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O professor não é educador! – Parte VI

Parte VI

 

Um resultado interessante do conteúdo do livro O professor não é educador, foi uma ação desenvolvida por Edésio Reichert em conjunto com um grupo de empresários, foi a aquisição e doação de globos terrestres e mapas mundi, do Brasil e do Estado. Fizeram a doação desses materiais para uma escola, de modo que nenhuma das dez salas de aulas ficasse desprovida de um exemplar de cada um dos mapas, bem como um globo. É considerável a mudança proporcionada no desenvolvimento das aulas de geografia e história nessa escola. Vamos ver o vídeo, que mostra os alunos em atividade em uma das salas. Pode-se fazer muito, com pouco dinheiro. Não é necessário um imenso capital para tornar essas coisas simples realidade.

https://www.youtube.com/watch?v=6HP6MA_YS0E

Mais um produto resultante do trabalho de Armindo Moreira. A base para o resultado final, foi uma Caixa métrica, existente em tempos idos nas escolas portuguesas. Nessa caixa havia os materiais concretos para ensinar noções de medidas, formas geométricas, ângulos, áreas, volumes, capacidades de recipientes e equilíbrio de corpos, aplicando o princípio da balança de pratos.

Edésio Reichert levou a ideia a uma empresa de brinquedos e a proprietária, junto com a equipe técnica, desenvolveu um Armário Métrico. É provido de réguas, esquadros de diferentes modelos, retângulos, quadrados, circunferências, paquímetro, balança de pratos, recipientes para comparar capacidades. O resultado foi encantador e de baixo custo. O vídeo a seguir apresenta a demonstração do armário para uma equipe de professores no município de Toledo, deixando a todos encantados com as possibilidades de desenvolvimento de aulas concretas. Evitando assim a introdução de tecnologias virtuais e avançadas, de maneira precoce na vida de aprendizagem do aluno. O conceito é que criança aprende com o concreto, manipulando os objetos, sentindo lhes a textura, a forma, a dimensão. Quanto a isso, sou testemunha pessoal. Em criança convivi muito com meu avô e aprendi o uso de esquadro, pua, formão, serras e demais ferramentas. Fio de prumo e outros recursos, sem nenhuma tecnologia avançada, mas de imenso valor na aprendizagem de conceitos fundamentais.

Como não há essa possibilidade de ter essa forma de vivência nos dias atuais, o uso de material concreto para o ensino desses conteúdos nas escolas é fundamental. Espero que isso não seja apenas uma iniciativa isolada, sem repercussão no resto das escolas. É necessário difundir essas ideias e materiais, tornando o aprendizado dos nossos alunos mais proveitoso e prazeroso.

Vejam o vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=sdU3oNCFjqE

Convido a todos os leitores, espectadores para difundir, divulgar esses materiais. Os vídeos estão disponíveis no Youtube, sendo permitido a qualquer um a divulgação e difusão do conteúdo. O objetivo é fazer essas ideias chegarem a todos os recantos do nosso imenso país. Muito podemos fazer, sem necessidade de grandes gastos, investimentos altíssimos. Disso sou testemunha viva. Nos últimos anos de atividade como professor na hoje UTFPR, fui chefe do laboratório de física. Ao sair dali para a aposentadoria em 2003, deixei em uso uma porção de equipamentos simples, feitos com restos da marcenaria, alguns pregos e pedaços de chapas metálicas. Tudo reutilizado, nada comprado. Com esses equipamentos eram realizadas diversas experiências de cinemática que, sem seu concurso, eram explicadas apenas com desenhos no quadro, nas folhas de papel, ilustrações em livros ou apostilas. Com o uso desses equipamentos, as fórmulas e cálculos ficaram fazendo sentido, pois se baseavam na observação, medição e análise dos resultados. Posso afirmar que dessa forma o aprendizado era muito mais consistente. E eram usados no ensino médio, ou seja, curso Propedêutico.

Décio Adams

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O professor não é educador! – Parte V

Parte V

 

No vídeo que iremos ver logo adiante, Armindo Moreira afirma que o sistema de aprovação automática, ou seja, a ausência de repetência nas escolas, é um erro grave. O entrevistador Edésio Reichert apresenta dados estatísticos indicando a desaprovação do sistema por elevado percentual de pais, professores e mesmo alunos. Pela minha própria experiência posso afirmar que, ninguém se sentirá seguro para enfrentar uma nova etapa de aprendizado, se a(s) anterior(es) não estiverem fazendo parte do suas habilidades adquiridas. Tenho plena convicção de que, uma reprovação no momento certo é mais útil do que a aprovação sem mérito algum. Vejamos um professor de matemática, tentando ensinar ao aluno álgebra, se este sequer domina as propriedades das quatro operações aritméticas, as propriedades dessas mesmas operações, que são a base para o aprendizado de álgebra. Vai resultar indubitavelmente um novo fracasso ao final do ano. Mas ele é mandado para frente, enquanto em sua cabeça se acumulam frustrações sobre frustrações, além de desenvolver o desinteresse pela disciplina. Para que ele irá se esforçar, se a aprovação não irá depender desse esforço?

