaba, Sorocaba, SP.

Na senda dos monges.

 

  1. Giovanni Maria D’Agostini.

 

– Buon jorno, signiori!

– Bom dia!

– E qui que necessito me apresentar para ter documento de strangero?

– Sim. É aqui mesmo.

O funcionário da prefeitura de Sorocaba, responsável pelo cartório, em pleno dia 24 de dezembro de 1844, levantou-se e pegou no grosso livro de registro de estrangeiros. Abriu-o procurando a primeira página em branco, para fazer mais um assentamento. Nesse dia haviam se apresentado vários outros. Esse pelo jeito de falar, deveria ser italiano. Usava uma espécie de hábito religioso, estatura mediana, cabelos compridos, barba cerrada longa, caindo sobre o os ombros e peito. Tinha semelhança com os Freis Capuchinhos, que nessa época andavam pelo interior do país, evangelizando a população.

– Qual é o seu nome?

– Mio nuomo es Giovanni Maria D’Agostini. Nascito en Italia. Puode vere qui en este papel. – falou o homem entregando um papel dobrado, quase ilegível de tanto uso. Sujo de suor e terra das estradas do mundo.

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