Feira Anual do Livro de Gramado I – A viagem.

Nossa viagem na ida

            Planejamos iniciar a viagem pela manhã no dia 13 de junho, para permitir um percurso tranquilo até Treviso, em Santa Catarina, onde mora Patrícia Brephol Cesconetto, minha ex-aluna do tempo que morei em Brasnorte, MT. Dois dias antes ligaram da APR marcando meu comparecimento na sexta feira às 13 h na sede da mesma, visando substituir o encaixe da minha prótese da perna esquerda. Consegui convencê-los de fazer isso pela manhã, para não atrasar demasiadamente o início de nosso passeio. Eu aproveitaria na volta para apanhar na gráfica os folders e marcadores de páginas que mandara imprimir. 
                Para complicar, o processo atrasou na APR e os impressos não ficaram prontos, obrigando a esperar até perto de 14 h para sairmos. Pela manhã, antes de sairmos de casa, tiramos duas fotos para registrar o momento. Nossa primeira viagem após o meu acidente em 2011. Eis as imagens.
Vista de nossa rua, com neblina.
Vista da nossa rua.
                    Iniciamos o percurso faltando alguns minutos para as 14 horas. O dia que começara com neblina, estava ensolarado e a temperatura havia subido consideravelmente desde as primeiras horas. Nessa ocasião tive oportunidade de conhecer o tão falado Viaduto Estaiado construído sobre a Avenida Comendador Franco, que liga Curitiba a São José dos Pinhais. O fluxo de veículos era intenso, mas fluía com regularidade. Não resisti e bati duas fotos da obra que tanta celeuma causou no período pré copa do mundo, alguns contra, outros a favor. Alguns inclusive querendo parar a obra, como se com isso houvesse algum ganho na verdade. Eis que enfim ficou pronto e estava em uso, cumprindo sua finalidade. Se era possível fazer uma obra mais barata ou não, é questão para ser resolvida em outro fórum. Vejam as imagens que fiz. 
Andando pela Avenida Comendador Franco.
Viaduto estaiado sobre Avenida Comendador Franco.

                   Aos poucos nos livramos do trânsito misto da área urbana e rodoviário, existente nessa fase. Iniciamos a descida da serra no sentido de Joinville em Santa Catarina. Não tardou e encontramos uma enorme quantidade de veículos parados, devido a uma obstrução da pista devido ao tombamento de uma carreta carregada de soja, que demandava o porto de Itajaí-SC. Perdemos cerca de uma hora esperando a liberação da pista. quando finalmente voltamos a andar já eram 16 h 45 min. 
          Este portal recepciona os visitantes e também os que estão de passagem, por São José dos Pinhais, cidade que faz parte da região metropolitana de Curitiba. 
Uma parte do lago formado pela represa existente em território paranaense, no caminho de quem demanda o território de Santa Catarina em sua região de litoral.








       Algumas imagens da estrada no início da serra por onde passa a estrada BR-101.
  

Assim passamos por Joinville já perto de 18 horas, devido ao tráfego pesado existente na região. Seguimos e em pouco a intensidade do movimento de veículos diminuiu e pudemos desenvolver boa velocidade. Minha “motorista” se habituou logo ao movimento e passamos a devorar quilômetros rapidamente. Passamos por uma sucessão de cidades como Camboriú, Blumenau e outras, enquanto a noite ia se fechando. Passamos por Florianópolis quando já estava completamente escuro. 

         Algumas imagens noturnas na BR-101, defronte dos acessos à Florianópolis. 









          Depois que ultrapassamos Florianópolis, encontramos um trecho de estrada em obras. Diversos pontos com pista simples e precária, desvios, obrigando a uma sensível redução de velocidade em nome da segurança. Paramos para jantar em um restaurante à beira da estrada, em Paulo Lopes. Pouco depois o GPS nos indicou o ponto em que de
veríamos deixar a BR-101, dirigindo-nos para Criciuma e depois Treviso. Mal tomamos a estrada secundária e nos deparamos com dois problemas. Começava a chover e as condições do asfalto, sinalização e condições gerais da rodovia eram precárias. O que deveria demorar em torno de uma hora ou pouco mais, acabou se transformando em praticamente três horas. Acabamos chegando à casa de Patrícia em torno de meia noite. Isso ainda graças à precaução dela de nos esperar alguns quilômetros antes, para auxiliar e indicar um caminho mais curto. É fácil imaginar a dificuldade de enfrentar, em hora adiantada, uma estrada problemática e com chuva. E realmente teria sido praticamente impossível encontrar o endereço, pois ela me omitira esse detalhe, provavelmente já tendo em mente o objetivo de nos encontrar no caminho. 