Se no entanto for confrontado com a reprovação, seja na disciplina que for, terá pela frente um ano para repetir os mesmos conteúdos. Há evidentemente necessidade de estímulos para que ele queira ultrapassar o obstáculo. É necessário lançar lhe o desafio, mexer com os seus brios e isso o levará a enfrentar os anos posteriores, com os pés firmes no chão. O aprendizado dos conteúdos novos, baseados nos precedentes, ficará enormemente facilitado. Sem esquecer que o fato de ter repetido uma vez, servirá de acicate para lhe espicaçar o espírito e querer ser aprovado, sem necessidades de manobras diversas. Sentirá que foi aprovado por seus conhecimentos, servindo assim para lhe preparar o espírito, em vista dos desafios que a vida pós-escolar lhe irá apresentar.

Outro assunto abordado é o ECA. Devo confessar que comungava da ideia comum de desaprovação do estatuto, mas não cheguei a ler o teor completo do documento. Conhecia por algo alguns tópicos. Moreira no entanto o leu inteiro e lhe fez uma crítica de forma construtiva. Vendo a questão pelo ângulo que ele demonstra, sou obrigado por meu turno a dar razão. Preciso rever minha posição e, no momento oportuno, dedicar algumas horas para ler o conteúdo inteiro. Trata-se de um Diploma Legal, que, à semelhança da Teoria de Marx, é muito mal interpretado e mais mal aplicado. Dessa forma gera uma porção de incompreensões, ações desconexas e contraditórias. Temos como resultado uma insatisfação geral com relação aos assim chamados “efeitos do Eca” sobre nossa juventude e os adultos em que eles irão se transformar. É urgente um estudo aprofundado das disposições desse estatuto. Se forem encontradas incongruências, devem ser discutidas e sugeridas as devidas modificações, para que se torne algo útil e não meramente “letra morta”, como tantas de nossas leis. Aprovadas, sancionadas, promulgadas e no entanto seu efeito jamais se faz sentir, pois não entra em vigor realmente. Há sempre uma forma de contornar, desviar, burlar e fica tudo na mesma.

https://www.youtube.com/watch?v=mrndG0H4GEg

 

O entrevistador Edésio Reichert faz uma proposição. Sugere que todos deixemos de usar a palavra  educação, quando em verdade estivermos nos referindo ao ensino; à aquisição de habilidades, competências. Com o tempo iríamos ter um Ministério do Ensino ou da Instrução, Secretarias Estaduais de Ensino ou Instrução e assim por diante. As famílias seriam forçadas a assumir a educação de seus filhos, para que ao chegarem aos bancos escolares, tragam em si a personalidade, a ética, a moral, o respeito e educação, estando prontos, dispostos a estudar de verdade. É uma atitude de ruptura com o status quo do momento, mas se o país é o que nós fazemos dele, cabe darmos a contribuição usando os meios as nosso dispor. Não devemos nos omitir nem escusar de fazer o que nos compete na qualidade de cidadãos. Não é por estarmos em idade mais avançada, não termos mais filhos em idade escolar que estamos isentos disso. Somos cidadãos até o final de nossa vida. Cabe-nos dar exemplo e apontar o caminho do futuro até o fim. Sendo assim, vejamos o vídeo e comecemos a por em prática nossa atuação.

https://www.youtube.com/watch?v=GqRDo_wXUfk

No vídeo a seguir, Armindo faz a Edésio Reichert um resumo do conteúdo de seu livro. Em poucas palavras nos diz que para termos uma escola realmente transformadora de nossa sociedade, precisaremos primeiramente de currículo único para todo país. Sei que isso irá gerar resistências em muitos lugares, no entanto, imaginem uma criança que seja, por qualquer razão, obrigada a se mudar. Ela poderá sair de uma escola em que o currículo seja totalmente diverso daquele que encontrará no novo endereço. Como ela irá se adaptar a essa nova realidade? Podem crer, não será fácil. Atrevo-me a dizer que, em muitos casos, será até impossível. Qual será o efeito sobre a vida dessa pessoa quando for colocada no mercado de trabalho? Poderemos esperar dela um desempenho satisfatório?

Outra questão é a profissionalização das direções escolares. É fácil compreender que, se qualquer empresa para ser bem gerida, precisa de um administrador competente para dirigir seus destinos. Por que então, uma escola deveria ser diferente? Lembro dos anos de faculdade. Em nenhum momento fomos confrontados com os problemas administrativos de uma escola. Mesmo assim depois é esperado de muitos de nós que saibamos administrar uma escola, com todas as suas implicações, particularidades, questões burocráticas e relações humanas. Não vamos ao ponto de dizer que não poderão ser professores os diretores. Mas antes deverão passar por cursos de preparação para ocupar as funções administrativas. Não bastam alguns dias, ou mesmo horas de orientações e pronto, o professor está pronto a enfrentar toda diversidade de questões inerentes à gestão da escola.