              Foi uma sensação um tanto receosa que sentimos quando chegamos, pois na escuridão praticamente total que nos rodeava, não víamos os arredores. Tivemos a impressão de termos chegado ao fim do mundo. Fomos calorosamente acolhidos e matamos a saudades de mais de vinte anos. Quando fomos dormir passava de duas da madrugada. O cansaço da viagem e o avançado da hora frustraram nosso projeto inicial de partir na manhã de sábado cedo para chegar a Gramado por volta do meio dia. Dormimos sem nos preocuparmos com a hora de levantar. Na manhã seguinte, uma agradabilíssima surpresa nos esperava. As fotografias que tirei, apesar da chuva que continuava caindo sem cessar, mostram a beleza do lugar. Na hora da chegada a escuridão havia ocultado uma vista mais linda que a outra por todos os lados. Muito verde, reflorestamentos de eucaliptos, pinheiros e pínus eliotis(se não me engano) cercam tudo, vários jardins das outras residências da família Cesconetto, lagos, árvores frutíferas, formando um conjunto deslumbrante. Vejamos as fotografias. 

Esta é a estrada de acesso ao pequeno núcleo residencial de várias famílias em casas cercadas por amplos jardins e pomares. 
Por toda parte muitas árvores, flores em profusão, gramados e beleza que nem o tempo encoberto era capaz de ocultar. 




Flores, verde, lago e beleza luxuriante por toda parte. Para o lado oposto, árvores frutíferas, eucaliptos e mais verde. 

Mais longe o reflorestamento que é a base da economia da região, ficando mais abaixo o lago visto na outra foto.
Em frente uma bela casa em estilo colonial, com muito verde por toda parte










Vamos mostrar os moradores da casa que nos acolheram por aquela noite. Ficaram todos contentíssimos com nossa visita, embora rápida. É a mãe com seus dois filhos e uma filha, pois o marido os deixou por doença grave há pouco mais de um ano. 
A dona da casa, tendo a mim ao lado, em sua copa/cozinha, preparando o café da manhã. 

Logo abaixo vemos o fogão a lenha, sinal da existência abundante desse combustível na região, graças aos reflorestamentos. 

É um modelo que eu nunca havia visto, aparentando muita robustez e beleza em sua core escura. 

Rita, minha esposa, já refeita do cansaço da véspera, logo após levantar já próximo do meio dia. A estrada judiara na primeira etapa e a falta de hábito também ajudou a deixá-la esgotada.





Abaixo ela e a dona da casa Patrícia, conversando, lembrando o tempo de convivência em Brasnorte, MT.

Patrícia e seus dois filhos comigo, pouco antes de reiniciarmos a viagem.  

Patrícia junto à pia de lavar louças, tendo ao lado o fogão a gás e do outro o a lenha, em plena ação.








        Pouco após o almoço, em torno de 14 horas, encetamos a segunda etapa da viagem a Gramado. Aconselhados pela filha de Patrícia, mudamos o plano inicial que era tomar o caminho pelo interior, na rodovia RS-235. Esse conselho foi motivado por problemas de transitabilidade da rodovia em finais de semana e principalmente com chuva. Por isso retornamos para a BR-101 e seguimos até a rodovia conhecida como Rota do Sol que liga o litoral gaúcho a cidades do interior, passando por Gramado e Canela. Fôramos informados em um estabelecimento comercial às margens da 101 tratar-se de uma estrada ótima, sendo fácil chegar assim ao nosso destino. A chuva continuava e chegamos à rodovia que nos foi recomendada. 

        Se não fosse o adiantado da hora, nem a chuva, provavelmente teríamos apreciado muito o percurso. Uma estrada altamente sinuosa, em grande parte ladeada de florestas ora de conservação ambiental ou então de reflorestamentos; ladeiras íngremes, túneis com entradas em curva acentuada, seguida de curvas no interior da escavação. Depois um longo trecho sem luz alguma visível da estrada. Não existe nenhuma estrutura de apoio no trecho. Se precisássemos de algum socorro, seria necessário aguardar pacientemente a passagem de algum viajante tardio, coisa pouco provável naquelas condições. O sinal de telefones celulares não existia evidentemente. Graças a Deus conseguimos chegar ao destino por volta das oito horas, e ficamos hospedados em casa de Flávia Ten Caten, filha de uma prima de minha mãe que lá reside com seus filhos. A viagem fora muito mais cansativa do que havíamos imaginado, porém nenhum contratempo nos incomodou.

Essa é a Flávia que nos hospedou durante a estadia em Gramado. Obrigado pela acolhida calorosa. 


Esta foto foi feita um pouco antes de chegarmos ao viaduto, sob o qual iríamos passar. Tudo estava em clima de Copa do Mundo. Ali estava uma via de acesso de turistas provenientes do Aeroporto Afonso Pena, situado em São José dos Pinhais. 
        Em alguns segundos nos aproximamos do viaduto e ei-lo em sua imponência. Uma obra de engenharia realmente notável. 

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