Há um ponto em que tenho ligeira discordância, mais no sentido da exequibilidade do que na intenção e validade de aplicação. Defende Armindo que as provas a que os alunos serão submetidos visando sua aprovação ou não, sejam elaboradas pelo professor, mas avaliadas por outro professor. Isso cria uma dificuldade pois poderemos ter um professor de química, avaliando provas de português, uma professora de educação física avaliando provas de matemática e assim por diante. Isso me parece uma incoerência. Nas escolas de grande porte, onde haja vários professores da mesma disciplina, poderá ocorrer esse revezamento, mas nas menores, isso fica impraticável. Deve ser objeto de melhor discussão esse aspecto da questão.

Dedicar uma boa porcentagem do tempo escolar à leitura. Objetivando com isso desenvolver o hábito, agilidade e capacidade de compreensão do texto lido. O resultado seria uma maior desenvoltura na aprendizagem de todos os demais conteúdos que virão depois. Isso me lembra das minhas aulas e provas de matemática/física. Sempre corrigi os erros de ortografia, sendo por isso questionado pelos alunos. Diziam que eu não deveria lhes corrigir os erros de português, uma vez que não era minha disciplina. Lembro que nunca lhes atribuí notas a menos por isso, mas sempre lhes afirmei: Escrever e falar corretamente é necessário em todos os ramos de atividade. Não é exclusividade das aulas de português. Hoje, muitos deles são meus amigos no facebook e em muitas ocasiões recebi deles elogios variados relativamente à minha atuação enquanto atuava na sala de aula.

Para ver todos os itens do livro, vamos ver o vídeo. O que comentei, foi a parte que mais chamou minha atenção. Vamos mudar nosso país pela educação, especialmente pela atuação de cada um de nós durante a vida.

https://www.youtube.com/watch?v=Wk5b1oBf5xU

Espero que isso não termine aqui. Não basta vermos os vídeos, comentar uma ou outra coisa, mas depois tudo cai no esquecimento e esperamos que os outros façam a diferença, afinal não é nossa tarefa mudar o mundo. É nossa tarefa sim e precisamos todos fazer nossa pequena parte. Só assim teremos um dia um mundo melhor para legar às próximas gerações.

Décio Adams

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O professor não é educador! – Parte IV

O professor não é educador!

 

Parte IV

 

Nesse próximo vídeo, vemos Edésio Reichert entrevistando Armindo Moreira sobre a avaliação que ele faz de Paulo Freire. Não estou habilitado a falar com propriedade, pois lamentavelmente não li a obra de Paulo Freire. Segundo as palavras de Moreira, trata-se de alguém que pensou em educação de adultos, visando prepara-los para a implantação do socialismo. Nem mesmo ele, Paulo Freire, jamais de intitulou educador. Não elaborou teorias ou métodos de educar crianças e no entanto está em moda nas escolas que formam nossos professores seguir Paulo Freire. Trata-se pois de um equívoco que precisa ser revisto e corrigido. Não há porque usar os escritos de alguém, dirigidos a adultos a serem alfabetizados, para a preparação de professores que irão atuar na alfabetização e instrução de crianças ou adolescentes. Vejamos o vídeo para saber do que se trata. Armindo Moreira está mais apto a falar do assunto.

https://www.youtube.com/watch?v=baf7c_vbShE

No vídeo a seguir, vemos Armindo Moreira falando sobre a revolução de 31/03/1964. Faz alguns esclarecimentos a respeito dos fatos, discorre sobre o desenrolar das ocorrências posteriores, guerrilhas, fatos políticos e sobre a Comissão da Verdade. É interessante ver o que ele fala sobre Marxismo, comunismo e suas implantações em diversos lugares no mundo. Sua interpretação das teorias de Marx e posteriores implementações na prática são assaz interessantes.

https://www.youtube.com/watch?v=F–ApbFhN0I

Sinto falta de não ter dedicado algum tempo para ler as obras de Marx e outros pensadores. Depois que iniciei minha vida de trabalho e estudos, não mais houve tempo de aprofundar outros assuntos, além dos específicos das disciplinas estudadas na escola. Por outro lado a educação recebida no interior, depois no seminário e alguns fatos posteriores, fizeram com que tivesse receio de ler essas teorias. Não é de estranhar, pois vivi minha infância e adolescência nos anos duros da guerra fria. Nasci em 1948, logo que a Grande Guerra terminou e se implantou regimes comunistas, totalitários em mais da metade da Europa, na China e depois Cuba. As guerras da Coréia, Vietnã, isso fazia ter horror a tudo que se relacionasse com comunismo ou fosse semelhante de alguma forma.

Hoje, depois de viver longos anos de trabalho, vejo com olhos experientes os fatos ocorridos. Não posso dizer que me arrependo do meu comportamento, pois fui induzido a agir dessa forma. Desde muito pequeno, me incutiram o sentimento de autopreservação. Isso eu fiz, mas em muitos casos poderia ter agido de modo diferente, pois hoje vejo que fui omisso. Mas agora é passado.

Décio Adams

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